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Bom, eu nasci em Belo Horizonte, em fevereiro de 1984, meus pais se casaram no civil s� pra minha m�e ter direito no plano de sa�de dele, eles eram hippyes, e casamento em papel num era nenhum ideal pra eles. Aos 2 anos de idade eu tive pneumonia. Os m�dicos disseram q eu ia morrer, eu tava a base de soro, e era soro na cabe�a. Eu n�o podia mexer, mais a minha m�e n�o deixou que me amarrassem. Eu gostava de chupar o dedo. E com 2 anos eu n�o tentava arrancar os fios. Eu ficava im�vel, como quem sabia o que se passava. Bom, eu lembro poucas coisas dessa �poca, mais lembro. Lembro deu voltando pra casa careca, achando q tava linda, lembro da minha m�e de barrig�o gr�vida do Hugo, no hospital comigo. E do Marcelo, que tinha uma certa compuls�o em tirar fotos minhas.
Com 11 anos eu volto pra Belo horizonte, e foi dif�cil me readaptar aqui. Em, 1995 eu finalmente aprendo a conviver bem aqui. Eu fiquei muito amiga do Rafa, a gente viajou junto... a garotinha do �nibus pensou que fossemos irm�os. Sempre que ela me via dizia.. Oi, cade seu irm�o? hehehe E de certa forma.. ele era mesmo.
E o Rafael traz o Guilherme pra turma, e nessa �poca a gente se aproximou muito, fal�vamos quase todos os dias no telefone.. Eles chamavam eu, a La�s e a Del, de meninas superpoderosas. Hoje o Guilherme e o Rafael n�o s�o mais melhores amigos, mais o Gui, at� hoje me liga e vem na minha casa sempre que pode... Tava do meu lado quando eu precisei, e me deu a blusa dele quando tava chovendo. Ele n�o entendia pq eu estava na chuva, mais ficou l� comigo.
So que eu n�o pudia, elas tinha mudado de BH, e eu estava sozinha..
Eu comecei a ler sobre maconha, e mesmo que taxassem aquilo como um mal do s�culo, eu vi que num era t�o ruim assim, e parei de pegar no p� do meu amigo, pedi pra ele num passar disso, e at� hoje ele cumpre a palavra. Aprendi que cada um sabe o que � bom pra voc�, mais se eu precisasse intrometer pra n�o ver ele dependente de algo mais forte. Eu intrometeria. Mais ele me escutava sabe, mesmo quando eu chingava, ele dizia, valeu. E fazia promessas de parar. Nunca foram cumpridas, isso n�o me incomodava, me incomodava ele tossir, fazendo cara de dor, mais isso era mais pela nicotina do que pela maconha. Aprendi a ver a Delzinha e a La�s algumas vezes no ano, e vi a pessoa que eu achava mais forte do mundo chorar. Uma vez, e pode apostar, doeu em mim mais do que se fosse comigo. A namorada do Israel n�o abortou... eu disse que se ele abortasse, num precisava mais olhar na minha cara. N�o pelo fato de religiosidade ou coisa do tipo, mais a crian�a estava com 4 meses. Mexendo j�. Eu pensei muito antes de falar isso com ele, afinal ele tinha 17 anos. Eu acho q ele tava querendo s� um apoio moral, pq ele sempre quis ser pai. Hoje ele mora em Londres, e vem me ver uma vez a cada 2 anos. A filhinha dele, chama Ester, � ruiva, muito linda. As coisas foram voltando ao ritmo legal. A� veio meu terceiro ano,
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