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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Ártemis Figg é recebida em Hogwarts como a nova professora de Defesa Contra a Arte das Trevas. E Sirius não gostou nem um pouco da idéia. Em compensação, a sua primeira aula fora bastante interessante para os seis alunos escolhidos. Hermione possui sangue bruxo? Draco trairá ou não o pai? E Ametista escolherá Voldemort ou Sirius?
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CAPÍTULO QUATORZE – LOJA DE
LOGROS E TRAQUINAGENS DOS WEASLEY
- CORRA! – gritou a jovem pouco
atrás dele, arfante e tentando alcançá-lo o mais rápido possível.
Assistindo-a dirigir-se em sua direção, estava surpreso que depois de
tudo que ela havia passado há minutos atrás, ainda tivesse a capacidade de
correr. Notando que conseguiria, estendeu seu braço e puxou-a para junto dele.
Bateram as cabeças levemente quando toparam. Dando mais dois passos à frente,
tiveram de pular um pequeno buraco que se abrira naquele exato momento. Foi então
que algo explodiu fortemente atrás deles e com um impulso, jogaram-se no chão.
A poeira misturada a pouca luz que ainda iluminava o corredor confundiu-os e
ouviram alguém se aproximar. Eram os conhecidos passos largos que aumentavam a
agonia entre os jovens. O garoto tentou colocar o próprio corpo para mais perto
da jovem, mas notou quando ela soltou um grito sufocado.
Apertando os olhos fortemente, conseguiu focalizar a companheira no meio
da névoa que os cercava. Seus olhos encontraram o braço esquerdo da garota.
Tinha sido atravessado por algo como uma estaca ou lança. Suspirou
impacientemente. Agora, para ajudar, ela estava ferida novamente.
Levantando-se com dificuldade, conseguiu encostar o corpo na parede e
tentou apurar a audição, em busca de quem os perseguia. Entretanto, ao dar um
passo para longe da jovem caída, ouviu mais um grito:
- ELE ESTÁ AQUI!
Virando-se bruscamente na direção da garota, pôde distinguir a figura
magra, mas marcante a poucos metros. Tentou chegar mais perto, porém o homem
alertou:
- Dê mais um passo e eu mato a garota!
Ele sabia que o homem nunca a mataria. Entretanto, tentava usar de sua
famosa persuasão e manipulação para dominá-lo. Seu corpo estava trêmulo e
paralisou ao vê-la sendo erguida do chão pela fina e aparentemente fraca mão
do bruxo. Ameaçou ir ao seu encontro, mas o homem percebeu e lançou o corpo da
garota contra a parede fortemente. O garoto gritou apavorado e jogou-se contra o
piso mais uma vez quando um raio cruzou o corredor escuro e nebuloso. Afastando
a poeira de modo irregular, o jovem pôde notar que o bruxo havia sumido mais
uma vez e que alguém estava tentando despertar a garota.
- Para onde ele foi? – indagou ao aproximar-se do homem abaixado sobre
a garota.
- Não sei. Mas temos que encontrar os outros. – afirmou a figura num
tom quase emocional, mas ainda tipicamente frio.
O homem levantou a garota do chão de pedra e colocou-a nos braços. O
rosto macilento do bruxo fez o jovem reconhecê-lo. Era Severo Snape. Para o alívio
do garoto, ele parecia estar saudável o bastante para carregá-la nos braços.
Temeroso, o jovem respirou fundo e quase sufocou-se com tanta poeira. Mas
pôde ressaltar apenas com um olhar que ela não estava nada bem. Também, quem
estaria após ser arremessada duas vezes contra uma parede, ser atingida pela
Maldição Imperdoável da Dor e apresentar um antebraço perfurado por uma
estaca? A única coisa que chegou a impressioná-lo foi a expressão de dor que
a garota carregava, mesmo desacordada. E a quantidade monstruosa de sangue que
corria de seu corpo. Parecia que somente um milagre a salvaria.
Snape tornou-se para o jovem:
- É melhor levá-la de volta a Hogwarts o mais rápido possível.
E quando começaram a sair do corredor, tomando o rumo mais próximo, ele
sentiu uma dor incalculável e sufocante no tórax. Direcionando seus olhos para
a região do estômago, encontrou muito sangue.
Assim, nauseado e mais que cambaleante, Draco despertou.
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Ofegante e trêmulo, o monitor da
Sonserina acordou no meio da noite. As cortinas de sua cama estavam fechadas e
podia-se ouvir o ronco persistente e irritante de Goyle na cama à esquerda.
Colocando os pés para fora do leito e sentindo o piso gelado em suas solas,
Draco levantou nervoso. Que sonho fora aquele? O que Snape fazia ali? Que lugar
escuro e úmido! E quem era a garota que estava com ele? De nenhuma forma,
conseguia lembrar da garota. E isso estava fazendo-o roer-se de curiosidade e
temor.
Caminhando em círculos pelo quarto, ouviu um barulho bem baixo vindo do
salão comunal. Como monitor, vestiu o roupão sobre o pijama e desceu a
escadaria em espiral. Procurando manter a paz e o silêncio no meio da noite,
Draco vasculhou rapidamente entre os cantos da escura sala comunal, como a
tarefa e o dever de um monitor prega.
Estava quase desistindo e retomando o caminho da escadaria quando ouviu
mais um barulho. Agora, era mais alto e acompanhado de um móvel leve caindo no
chão ou coisa parecida. Aproximando-se da entrada do salão comunal, pôde ver
o que acontecia. E apavorou-se.
Havia uma garota caída no chão, junto de uma das cadeiras de espaldar
alto. Draco correu até o corpo largado e ouviu um murmúrio de dor. Virando o
corpo da estudante contra ele, seus olhos arregalaram-se: era Ametista. A garota
estava com os olhos levemente abertos e a respiração irregular. Draco ameaçou
perguntar o quê havia ocorrido para ela estar àquela hora na sala comunal e
ainda caída no chão, mas desistiu ao notar que havia algo viscoso entre seus
dedos. Retirando uma das mãos das costas de Ametista, percebeu logo do que se
tratava. Era sangue.
Sem muito que fazer, Draco tentou levantá-la do chão, mas parecia
impossível. Então, deixou-a lá por um momento e correu até o dormitório
masculino, tomando a varinha no meio de suas coisas. Voltando ao andar de baixo,
Ametista estava balbuciando palavras sem sentido. Draco aproximou-se e
abaixou-se para tentar entender. Com um suspiro, Ametista paralisou e pareceu
tremer ligeiramente, dizendo com muita dificuldade:
- Me...me ajude...
Draco, esquecendo completamente quem estava pedindo socorro a ele,
fez um feitiço de levitação e conseguiu mantê-la suspensa, cautelosamente, e
carregá-la até o Hospital. O caminho parecia mais longo que de costume e por
inúmeras vezes sentiu que havia olhos observando-o. Finalmente, quase deixando
a cabeça da garota bater numa das estátuas do corredor, Draco chegou na ala
hospitalar. Batendo na porta freneticamente, ouviu Madame Pomfrey gritar
qualquer coisa do lado de dentro num tom mal humorado.
- Quem é que está fazendo esse estardalhaço todo na minha enfermaria?
– indagou ríspida ao abrir a porta.
Porém, calou-se ao ver o estado da garota suspensa magicamente. Draco
estava tentando demonstrar uma certa calma e até frieza, mas seus olhos
arregalados e cheios de pavor o denunciavam. A enfermeira mandou que o monitor
corresse com Ametista até uma cama qualquer e que fosse avisar o diretor do que
estava acontecendo. No instante em que o corpo da jovem foi colocado numa das
camas da ala hospitalar, Ametista pareceu ter algum distúrbio como uma convulsão.
Da cabeça aos pés, ela se debatia e rangia os dentes. Madame Pomfrey correu até
sua mesa e tomou a própria varinha. Draco assistiu a bruxa estuporar Ametista. “Belo
método de acalmar um paciente”, ironizou para si mesmo.
Madame Pomfrey amarrou os pulsos e as pernas da
garota à cama e suspirou nervosamente. Draco estava tentando assimilar tudo que
havia acontecido e sua mente começou a embaralhar-se insistentemente. Recordava
seu sonho e a imagem do sangue de Ametista em seus dedos. Ainda quis perguntar o
quê estava havendo porque Madame Pomfrey parecia segura da situação após o
feitiço, mas desistiu ao levar uma bronca da mulher por estar ainda parado no
mesmo lugar.
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Na manhã seguinte, Hogwarts
continuava a mesma. No café, Dumbledore conversava em baixo tom com Arabella,
mas não parecia aflito ou mesmo preocupado com a neta. Draco estava
observando-os curiosamente, ainda lembrando da hora em que fora chamar o diretor
na madrugada. O velho estava tendo uma espécie de reunião com Snape e Sirius.
Suas sobrancelhas franziram também ao notar que Harry, a sangue-ruim e o pobretão
estavam normais, conversando e rindo junto aos outros grifinórios. Então, quer
dizer que ele havia perdido uma noite de sono por nada?! Além da curiosidade
que rondava seus pensamentos, Draco percebera que ninguém aparentava qualquer
tipo de preocupação com Ametista. A não ser, é claro, que eles ainda não
soubessem...
A aula do dia com a Grifinória seria Trato de Criaturas Mágicas. Draco
esperou ansiosamente até o horário da aula com Hagrid e a turma odiada pelos
sonserinos.
Chegando nos jardins do castelo, o gigante já estava preparando algo
dentro de algumas caixas, concentrado. Mas não era Hagrid que Draco estava
procurando. Seu alvo estava junto dos grifinórios, conversando animadamente
sobre a aula de Vôo, onde havia ajudado Madame Hooch com uns alunos do primeiro
ano.
- Desfrutando seus poucos momentos de glória junto aos grifinórios,
Potter?
Harry virou-se para o monitor da Sonserina. Draco estava com olheiras
fundas e a expressão descontente e irônica de sempre.
- Pelo menos eu tenho alguns. Agora, já você... – respondeu Harry sem
muita paciência para discussões com Draco.
- Mas, me diga uma coisa – pediu o monitor no tom frio. – Imagino que
você tenha ficado muito triste quando soube da transferência da namoradinha
para a Sonserina, não é?
- Realmente, às vezes eu tento entender como ela já está a quase dois
meses convivendo com você e o resto dos sonserinos.
Draco deu um sorrisinho irônico.
- Pois eu acho uma pena que você não esteja por lá, sabe, Potter –
instigou. – Não há ninguém para checar e vigiar a Dumbledore.
- Ela não precisa que eu a vigie, Malfoy. Ao contrário de você, ela
sabe se virar sozinha. Não precisa que amigos, namorado ou mesmo um pai resolva
todos os problemas por ela. – respondeu Harry apertando os olhos.
- De fato, ela não tem mesmo pai...quero dizer, ela até tem, mas...
Harry bufou sem paciência alguma. Draco deu mais um passo para longe do
monitor da Grifinória.
- Mas, eu só queria te perguntar uma coisa, Potter – cutucou Draco,
fazendo Harry tornar-se para ele novamente. – A Dumbledore sempre sai
sangrando por aí?
No segundo seguinte, Harry já estava com os olhos arregalados de pavor.
Não faltou muito para Hagrid ter de apartar uma possível briga entre os jovens
estudantes. Harry pulou sobre Draco e agarrou-o pelo colarinho num modo não tão
gentil.
- O que aconteceu com a Ametista? – perguntou o monitor da Grifinória
nervosamente.
- Talvez você possa checar por si mesmo na ala hospitalar. – respondeu
Draco friamente.
Rony e Hermione assistiram a tudo e somente tiveram tempo de comunicar
Hagrid que Harry estava sentindo-se mal. Na verdade, o monitor estava correndo
até a sala de Madame Pomfrey. Draco permaneceu carregando um sorriso frio e
cauteloso. Porém, sua mente estava fervendo de curiosidade. Que fora tudo
aquilo na noite anterior?
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- Eles não sabem de nada –
respondeu Harry. – Dumbledore disse que não tem idéia do que possa ter
provocado o ataque da Ametista.
Na Grifinória, Harry estava conversando com Rony e Hermione. Após ver a
namorada na enfermaria e assistir suas aulas, Harry fora conversar com o diretor
sobre o ataque sofrido.
- O Malfoy a socorreu?
Hermione rolou os olhos, impaciente. Fazia mais de cinco minutos que Rony
repetia para si mesmo que Draco havia ajudado Ametista na noite passada. O jovem
estava incrédulo.
- E qual é o problema do Malfoy ajudar a Ametista? – Rony fez uma
careta surpresa para Hermione, que continuou. – Quer dizer então que se você
encontrasse o Malfoy ferido, não faria nada?!
Rony mostrou-se pensativo.
- Provavelmente não.
- E você o deixaria morrer?! – indagou novamente Hermione.
- Provavelmente sim – Hermione estava boquiaberta. – AH! Ele não se
importa com nada e ninguém da minha família, por que eu deveria me preocupar
com ele?!
Harry resolveu interromper a conversa entre os amigos, dizendo:
- A McGonagall veio falar sobre o time de quadribol, Rony. Precisamos
arranjar três artilheiros e dois batedores o mais rápido possível.
Hermione, notando que o assunto seguinte seria o mais adorado pelos
jovens, resolveu levantar-se e fazer a ronda pelos corredores, afinal já
passavam de nove horas.
- Você viu qual será o nosso primeiro adversário? – indagou sabendo
a resposta Rony. – Sonserina.
- Ótimo, eu quero quebrar a cara daquele Malfoy mesmo.
- É melhor colocarmos um aviso para os que quiserem se candidatar.
Espero que possamos conseguir um time melhor do que o do ano passado.
Dois dias depois, Harry e Rony já estavam no campo de quadribol, fazendo
a seleção para o novo time da Grifinória. Havia uma lista interessante para
batedores, mas foi na de artilheiros que Rony leu duas vezes um único nome.
- Gina?! Gina?! – repetia enlouquecido.
- Qual é o problema? – perguntava Harry, lendo a de batedores e
querendo rir das opções.
- Não quero minha irmãzinha nesse meio. É violento. – respondeu Rony
num tom quase frouxo.
- Eu acho que a sua irmã já é grande o bastante para saber se quer ou
não se quebrar jogando quadribol. – defendeu Harry, sem olhar para o amigo.
Pouco depois, os concorrentes apareceram e o teste começou. De início,
foi mais do que decepcionante. Estava terrível! Os participantes não tinham a
menor noção de como rebater um balaço ou mesmo lançar uma goles no meio de
um dos arcos. Harry suspirou derrotado quando sentiu alguém cutucá-lo nas
costas. Tornando-se, assistiu uma velha conhecida sorrir.
- Quer alguma ajuda?
Harry sorriu timidamente e agradeceu. Era Cho. E mesmo a garota sendo de
uma equipe adversária, havia algo nela que o impedia de negar-lhe qualquer
coisa. Rony, que estava ajeitando a fila, viu-a sentar-se ao lado de Harry e
torceu para que Ametista, repentinamente, não melhorasse e resolvesse fazer uma
visita ao namorado.
O dia fora bastante exaustivo. Porém, ao final dele, a nova escalação
do time de quadribol da Grifinória estava feita. Apesar da enorme insatisfação
de Rony.
Hermione leu o recado no mural da Grifinória no dia seguinte. Pôde
apenas cumprimentar os irmãos Schimdt – ambos do quinto ano – Dino e Alexis
– igualmente do quinto ano. Quando Gina desceu as escadas, encontrou Hermione
congratulando a todos os componentes e juntou-se aos outros. A monitora abraçou-a.
Harry desceu pouco depois fez o mesmo. Entretanto, Rony amarrou a cara e sequer
cumprimentou os selecionados.
- Já vi que ser irmão não gostou nada da idéia. – murmurou Alexis para Gina, vendo a ruiva rir satisfeita.
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- Eu só poderei liberá-la
amanhã, Alvo. A garota está visivelmente esgotada. Acho que, desta vez, foi
pior.
Foi apenas o que Ametista conseguiu ouvir de sua cama. Seu avô estava
novamente lá, checando-a com Madame Pomfrey. Fechou os olhos, temerosa. E cada
vez que os fechava, a mesma imagem vinha a sua cabeça. Aquele homem na sombra.
Aterrorizando-a.
- Talvez ela não deva ir a Hogsmeade na semana que vem. Não creio que
estará tão forte o bastante. – dizia Pomfrey para Dumbledore.
- Não, Papoula. Será bom para minha neta arejar um pouco. E Harry também
poderá ajudar a distraí-la. – respondeu o diretor, encaminhando-se ao dossel
que cobria Ametista.
Dumbledore emparelhou-se ao leito assim que Madame Pomfrey deixou-os
sozinhos. Ametista sorriu cansada ao avô e sentou-se levemente na cama.
Dumbledore deu uma piscadela e acomodou-se igualmente.
- Como está?
- Eu posso me deitar sem sentir tanta dor, agora. – respondeu a garota
num tom debochado.
O diretor levantou da cama e caminhou até chegar perto das costas da
neta. Com cuidado, ergueu o roupão branco que a jovem usava. Deparou-se com a
brincadeira de Ametista. Suas costas estavam repletas de cortes. Quando tentou
encostar num deles, Ametista não se mexeu, mas apertou os olhos fortemente e
mordeu o lábio inferior. Ainda doía muito.
- Foi diferente desta vez? – indagou Dumbledore, voltando a sua posição
inicial na frente da neta.
- Era o mesmo lugar e o mesmo homem, mas... – pausou Ametista, tentando
lembrar-se. – Ele parecia querer me avisar de alguma coisa. Não sei.
Alvo franziu a testa por trás daquele monte de cabelo e barba. Ametista
completou:
- Era como se ele quisesse me alertar, como se aquele fosse o último
ataque.
- Último. – repetiu intrigado o diretor.
Ametista calou-se. A imagem do homem tomou sua mente novamente. Estava trêmula.
Ao notar que Dumbledore parecia tão pensativo quanto ela, mudou de assunto.
- Quando eu vou poder sair?
- Amanhã.
- Eu vou a Hogsmeade, certo? – questionou num método persuasivo para o
avô, que sorriu.
Quando Dumbledore foi responder, alguém bateu na porta da ala
hospitalar. Madame Pomfrey atravessou a sala e abriu-a lentamente. Do outro
lado, estava parado Draco Malfoy, carregando uma série de pergaminhos e uma
face emburrada.
- Que ele está fazendo aqui? – perguntou Ametista relutante ao avô.
- Eu pedi que ele trouxesse a você todo o material perdido durante esses
três dias. – completou Dumbledore levantando da cama e despedindo-se da neta.
Madame Pomfrey voltou a sua sala enquanto Dumbledore deixava a ala
hospitalar. Draco despejou os pergaminhos na cama ao lado e aproximou-se da de
Ametista.
- Então, você tem algum tipo de loucura mesmo? – provocou o monitor.
- Que você quer?
- Eu só trouxe isso porque o diretor pediu. Por mim, estaria bem longe
daqui. – resmungou Draco.
- Por que você me trouxe até aqui? – indagou Ametista intrigada,
sobre a noite de três dias atrás.
Draco apertou os olhos de um modo traiçoeiro.
- Eu realmente estou começando a me arrepender de ter feito isso. –
respondeu o jovem amarrando a cara.
- Você não é tão mal quanto aparenta – debochou Ametista
seriamente. – Se fosse eu, deixaria-o apodrecendo lá.
Estranhamente, surgiu um sorriso vitorioso nos lábios de Draco. Ametista
franziu as sobrancelhas imediatamente, esperando o pior.
- Não, você não deixaria. Sonserinos são fiéis uns aos outros.
- Talvez, mas eu não sou a você.
- Você não me mataria. – afirmou com veemência.
- Isso eu deixo para os abutres que circundam a sua casa.
Draco notou que aquela afirmação havia duplo sentido. Amarrando a face
mais uma vez, disse:
- Você deveria é me agradecer não por trazê-la até aqui, mas sim por
dizer que teu namorado passou a tarde passada inteira com aquela japonesa da
Corvinal.
O monitor havia pegado no ponto fraco de Ametista. A sonserina ainda
tentou arrancar mais de Draco, mas ele não permitiu, saindo da ala hospitalar.
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Acordando nauseado pelo décimo
quinto dia. Draco passou a mão sobre os fios dourados de seu cabelo e respirou
fundo. Após lavar o rosto, trocou-se rapidamente e desceu a escadaria espiral
até o salão comunal. Não mais surpreso, encontrou Ametista escrevendo em um
caderno ou diário. Era rotina achá-la sentada na mesma cadeira de espaldar
alto num canto da sala.
- Não acha que isto está ficando irritante demais? – indagou Draco,
chegando perto da garota.
Ametista sequer respondeu ou mesmo lançou um olhar ao jovem. Draco
ergueu as sobrancelhas.
- Então a sua briga com o Potter está se estendendo...
- Não se meta! – respondeu Ametista, interrompendo-o bruscamente.
Draco soltou um suspiro, já passava da sete horas da manhã e logo
deveria ajeitar os alunos para a visita a Hogsmeade. E lá estava ele, perdendo
seu tempo tentando arrancar qualquer coisa de Ametista. O único problema é que
ela andava mais irritante que de costume. Havia mais de dez dias que estava
brigada com Harry e isso parecia tirá-la dos eixos.
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Um sobrado aparentemente pequeno.
As paredes do lado de fora eram vermelhas como fogo e o contorno das janelas e
vitrine eram amarelas, assim como o nome que se lia magicamente numa placa que
tendia a explodir cada vez que alguém ameaçava entrar na casa: Loja de
Logros e Traquinagens dos Weasley.
Dentro da parede de vidro via-se uma série de bonecos sendo queimados,
tendo suas línguas alongadas por metros, a pele passando de verde a azul e
ainda alguns salpicados por bolinhas amarelas. Os cabelos arrepiados centímetros
acima da cabeça e um letreiro luminoso roxo que se lia trouxa – no
sentido ofensivo, logicamente – e ainda um jorro de vento que levantava a saia
de uma das bonecas...ou seria uma garota?
- Interessante. – foi tudo que Rony conseguiu dizer ao ver o resultado
do mercado negro de seus irmãos gêmeos.
Havia um garoto do sétimo ano da Sonserina que tentou entrar na loja e a
placa que tendia a explodir de fato estourou um jato de algo viscoso e verde –
incrivelmente parecido com vômito – e ainda fedorento. A multidão que
esperava entrar no estabelecimento ficou estarrecida, com exceção dos grifinórios,
que rolavam de rir. Foi então que uma cabeça apareceu para fora da porta de
entrada. Era Lino Jordan.
- Pega sonserinos! – anunciou gritando em alto volume.
A multidão intensificou-se diante da loja. Harry voltou-se para Hermione
e Neville, que o acompanhava, e disse:
- Essa foi uma ótima idéia, não é mesmo Rony?
Rony carregava uma expressão chocada. Era aquilo que haviam feito com o
dinheiro de todos aqueles anos?! E eram todas aquelas geringonças invenções
deles?! De seus irmãos, recordistas de advertências em Hogwarts?! Era
maravilhoso! Naquele curto momento em que o sonserino fugiu correndo da multidão
fedendo a esgoto, Rony sentiu-se profundamente orgulhoso de ser um Weasley.
Sem esperar muito mais, Rony e os outros adentraram na loja. E a surpresa
foi ainda maior. De fora, o que parecia ser um sobrado pequenino e singelo, era
na verdade um casarão gigantesco, onde os estudantes de todas as casas –
havia alguns sonserinos que conseguiam escapar do jato de gosma verde e
fedorenta – espremendo-se para um Caramelo Incha-Língua ou mesmo uma varinha
de brinquedo que causava mais destruição que um Neville solto por Hogwarts.
As paredes internas eram de diversas cores. Laranja, azul, preta e até
mesmo uma mistura feroz de amarelo com vermelho – nada mais natural para
grifinórios como os legítimos Weasley. Inúmeras prateleiras espalhadas por
todas as dobras e cantos dos salões internos, recheadas pelas
“gemealidades” de Fred e Jorge. Após poucos metros, Harry topou com o
antigo locutor de quadribol de Hogwarts.
- OH! Alô, Harry! Como você está? – perguntou
Lino freneticamente.
Harry não teve muito tempo para responder, já que houve um pequeno
tumulto onde Lino teve de apartar dois alunos – parece que as brincadeiras
começavam a fazer efeito dentro da loja.
Caminhando, ou espremendo-se, Rony e Neville conseguiram alcançar um
canto que parecia não tão entupido de gente. E foi nesse mesmo canto que
apareceram os causadores de toda aquela confusão.
- Hei, Rony! Que achou do nosso estabelecimento? – perguntou Fred quase
gritando no meio de tanto barulho.
- Estabelecimento? – repetiu Rony querendo rir.
- Este é o resultado de anos de trabalho árduo e explosões dentro do
nosso quarto, Rony. Você deveria estar orgulhoso! – disse Jorge, abraçando o
irmão gêmeo e ambos sorriram no mesmo momento.
- Eu estou. Mas...é só que....eu ainda não acredito que a mamãe
concordou com tudo isso, sabem. – explicou Rony ainda em estado de choque.
- É, foi difícil convencer a velha – debochou Jorge e Neville riu,
tomando um cutucão em seguida de Rony. – Mas todos deram uma mãozinha. Acho
até que são nessas horas que os Weasley mostram quem são...
- Horas de enganar a velha da família? – indagou Rony
escondendo um sorriso.
- Velha e ranzinza, eu completaria, meu caro irmão – brincou Fred
dando um tapinha de leve na cabeça do irmão mais novo. – Papai achou
fascinante, mas a velha reclamou até de manhã.
- Imagine se sua mãe estivesse aqui escutando essas coisas. – murmurou
Neville para Rony.
- Gina deu uma bela ajuda também. E por falar em Gina, onde ela está?
– questionou Jorge.
- Nós nos separamos. Ela deve estar com o Harry e a Mione. – respondeu
Rony num tom sem dar importância.
Fred sumiu por um momento. Enquanto isso, Rony procurava avisar Jorge a
desativar o Pega-Sonserinos da placa de entrada, já que não queria
imaginar se um acidente pegasse uma certa senhorita recentemente transferida
para a Sonserina. Jorge lançou uma piscadela ao irmão.
O outro gêmeo voltou carregando dois copos fumegantes e dourados nas mãos.
Rony e Neville, que já conheciam há séculos as invenções dos Weasley, deram
um passo para trás e Fred amarrou a cara. No minuto seguinte, duas garotinhas
do terceiro ano da Lufa-Lufa apareceram e cutucaram Fred, dizendo estarem à
procura de um gênero das brincadeiras. Fred disse que iria procurar e ofereceu
os copos as garotas. Coitadas. Pouco tempo depois, milhares de espinhas estavam
estourando em seus rostos novos e delicados. Algumas eram enormes. Rony e
Neville preferiram deixar a conversa com Fred e Jorge para depois.
Não demorou muito até que Rony e Neville encontrassem Harry, Hermione e
Gina. As garotas estavam vendo algumas das novas invenções enquanto Harry
conversava animadamente com Cho Chang. A mestiça de olhos bem puxados estava
dizendo como inúmeras vezes Cedrico fora pego pelas armadilhas dos Weasley na
época em que o jovem estava em seus quinto e sexto anos.
Harry não gostava muito de falar sobre Cedrico. A imagem do garoto
morrendo e ainda o corpo que ele trouxera até o mundo real novamente eram tão
vivas quanto à expressão quase saudosa com que Cho falava sobre o ex-namorado.
Rony aproximou-se e cutucou Hermione. A garota deixou que Gina continuasse a
observar as invenções e ouviu o namorado.
- O Harry está provocando a Ametista, não está?
Hermione não entendera rapidamente sobre o quê Rony falava até que o
namorado apontasse Cho e Harry rindo juntamente. A monitora da Grifinória lançou
um olhar a Rony e suspirou num tom de desaprovação.
Se Hermione pensou em desejar que Ametista não entrasse na loja,
esqueceu-se completamente em seguida. A amiga já estava entrando,
desacompanhada e com a face quase mal humorada. Parece que o jato da porta de
entrada não a atingiu. Entretanto, cruzou seu olhar com o de Hermione. Ao abrir
um sorriso, Ametista ameaçou ir até ela.
Velozmente, Hermione procurou desvencilhar-se de Rony e ir até Ametista,
na esperança de impedi-la ver Harry tão agitado com a conversa de Cho. Ainda
que estivesse indo mais rápido que de costume, Hermione não conseguiu alcançar
Ametista antes que ela visse a cena. Harry estava convidando Cho para o lado de
fora da loja dos irmãos de Rony num tom quase ansioso. A garota ficou
boquiaberta com tamanho atrevimento de Harry.
Sem pensar duas vezes, Ametista caminhou até Fred e pediu que ele
fornecesse um daqueles bolinhos famosos que sempre ofereciam alegremente a Percy
após um dia de trabalho no Ministério. Em seguida, colocou um na bandeja de um
dos atendentes – esses que distribuíam os copos fumegantes de diversos
resultados – e disse que os donos da loja haviam mandado oferecer a garota
japonesa ao lado de Harry Potter. O atendente cumpriu a ordem no mesmo minuto.
A cena não deixou de ser engraçada. Cho ficou com o rosto coberto por
erupções vermelhas e verdes. Um pequeno grupo viu a bela face da senhorita
Chang ser destruído por aquelas bolinhas coloridas. Duas amigas aproximaram-se
da jovem e ajudaram-na a sair da loja, a fim de curar aquelas feridas ou o quê
fosse aquilo. Ametista, que assistira tudo de bem longe, soltou um sorriso de
satisfação. Fred, que estava ao lado da sonserina durante todo o tempo,
entendeu tudo rapidamente. Comunicou Jorge e ambos foram até Harry, que estava
parado na porta, gritando algo para Cho e suas amigas.
- Tragédia. – disse Jorge.
- Desastre. – completou Fred.
- Triste, muito triste...
- Uma calamidade!
Harry tornou-se para os irmãos mais velhos de Rony e observou-os
segurando uma gargalhada. Amarrou a cara.
- Quem fez isso? – perguntou num tom quase mandão.
Jorge e Fred pigarrearam juntamente e responderam que não sabiam de
nada. Harry intensificou o olhar sobre os gêmeos.
- Está certo! – exclamou Fred. – Fui eu! Também, quem mandou me dar
um fora há dois anos atrás!
O monitor da Grifinória apertou mais ainda os olhos ameaçadoramente.
- É verdade! Eu estava lá o tempo todo! Ela partiu o coração do meu
irmãozinho! – defendeu Jorge bravamente.
Harry caminhou para fora da loja nervosamente. O céu estava negro.
Parecia noite. Uma tempestade estava preste a cair ferozmente.
- Eu sei perfeitamente quem fez isso.
E ao responder isso, Harry lançou seus olhos verdes para dentro da loja
e viu Hermione e Ametista sorrindo num tom quase malicioso. Fora ela.
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- Até que os pobretões não
fizeram um trabalho tão ruim assim. – sussurrou Draco para si mesmo ao notar
que a multidão dentro da loja crescia assim que os minutos se passavam.
Na verdade, Draco estava aliviado porque havia escapado do jato de gosma
verde e fedorenta. Aproveitando que Ametista estava bloqueada por um feitiço
– ele vira Fred isolando-a do jato – Draco conseguiu acompanhá-la
discretamente e entrar sem sofrer uma enxurrada como aquela.
Estava no segundo andar da loja. Pouco mais vazio que o térreo, andava
entre as prateleiras e observava pela grade que impedia os visitantes de cair no
andar de baixo, o bando crescer mais um pouco. Caminhando para os fundos do
andar superior, que estava quase totalmente desocupado, Draco notou uma coloração
forte no meio de tanto laranja. Eram aqueles fios avermelhados que conhecia bem.
- Olhe quem eu encontro aqui. – disse aproximando-se.
A garota virou-se para trás. Encontrou Draco encarando-a com o sempre
sorriso irônico e pretensioso. Os olhos cinzentos estavam pouco mais azuis
naquele dia.
- Olá Malfoy. – cumprimentou Gina discretamente, tentando disfarçar.
- Você está aprendendo, Weasley – debochou Draco, chegando mais
perto. – Posso dizer que estou surpreso. A maioria das garotas viria correndo
para cima de mim.
- E por que exatamente eu faria isso?
- Bem, depois de tantos beijos que nós trocamos, eu diria que você
gostaria de correr até mim.
Gina apertou os olhos segurando uma coloração diferente em suas
bochechas ao recordar os beijos com Draco.
- Eu prefiro encarar aquilo como um colapso da minha mente, é mais fácil
de entender porquê eu fiz... – respondeu Gina sem muita saída.
- Pois eu acho que você está mentindo – retrucou Draco, guiando-a
apenas andando até um canto escondido atrás das inúmeras prateleiras. – E
você não sabe mentir para mim.
- Não vai adiantar dessa vez, Malfoy. Eu não vou cair que nem uma boba
no seu papo. Eu já entendi o que você quer.
- E o quê eu exatamente quero? – indagou Draco curioso.
Gina percebeu que Draco estava encurralando-a contra a parede e engoliu
em seco. Na verdade, estava segurando-se para não pular em seu pescoço, como
ele mesmo disse. Porém, não seria tão fácil dessa vez. Se tudo que ele diz
é verdade e não pretende enganá-la, então terá de fazer tudo do jeito dela.
- O quê eu quero, Gina?
Chamá-la pelo primeiro nome. Essa era uma de suas armas.
- Você quer somente um passatempo. Já que nem todas as garotas são
idiotas como fui, você sai distribuindo esse jeito para toda garota que
permitir...
Draco segurou uma risada. Nunca pensou que a jovem Weasley poderia estar
em parte certa.
- Esse jeito?
- Conversa mole para mim, Malfoy – disse Gina com veemência. – Se
você quer realmente alguma coisa, vai ter que correr atrás.
Quando Draco percebeu o rumo que aquela conversa estava tomando, decidiu
aproximar-se de Gina e roubar-lhe um beijo. A única coisa que ele não esperava
era que Gina apenas permitisse que ele encostasse seus lábios nos dela e o
afastasse no segundo seguinte.
Draco ameaçou reclamar e até agarrar o braço da garota do quinto ano
da Grifinória, mas desistiu quando Gina tornou-se para ele e repetiu:
- Se você quer realmente alguma coisa, vai ter que correr atrás. Dessa
vez, sou eu que comando isso, Draco.
O monitor da Sonserina deu um soco leve numa das prateleiras. Uma série de quadrados fumegantes pulou sobre ele e grudaram em sua veste negra e esverdeada da Sonserina. Xingou alto e começou a arrancar aquilo de sua roupa nervosamente. Irritado, virou-se para procurar Crabbe e Goyle no andar de baixo e encontrou Gina sorrindo maliciosamente para ele. De fato, os Weasley possuíam uma maneira de conquistar. E, se Draco não tomasse muito cuidado, ele seria atingido.
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A escuridão que se formara no céu
de Hogsmeade não era de brincadeira. Três horas e pouco mais se passaram e uma
tempestade torrencial caía. Há mais de meia hora. Ininterruptas. Dedosdemel,
Zonko’s e a loja dos irmãos de Rony haviam agitado a manhã e começo da
tarde dos estudantes. Agora, a maioria estava refugiando-se dentro do Bar Três
Vassouras. Qualquer um que viesse do lado de fora entrava com os cabelos
arrepiados e ensopados. A chuva não dava qualquer tipo de trégua.
Numa mesa estavam sentados Harry, Hermione, Rony e Gina. Quatro copos de
cerveja amanteigada sobre a mesa. E uma conversa descontraída em que até mesmo
os que passavam davam risadas. No balcão, acomodados estavam Sirius, Arabella e
Hagrid, designados para cuidar dos estudantes.
A porta bateu mais uma vez. O vidro que cobria metade da passagem quase
se quebrou com o impacto. Um novo bando de alunos molhados até a alma adentrou
no Três Vassouras. Foi quando Harry achou quem estava procurando há mais de
duas horas. A garota estava sacudindo o pesado casaco com o emblema da Sonserina
e tremendo de frio. Os cabelos caídos sobre os olhos azuis e a pele pálida.
Harry levantou da mesa e caminhou até ela. Ametista levantou os olhos até
ele e o monitor chegou até a sentir as pernas trêmulas. A boca dela estava tão
perto da dele. Mas não havia como. Não com Ametista agindo como uma criança.
- Precisamos conversar. – disse ele decidido.
Ametista não conseguiu dar uma resposta. Já estava sendo guiada para o
lado de fora do Bar. Uma forte corrente de vento sacudiu a saia da garota e seus
cabelos. O céu negro. Um furação passando por eles. E mesmo assim, Harry
insistia em conversar do lado de fora, sem que ninguém pudesse vê-los.
- Ametista, nós podemos ter nossos problemas, mas não desconte em quem
não tem nada a ver. – ralhou Harry.
- Que você está falando?
Harry teve de levantar a voz por causa do forte barulho das portas
batendo e as janelas, sem contar o toldo que cobria ambos debaixo daquela
tempestade.
- Foi você! Você enfeitiçou a Cho! Mandou aquele bolinho do Fred!
Ametista não podia acreditar que ele estava defendendo a garota
japonesa! Como ele podia?!
- Fui eu sim! E faria novamente!
Harry suspirou aborrecido e notou que havia um trio de garotas
dirigindo-se ao Bar no meio da tempestade.
- ELA NÃO TEM NADA A VER CONOSCO, AMETISTA! – reclamou Harry
nervosamente.
- VOCÊ GOSTAVA DELA ANTES, COMO QUER QUE EU ME COMPORTE PERTO DELA?! –
retrucou Ametista ferozmente.
- EU ESTOU COM VOCÊ AGORA! EU NÃO GOSTO MAIS DELA E VOCÊ SABE DISSO!
- MAS NÃO PARECE! VOCÊ ESPEROU EU FICAR NAQUELE INFERNO DE HOSPITAL
PARA APROVEITAR A CHANCE, NÃO É MESMO?!
- NÃO FOI NADA DISSO! E EU JÁ TENTEI TE EXPLICAR, MAS VOCÊ NÃO
ACREDITA!
- EU ACREDITO, HARRY! MAS CADA VEZ QUE EU TE VEJO, MEUS OLHOS DIZEM O
CONTRÁRIO!
Harry suspirou cansado. Ametista era mais cabeça dura do que ele
imaginava. Notou que a namorada começou a chorar discretamente.
- VOCÊ ACREDITA NO QUE VÊ OU NO QUE SENTE? – perguntou Harry,
percebendo que aquilo iria longe.
Ametista aproximou-se dele e questionou:
- VOCÊ ME DISSE QUE ACREDITA NO QUE SENTE, HARRY. O QUÊ VOCÊ SENTE,
AGORA?! NESSE EXATO MOMENTO!
Harry engoliu em seco. Estava tomado pela fúria. E quando viu Cho
correndo junto das duas amigas querendo alcançar o Três Vassouras, parecendo
melhor e com o rosto belo como de costume, sua voz se foi. Um nó instalou-se na
sua garganta e desviou o olhar para Ametista novamente. A única coisa foi que
Ametista percebeu tudo muito bem e disse, finalizando a discussão:
- ÓTIMO!
Em seguida, Harry viu Ametista sair correndo no meio do temporal. Cho e
suas amigas sequer notaram a discussão entre o casal e entraram rapidamente no
Bar. Harry deu um tapa na própria cabeça e murmurou para si mesmo: “Seu
idiota! Como você pôde ter dúvidas?! É lógico que é da Ametista que você
gosta!”
Enquanto isso, Ametista corria sem rumo algum. Suas lágrimas impediam de
enxergar o caminho perfeitamente no meio daquela quase escuridão e tanta chuva.
O dia havia virado noite. E seu coração estava cheio de amargura e dor.
Sentia-se abandonada. Traída. Tentou limpar seus olhos e quando o fez, parou
para tentar checar para onde estava indo. Ao concentrar sua vista à frente,
encontrou uma casa velha. No exato momento, Ametista pensou estar vendo coisas,
mas teve a completa certeza que não era a primeira vez que assistira aquela
cena.
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
Após deixar o Três Vassouras descontrolada, Ametista vê-se diante de uma casa velha e sinistra, debaixo de tal tempestade. Entretanto, algo a faz seguir até a porta de entrada - a porta para seu destino, para o resto de sua vida. Como uma escolha pode mudar todo o curso de uma estória? E enquanto alguns preocupam-se com o sumiço repentino da neta de Dumbledore, outros aproveitam a proximidade com alguém especial. Afinal, o quê Cho quer falar com Harry em particular?
Prenda a respiração e espere pelo pior em "SONHOS QUE SE REALIZAM"
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