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Alfa&Ômega mídia cristã apresenta: Curso "Os 20 séculos de
Caminhada da Igreja" Terceira Parte - do ano 800 a 1500 O "Século das Trevas"
e a interferência política, o Cisma do Oriente, as Cruzadas e as
Ordens Militares-Religiosas, as heresias e a
Inquisição, o Cativeiro de Avinhão
e o Cisma do Ocidente, o fim da Idade Média e a decadência moral Lição
49 848: GOTESCALCO E A
PREDESTINAÇÃO Aí pelo
ano 848, o teólogo alemão Gotescalco
(Gottsschalk) começou a ensinar a
dúplice predestinação. Para ele, o homem já nasce
predestinado, ou para o céu ou para o inferno. Essa doutrina fatalista
foi condenada pela Igreja Católica, nos sínodos de Mogúncia (848) e de Quercy
(849). No século
XVI, os reformadores protestantes voltaram a ensinar a dúplice
predestinação. Diante disso, no Concílio de Trento
(1545-1563), a Igreja tornou a condenar tal doutrina. Para a Igreja, é
impossível que Deus, Pai de amor infinito, crie filhos predestinados
à morte eterna. A doutrina
protestante diz que a salvação é obra exclusiva de Deus;
a criatura nada pode fazer para sua salvação. Por isso, quando
ela nasce, seu destino já vem determinado. A Igreja
Católica também diz que a salvação é obra
divina. Parte de Deus, não do homem. É dom gratúito
do Pai (cf. Ef 2,8-9). Mas o ser humano deve
colaborar com a graça de Deus. É aí, nessa colaboração com a graça, que
está a diferença entre a doutrina evangélica
(protestante) e a doutrina católica. Aí está a
razão por que uns são salvos e outros não. Da parte de
Deus, existe até uma predestinação universal para a
salvação. Ele "quer que todos sejam salvos" (cf. 1Tm
2,4). Enviou seu Filho ao mundo "para que não se perca nenhum
daqueles que Ele criou" (cf. Jo 6,39). O homem
é que, com sua livre opção, escolhe o caminho da Vida e
o caminho da Morte. A desgraça dos que se perdem não representa
a vontade divina, mas o mau uso da liberdade humana. O ser humano
caminha para sua salvação ou para sua perdição,
na medida em que aceita ou que rejeita a graça de Deus. Jesus disse:
"Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas
os que te são enviados, quantas vezes quis eu reunir os teus filhos,
como a galinha recolhe seus pintinhos debaixo de suas asas, e tu não o
quiseste!" (Mt 23,37). Deus não
designa ninguém para a Morte eterna. Ates, Jesus nos exorta a entrar
pela porta estreita e pelo caminho apertado, que é o caminho da Vida
(cf. Mt 7,13-14) Lição
50 855: A “PAPISA
JOANA” A
Idade Média gostava de lendas. E a lenda mais absurda é a da
existência de uma “papisa”, que teria tomado assento na
cadeira de Pedro logo após o Papa Leão IV. Só que, nesse
tempo, ninguém falou da tal “papisa”. A lenda surgiu nas
crônicas do século XIII. Além de essa lenda aparecer 400
anos depois, ela é toda desencontrada. As versões são
diversas e contraditórias. Não existe acordo nem mesmo quanto
ao nome da tal “papisa”. Uns dizem que era Joana, outros a
chamaram de Inês; para outros seria Gilberta,
ou ainda Glância ou Juta. O nome mais falado
é Joana. Segundo a lenda, uma mulher vestida de homem teria ocupado o
lugar do Papa com o nome de Johannes. Seria natural
de Mogúncia e tinha sido desmascarada
porque, no decorrer de uma procissão, teria dado à luz numa rua
de Roma. Outra versão diz que esse parto teria ocorrido quando a
papisa percorria as ruas de Roma, a cavalo. Então teria sido
desmascarada, condenada pela justiça romana e lapidada. Durante longo
tempo, muita gente acreditou nessa lenda. Ainda hoje há quem levante a
questão da papisa Joana. Mas, desde o século XVII, ficou
provado que a papisa Joana não passa de maldosa lenda inventada por
inimigos da Igreja, pois não existe lugar na História dos papas
para encaixar a tal papisa. Basta lembrar que o Papa São
Leão IV faleceu a 17/7/855 e que o papa seguinte, Bento III,
foi eleito nesse mesmo mês de julho. Há diversos documentos
assinados pelo Papa Bento III, já em 855, ano da morte de Leão
IV. Existe até uma medalha dessa época com as efígies de
Bento III e do imperador Lotário, cuja morte
ocorreu dois meses e meio logo após o falecimento do Papa Leão
IV. Eleito Papa, Bento
III não quis aceitar o cargo. Então o povo e o clero foram busca-lo em sua casa e o
forçaram a aceitar. Porém, os imperadores Lotário
I e Ludovico II eram contra a eleição de Bento III. Ele chegou
até a ser preso pelos partidários dos imperadores. Mas o povo e
o clero fizeram tanta pressão a favor de Bento, que ele foi libertado
e empossado. Lição
51
860: POVOS ESLAVOS SÃO
EVANGELIZADOS No ano 826, Harald Klak, rei da Dinamarca,
foi batizado em Mogúncia, juntamente com 400
nobres. Isto mostra como a Europa continuava sendo evangelizada. Cada rei que
se convertia levava para o cristianismo sua nação inteira, como
aconteceu com o príncipe bárbaro Boris (ou Bogoris):
ele foi batizado em 866 e arrastou para a fé todo o seu povo.
Nesse tempo, os dois grandes
instrumentos de Deus na evangelização dos eslavos (Morávios, Sérvios, Búlgaros,
Eslovenos e russos) foram os irmãos Cirilo e
Metódio, filhos de importante família
bizantina. Metódio (826-885) foi governador
de uma província eslava. No ano 840, fez-se monge. Cirilo,
que antes de chamava Constantino, era formado pela Universidade de
Constantinopla e chegou a ser chefe da embaixada do governo bizantino. Eles
foram evangelizar os eslavos a pedido do príncipe Ratislav,
que reinava sobre a Moravia, a Eslováquia e parte da Hungria. Para o seu
trabalho missionário, elaboraram um sistema litúrgico que ficou
famoso: a escrita “glatolítica”.
Até traduziram a Bíblia para essa língua, que era usada
nos cantos e na liturgia. Tudo ia muito bem. Havia já sacerdotes
nativos. Mas aí surgiu um problema: Cirilo e
Metódio foram acusados de rezarem a Missa
numa língua não aprovada (As línguas aprovadas para a
liturgia eram o grego, o latim e o hebraico). Eles tiveram que
interromper seu trabalho e se dirigir a Roma para obterem a
aprovação. Não foi muito fácil. Mas, depois de
algum tempo, permitiu-se o uso da língua glagolítica
nas Missas e em toda a liturgia. Assim lhes falou o Papa João VIII:
“Aquele (Deus)
que fez as três línguas principais (o hebraico, o grego e o
latim), criou também as outras línguas para seu louvor e
glória”. O Papa João
VIII teve ainda outra atitude digna de elogios: em carta enviada aos
príncipes da Sardenha, em 873, ele denunciou o comércio de
escravos como “pecado grave”. Exigiu que os prisioneiros vendidos
pelos gregos fossem libertados. Lição
52 869: 4° CONCÍLIO DE
CONSTANTINOPLA (8° ECUMÊNICO) 858: Fócio era parente de Teodora
, regente do império bizantino. Por isso, ocupava o importante
cargo de secretário-geral do império. Aí um grupo da
corte depôs o patriarca de Constantinopla chamado Inácio,
alegando que era muito rigoroso. E, para patriarca, nomearam Fócio. Fócio era
leigo. Em cinco dias recebeu todas as ordens sacras. Feito bispo, assumiu o cargo
de patriarca de Constantinopla. 863: O
Papa Nicolau I tomou a defesa de Inácio e não reconheceu a
dignidade eclesiástica de Fócio. 863: Então Fócio
convocou um concílio, excomungou o Papa e declarou que o Papa
não tinha mais autoridade no Oriente. Mas, no mesmo ano,
Basílio I, o novo imperador de Constantinopla, depôs Fócio e reconduziu Inácio ao cargo de
patriarca. 869: Os
legados do Papa convocaram um Concílio em Constantinopla e
excomungaram Fócio e seus partidários
(Este foi o 4° Concílio de Constantinopla e o 8°
ecumênico). 877: Inácio morreu. E, com o apoio do
imperador, Fócio voltou ao trono como
patriarca de Constantinopla. 879: Fez-se um novo sínodo, o
qual declarou sem efeito o Concílio de Constantinopla, realizado em
869, e reconheceu Fócio como legítimo
patriarca. 886: O novo imperador, Leão IV,
depôs Fócio novamente. Mas sua
intenção não era das melhores. Ele desejava colocar no
cargo de patriarca o seu sobrinho Estevão. 892: Fócio
morreu num mosteiro, como prisioneiro. Escrevemos
tudo isto para mostrar quanto mal faz à Igreja a interferência
da política. O imperador bizantino queria que a Igreja do Oriente ficasse independente de Roma, para tirar proveito
político. Então, sem autorização do Papa, seus
partidários transformaram Fócio em
patriarca e o jogaram contra o Papa. Esse princípio de
separação foi crescendo até gerar o grande Cisma de
16-6-1054.
SÉCULO X, O “SÉCULO
DAS TREVAS” O Século X foi marcado pela
corrupção política e pela violência. Por isso
chamou-se Século das Trevas.
Em 882 já apareceram os primeiros sinais dos maus tempos: o Papa
João VIII morreu envenenado por políticos, porque os repreendeu
por prática de violência. Em 896, o Papa Bonifácio VI
também morreu envenenado, duas semanas após sua eleição.
Mas o caso mais lamentável foi praticado pelo Papa Estêvão
VI. Ele deixou-se envolver pela vingança política da rainha Agelturdes e mandou desenterrar o cadáver do Papa
Formoso, morto naquele ano, para julgá-lo e condená-lo. No ano
seguinte, também Estevão VI teve um fim muito triste: foi
estrangulado na prisão (897). Toda a Europa estava mergulhada na
corrupção e no crime. As invasões,
devastações, saques, violência, assassínios,
terror e ameaças pareciam não acabar mais. Eram ataques dos
normandos, dos sarracenos, dos búlgaros, dos
árabes, igrejas assaltadas e mosteiros invadidos. Cenas de vandalismo
aconteciam em todos os lugares. Em 909 o sínodo de Trosly
declarou: “O mundo está cheio de imoralidade e
de adultério, de devastação de igrejas e de
opressão dos pobres Foi um retrocesso da
civilização. E a Igreja não escapou. Ela faz parte da
sociedade. Sofreu junto. Muitos papas eram filhos de famílias nobres,
por isso estavam enfiados no meio dos duques e dos condes, devendo fazer
parceria com eles ou ser adversários deles. A Igreja não
pereceu porque é sustentada pela mão de Deus. Contudo, algumas coisas boas foram
feitas: em 908, a fundação do importante mosteiro de Cluny que se tornou grande centro de espiritualidade.
Dele nasceram muitos mosteiros, entre os quais as abadias de Gorze (933) e de Grottagerrata
(950), esta existente até hoje. De 945 e 986 a cristandade progrediu
na Dinamarca, na Suécia e na Noruega, onde foram criadas algumas
dioceses. Os povos da Europa continuaram sendo evangelizados. E, apesar das
intrigas políticas e da crise reinante na alta esfera da sociedade,
havia muitos santos, não só nos mosteiros, mas também
entre o povo e até entre os ricos. OS CRIMES DA NOBREZA ROMANA Dissemos que, no Século das
Trevas ou o “século obscuro”, a Igreja sofreu muito com a
dominação política das poderosas famílias
pertencentes à nobreza romana. As famílias nobres mais
conhecidas pela sua força política eram: o conde Teofilato, sua esposa Teodora e suas duas filhas: Marózia e Teodora. Essas mulheres eram muito inteligentes,
mas não tinham uma consciência formada segundo o espírito
de Deus. Queriam mandar na Igreja e tirar proveito político da
religião. Depois veio o poderoso Albérico
II, intitulado Senador e
Príncipe dos Romanos. Esse homem foi terrível! Em seguida,
a família dominante foi a do duque Crescêncio
e seus descendentes. Isto sem falar de Otão
I e sua família. Por ser imperador do Sacro Império, Otão se achava no direito de se intrometer na
administração da Igreja e de interferir na escolha dos papas. Esses
políticos dominantes e seus descendentes atravessaram o infeliz
“Século das Trevas”, espalhando terror e prejudicando a
Igreja. Seno o Papa chefe do Estado Pontifício, ficava envolvido
naquela política suja da época, quase sempre levando
desvantagem junto aos príncipes e duques que, para conseguir seus
objetivos, valiam-se de todos os meios, inclusive na mentira e no crime.
Basta dizer que, nesse tempo, vários papas foram assassinados a mando
de políticos, muitas vezes às escondidas. Eis alguns exemplos: 903 – O
Papa Leão V foi encarcerado e morto na prisão por
envenenamento, após três meses de sua eleição. 931 – O
Papa Estevão VII também morreu no cárcere. 935 – O
Papa João XI morreu assassinado, com sua mãe. 964- João
XXI, um dos Papas mais infelizes foi julgado, condenado e deposto pela
política. 974 – O
Papa Bento VI morreu estrangulado no cárcere, no Castelo de Santo
Ângelo, por imposição de Bonifácio Franco. 984 – O
Papa João XIV morreu abandonado no cárcere, talvez de fome e
doente, também por imposição de Bonifácio Franco,
um antipapa assassino. Lição
53 955: JOÃO XII, PAPA AOS 18 ANOS
Antigamente o povo ajudava a escolher os bispos e até os papas.
Vimos que Santo Ambrósio, o grande Bispo de Milão, foi eleito
pelo povo, por aclamação, antes de ser batizado. Mas, às
vezes, os políticos entravam no meio e punham seus interesses
particulares acima do bem espiritual da Igreja. É o que aconteceu com
João XII, que foi eleito Papa com apenas 18 anos de idade, sem ter
capacidade para exercer o cargo. Foi um desastre. O
jovem Papa viu-se cercado de intrigas e problemas políticos.
Então resolveu pedir apoio a um político forte. E recorreu a Otão I, rei da Alemanha. Este veio mais que
depressa. Entrou em Roma com seu exército sem encontrar
resistência. Otão desejava mesmo ser
uma espécie de chefe político da Europa. O Papa o coroou
imperador do Sacro Império Romano (962), que nessa ocasião
passou a chamar-se Sacro Império
Romano-Germânico. Aí, Papa e imperador
fizeram aliança. Otão assumiu
o compromisso de defender o Papa e o Estado Pontifício. Mas, assim que Otão voltou para a Alemanha, os políticos
de Roma começaram a ameaçar o Papa. Então este pediu
ajuda ao príncipe Berengário que, por
azar, era inimigo de Otão I. Aí as
coisas se complicaram. Otão I veio com seu
exército, invadiu a Itália e fez um sínodo tendencioso
que depôs o Papa e, no lugar de João XII, colocou um falso Papa
chamado Leão VIII. Na verdade, tanto
a disposição de João XII como a
eleição de Leão VII foram ilegais, portanto
inválidas. Por isso, logo que Otão
partiu para a Alemanha, João XII veio a Roma e depôs o falso
papa Leão VIII. Sanbendo disso, Otão I retornou a Roma para, novamente, depor
João XII. Mas, quando chegou, o Papa acabava de falecer subitamente,
com apenas 27 anos de idade. No meio de toda
essa confusão, uma coisa é certa: o infeliz Papa João
XII não tinha capacidade para o cargo, mas não cometeu nenhum
erro de doutrina. Não fez nenhuma declaração que fosse
contra as verdades da fé. Antes, auxiliou o mosteiro de Subíaco e a obra de evangelização,
especialmente na Hungria. Vê-se que a Igreja é mesmo conduzida
pelo Espírito Santo. FIM
DO SÉCULO DAS TREVAS
Bonifácio Franco não era Papa, mas um intruso que depôs o
Papa e sentou-se na cadeira de
Pedro. Foi assim: Em 973 faleceu o
rei alemão Otão I, imperador do Sacro
Império. Com isso, a política de Roma ficou sob a
liderança do duque Crescêncio, que era
inimigo do Papa, de Otão I e dos
alemães. Então, com o apoio de Crescêncio,
Bonifácio depôs o Papa Bento VI, prendeu-o no Castelo de Santo
Ângelo e se fez antipapa, dando a si o
título de Bonifácio VII. Logo depois, o
Papa Bento VI morreu estrangulado no cárcere. Aí sob
pressão do povo, Bonifácio foi deposto. Nessa altura, Otão II (filho de Otão
I) já marchava para Roma a fim de pôr ordem na casa. Sabendo
disso, Bonifácio fugiu para Constantinopla, levando consigo os
tesouros da Igreja (974). No mesmo ano
elegeram o bom Papa Bento VII, que governou a Igreja durante 9 anos. Morto em 983, foi eleito Papa João XIV.
Mas, nesse tempo, faleceu subitamente o imperador Otão
II, com 28 anos de idade. Então, com o poder das armas de Crescêncio, Bonifácio voltou a Roma,
depôs o Papa João XIV e novamente sentou-se na cadeira de Pedro (984). O Papa João
XIV foi para o cárcere, no Castelo de Santo Ângelo, onde morreu
de fome ou envenenado (984). Mas o triunfo de Bonifácio durou pouco:
ele foi assassinado numa revolta popular. Seu corpo, nu, foi arrastado pelas
ruas de Roma e abandonado junto ao mercado, sob vaia do povo. De 985 a 996
governou a Igreja o Papa João XV. Foi um período de paz. Em 996
elegeram Papa o alemão Gregório V. Ele coroou o imperador Otão III. Mas, assim que Otão
se ausentou de Roma, o Papa Gregório V foi deposto pelo duque Crescêncio. Ao saber disso, o imperador Otão III marchou para Roma com seu poderoso
exército: Crescêncio e alguns partidários
foram decapitados. Assim terminou o violento “século das
trevas”. Durante cem anos a
Igreja caminhou à beira do abismo. Foi uma tempestade de um
século. Mas a Igreja não pereceu. Ela está aí,
enfrentando agora os problemas da modernidade. A
IGREJA NA IDADE MÉDIA Entende-se por
Idade Média o período da História que vai da queda do
Império Romano no Ocidente (476) até a tomada de Constantinopla
pelos turcos (1453). Foram dez séculos de uma sociedade “teocêntrica”, isto é, Deus era o centro
da sociedade, que tinha o Papa como pai e guia dos povos cristãos. O trabalho comum
era a agricultura. Os ideais que mais atraíam os medievais eram dois:
a vida religiosa e a aventura da cavalaria. A educação cavaleiresca começaca
aos sete anos e ia até os vinte e um. Passava
por três estágios: pajem, escudeiro e cavaleiro. A finalidade do
cavaleiro era defender a religião, os fracos e abandonados. Desse
espírito de aventura da cavalaria nasceram as
cruzadas, das quais falaremos mais adiante. A cultura dependia
totalmente da Igreja. As escolas funcionavam junto aos mosteiros e catedrais.
Os mestres eram monges e sacerdotes. Estudar era um luxo. Só nos
séculos doze e treze é que surgiram as famosas universidades:
Paris, Salamanca, Tolouse,
Montpellier, Oxford, Cambridge, Bolonha, Vicenza, Nápoles, Gênova, Siena, Roma, Pisa, Pavia e
outras. Deus era o Senhor
dos senhores e o Papa exercia o papel de árbitro das
nações. Por isso, a Igreja dava equilíbrio e unidade aos
povos. Esse poder da Igreja na área civil veio a custar-lhe um elevado
preço. Gerou a crise religiosa interna e a intromissão do poder
político na vida da Igreja. Muitos bispos
dividiam sai vida e sua missão de pastores da Igreja com seu
ofício de chefes políticos. Ao mesmo tempo, deviam administrar
sua diocese e governar um ducado, com todas as imagens políticas
próprias dessa função terrena. Em contrapartida,
muitos príncipes e reis em troca de dar aos bispos uma fatia do poder
civil, queriam para si o direito de botar seu dedinho no governo da Igreja.
Vendo a força moral da Igreja e o poder que ela exercia na sociedade,
os príncipes e reis aproveitaram-se da religião para fins
políticos, influenciando na escolha dos bispos. Surgiu então a
famosa questão da “investidura”. Lição
54 1054: O CISMA DO ORIENTE No dia 16
de julho de 1054, a Igreja de Constantinopla separou-se da Igreja de Roma. A
isto chamamos "Cisma do Oriente" ou Cisma Grego. Era Papa
Leão IX. O Patriarca de Constantinopla chamava-se Miguel Cerulário. Essa ruptura vinha sendo preparada
pelos bizantinos fazia tempo. Além das grandes divergências
entre as culturas oriental e ocidental, Miguel Cerulário
era muito político, ambicioso e demagogo. Em 1050 mandou
fechar, em Constantinopla, as igrejas de rito latino e confiscou seus bens. ele era do jeito que os imperadores de
Constantinopla desejavam: um inimigo de Roma. Assim favorecia a
intromissão do imperador bizantino nos assuntos da Igreja, como faziam
Carlos Magno e Otão no Ocidente, junto ao
Papa. No fundo,
era uma questão política. Roma e Constantinopla eram os dois
pólos do mundo. Assim, o imperador e o patriarca bizantinos,
atrelados, tornaram-se como o "Papa" e o rei do Oriente, numa total
independência do Ocidente. O imperador de Constantinopla queria ser o
protetor da Igreja do Oriente, como eram os reis do Sacro Império no
Ocidente. Dele se dizia: "Seu palácio era um templo, e o
templo era seu palácio". Em certas ocasiões, as vestes
reais imitavam as vestes litúrgicas. Na Páscoa, por exemplo, o
imperador bizantino recepcionava vestido de Cristo Ressuscitado. Diante das
proibições e das imprudências do Patriarca Miguel Cerulário, o Papa Leão IX enviou a
Constantinopla três legados pontifícios para evitar a ruptura.
Isto, porém, veio precipitar o Cisma. Miguel Cerulário
recebe-os muito mal e rompeu imediatamente com Roma. Então os
três legados dirigiram-se à famosa Basílica de Santa
Sofia e, diante de numeroso público, colocaram sobre o altar uma Carta
(bula) contendo a excomunhão de Miguel Cerulário.
Em seguida, sacudiram o pó dos sapatos e regressaram a Roma. Em
resposta, o Patriarca de Constantinopla queimou a Carta, reuniu um
sínodo em Constantinopla e excomungou o Papa e a igreja de Roma (Estas
excomunhões foram retiradas em 1965). Lição
55 1057: A REVOLTA DOS PATARINOS
Na Alta Idade Média, dificilmente aparecia uma
heresia. Em geral, eram apenas controvérsias entre teólogos.
Mas, a partir do século XI, surgiram muitas heresias e revoltas
religiosas populares. A heresia mais conhecida é a dos "cátaros", da qual falaremos depois. Agora
vamos ver a rebelião popular dos patarinos. Ela
existiu em muitos lugares da Europa, mas estourou fortemente em Milão,
no ano 1057.
"Patária" significa
ralé, povinho. Não chegava a ser uma heresia. Tanto é
que um de seus primeiros chefes, o clérigo Anselmo, veio a ser Bispo
de Luca (1057), depois eleito Papa com o nome de Alexandre II (1061-1073). Os
patarinos insurgiram-se contra os bispos que se
acomodaram na riqueza e participavam ativamente na política.
Tais revolucionários queriam libertar a Igreja do
espírito mundano, que invadia especialmente o chamado "alto
clero". Os padres que haviam conseguido o sacerdócio por meio de simonia deviam deixar o ministério. Simonia quer
dizer: compra de um bem espiritual. Vem de Simão, aquele Mago de Samaria
que ofereceu a São Pedro um dinheiro para receber o poder de dar o
Espírito Santo e fazer milagres (cf. At 8,9-24).
A indisciplina dos padres era notável. Então
os patarinos exigiam que os sacerdotes vivessem sua
vocação e sua consagração de vida, pois muitos
estavam partindo para o "casamento". Nisto a "Patária" recebeu o apoio da Igreja. Em 1059,
um decreto do Papa Nicolau II exigiu uma reforma espiritual do clero. Ele
prometeu excomungar os padres casados e não permitiu que os sacerdotes
aceitassem um ofício religioso dado por um leigo, mesmo que não
houvesse simonia.
Na França, porém, a indisciplina continuava, apesar dessas
ameaças de punições. Então, em 1078, o Papa
chegou a falar em depor os bispos que não exigissem com rigor o
cumprimento da disciplina e santidade do clero.
Como se vê, os tais "patarinos"
tinham certa razão. Eles cobravam aos padres o juramento que estes
haviam feito. Lição
56 1073: GREGÓRIO VII E HENRIQUE
IV
Eleito Papa em 1073, Gregório VII quis acabar com a
simonia e as investiduras.
"Investidura" era o seguinte: os bispos recebiam dos nobres uma
fatia de terra ou outro benefício, e os nobres ficavam com o direito
de se intrometerem na escolha dos bispos e nos assuntos da Igreja. Isso era
ruim. Os bens espirituais ficavam devendo obrigação aos
políticos. Então o Papa quis separar uma coisa da outra. Tirou
os bispos da vida política, e tirou a política da vida da
Igreja.
Henrique IV não gostou. Ele era imperador do Sacro
Império e se considerava protetor do cristianismo. Não queria
perder o privilégio de meter o dedinho nos destinos da Igreja. Por
isso, virou-se ferozmente contra o Papa.
Na noite do Natal de 1075, quando o Papa celebrava Missa
na Basílica de Santa Maria Maior, um grupo de furiosos entrou na
Basílica, arrastou o Papa pelos cabelos e o prendeu numa torre.
No meio desses desordeios estava um tal de Cência, que era amigo do imperador.
O povo tomou defesa do Papa e o libertou. Este voltou,
continuou a celebração da Missa e perdoou os agressores.
Depois, uma comissão foi à Alemanha e pediu ao imperador uma
explicação do ocorrido. O imperador, em vez de dar explicações,
fez uma reunião com seus políticos e declarou que o Papa devia
ser deposto, como "herege e indigno".
Não conseguindo mais nada por bem, o Papa
excomungou o imperador e declarou que ninguém era obrigado a cumprir
algum juramento feito a Henrique IV. Diante disso, os bispos e uma parte dos
nobres declararam que não reconheceriam mais Henrique como imperador
se ele não pedisse perdão ao Papa.
Vendo-se abandonado pela maioria dos súditos,
Henrique IV atravessou os Alpes em pleno inverno e foi bater na porta do
Castelo de Canossa, onde estava o Papa (1077), a
fim de pedir-lhe perdão. Ma, depois de perdoado, Henrique reuniu
forças e ainda fez o Papa sofrer muito. A simonia
e as investiduras foram terminar no Concílio de Latrão
(1123). Lição
57 1096: AS CRUZADAS
Os cristãos sempre visitaram os lugares santos da Terra de Jesus,
principalmente o Santo Sepulcro, em Jerusalém. Mas, no ano 1078, os
turcos seldjúcidas tomaram Jerusalém
e não deixaram mais os cristãos entrar lá. Então,
o Papa Urbano II achou bom libertar o Santo Sepulcro do poder dos turcos.
Tal idéia foi para a Europa como fogo num estopim.
Além do ardor religioso, estava na moda o espírito guerreiro,
sobretudo a aventura da cavalaria. Por isso, os voluntários até
se precipitaram. Saiu imediatamente uma cruzada maluca, sem a devida
preparação, convocada por Pedro Eremita. Resultado: nem
chegaram a Jerusalém.
Aí se organizou uma forte cruzada, tendo à
frente famosos guerreiros, como: Godofredo de Bulhões, Hugo de Ventadois, Raimundo de Tolosa,
Tancredo de Siracusa, Boemundo
de Tarento, Roberto da Normandia, Balduíno e Eustáquio.
Eram 600 mil homens. A república de Pisa deu 150 navios e Gênova
outros trinta.
Reuniram-se em Constantinopla, quer era o ponto de
encontro dos que vinham da Alemanha, da França e da Itália.
Daí seguiram para a luta. Tomaram Nicéia, Doriléia
e Antioquia. Quando os cruzados estavam em Antioquia, os turcos reuniram um
exército de 200 mil homens e cercaram a cidade. Os cristãos
sofreram peste e fome. Mas saíram vencedores. Então uma parte
dos cruzados ficou guardando a cidade e outra parte (40 mil homens) seguiu
para Jerusalém sob o comando de Godofredo. Depois de 39 dias de
combate junto às muralhas, os cruzados entraram na Cidade Santa. Era
22 de junho do ano 1099.
Houve muitas cruzadas. A terceira (1189-1192) foi a mais
famosa. Dela participaram Frederico Barba-Roxa (Barba-Ruiva), imperador da
Alemanha; Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra; e
Felipe Augusto, rei da França.
Em 1244 os muçulmanos tomaram Jerusalém. E,
em 1291, conquistaram São João de Acre, última fortaleza
importante dos cristãos. Aí foi o fim das cruzadas. Lição
58 1120: NOTÁVEIS MESTRES ESPIRITUAIS Nessa
época a Igreja teve grande crescimento espiritual,
favorecida por notáveis homens e mulheres de grande sabedoria e
vivência da fé. Eis alguns deles: São Bernardo de Claraval, São Norberto, Hugo de São
Vítor, Hildegarda, Graciano,
Pedro Lombardo...
São Bernardo: Entrou no mosteiro de Cister em 1113. Sua espiritualidade e sábia
pregação foram tais que, ao morrer, em 1153, a Ordem dos
Cistercienses possuía 350 mosteiros.
São Norberto: Passou sua juventude na corte do
imperador Henrique V. Fez-se padre e pregador itinerante desde 1115. Depois
fundou um mosteiro no vale do Premontré, na
França. É o fundador dos Cônegos Premonstratenses
com a finalidade de ajudarem a pastoral paroquial. São Norberto
faleceu em 1134, mas os Premonstratenses existem
até hoje.
Hugo de São Vítor: Foi erudito professor.
Defendia a doutrina da Igreja com sabedoria e vigor. Foi teólogo
respeitado e ensinou durante muito tempo. Morreu em 1141, mas, ainda em 1518,
suas obras eram editadas em Paris. Ele ganhou o apelido de "Novo Santo
Agostinho".
Hildegarda: Morreu em 1179.
Foi uma das mulheres mais estimadas de seu tempo. Fez-se beneditina e fundou
o mosteiro de Rupertsberg. Viveu profunda
espiritualidade com o apoio de São Bernardo de Claraval.
Seus escritos teológicos e todo o seu trabalho foram em favor da reforma
espiritual da Igreja.
Graciano:
Faleceu em 1158. Era monge e professor em Bolonha, na Itália. Sua
valiosa contribuição intelectual para a Igreja foi o estudo das
leis eclesiásticas. Escreveu uma coleção de livros
chamada "Decreto de Graciano". Ele
iniciou um novo ramo do estudo dentro da Igreja: o setor jurídico.
Tanto é que Graciano é chamado o
"pai do direito canônico".
Pedro Lombardo: Morreu em 1160. Era
professor e bispo de Paris. Seus livros de teologia foram usados nas universidades
até o ano de 1500. Lição
59 1123: 1° CONCÍLIO DE
LATRÃO (9°
ECUMÊNICO) O
problema da simonia e das investiduras chegou ao
máximo no pontificado de Gregório VII. Na lição
55, vimos a luta do Papa contra o imperador Henrique
IV para acabar com esse mal. O imperador foi até excomungado. Diante
dessa excomunhão, os príncipes reuniram-se em Tribur, resolveram depor Henrique e eleger um novo
imperador. Vendo-se rejeitado, Henrique dirigiu-se ao Papa para pedir
perdão. O encontro se deu no castelo da condessa Matilde de Canossa. O Papa aceitou as promessas do imperador e
retirou a excomunhão. Mas
Henrique IV foi falso. Depois quis até depor o Papa. Aí seu
império se dividiu. Uma parte elegeu imperador a Rodolfo, duque de Suábia. Apoiado pela outra parte, Henrique elegeu
para si mesmo um antipapa (Clemente III), a fim de
lhe dar as “bênçãos da Igreja”. Em seguida,
Henrique marchou contra Roma para depor o Papa Gregório VII. Este se
refugiou no Castelo de Santo Ângelo. Depois veio a falecer em Salerno a 25/5/1085, deixando para a história a
famosa frase: “Amei a
justiça e odiei a iniqüidade, por isso morro no
exílio”. A
questão das investiduras ficou encerrada com o imperador Henrique V,
filho de Henrique IV, sendo Papa Calisto II. Este escreveu ao imperador: “Henrique, não temais que a
Igreja te vá tirar qualquer direito, pois não ambicionamos a
glória imperial. Queremos que à Igreja se dê o que
é de Cristo, e ao imperador se dÊ o que
é do imperador. Se quiseres ouvir-nos, alcançarás o
apogeu de teu poder imperial e, juntamente, a glória do reino
eterno”. Diante destas
palavras sábias e caridosas do Papa Calisto II, o imperador abriu
mão do seu direito de se intrometer na escolha dos bispos. Isso
aconteceu na dieta (ou assembléia) de Worms,
em 1122. Para confirmar e publicar solenemente os acordos dessa
assembléia de Worms, o Papa Calisto II
promoveu o importante Concílio de Latrão,
que foi o primeiro feito no Ocidente. Este Concílio pôs fim
também à simonia
e promoveu a reforma espiritual do clero. Estiveram reunidos 300 bispos e 600
abades. A Igreja saiu renovada e liberta da política. Lição
60 1139: 2° CONCÍLIO DE
LATRÃO (10°
ECUMÊNICO) Na
idade média, as famílias nobres tinham grande interesse na
escolha de um Papa, porque este era também importante Chefe de Estado.
É o que aconteceu na eleição de Inocêncio II. Mal
havia sido enterrado o Papa Honório (1124-1130), elegeram às pressas, o cardeal Papareschi,
que tomou o nome de Inocêncio II. Muitos cardeais nem foram convidados.
Tanto é que se reuniram em outro lugar e escolheram o Cardeal Pierleone, o qual se deu o nome de Anacleto II. Afinal,
qual eleição era válida? Quem era o verdadeiro Papa?
Nessa altura, Inocêncio II dirigiu-se á França a fim de
encontrar-se com o sábio monge São Bernardo de Claraval, na esperança de obter o reconhecimento
dele como legítimo Papa. Anacleto II, por sua vez, dirigiu-se ao rei
da Alemanha, Lotário III, em busca de
adesão. Enquanto isso um Sínodo, realizado em Wuzburgo (1130), era a favor de Inocêncio. Mas
o que mais pesou na balança foi o parecer de São Bernardo. Ele
ficava com Inocêncio porque este havia sido eleito primeiro,
além de possuir mais qualidades que Anacleto. Com a morte de Anacleto
(1138), encerrou-se a questão. Mesmo assim, ainda ficou um restinho de
problema, porque os partidários de Anacleto resolveram eleger um antipapa como sucessor de Anacleto. Chamou-se
Vítor IV. Felizmente, aconselhado por São Bernardo,
Vítor renunciou e até pediu perdão. Então,
em clima de paz, Inocêncio II promoveu o 2° Concílio de Latrão (10° Ecumênico), em 1139, o qual
declarou sem efeito a eleição de Anacleto e as
nomeações feitas por ele. Além disso, os quase mil
bispos participantes se declararam: a)
contra a simonia (compra de um bem
sagrado), b)
contra o luxo nas vestes dos eclesiásticos, c)
contra o duelo e competições agressivas, d)
contra o casamento dos padres. Lição
61 1140: CÁTAROS E ALBIGENSES Duas
coisas marcaram a vida da Igreja no século XII. De um lado, o
relaxamento espiritual; de outro lado, a busca de uma vivência radical do
Evangelho. A riqueza havia gerado o luxo e a vaidade na sociedade. Até
muitos padres tinham trocado a pobreza evangélica pelos atrativos do
mundo. Aí
veio a reação. Católicos fervorosos exigiam uma
renovação espiritual imediata e total. E essa reforma
proclamada por alguns extremistas caiu no fanatismo. A espiritualidade
radical levou-os ao desequilíbrio e à heresia. É o que aconteceu com os cátaros, os
albigenses e os valdenses. CÁTAROS: É uma palavra
de origem grega (kátaroi).
Quer dizer “puros”. Inspirada na doutrina dos maniqueus,
tal seita espalhou-se pela França. Era um espiritualismo desencarnado
e negativista. Negava o valor dos sacramentos, a posse de bens terrenos e
até a santidade do matrimônio e a dignidade da mulher, pois ela
representava o mal. Eles se afastaram da comunhão com a Igreja e do
contato com as coisas do mundo. Isolaram-se no seu puritanismo. ALBIGENSES: Receberam esse nome porque
o centro da difusão da seita foi a cidade de Albi, na França. Sua doutrina era a mesma dos cátaros. Viviam uma
espiritualidade moralista e negativista. Viam o pecado em tudo. Dentro
da seita existiam os “perfeitos”. Formavam uma elite espiritual,
como se fossem os Apóstolos. Só os “perfeitos”
podiam impor as mãos sobre os outros para dar-lhes o
“batismo do espírito”. Para receber o
“batismo do espírito”, a pessoa precisava passar por um
longo estágio e ser provada. Esse “batismo” era o
único sacramento da seita. O
Papa Lúcio III advertiu os hereges, mas não adiantou nada.
Então, com o apoio do poderoso imperador Frederico Barba-Roxa, decidiu
excomungar os cátaros e os albigenses. Isto
aconteceu no ano 1184. Aí começou a luta entre católicos
e albigenses. Lição
62 1176: OS VALDENSES Entre
os cátaros e os albigenses havia muita gente
de boa-fé, pois a intenção primeira desses movimentos
religiosos era válida: renovar espiritualmente a Igreja. Com isso,
eles ganharam a simpatia do povo simples, que gostava de ouvir as
pregações dos reformadores, mas ainda continuava fiel à
Igreja. Até alguns bispose padres foram
atraídos pelo ideal dessa “reforma” católica. Eis
o que aconteceu com Pedro Valdo. Ele era comerciante em Lião,
na França. Tendo lido a Bíblia, ficou entusiasmado com o ideal
de pobreza que viu no Evangelho. Então, renunciou a todos os seus bens,
colocou duas filhas na Abadia de Fontevrault e saiu
pregando a Bíblia, com a melhor das intenções. Ele fez
exatamente aquilo que Jesus tinha sugerido ao moço rico no Evangelho. Mas
Pedro se pôs a pregar contra os bispos e padres. E foi formado uma seita em torno de si. O Papa o advertiu.
Porém, foi em vão, como tinha acontecido com os cátaros e os albigenses. Então o Papa
Lúcio III excomungou os valdenses. A partir daí, Valdo passou a
ordenar padres e bispos para sua seita. Rejeitou abertamente a autoridade de
Igreja, a devoção aos santos e os sacramentos. Sua doutrina fez
parceria com os cátaros e albigenses. Nessa
altura, talvez por motivos políticos, o conde Raimundo VI, de Tolosa, colocou-se a favor dos albigenses e cometeu um
crime: mandou um cavaleiro seu assassinar Pedro Castelnau,
enviado do Papa Inocêncio III para solucionar a
questão religiosa entre católicos e hereges, até 1229.
Foram vinte anos de massacre. A perseguição iniciada com a
excomunhão, em 1184, mas o fato do assassinato do representante do
Papa pelo conde Raimundo de Tolosa, vieram marcar o
nascimento da famosa inquisição,
oficializada em 1231. Dela falaremos mais adiante. Lição
63 1179: 3° CONCÍLIO DE
LATRÃO (11° ECUMÊNICO) Em
1159, o cardeal Rolando Bandinelli foi eleito Papa com o nome de Alexandre
III. Sua escolha agradou a todos, menos ao poderoso imperador Frederico I,
chamado Barba-Roxa. Por isso, o imperador perseguiu o Papa durante 18 anos,
elegendo 4 antipapas:
Vítor IV (1159-1164), Pascoal III (1164-1168), Calisto III (1168-1178)
e Inocêncio III (1178-1180). Essas
eleições políticas eram feitas por amigos do imperador.
Portanto, inválidas. Tanto é que o último antipapa acabou renunciando e submetendo-se a Alexandre
III. Quanto ao povo e ao clero, não havia dúvidas. Eles sempre
tiveram Alexandre III como legítimo Papa. Frederico
Barba-Roxa era rei da Alemanha e imperador do Sacro Império
Romano-Germânico. Apesar disso se fez inimigo do Papa. Invadiu Roma com
seu exército e, de arma na mão, entronizou, na Basílica
de São Pedro, o antipapa Pascoal III. O Papa
legítimo teve que fugir de Roma. Depois
dessa invasão, uma peste matou grande parte dos soldados de Frederico.
Comentou-se até que seria um castigo de Deus. Então o imperador
foi reconciliar-se com Alexandre III. Mas, após algum tempo, já
refeito da catástrofe, Barba-Roxa elegeu outro antipapa,
com o nome de Calisto III. Porém,
em 1777, o imperador reconheceu finalmente seu erro. Foi até Veneza,
pediu perdão ao Papa Alexandre, beijou-lhe os pés, e os dois
entraram solenemente na Catedral de São Marcos, dando-se as
mãos. E, seguindo esse gesto do imperador, todos os senadores de Roma
juraram fidelidade ao Papa. Então,
em clima de paz, Alexandre III convocou um grande Concílio em Latrão, que foi o 3° de Latrão
e o 11° Ecumênico. A fim de evitar futuros
cismas, ficou decidido que, para ser eleito Papa, o candidato deveria ter 2/3
dos votos. O Concílio estabeleceu também normas para
sagração de bispos e ordenação de padres. Ainda:
condenou o abuso de privilégios das Ordens Militares, a usura, a
pirataria e as heresias. Em seguida, Frederico I chefiou
a 3ª Cruzada. ©2002, Alfa&Ômega mídia cristã |
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