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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Draco
começa a ter pesadelos com campos de batalha, acompanhado sempre por uma
garota. Quando desperta do primeiro deles, encontra Ametista sangrando e pedindo
ajuda na sala comunal da Sonserina - ela sofreu mais um ataque. Enquanto isso, a
relação de amizade entre Harry e Cho provoca mais uma briga entre o jovem e a
namorada. Hogsmeade apresenta a loja dos gêmeos Weasley - um estouro,
literalmente - e acrescenta uma boa dose de humor na estória. Porém, nem mesmo
as piadinhas e as "gemealidades" Weasley podem evitar que o namoro de
Ametista e Harry seja quebrado por algo muito maior. Agora, Ametista está
perdida no meio de uma tempestade...
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CAPÍTULO QUINZE – SONHOS
QUE SE TORNAM REALIDADE
- Você ficou em dúvida?
Harry abaixou os olhos. Hermione sacudiu a cabeça negativamente,
tentando assimilar tudo que o amigo havia dito. Agora, o namoro deles parecia
estar por um fio.
- Eu pensei que você gostasse mesmo da Ametista. – disse Hermione num
tom quase desanimado.
- EU GOSTO! – exclamou com certeza. Muitas pessoas nas outras mesas
espiaram curiosos. Harry abaixou a voz. – Eu gosto. Muito.
- Me desculpe, Harry, mas se você gostasse muito não teria dúvida
na hora de responder. – retrucou Rony, tentando não ser rígido com o melhor
amigo.
O monitor da Grifinória bufou vagarosamente. Corando ligeiramente,
levantou os olhos para os amigos novamente e disse, expressando seus
sentimentos:
- Eu estou apaixonado pela Ametista – e ao dizer corou furiosamente.
– Ela me tira do sério e é tão carinhosa ao mesmo tempo – Harry pareceu
tentar explicar o que sentia e definiu impaciente. – Ela me deixa maluco!
- Nós dois sentidos, ele quer dizer, Rony. – completou Hermione, vendo
um olhar malicioso e brilhante surgir na direção de Harry.
Os três riram. Harry olhou mais uma vez para a porta de entrada. Mais de
uma hora e nenhum sinal dela. Que estava acontecendo?
Quando menos esperava, o Bar ficou totalmente às escuras. Pôde-se ouvir
alguns gritos de surpresa e outros num som contente, como se fossem risadas.
Madame Rosmerta procurou rapidamente colocar inúmeras velas flutuantes sobre as
mesas e todos os cantos do estabelecimento. Hagrid, Arabella e Sirius começavam
a checar todos os alunos dentro do Bar. Tinham muitos em pé e outros se
apertando nos bancos das mesas e do balcão. As cervejas amanteigadas não
estavam dando conta de esquentar os alunos e a tempestade do lado de fora
parecia piorar a cada momento.
Cerca de cinco minutos depois, Sirius apareceu na mesa de Harry.
Carregava uma expressão preocupada. A realidade era que há mais de meia hora
que seu coração estava pesado. Como se algo de muito terrível estivesse para
acontecer. Uma dor quase sufocante não o deixava no controle de suas ações
completamente. Arabella pedira inúmeras vezes que ele se sentasse, mas não
conseguia. Havia alguma coisa de errado. Ele sabia.
Quando Harry notou a expressão do padrinho, ficou intrigado.
- Sirius, você está bem?
O professor, pálido e trêmulo, voltou-se para Harry e os amigos.
- Sim, sim. Acho que estou só um pouco nervoso. Sabe como é, cuidar de
todas essas crianças. É difícil, muita responsabilidade.
Harry franziu as sobrancelhas, sabendo que Sirius não falava a verdade.
Havia algo a mais que o preocupava. Foi quando um estouro aconteceu.
A vidraça da porta partiu-se em pedaços minúsculos e provocou uma onda
de pavor no Bar. Os menores berravam e alguns até deixavam algumas lágrimas de
horror escorrerem pelos seus rostos. Outros tentavam acalmar a multidão
estarrecida e ainda havia aqueles que faziam questão de tumultuar. Arabella e
Hagrid procuraram acalmar a todos e a professora refez a vidraça, reforçando-a.
A ventania piorara absurdamente do lado de fora e o céu ficara ainda mais
tenebroso. Arabella arriscou colocar a cabeça para fora e assistiu raios caírem
seguidamente no solo de Hogsmeade. Havia algo de muito errado. E ela podia
apostar que era grave.
Enquanto isso, após o estouro da vidraça, Sirius correu seus olhos pelo
assento de Harry e os demais. Desesperado, voltou a mesa do afilhado e, com os
olhos arregalados, perguntou:
- Onde está a Ametista, Harry?
O monitor tentou articular uma resposta, mas não conseguiu. Hermione
notou e explicou para Sirius que eles haviam brigado e que ela decidira sair sem
rumo dali. Se ainda fosse possível, Sirius abriu os olhos mais fortemente e
suas mãos fugiram de seu controle, tremendo sem parar.
- Que é que está acontecendo, Sirius? - perguntou Harry nervosamente, já
esperando algo ruim.
Sirius não respondeu a Harry porque estava sentindo seu sangue ferver em
suas veias. Era Ametista. Algo estava acontecendo com ela. Desgovernado, Sirius
saiu correndo do Bar Três Vassouras, deixando Arabella e Harry apavorados. Ele
não explicara nada, apenas repetia:
- Ametista! Ametista!
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Havia uma névoa cobrindo a
imagem do casarão tão velho como aquele. Uma cortina de água provocada pela
tamanha força do temporal. A chuva aumentava com o passar dos segundos enquanto
Ametista tentava recordar o por quê daquela sensação. Já estivera ali? Não
era possível! Ela já havia conhecido aquele lugar antes! Há muito tempo atrás
ou recentemente?
Virou-se para trás. O dia era noite e, assim, as luzes das casas estavam
acesas. Os postes de luz mágica estão fervilhando dentro da caixa de vidro que
cobre a fonte luminosa. Uma nova ventania furiosa atinge Ametista. Ainda havia
algumas lágrimas restantes em seus olhos. Distraiu-se novamente, imaginando
Harry e Cho juntos. Rindo. Sorrindo. Encarando um ao outro. Ametista ainda
tentou sacudir a cabeça negativamente na esperança de que aquelas imagens saíssem
de sua cabeça, mas parecia impossível. Os olhos verdes do namorado – ou ex
– observam atentamente a garota mestiça. Verde encontrando o negro da
japonesa. Inevitavelmente, mais lágrimas formaram-se em seus olhos. Ela gostava
demais dele para ser trocada por uma ilusão – afinal, Cho nunca mostrou um
interesse objetivo em Harry. Naquele momento, desejou que não tivesse conhecido
Harry, que não tivesse entrado na Grifinória e mesmo que nunca se apaixonasse
por ele. Sim, ela poderia voltar a odiar Harry com todas as suas forças. Ou não?
Um relâmpago cortou a meia-escuridão do céu. A veloz e repentina
claridade despertou algo dentro de Ametista. Sua atenção estava voltada para a
casa velha a sua frente mais uma vez. Ainda calada e procurando driblar os soluços
do choro, Ametista sentiu um aperto no coração. Alguma coisa acontecia dentro
daquela maldita casa. Precisava entrar. Era quase uma ordem. Mas de quem? De sua
mente que estava tão perturbada no momento?
- Não importa. – respondeu para ninguém, num tom baixo, no meio
daquele temporal.
Após pular uma poça de água barrenta, procurando não sujar seus
sapatos, Ametista alcançou o portão da casa. Rangeu furiosamente quando o
abriu, dando um certo arrepio e aflição em Ametista, tremendo em seguida e
flexionando os braços e a cabeça desajeitada, procurando fazer passar o terrível
arrepio.
Um barranco. “Maravilha!”, pensou nervosamente ao olhar a
pequenina, mas chata encosta que teria de atravessar se quisesse chegar a casa.
Procurando enxergar um caminho seguro para não escorregar, Ametista não
percebeu um buraco mais fundo a poucos metros e enfiou o pé nele com gosto.
Retirou-o no segundo seguinte, xingando o mundo inteiro. Até seu tornozelo e
canela estavam cheios de lama e barro gosmento. Era bom que o quê tivesse
naquela casa fosse muito bom. Teria de valer a pena, valer a sua discussão com
Harry.
Apesar do frio provocado pela ventania e as roupas ensopadas pela chuva,
Ametista chegou no topo com um pouco de calor. Ameaçou retirar o casaco, mas
então pôde notar o verdadeiro estado da casa e esqueceu-se completamente da
quentura de seu corpo. As janelas estavam cobertas por tábuas cheias de manchas
e lama, a porta parecia entreaberta e deixando a água inundar tudo que havia
dentro. Ao lado, havia um jardinzinho, igualmente barrento e em péssimo estado.
Estranhamente, viu um vulto atravessar o lado esquerdo do jardim. Recuou
ligeiramente, porém novamente algo a despertou para a casa horripilante.
Mordendo o lábio e enfiando a mão dentro do casaco, segurando a varinha
escondida, Ametista abriu a porta. Emperrada, logicamente.
“Certo, isso realmente parece familiar”, pensou mais uma vez.
Um sofá rasgado e soltando um estranho líquido de dentro, um quadro retratando
um – o que seria aquilo? – duende ou coisa similar, um tapete com desenho de
um castelo imponente, com grandes vigas de concreto e em um certo estilo persa.
Cacos de vidro e porcelana espalhados pelo chão e uma série de pedaços de
madeira partidos e afiados. Havia também uma lareira negra no canto direito da
sala, em que havia um porta-retrato. Entretanto, sem qualquer foto.
Ametista deu uma meia volta e observou suas pegadas lamacentas no piso
cheio de mofo. As paredes pintadas de um tom claro já estavam bastante
escurecidas pelo tempo. “Quem moraria num lugar como esse?”,
indagou-se a garota impressionada com a tamanha destruição dos móveis e,
basicamente, de toda a casa.
Um estrondo. Ametista aperta com mais força os dedos envolta da varinha
de prata. Engole em seco e nota que o barulho veio do andar de cima. Havia mais
alguém além dela ali? Um novo ruído, mais suave desta vez. Ametista sabia que
não era certo invadir aquela casa e ir subindo os degraus da escada.
Entretanto, o seu andar sobre os degraus não a surpreendia. Geralmente, ela
primeiro executava a ação e depois refletia sobre a mesma – impulsiva ao
extremo.
O cheiro do andar superior não era muito agradável. Fedia a mofo,
bolor, e todo tipo de aroma que impregna em ambientes fechados por muito tempo e
úmidos. A umidade era também extremamente forte. Ametista encostou os dedos da
mão esquerda numa das paredes do corredor e retirou rapidamente. A superfície
estava molhada, como se sofresse de infiltrações do encanamento – se ainda
aquela casa possuísse um sistema de canos, claro – e manchou seus dedos.
Limpou-os no casaco da Sonserina e continuou a andar. Havia três cômodos
vazios e escuros na extensão do corredor. Emparelhou-se ao último cômodo e
ouviu um grito. Tornou-se para trás num modo assustado e começou a ouvir um
conjunto de berros, choros, lamentos, gritos desesperados de socorro e rugidos.
Voltando seu corpo na direção do cômodo e não mais do corredor,
Ametista viu uma sombra caminhar até ela como se flutuasse no ar e gritar seu
nome. A garota recuou velozmente, fechando os olhos, e bateu as costas na parede
do corredor, apavorada. O vulto passou pelo corpo da garota e desapareceu.
Ametista ofegava insistentemente, enquanto seus ouvidos eram ocupados novamente
pelos gritos e lamentos.
Esperando alguns segundos, Ametista respirou fundo e tentou ignorar os
berros e pedidos de ajuda. Levantando-se do chão úmido e mal cheiroso,
Ametista sabe que tem de sair dali. Nunca deveria ter subido a encosta, aberto a
porta de entrada e muito menos subir os degraus. Entretanto, ao dar um passo em
direção a escada, querendo mais do que nunca sair dali, algo surgiu ao final
do corredor que não tinha reparado da primeira vez. Era mais uma escada,
entretanto espiral. Contrariando seu pensamento de segundos passados, Ametista
caminhou até a escada e observou aonde ela daria. Havia apenas um borrão
escuro. Não podia ver nada.
“SUBA!”, ouviu alguém ordenar dentro de sua mente. Ametista não
sabia bem o porquê, mas aquela voz exercia um poder imenso nela. Não hesitou e
colocou o pé no primeiro nível da escada em espiral.
Não demorou muito que uma luz intensa surgisse no topo da escada.
Ametista forçou a visão, procurando enxergar alguma coisa no meio de tanta
escuridão. E então, poucos minutos depois, pôde notar que o suposto brilho do
topo da escadaria era uma porta. O único detalhe era que não poderia
ser uma porta qualquer. Afinal, quem faria uma porta prateada? Sem raciocinar
direito, Ametista levou sua mão até a maçaneta prata e descobriu que a porta
estava trancada. Retirou a varinha, também prateada, e gritou o feitiço para
destrancar a passagem.
“Fácil demais”, intrigou-se Ametista, olhando a porta com uma
certa ponta de desconfiança. Novamente, estendeu seus dedos sobre a maçaneta e
girou-a por completo, abrindo a porta prateada.
O susto seguinte foi suficiente para deixar Ametista sem fôlego e ameaçar
um desmaio ali mesmo. Agora entendera tudo. Aquele era um plano. E durante todos
aqueles anos em que não conseguira controlar a si mesma e a sua mente, fora
alertada. Não eram pesadelos. Eram visões distorcidas de seu futuro. Era
Voldemort.
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Sirius saiu numa velocidade
absurda do Bar Três Vassouras em direção a Casa dos Gritos. Como ele poderia
ter ignorado a visão de Arabella? Apesar de ter sido há anos atrás, Sirius
ainda recordava perfeitamente daquele dia em que a amiga dizia que tivera uma
visão de um dia chuvoso em Hogsmeade.
Após tropeçar inúmeras vezes nas cadeiras e mesmo no andar da calçada,
Sirius viu-se perdido. Sua cabeça girava nervosamente e sabia que estava fora
de controle. Não poderia perder Ametista. Perder Hariel já fora doloroso
demais, entretanto perder a filha era muito para seu coração já enfraquecido.
“Filha?”, pensou estranhando a facilidade com que aquela
palavra saía de seus pensamentos. Precisava ajudá-la. Respirando fundo e
tentando controlar a fúria, Sirius localizou-se e começou a correr na direção
da Casa dos Gritos. Não demorou muito que chegasse e encontrasse a casa velha e
famosa fechada e coberta por tanta água, como toda Hogsmeade.
- AMETISTA! – gritou na esperança de que ela o ouvisse da onde
estivesse.
Não houve resposta. Seus lábios crisparam apavorados. E se ele já
estivesse com ela? Se já houvesse completado o serviço? Milhares de
pensamentos invadiram a mente perturbada de Sirius. Idéia de como poderia
salvar Ametista de seu verdadeiro pai.
- NÃO! Eu sou o verdadeiro pai dela! – repetiu a si mesmo num modo que
aquilo, talvez, pudesse ajudar a raciocinar.
Quando reuniu toda a sua valentia e deu um passo para abrir o portão da
velha casa, ouviu alguém dizer as suas costas:
- Desta vez, você não vai interromper, Black.
Dando as costas, Sirius pôde observar um homem, coberto por uma capa
negra e molhada, alto como ele e de fundos olhos verdes. Sirius já odiara muito
aquele homem. Porém, aquela não era a melhor hora para discutir sua estranha e
desconfortável relação com ele.
- Adams, não tente me impedir. – disse Sirius num tom nervoso, mas com
completa certeza.
David sorriu ironicamente. O ex-apanhador da Corvinal, namorado e noivo
de Arabella, era um Comensal da Morte. E um dos melhores, de acordo com Snape.
David Adams sempre fora muito bom em duelos e feitiços, portanto é um dos
principais guardiões de Voldemort. E um de seus mais fiéis e poderosos
seguidores.
Sirius ameaçou tentar forçar o portão de ferro mais uma vez,
entretanto foi pego de surpresa por um raio, que o atingiu nas costas, fazendo-o
cair e sentir uma queimadura no tronco.
- Pensei que vocês, Comensais, lutavam com orgulho, Adams – cutucou
Sirius, apertando os olhos por conta da dor. – Não se ataca um adversário
pelas costas.
Sirius, com certa dificuldade, levantou do chão lamacento e tornou-se
para David. O Comensal estava sorrindo ironicamente mais uma vez. Aquele sorriso
sempre fez o sangue de Sirius subir até sua cabeça. “Eu juro que quebro
todos esses dentes antes que ele dê outro sorriso como este!”, pensou
Sirius num modo vingativo.
David deu mais alguns passos na direção de Sirius e disse:
- Fiquei sabendo que você anda dormindo com a Bella – falou num tom
quase ciumento, mas malicioso. – Ela é ótima, não é mesmo?
Sirius enfureceu-se mais uma vez. Não era hora para discutirem a relação
que ambos tinham ou tiveram com a professora de Aparatação de Hogwarts. Não
era mesmo.
- Pena que você não soube aproveitar ao máximo, não é mesmo?
Adams fechou o sorriso.
- Pelo menos, eu proporcionei a primeira vez a ela. – provocou Sirius
novamente.
O padrinho de Harry não pensou duas vezes, sacando a própria varinha e
gritando um feitiço sobre David. O Comensal da Morte, como já esperado,
desviou do feitiço perfeitamente. Sirius não recordava o quê era lutar contra
um seguidor de Voldemort. Fazia tantos anos que a lembrança era fraca demais e
num momento como aquele, não apareceria de forma alguma.
Entretanto, Sirius sabia que havia uma forma de colocar Adams no chão.
Sem pensar muito, o bruxo correu até o Comensal que, surpreendido, não se
moveu e levou um belo soco no meio da cara. Sirius sabia que era realmente bom
em quebrar dentes e maxilares. E com o passar dos anos, a força posta em seus
pulsos eram cada vez maiores e mais ferozes ainda.
David cambaleou para trás, mas não caiu. Mesmo sem apoio e muita noção,
conseguiu endireitar-se e sacar a varinha mais uma vez, na tentativa de azarar
Sirius.
- Crucio! – gritou.
A Maldição Imperdoável da dor atingiu Sirius em cheio. Rapidamente o
bruxo foi lançado ao chão barrento e começou a contorcer o corpo
furiosamente. Sirius berrava, mas ainda assim não pedia para Adams parar. Seu
orgulho sempre fora maior que sua razão.
Quando Sirius pensou que não teria mais forças para lutar contra a
maldição imposta pelo Comensal, algo despertou sua fúria. Era como a voz
baixa, mas firme de Ametista, soando em seu ouvido como um grito, dizendo: “EU
SOU FILHA DE SIRIUS BLACK, E NÃO DE VOCÊ!”.
O bruxo acumulou todo o poder que ainda restava em suas veias e levantou
do chão, cortando a maldição. Enquanto Adams franzia a testa, intrigado e
confuso, Sirius, sem postar a varinha, gritou um feitiço de desarme e o objeto
voou da mão esquerda de David.
Em seguida, Sirius gritou, estendendo o braço direito na direção do
Comensal:
- Incendio!
Velozmente, o Comensal da Morte foi lançado contra a vitrine de uma das
lojas do vilarejo e, após o choque, Sirius pôde observar que chamas começaram
a surgir na vestimenta molhada e negra de David. O Comensal estava desacordado e
Sirius não se incomodou com a idéia de que o fogo se alastrasse e incendiasse
até os ossos de Adams. Um sorriso vitorioso e cansado surgiu em seus lábios.
Após alguns passos, Sirius emparelhou-se com a vitrine quebrada. O corpo
do Comensal estava queimando levemente – suas roupas estavam sendo tomadas
pelas chamas – e o rosto contorcido em dor.
- Nunca duvide da força de um Black, Adams. – disse Sirius, cuspindo
sobre o corpo do Comensal.
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Hagrid estava ligeiramente
apavorado. Arabella estava há mais de vinte minutos sentada naquela mesma
cadeira. Seus olhos estavam muito escuros e paralisados na mesma direção, sem
qualquer movimento. O gigante tentava a qualquer custo fazê-la despertar do
transe, mas parecia que Arabella não estava lá.
Na realidade, Arabella estava entrando em contato com alguém importante.
Sentado em sua sala, com as cortinas fechadas e o oco barulho tempestuoso da
chuva do lado de fora. Seus olhos azuis estavam fixados num espelho a sua
frente. Pensativo.
Até que uma imagem destorcida de uma mulher surgiu.
- Que aconteceu, Bella? – perguntou o homem aflito, levantando
imediatamente da cadeira onde estava sentado.
O espectro de Arabella suspirou preocupado. Suas feições tão belas
estavam contorcidas num misto de dor e nervosismo.
- Ele a encontrou. A minha visão. Hogsmeade. – era tudo que o homem
podia ouvir. As palavras desencontradas e as frases nunca saídas por completo.
- O que eu devo fazer? – indagou o bruxo, tentando aproximar-se do
espectro.
- Ajude-nos. Sirius foi atrás dela. – foi tudo que o espectro anunciou
antes da imagem desaparecer por completo da sala escura.
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- Será que poderíamos
conversar? – indagou tímida, cutucando-o levemente.
Harry conhecia a voz suave que o chamava. Lançando um olhar hesitante
aos dedos da garota em seu ombro esquerdo, Harry viu o rosto contorcido de Cho.
A mestiça tinha os olhos negros fixados no jovem monitor da Grifinória, numa
expressão receosa.
Antes que pudesse pensar numa resposta, já estava recebendo um belo
chute na canela direita por baixo da mesa. Escondendo um gemido de dor, Harry
encarou Hermione nervoso. A melhor amiga estava furiosa. Sabia que coisa boa não
viria daquela conversa. Harry não deveria ceder. Porém, quando ameaçou chutar
o tornozelo do amigo mais uma vez, Hermione assistiu Harry levantar-se da mesa e
concordar.
Boquiaberta, a monitora da Grifinória bufou, descrente. Não importava
quantos anos faziam, Harry ainda se deixava levar pelos olhinhos da japonesinha
da Corvinal.
Seguindo Cho, Harry parou ao notar que sua guia também cessara o passo.
Estavam na passagem entre os banheiros e os clientes do Bar. Um forte trovão caíra
naquele momento, fazendo Cho apontar para uma porta no lado esquerdo do
corredor. Harry aceitou entrar.
Era uma sala empoeirada e escura. Haviam milhares de caixas empilhadas,
amontoadas de forma estranha e muito sujas. Num outro canto, prateleiras de
ferro – algumas pareciam já enferrujadas – que acolhiam centenas de outras
caixas e artefatos do Bar. Uma pequena janela se encontrava na parede dos
fundos. Não havia luz. Apenas a pouca claridade vinda daquela janelinha, onde
se observava os relâmpagos e raios caindo com freqüência e ferocidade do lado
de fora.
Harry estava ligeiramente nervoso. O quê Cho queria falar com ele? A
mestiça do sétimo ano da Corvinal parou na frente de Harry, carregando uma
face quase aflita. Harry cruzou os braços, quase que amigavelmente, e suspirou.
- Então, o quê você queria falar comigo?
Cho estava trêmula. Seus olhos corriam pelo rosto de Harry, mas faziam
questão de não focar sua vista. A visão que estava concentrada nela.
- Eu...eu não queria que você pensasse...pensasse que eu...eu estou me
intrometendo...
O jovem continuou sério e esperando uma explicação de Cho. Não iria
admitir de forma alguma que ela o deixava extremamente nervoso, porém estava a
todo custo tentando manter a calma.
- Como? – não entendeu Harry.
Cho suspirou, como se estivesse reunindo coragem.
- Eu só não queria que você achasse que eu estou me intrometendo.
- Eu só vou poder pensar alguma coisa depois que você me disser que é
que está acontecendo. – respondeu Harry, aliviando sua expressão controlada.
A aluna da Corvinal deu um sorrisinho. Harry era mesmo alguém
espetacular.
- É que eu ouvi hoje...agora... – Cho pareceu corar levemente. – Você
e a sua namorada... Discutindo...
Harry segurou a respiração, chocado. Será que Cho ouvira?! Não era
possível! Não poderia! “Não é possível!”, pensou nervosamente.
- Eu e Ametista – frisou o nome da jovem. – Você ouviu o quê?
A expressão de Cho estava corada mais uma vez, só que com uma certa
intensidade.
- Ouvi você dizer que gostava de alguém.
Harry engoliu em seco e seu coração disparou imediatamente.
- E...? – foi tudo que conseguiu responder.
- E que eu somente queria saber se... – Cho pigarreou num tom grave.
– Se era eu.
Um novo trovão caiu do céu escuro, iluminando por um segundo a sala tão
nebulosa. Harry percebeu, nitidamente, que havia um brilho diferente nos olhos
negros da japonesinha. Era quase como um resquício de esperança, de antecipação.
Perdendo a noção de tempo, Harry paralisou cheio de pensamentos. Ser ou
não ser sincero? Parou por um momento, tentando medir a situação. Cho estava
encarando-o seriamente, apenas esperando uma resposta. Harry sentia uma certa
ansiedade ao imaginar as conseqüências da verdade. Aquilo mudaria alguma
coisa? Poderia, durante esses dois anos, ser desejado pela jovem e não ter idéia,
por esconder-se atrás de sua timidez? Contudo, sentia uma estranha obrigação.
Tinha de contar a ela.
- Era. – respondeu finalmente, encarando-a.
A mestiça segurou a respiração nitidamente. Harry teve de ser conter
para não franzir as sobrancelhas, intrigado.
- Mas, por que você está perguntando isso? – indagou o monitor, não
agüentando mais o silêncio entre eles.
Cho pareceu pensativa. Deveria contar a ele? Finalmente? Enquanto
assistia os olhos verdes do garoto, um ano mais novo, carregarem curiosidade e
até aflição, Cho decidiu. Atos, em algumas ocasiões, significavam mais do
que centenas de palavras. E foi exatamente esta filosofia que Cho decidiu
seguir.
Deu um passo a frente, fazendo com que seu corpo encostasse levemente no
de Harry. O jovem arregalou os olhos, confuso e perturbado com a proximidade da
pequena japonesa. Ficando na ponta de seus pés e inclinando a cabeça para
frente, o ato se consumou. Cho o beijou.
Choque. Confusão. Conflito. Harry sentiu-se em total desordem quando
notou os lábios finos e delicados de Cho encostados nos seus. Que significava
aquilo? Que ela sempre o desejou? Que estava interessada nele? Que esperara todo
aquele tempo para dizer que sentia algo por ele? No entanto, mesmo que milhares
de dúvidas e questões pulassem e gritassem na mente de Harry, aquele momento
era único. Durante longos três anos, Harry desejou Cho. Desejou que ela fosse
somente dele. Que o beijasse como estava beijando-o. Queria que o tivesse notado
antes de notar Cedrico. Aceitado seu convite para o Baile de Inverno no quarto
ano. Que pudesse, por apenas um segundo sequer, encostar seus lábios nos dela e
sentir algo dentro de si explodir.
Foi o sentimento que Harry extravasou no instante seguinte. Havia algo
nela que necessitava ao máximo. Ignorando seus princípios e até mesmo alguém
que o amava muito – alguém perdido no meio da tempestade – Harry envolveu
seus braços na cintura pequena de Cho e apertou-a contra ele, aprofundando o
beijo. Afinal, aquele era um sonho se tornando realidade. As mãos da jovem
correram desesperadas pelo seu cabelo, num modo quase apaixonado. De fato, algo
dentro de Harry explodiu ao menor toque de Cho. Um desejo muito grande. Porém,
após alguns segundos, algo maior ainda tomou seu coração. Culpa.
Não, aquele não era o corpo que estava acostumado há quase três meses
a abraçar e envolver, não eram aqueles fios que tocava a todo instante, e não
era aquela boca tão bela que adorava beijar. Harry estava beijando sua primeira
paixão – se aquilo poderia ser chamado de paixão – mas não estava
beijando o seu primeiro amor. A primeira pessoa que destruiu todas as barreiras
que o protegiam, que o odiou imensamente, mas que agora o adorava
incondicionalmente. Aos poucos, o beijo foi perdendo intensidade, calor, graça.
Sim, era muito bom. Chegava a ser maravilhoso. Porém, quando fosse abrir os
olhos, não encontraria o famoso tom azulado e apaixonado. E isso fez com que
Harry afastasse Cho.
O olhar seguinte foi assustador. Harry sentiu como se tivesse cometido o
maior erro de toda a sua vida. Cho parecia maravilhada, mas ao mesmo tempo
confusa. Não disseram nada um ao outro por um bom tempo. Entretanto, Harry
sabia que aquilo não duraria para sempre. Soltando a pesada respiração e
endireitando-se, disse:
- Cho, eu... – começou, mas sentiu um nó na garganta terrível. A
jovem lançou um sorriso tímido a ele, que o fez recuperar a coragem. – Eu não
posso fazer isso.
Para sua surpresa, Cho não pareceu magoada ou mesmo confusa diante das
palavras de Harry. Na verdade, soltou até um novo sorriso, seus lábios
fechados, e respondeu:
- Eu só queria ter certeza.
Nada a mais foi dito. Juntos, deixaram a sala úmida e empoeirada do Bar
Três Vassouras, e voltaram a suas mesas. Antes de Harry acomodar-se junto de
Hermione – ainda bastante aborrecida – e Rony – que tinha o nariz com um
pouco de espuma da cerveja amanteigada –, virou-se para trás e assistiu Cho
seguir seu caminho. A mestiça voltou a encara-lo e piscou. Harry fez o mesmo.
Numa outra mesa, ao canto do Bar, dois alunos assistiam a cena. Pansy
inclinou sua cabeça até o ouvido de Draco e disse:
- Você viu aquilo?
Draco nada respondeu. Apenas encarou Harry com uma expressão de nojo.
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Seu reflexo sujo e acabado em
todos os cantos possíveis do âmbito. Aquele ambiente parecido com um sótão
era nada menos que uma caixa de espelhos. Espelhos no teto, nas paredes e até
mesmo no piso. Era seu pesadelo. Vir-se diante de tantos reflexos e imagens suas
deixou-a intensamente apavorada. A saia nos joelhos estava marrom, assim
como suas meias e sapatos. O casaco verde escuro, trazendo o emblema da
serpente, estava igualmente imundo. Os cabelos secos e molhados ao mesmo tempo
deixavam uma noção mais adulta da garota de dezesseis anos. E seus olhos.
Azuis tão claros quanto um céu de verão estavam mais claros ainda, porém
nebulosos.
Não existe mais porta. Não existem janelas. Não existe um escape de
oxigênio e muito menos o mais importante: uma saída. Ela havia caído na
armadilha. Seu subconsciente trabalhou a serviço de um maluco que deseja a sua
morte. Ótimo. Até controlar a sua mente ele podia. Um certo desespero correu
por seu coração e imaginou o quanto decepcionados estariam aqueles que
tentaram protegê-la durante tanto tempo.
“Se ele quer tanto isso, vamos acabar logo”, matutou num modo
quase ansioso. Ametista deu meia volta e reparou que todos os seus reflexos
tinham sumido e apenas o espelho da sua frente ainda apresentava sua imagem.
Ametista chegou a soltar um sorriso irônico e prepotente.
Sem muito mais paciência, Ametista reuniu toda sua coragem, recordando
sua mãe e toda a valentia de um grifinório.
- QUE VOCÊ ESTÁ ESPERANDO? – gritou num tom corajoso, sem deixar que
o nervosismo interno fizesse que sua voz falhasse.
Não houve resposta. Ametista apertou a varinha mais uma vez e deixou que
um sorriso despertasse em seus lábios. Agora, era a ousadia e a petulância dos
sonserinos que aparecia em sua personalidade e em seus atos.
Fechou os olhos rapidamente, como se quisesse recuperar uma certa confiança
em si mesma. Recordou dos treinos com Lupin e, internamente, desejou sorte. Ao
abri-los, não se chocou com o vulto as suas costas. Ouviu inúmeros relâmpagos
e raios caírem furiosamente contra o solo do lado de fora.
- A coragem de uma grifinória e a ousadia de um sonserina. Eu fiz bem em
escolher a filha do Dumbledore para dar vida ao meu herdeiro.
Ametista tornou-se para observar o vulto. Um homem, coberto por uma capa
ensopada e brilhante. Sua voz era carregada e extremamente rouca. Ametista
sentiu um certo fedor exalar de seu corpo e um mau hálito forte vindo de sua
boca, ou fenda. Sua aparência facial ainda era difícil de ser vista e gravada,
mas havia uma característica marcante naquele que a encarava. Seus olhos. Cor
de sangue. De um vermelho fortíssimo, Ametista sentiu um arrepio e até mesmo
pavor ao observar aqueles globos de sangue olharem-na com...seria prazer?
Por um momento, Ametista chegou a ver um sorriso – se aquilo poderia
ser chamado de sorriso – surgir nos lábios do homem. Um brilho de satisfação.
E Ametista não gostou nada daquele sorriso. Na verdade, estava trêmula da cabeça
aos pés e pensando que alguém poderia sentir sua falta e começar a procurar
por todos os cantos de Hogsmeade por ela.
Foi quando Voldemort suspirou, espalhando seu hálito podre pelo âmbito
e disse:
- Minha filha.
Ametista apertou os olhos. Ouvir aquelas palavras da boca de Voldemort
provocavam além de náuseas, choques por todo seu tímpano. Era como se ele
tivesse gritado raivosamente em seus ouvidos.
- Eu não sou sua filha. – afirmou pausadamente e num modo veemente.
Voldemort sorriu novamente, deixando aparecer apenas sua boca cheia de
dentes amarelos e manchados.
- De quem é filha então? Talvez do lobisomem que você tanta aprecia,
que acha? – ironizou Voldemort.
“Como ele sabe disso?”, perguntou-se Ametista. De fato, Lupin
era alguém muito importante para ela, um verdadeiro pai. Porém, não era ele
que veio em sua cabeça quando ouviu a pergunta de Voldemort. Com toda a
certeza, sentia-se muito mais filha dele do que de Lupin.
- Perdeu a língua afiada, Ametista? – indagou Voldemort
frisando seu nome e no tom petulante. – Pensei que fosse muito boa com as
palavras – Ametista mordeu a própria língua dentro de sua boca, reunindo
coragem. – Se você não é minha filha, minha herdeira, de quem
é então?
- Eu achei que um de seus seguidores havia comunicado que eu já tenho um
pai. – cutucou Ametista, a respeito de Lúcio Malfoy.
Voldemort pareceu apertar os olhos também, já que os globos vermelhos
diminuíram de tamanho. Com o rosto ainda nebuloso, Voldemort respondeu:
- Meus seguidores fazem e falam somente o quê eu ordeno, Ametista
– dizia num tom vitorioso. – E você é um assunto de exclusividade
minha. Como a sua avó e sua mãe eram.
Ametista ferveu de ódio. Voldemort referia-se as mortes de suas
familiares como se fosse um idiota jogo de xadrez, como se elas fossem apenas peças
de uma partida.
- Então você matou-as, sendo uma exclusividade, certo? – disse a
garota. – Que você está esperando para cumprir a sua ameaça de anos atrás?
– provocou-o Ametista arrogante.
O bruxo soltou uma risada quase triunfante.
- Disseram a você que eu iria matá-la? – perguntou Voldemort quase
rindo. – Eu não seria estúpido o bastante para matar você depois de todo o
trabalho que tive, Ametista.
A garota segurou-se para não ficar boquiaberta ou arregalar seus olhos.
Ele não queria matá-la?
- Se eu escolhi ter um herdeiro, Ametista, não era para aniquilá-lo após
alguns anos.
Voldemort concentrou seus olhos nos da garota e disse, como num ultimato:
- A única coisa que você tem de fazer é aceitar quem é. Você
é a herdeira do maior bruxo de todos os tempos e deveria se orgulhar disto.
- EU NÃO SOU SUA FILHA! – repetiu Ametista num berro convicto.
O Lorde não pareceu se impressionar e abriu a fenda onde se alojavam
seus dentes para perguntar mais uma vez:
- De quem é filha então, Ametista? – ele continuava a frisar e a todo
o momento repetir seu nome.
Ametista, agindo por impulso, mas certa no coração, respondeu:
- EU SOU FILHA DE SIRIUS BLACK, E NÃO DE VOCÊ!
Voldemort pareceu soluçar, segurando um riso. Ametista estava com a face
rosada e cheia de raiva e ódio. O Lorde permanecia com a expressão escondida,
mas com os olhos mais vermelhos e intensos que nunca.
- Onde está ele, então, Ametista? Não o vejo querendo te salvar! Que
espécie de pai é este?!
O bruxo parecia ligeiramente enfurecido com a insistência de Ametista. A
garota, percebendo isto, disse:
- E imagino que você seja o pai, matando minha mãe e meus familiares,
destruindo a vida de milhares de pessoas e desejando mais que tudo matar meu avô,
estou certa?
- VOCÊ TEM MEU SANGUE, AMETISTA! – vociferou Voldemort, espalhando
mais fedor no âmbito, num tom ameaçador.
- EU NÃO QUERO ESSE SANGUE SUJO! – respondeu Ametista no mesmo tom,
sem qualquer temor.
O Lorde deixou escapar um rugido contido. Ele estava com raiva. Muita
raiva. Verdadeiro ódio da própria filha.
- Eu te dou duas escolhas, Ametista: junte-se a mim ou continue com os
fracassados que apóiam Dumbledore!
Ametista abriu um sorriso irônico.
- Agora você foi estúpido o bastante para me propor que eu passe para o
seu lado. Nunca pensei que você pudesse ser tão patético a este extremo. –
ironizou Ametista sarcasticamente.
Sem mover um músculo, Ametista sentiu seus pulsos serem cortados pelo
Lorde das Trevas ferozmente. Soltando um grito de dor, Ametista abaixou a cabeça
para ver os pulsos sangrando. A dor era terrível, bem pior que em seus sonhos.
Voltou a olhar Voldemort. O Lorde tinha os olhos mais vermelhos que nunca.
- Se este sangue é tão podre e
sujo, Ametista, então que você o derrame até o final de seus dias! Agora,
nenhum daqueles que a ama poderão salvá-la! Nem Dumbledore, nem Harry Potter e
nem seu suposto pai, Sirius Black! – gritou Voldemort raivosamente.
Em seguida, Voldemort viu Ametista soltar a varinha no chão, sem forças.
Sem qualquer piedade, Voldemort apontou os dedos sobre a garota e lançou-a
contra um dos espelhos com uma rapidez e força tremendas e incalculáveis. No
momento seguinte, Voldemort desapareceu. Não havia um espelho inteiro na sala a
partir daquele momento. Largada, torta, de bruços e com os olhos arregalados,
estava Ametista. Sobre o piso, seu corpo estava inteiramente ferido. Não eram
mais somente os pulsos, mas todos os membros superiores, inferiores e o tronco.
Havia uma lasca grande de espelho presa no seu pescoço. Era o fim. Ametista deu
o seu último suspiro e então estava gelada e extraordinariamente ensangüentada.
Sem qualquer vestígio de respiração, batimentos cardíacos ou mesmo um
movimento sequer. Ametista jazia no chão da Casa dos Gritos em Hogsmeade. O
pesadelo que a atormentara durante anos havia se tornado realidade. E lá estava
ela, de olhos muito abertos, mas sem vida. Morta.
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
O caos contagia a vida de todos. Agora, Ametista está morta. Que farão os que zelam por sua vida? Sirius encontra a jovem e topa com Snape. Contrariando todas as normas da natureza, da bruxaria e dos seres humanos, Sirius, Severo e Remo unem-se num segredo para tentar trazer Ametista de volta. Entretanto, será que este Pacto dará certo? Amigos e inimigos, unam suas forças e segurem suas mãos. Qual será o destino dos que desafiam as regras do universo?
Acompanhe
e pratique seu latim em "TURBATIO SANGUINIS E PACTUM SANGUINIS"
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