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Desde tempos idos, antes mesmo de sua funda��o, tem-se not�cias de vates, de rara intelig�ncia, que l� nasceram e cresceram, fazendo suas poesias, sem, no entanto, desfrutar de escolas para seu desenvolvimento intelectual. "Apud" Amarildo Gon�alves Tavares, poeta e escritor aurorense, em seu livro* informa que entre 1860 e 1920, viveu ilustre vate Felismino Correia Lima que, al�m de sua labuta como vaqueiro e agricultor, escrevia poesias em suas horas de lazer sobre sua vida di�ria. Como n�o as registrava em cordel, somente as poesias mais importantes do gosto popular se salvaram. Assim, transcreveu em seu livro*, a poesia chamada
A.B.C. DA GARROTA BARGADA
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Nos versos, fala a Garrota Bargada:
A dois anos que eu sofro Pelos homens perseguida Uns me ca�am na catinga Outros me esperam na bebida; Trouxe a sina da minha m�e Para sermos combatidas
Bebia no a�udinho E comia no Cip� Passeava na Barrela Ver se o pasto era milh�, Onde encontrei Felismino Que de mim n�o teve d�
Corre garrota malvada Que eu quero ver tua fama, Que hoje � chegado o dia De eu fazer a tua cama, Em cima do meu cavalo Por apelido Pestana
Desde o tempo de eu bezerra Que era a minha inclina��o De correr pelas catingas Pra ning�m me p�r a m�o, Sabia que Felismino Era a minha perdi��o.
Eu nunca fui em curral Nem nunca fui arreada; Fui criada absoluta, Sem nunca ser exemplada; Logro fama, enterro os outros, Quem pegar essa bargada.
Fria fiquei de repente Quando avistei o destino Do tal cavalo Pestana No qual vinha Felismino, Zoava o casco na pedra Como badalo no sino.
Grande guerra tenho sofrido Desses vaqueiros vizinhos Pois somente Felismino P�de me pegar sozinho; Que os vaqueiros mais de fora S� correm bem nos caminhos.
Homem velho, pensativo Era o senhor Saturnino, Acostumado a correr Desde o tempo de menino; Como temeu seu cavalo N�o satisfez o destino.
CONTINUA��O DA POESIA
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