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Bom, eu nasci em Belo Horizonte, em fevereiro de 1984, meus pais se casaram no civil s� pra minha m�e ter direito no plano de sa�de dele, eles eram hippyes, e casamento em papel num era nenhum ideal pra eles.

Aos 2 anos de idade eu tive pneumonia. Os m�dicos disseram q eu ia morrer, eu tava a base de soro, e era soro na cabe�a. Eu n�o podia mexer, mais a minha m�e n�o deixou que me amarrassem. Eu gostava de chupar o dedo. E com 2 anos eu n�o tentava arrancar os fios. Eu ficava im�vel, como quem sabia o que se passava.
Bom, eu lembro poucas coisas dessa �poca, mais lembro. Lembro deu voltando pra casa careca, achando q tava linda, lembro da minha m�e de barrig�o gr�vida do Hugo, no hospital comigo. E do Marcelo, que tinha uma certa compuls�o em tirar fotos minhas.


Bom, eu tive que morar em Ferros com minha tia por alguns meses, pois a polui��o de BH podia fazer eu voltar ao quadro grave. Logo depois eu mudei pra Buritis, perto de Bras�lia. Onde morei por volta de 7 anos. Minha inf�ncia toda. Aos 9 anos, eu era especialista na bicicleta, e meu pai tinha uma fazenda que sempre tava cheia de gente, eles sempre gostaram disso.. de juntar o povo e fazer festa. Aki em casa at� hoje � assim. Andava muito a cavalo com meu irm�o. Ele sempre teve as manhas, Uma vez eu ca�, e traumatizei. eu era pequena pra correr tanto, o pulso do cavalo era muito maior do que o meu peso. S� voltei a montar com 16 anos.


Eu tive uma inf�ncia maravilhosa, com os p�s no ch�o, andando de bicicleta, e subindo em �rvore, era fera nisso. Ahn, eu tinha um daqueles clubinhos de amigos, com casinha e tudo. Era uma barraca de Lona, que os meninos montaram no jardim do condom�nio. Agente chamava de "Bacaninha" e eu era a presidente da turma..
Com 11 anos eu volto pra Belo horizonte, e foi dif�cil me readaptar aqui. Em, 1995 eu finalmente aprendo a conviver bem aqui.

Eu fiquei muito amiga do Rafa, a gente viajou junto... a garotinha do �nibus pensou que fossemos irm�os. Sempre que ela me via dizia.. Oi, cade seu irm�o? hehehe
E de certa forma.. ele era mesmo.


Estava com 16 anos, a Delzinha e a La�s moravam do meu lado, e nos pass�vamos a maior parte do tempo juntas. Eu tinha meu parceiro no col�gio, Israel. Ele cuidava de mim, e matava aula comigo. O que me rendeu uma reprova��o.




E o Rafael traz o Guilherme pra turma, e nessa �poca a gente se aproximou muito, fal�vamos quase todos os dias no telefone.. Eles chamavam eu, a La�s e a Del, de meninas superpoderosas.
Hoje o Guilherme e o Rafael n�o s�o mais melhores amigos, mais o Gui, at� hoje me liga e vem na minha casa sempre que pode...
Tava do meu lado quando eu precisei, e me deu a blusa dele quando tava chovendo. Ele n�o entendia pq eu estava na chuva, mais ficou l� comigo.


Um ano depois vem a pior fase da minha vida.. A Delzinha e a La�s mudam de BH, o Israel, ia abortar o filho que a namorada dele esperava. O Guilherme e o Rafael pararam de conversar, e um grande amigo entra na maconha. Eu precisava da Delzinha, ela sempre me passava for�a, e a La�s, era preocupada com outros tipos de coisas. mais preocupada, e ela, mesmo sendo bem mais nova, cuidava de mim.
So que eu n�o pudia, elas tinha mudado de BH, e eu estava sozinha..


O Israel me pede ajuda, s� eu que conhecia o problema dele, e ele confiava em mim pra isso. E o cara q eu amava, j� n�o me amava mais. Ele pediu pra mim num falar mais com ele. Talvez ele n�o quisesse me machucar. Eu tive que aprender sozinha a procurar meu equil�brio, e ver o mundo com os meus olhos, eu j� n�o acreditava mais em Deus, n�o por estar revoltada, eu n�o estava.... mais por procurar o sentido nas coisas, e n�o achar sentido em um Deus. Ou em nada que ele representasse.
Eu comecei a ler sobre maconha, e mesmo que taxassem aquilo como um mal do s�culo, eu vi que num era t�o ruim assim, e parei de pegar no p� do meu amigo, pedi pra ele num passar disso, e at� hoje ele cumpre a palavra. Aprendi que cada um sabe o que � bom pra voc�, mais se eu precisasse intrometer pra n�o ver ele dependente de algo mais forte. Eu intrometeria. Mais ele me escutava sabe, mesmo quando eu chingava, ele dizia, valeu. E fazia promessas de parar. Nunca foram cumpridas, isso n�o me incomodava, me incomodava ele tossir, fazendo cara de dor, mais isso era mais pela nicotina do que pela maconha.
Aprendi a ver a Delzinha e a La�s algumas vezes no ano, e vi a pessoa que eu achava mais forte do mundo chorar. Uma vez, e pode apostar, doeu em mim mais do que se fosse comigo.
A namorada do Israel n�o abortou... eu disse que se ele abortasse, num precisava mais olhar na minha cara. N�o pelo fato de religiosidade ou coisa do tipo, mais a crian�a estava com 4 meses. Mexendo j�. Eu pensei muito antes de falar isso com ele, afinal ele tinha 17 anos. Eu acho q ele tava querendo s� um apoio moral, pq ele sempre quis ser pai. Hoje ele mora em Londres, e vem me ver uma vez a cada 2 anos. A filhinha dele, chama Ester, � ruiva, muito linda.
As coisas foram voltando ao ritmo legal. A� veio meu terceiro ano,


a psic�loga dizia q eu precisava de tratamento. Acho q � pelo fato deu correr das terapias que ela fazia. Eram muito chatas. Hoje, 2003, estou com 19 anos, e vejo mais gra�a na vida e nas coisas, aprendi a conviver bem comigo mesma, e procurar o lado bom das coisas e das pessoas. E aprendi que ser feliz � uma obriga��o.
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