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Alfa&Ômega mídia cristã apresenta: Curso "Os 20 séculos de caminhada da Igreja" Segunda Parte: DO ANO 300 A 800 Constantino e a liberdade para os cristãos, heresias e
conversão dos Francos, o Estado Pontifício, Carlos Magno e
o Sacro Império Lição
17 312: A CONVERSÃO DE CONSTANTINO No
início do século quarto, o Cristianismo já estava
espalhado por quase todo o mundo. E havia penetrado até na classe
nobre. Basta dizer que Helena, mãe de Constantino, era cristã.
Os imperadores romanos haviam percebido que o poder das armas não
conseguia extinguir o poder da fé. Um dos
sinais da força da fé está na virada de comportamento do
imperador Galério. Ele começou seu governo perseguindo os
cristãos, tal qual tinha aprendido com o terrível Diocleciano.
No entanto, no fim da vida, adquiriu uma enfermidade incurável.
Então pediu aos cristãos para que rezassem por ele. Deixou a
Igreja em paz e publicou este estranho edital, jamais feito por um imperador
pagãos: "Em reconhecimento de
nossa benignidade, os cristãos devem pedir a Deus pela nossa
saúde e para que a República usufrua de plena
prosperidade e eles possam viver em segurança completa". Na morte de
Galério, o grande Império estava dividido. Desde o ano 306,
eram dois imperadores: Maxêncio e Constantino. O primeiro havia se
intitulado imperador; o segundo tinha sido aclamado tal pelos soldados. Tanto
um como outro ambicionavam tornar-se senhor absoluto. E a luta
pelo poder ficou encerrada com a vitória de Constantino sobre
Maxêncio, junto à ponte Mílcia, no dia 28 de outubro do
ano 312. Dizem que constantino viu no céu uma cruz com a
inscrição: "In hoc
signo vinces", isto é: "Com este sinal
vencerás". Esta data é tida como um marco da
conversão do imperador para o Cristianismo. Contudo, sua conversão
não foi de um momento para o outro, como aconteceu com Saulo. Constantino
tinha sido educado na corte de Diocleciano, que foi o maior perseguidor da
Igreja. Sua cabeça e seu coração eram de pagão.
Ele trazia dentro de si uma longa história de hostilidade à
fé em Cristo, uma estrutura de vida pagã baseada no maior
império do mundo. Portanto, sua conversão foi
"acontecendo" aos poucos. Tanto é que recebeu o Batismo n
fim da vida, no ano 337. Lição 18 313: LIBERDADE PARA OS CRISTÃOS O
imperador Constantino era também chamado Constantino Magno (O Grande)
ou Constantino I. Nasceu em 274 e faleceu em 337. Foi imperador durante 31
anos: de 306 a 337. Era filho de Constâncio Cloro e Helena
(cristã), que veio a ser Santa Helena. Casou-se com Fausta, filha de
Maximiliano Hércules. Constantino
ficou famoso a partir de 312, quando derrotou Maxêncio, junto à
Ponte Mílvia, no dia 28 de outubro, e se tornou senhor absoluto de
todo o grande Império. Era culto e inteligente. Obteve grandes
vitórias e fez bom governo. Mas ficou na história, sobretudo
pela conversão e pela liberdade definitiva que deu aos
cristãos. Essa liberdade veio com o edito
de Milão, no ano 313, no qual Constantino dizia: "Havemos por bem anular
por completo todas as restrições contidas em decretos
anteriores, acerca dos cristãos - restrições odiosas e
indignas de nossa clemência - e de dar todal liberdade aos que quiserem
praticar a religião cristã". O culto
pagão acabava de ficar órfão. Perdia a sua força
de religião oficial do Império e todo o apoio do
Estado. Embora os pagãos pudessem continuar praticando o culto aos seus
deuses, agora não tinham mais o imperador em suas festas. Constantino
não oferecerá sacrifícios às divindades de Roma.
O Império não promoverá jogos de gladiadores e
espetáculos pagãos. Antes, os cristãos não
compareciam às festas pagãs do Império; agora, o
imperador comparece às festas cristãs e as apóia. Estavam
encerrados os dois séculos e meio de perseguição e de
martírio para os cristãos. E, certamente, foi o testemunho dos
mártires e a coerência da fé em Jesus Cristo que levaram
Constantino a fazer essa virada na vida. E não foi só o
imperador que mudou: foi todo o Império e toda a Igreja que passaram
por grandes transformações. O edito de Milão ficou como um
marca na história. A liberdade para os cristãos foi um bem, mas
trouxe também problemas e situações novas que preocuparam
a Igreja. AS MUDANÇAS NA
IGREJA Com a
conversão de Constantino e a liberdade religiosa, a Igreja teve
grandes mudanças. O imperador passou de inimigo para amigo, de
perseguidor para protetor dos cristãos. O Império,
que antes confiscava os bens da Igreja, começou a lhe dar terras e a
construir belos templos em diversas cidades; em Jerusalém, a
Basílica do Santo Sepulcro; em Belém, a Basílica da
Natividade; em Roma, a Basílica do Latrão. Bispos e padres, que
antes não eram respeitados nos seus direitos de cidadãos,
passaram a gozar de privilégios; os cristãos, que antes eram
proibidos de ocupar cargos públicos, foram elevados a postos de
liderança no governo do Império. Talvez para
fugir da longa tradição pagã e dos cochichos, Constantino
transferiu provisoriamente a capital do Império para Bizâncio,
que passou a chamar-se Constantinopla. Foi inaugurada com novos
palácios e uma fisionomia cristã, no ano 320. Esse apoio
do Império aos cristãos foi uma coisa boa, mas trouxe alguns
problemas. O primeiro deles foi a intromissão do imperador nos
assuntos da Igreja. Constantino se achava no dever de convocar os bispos para
resolver os problemas de unidade, surgidos com cismas e heresias. Nesse tempo
era Papa Silvestre I, homem piedoso e santo, mas sem grande
inteligência. Ficou meio "apagado" ao lado da
liderança de Constantino. Alguns, porém, acham que isto talvez
tenha sido providencial, pois Constantino ainda não havia entendido
bem o sentido espiritual da Igreja e não estava preparado para
conviver com as exigências radicais do Evangelho. Outra
grande mudança aconteceu na pastoral. Os cristãos, antes, eram
rigorosamente preparados para o Batismo. Passavam por três anos de
Catecumenato, pois tinham que enfrentar a perseguição por causa
da fé. Agora, bastava uma breve preparação. Os Batismos
eram dados em massa. Ser cristão tinha virado moda. A Igreja ganhava
na quantidade e perdia na qualidade. de pequenas comunidades, a Igreja passou
a ser multidão. Lição 19 315: O CISMA DE DONATO Donato
foi um bispo do norte da África, no início do século IV.
Ele pregava aquela moral rigorista, à semelhança do que tinham
ensinado Montano (cf.
lição 11) e Novaciano (lição 14). Ora, a Igreja acabava de sair
da dura perseguição do imperador Diocleciano. E muitos
"lapsos" queriam retornar à Igreja. Donato, porém,
era contra esse retorno. Para ele e seus seguidores, todos os que haviam
fraquejado na fé deviam ficar fora da Igreja definitivamente. Mais: os
donatistas não aceitavam os sacramentos administrados por um padre ou
bispo em pecado. Tais sacramentos seriam inválidos. O padre devia
estar em estado de graça. Por isso,
não aceitaram Ciciliano como bispo de Cartago, porque diziam que tinha
sido ordenado por um apóstata (Para os donatistas, o simples fato de
entregar aos pagãos uma Bíblia ou outros objetos sagrados
já era uma apostasia). Aí começou o grande cisma que
tomou o nome de donatismo. Os cristãos do norte da África
levantaram-se contra o Papa e a Igreja. A rebelião foi além de
uma questão religiosa. Tornou-se um problema social. Estava dividindo
a Igreja e o Império. Diante
disso, o próprio imperador Constantino achou bom que os bispos se
reunissem com o Papa Melcíades e buscassem uma solução.
A reunião foi em Roma, na casa de Fausta, mulher de Constantino, no
ano 313. O miniconcílio aprovou a ordenação de
Ciciliano. Portanto, seria ele o bispo de Cartago. A revolta aumentou. Em
314, outra reunião, em Arles, com bispos de toda a Europa, reafirmou
as decisões anteriores em favor de Ciciliano e contra Donato. Como o
donatismo gerasse tumulto e discórdia, o imperador tentou pôr um
fim à questão, mas com pouco sucesso. Entre os
donatistas havia muitos bispos e padres. Durante um século a Igreja
sofreu com aquela divisão. No ano 411, houve uma conferência em
Cartago promovida pelos donatistas. O grande Santo Agostinho participou e conseguiu
bom resultado. A partir daí, a seita foi se dividindo e perdendo a
força. Mas só dois séculos depois é que veio a
desaparecer por completo. Lição 20 318: OS MONGES No
começo do século IV, surgiu na Igreja um novo modo de vida: a
solidão. Alguns cristãos deixaram a cidade para morar em pleno
deserto. O lugar preferido foi a tão falada Tebaida, um região
do Egito cuja capital era Tebas. Eles
habitavam em cavernas, renunciando assim ao conforto e à vaidade.
Alí podiam fazer profunda experiência de Deus, orando e
meditando, à semelhança de João Batista. Esses
cristãos receberam o nome de anacoretas ou eremitas. Os primeiros
foram São Paulo de Tebas (229-342) e Santo Antão (250-356),
chamado o "Pai dos Monges". A essa
total solidão, logo foi acrescentada a vida comunitária.
É o que se chamou vida monacal ou cenobítica. Os monges tinham
oras de solidão e horas de vida comunitária, para celebrarem
juntos a Missa e fazerem orações litúrgicas. A vida nos
mosteiros incluía também o trabalho.Tanto é que
São Bento, o grande mestre da vida monástica, deu esta norma a
seus monges: "Ora et labora",
isto é: Reza e trabalha! São
Pacômio (290-346) foi o primeiro a reunir os eremitas num mosteiro, no
ano 318, na Tebaida, às margens do rio Nilo. Logo depois construiu um
mosteiro também para as mulheres, cuja direção foi
entregue à sua irmã. O exemplo de São Pacômio foi
seguido por São Macário que, em 335, se retirou para o deserto
de Nítria. Depois vieram outros, como São Basílio, que
em 358 redigiu as regras do monacato para o Oriente, e São Bento, que
trouxe a vida monacal para o Ocidente. Os
anacoretas e os monges eram, muitas vezes, procurados por bispos e
príncipes, como conselheiros. Pois, na solidão e na
oração, adquiriam aquela sabedoria que vem de Deus. Eles faziam
uma grande aventura de amor. Muitos monges eram de família rica. E,
renunciando aos bens e às honras deste mundo, arriscavam tudo em Jesus
Cristo. Seguiam o conselho do Mestre: "Se queres ser perfeito, vai,
vende tudo o que tens, dá-o aos pobres, depois vem e segue-me"
(Mt 19,21). SANTO ANTÃO, O
"PAI DOS MONGES" Santo
Antão era de família rica e piedosa. Nasceu em Coma, à
margem do rio Nilo, no ano 250. Atraído pela vida de
oração, vendeu seus bens, deu-o aos pobres e foi morar num
túmulo abandonado, perto de Afroditópolis, no Egito. Ali ficou
durante vinte anos. Em 311,
partiu para Alexandia, a fim de socorrer os cristãos perseguidos pelo
imperador Maximino Daia. Em seguida, foi morar sozinho, às margens do
Mar Vermelho. Em 335 voltou para Alexandria, a pedido de Santo
Atanásio, para ajudar a combater a heresia ariana. Finalmente retornou
à solidão, onde se fez o "mestre" dos monges.
Antão comia uma só vez por dia. Às vezes passava
vários dias sem tomar refeição. Seu alimento era
pão e água. Dormia sobre uma esteira ou sobre o chão
duro. Ele fez suas as palavras de São Paulo: "Quando sou fraco,
aí é que sou forte". (2Cor 12,10). Faleceu a 17/1/356, com
106 anos de idade. Os monges
submetiam-se a rigorosa disciplina, como meio para viver o Evangelho. Eis
algumas máximas de Santo Antão:
Lição 21 319: ARIO NEGA A DIVINDADE DE CRISTO No ano
318 começou a espalhar-se uma heresia: o arianismo, fundado por um
sacerdote de Alexandria chamado Ario. O arianismo era pior do que um cisma,
pois negava uma verdade da fé: a divindade de Cristo. Ario baseava-se
em algumas frases do Evangelho que falavam que Jesus era "inferior"
ao Pai. Por exemplo, Cristo disse: "O Pai é maior do que eu"
(Jo 14,28). Daí Ario tirou esta conclusão: se Jesus é
inferior ao Pai, Ele não é Deus, como o Pai, mas uma
"criatura". Segundo
Ario, Cristo seria o mais perfeito de todos os seres humanos, adornado de
todas as virtudes, mas não seria Deus. Essa
heresia espalhou-se rapidamente entre os teólogos e entre o povo.
Dizem que, quando duas pessoas se encontravam na rua, diziam uma para a
outra: "O Pai é maior que o Filho". Negar a divindade de
Jesus tinha virado moda. Era o ministério da Santíssima Trindade
e a obra da divina da Redenção que estavam em jogo. Pois, se
Cristo não fosse Deus, não podia salvar ninguém. O primeiro
a levantar a voz contra essa heresia foi um leigo: o teólogo
Atanásio, de Alexandria. Depois foi feito bispo e veio a ser um grande
santo. Ele mostrou que, quando Jesus dizia que era "inferior" ao
Pai, a frase não podia ser entendida de maneira absoluta. Pois,
aí, Jesus estava falando de sua condição humana. E, como
Homem, realmente ele se fez o "servidor" do Pai na obra da Redenção.
Mas, fazendo-se Homem, Jesus não havia deixado de ser Deus.
Atanásio lembrava que as frases da Bíblia não podem ser
tomadas isoladamente. Devem ser vistas dentro de seu contexto. Pois, em
outros lugares, a Bíblia fala da divindade de Cristo. Basta ler o
primeiro capítulo de São João, o segundo capítulo
da Carta aos Filipenses e outros textos. A referida
heresia estava criando polêmica e divisão. Então
Constantino, preocupado com a unidade do Império, convocou uma
reunião geral dos Bispos para que, juntamentente com o Papa,
resolvessem a questão. Foi este o primeiro Concílio
Ecumênico (universal), realizado em Nicéia, no ano 325. Lição 22 325: 1º. CONCÍLIO DE NICÉIA (1º. ECUMÊNICO) Para
definir a verdadeira fé frente à heresia de Ario, fez-se o
Concílio de Nicéia. Reuniram-se 300 bispos. Como seu
representante pessoal, o Papa Silvestre I enviou Ósio, Bispo de
Córdova. Constantino ocupou lugar de honra na assembléia,
embora não desse parecer em questões de fé. O arianismo
foi condenado pela grande maioria dos bispos. O grande defensor da divindade
de Cristo foi Santo Atanásio, que na ocasião era diácono.
Depois recebeu a ordenação episcopal e, em 328, ocupou o cargo
de bispo de Alexandria. Por causa de sua posição radical, foi
exilado cinco vezes. O
Concílio acrescentou ao Símbolo Apostólico algumas
frases referentes à divindade de Cristo. Daí surgiu o
"Símbolo Niceno". Diz que Jesus é: Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus
verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai, Por ele todas as coisas foram
feitas, e por nós, homens, e
por nossa salvação desceu dos céus. Mesmo sendo
condenado como heresia, o arianismo continuou ganhando novos seguidores. A
crise da fé atingiu o ponto máximo durante o governo de
Constâncio (337-361), filho de Constantino. O que Constantino
havia feito a favor da Igreja, Constâncio fez a favor do arianismo. O
Papa Libério (352-366) sofreu muito. Viu a maioria dos bispos passar
para o arianismo. Os bispos arianos chegaram a eleger Ario para o
importante cargo de Patriarca de Constantinopla! Deus,
porém, pôs a mão sobre a sua Igreja: Ario morreu durante
os preparativos da posse, e Constâncio pereceu num combate. Ficando sem
apoio, os arianos começaram a perder a força. Mesmo assim, a
heresia teve adeptos por mais uns dois séculos. Hoje ela não
existe mais com o nome de arianismo,
mas há seitas modernas que não acreditam na divindade de
Cristo, como, por exemplo, as Testemunhas
de Jeová. Lição 23 361: JULIANO VOLTA AO PAGANISMO São
Libério foi Papa de 352 a 366. Sofreu muito com os arianos. Viu
três quartos da Igreja passarem para a heresia. Ele mesmo foi
exilado e ameaçado de morte. Não sabia, porém, que
outra grande amargura o esperava: a perseguição do imerador
Juliano, sobrinho de Constantino. Juliano foi
educado na fé cristã, mas terminou seus estudos em Atenas, onde
recebeu forte influência da cultura pagã. Por isso, logo que
assumiu o governo de Roma, fez tudo para que o Império retornasse ao
antigo paganismo. Começou pela restauração da
adoração ao deus-sol, que era um culto bem aceito por
muitos. Por essa razão ficou chamado Juliano
"Apóstata". Ele quis
acabar com o cristianismo sem adotar o método violento do
martírio, que poderia trazer efeito negativo. Então afastou os
cristãos dos cargos importantes do governo, retirou da Igreja os
privilegios dados por Constantino, proibiu a catequese, obrigou os
cristãos a frequentarem as escolas pagãs, fechou os templos
cristãos e deu apoio ao donatismo, que prejudicava a Igreja. Para sorte
dos cristãos, o governo de Juliano durou apenas dois anos. Ele morreu
num combate em teritório persa no ano 363. Asim, todas as suas
tentativas de retorno ao paganismo acabaram em nada. E o
cristianismo prosseguiu anunciando o Evangelho e defundindo-se pelo mundo.
Foi nessa época que surgiram as famosas sedes patriarcais da
cristandade: os Patriarcados de Antioquia, de Jerusalém, de Alexandria
e de Constantinopla. O culto ganhou solenidade e pompa. No ano 391
o imperador Teodósio proibiu o culto pagão, e o cristianismo
passou a ser a religião oficial do
Império. Dizem que foi nesse tempo que surgiu a palavra
"pagão". Vem de pagus,
uma palavra latina que significa "vila". Porque, estando proibidas
a sua religião, os pagãos se refugiavam nas vilas ou bairros
para cultuar os deuses às escondidas. Lição 24 374: AMBRÓSIO, UM PAGÃO ACLAMADO BISPO
Ambrósio era de inteligência brilhante e político de rara
habilidade, filho de um prefeito romano da Gália. Nasceu em 340, em
Trèves. Estudou Leis em Roma, sob a direção de
Anício Probo e Símaco. Exerceu a advocacia em Milão. Em
369, o imperador Valentiniano nomeou-o Cônsul das Provincias da
Lingúria e da Emília, cuja capital era Milão. Devido
à sua eloquência e habilidade, o imperador enviou-o a
Milão para apaziguar os cristãos, divididos entre arianos e
católicos fiéis ao Papa. Estes aceitavam e seguiam as
definições do Concílio de Nicéia sobre a
divindade de Cristo, enquanto os arianos as rejeitavam. O conflito havia
surgido por ocasião da morte do bispo de Milão. A
questão era esta: quem devia ser eleito: um bispo favorável aos
arianos ou ao Papa?
Ambrósio ainda não era cristão, mas catecúmeno.
Estava se preparando para receber o batismo. Mas falou com tanta
eloquência e sabedoria que, no final do seu discurso, todos aclamaram:
"Ambrósio, Bispo de Milão!" Então foi
batizado, ordenado padre e bispo. Era o ano 374. Os seus valores humanos e
sua capacidade administrativa foram colocados a serviço da Igreja.
Veio a ser o grande Santo Ambrósio, um dos maiores Doutores da Igreja
e famoso teólogo defensor da fé. Foi
verdadeiro pai espiritual dos jovens imperadores Graciano, Valentiniano II e
do importante Teodósio I. mas soube impor limite à
ação dos imperadores, que muitas vezes queriam interferir nas
verdades de fé. É dele esta famosa frase: "Os imperadores
estão na Igreja e não acima da Igreja".
Também ficou conhecido na história a penitência que Santo
Ambrósio impôs a Teodósio. Em 390, numa revolta popular
em Tessalonica, o imperador massacrou sete mil pessoas. Então, Santo
Ambrósio proibiu a entrada do imperador na Igreja de Milão.
Só lhe abriu as portas após oito meses de penitência
pública. A seguir,
veremos como Santo Ambrósio exerceu papel importante na
conversão de Santo Agostinho. Lição 25 381: 1º. CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA (2º. ECUMÊNICO) Quando a
Igreja Primitiva começou a espalhar-se pelo mundo, os cristãos
fizeram um resumo das principais verdades da fé. Chamou-se
"Símbolo dos Apóstolos", pois vinha do tempo dos
Apóstolos. Esse "Símbolo" era como a
"marca" da fé, ou sinal de reconhecimento e de
comunhão entre os cristãos. Assim, recitando essa fórmula
do Símbolo, os cristãos estariam perseverando na mesma doutrina
e professando a mesma fé, em qualquer parte da terra. Vimos que,
em 325, no Concílio de Nicéia, a Igreja acrescentou ao
Símbolo Apostólico algumas palavras que afirmavam a divindade
de Cristo, porque Ario ensinava que Jesus não era Deus (Lição
22, de 13/06). Logo
depois, um herege chamado Macedônio começou a pregar que o
Espírito Santo não era Deus, mas "criatura" de Deus.
Então o Papa São Dâmaso (366-384) fez o Concílio
de Constantinopla para definir a divindade do Espírito Santo.
Isto aconteceu em 381. Foi o segundo Concílio Ecumênico.
Dâmaso era um Papa muito inteligente. Além disso, tinha a seu
lado homens extraordinários como Gregório Nazianzeno,
Gregório de Nissa, Santo Ambrósio, São Jerônimo e
Hilário de Poitiers. Nesse tempo a Igreja gozava de grande
prestígio. É dessa época a frase: "Onde está
Pedro, aí está a Igreja". Esse
Concílio reafirmou as definições do Concílio de
Nicéia sobre a divindade de Jesus; e, sobre a divindade do
Espírito Santo, declarou que o Espírtio Santo é: "Senhor que dá a vida, e procede do Pai e
do Filho; e com o Pai e o Filho é
adorado e glorificado: Ele que falou pelos profetas". Este novo
Símbolo ficou chamado "niceno-constantinopolitano". Nas
Missas dominicais, em geral, recitamos o Símbolo dos Apóstolos.
Mas algumas vezes o folheto traz o Símbolo niceno-constantinopolitano.
O primeiro é mais curto, o segundo é mais longo, pois tem mais
afirmações. A seguir, você verá o que foi
acrescentado ao Símbolo dos Apóstolos. OS DOIS SÍMBOLOS
Lição 26 385: É TRADUZIDA A BÍBLIA "VULGATA"
São Jerônimo nasceu em 340, na atual Iuguslávia, e
faleceu em Belém, na Palestina, no ano 420. Foi um dos quatro maiores
"Doutores" da igreja. Sabia falar e escrever corretamente as
três línguas mais importantes do seu tempo: o hebraico, o grego
e o latim. Depois de ter vivido na solidão como eremita, foi chamado a
ser conselheiro do Papa São Dâmaso.
Mas São Jerônimo ficou na História da Igreja por uma
razão muito especial: ele traduziu a Bíblia, do hebraico e do
grego, para o latim. Essa tradução foi adotada oficialmente
pela Igreja e se chamou "Vulgata".
Lembramos que a Bíblia foi escrita por partes, num período que
demorou uns mil e duzentos anos. Alguns dizem até que os
primeiros escritos vêm da época de Moisés. E
Moisés viveu no tempo do Faraó Ramsés II, que governou o
Egito por volta do ano 1250 antes de Cristo.
Nos primeiros tempos, a Bíblia foi escrita em cerâmica, papiro e
pergaminho. Quase todo o Antigo Testamento foi escrito em hebraico. Apenas
sete livros foram escritos em grego, Livros estes que não foram
aceitos como "inspirados" pelos judeus e por Lutero, por ocasião
da Reforma Protestante. Todo o Antigo Testamento foi traduzido do hebraico
para o grego por setenta sábios de Alexandria, duzentos anos antes de
Cristo.
O Novo Testamento foi quase todo escrito em grego e seus livros não
aceitos pelos judeus como inspirados. Com a descoberta da imprensa em
caracteres tipográficos, por João Gutemberg (1396-1468), este
imprimiu uma Bíblia em latim que chamaram Bíblia Mazarina,
porque o primeiro volume foi encontrado na biblioteca do Cardeal Mazarino.
Dizem que hoje a Bíblia está traduzida em 1685 idiomas.
É mais que um livro: ela contém a Palavra de Deus. Para a
Igreja, a Bíblia tem sido a Luz de Deus que ilumina a caminhada de seu
Povo na longa trajetória da História da Salvação.
Sem ela, a Igreja não caminha. OS
"PADRES DA IGREJA"
Quando dizemos "O Santo Padre" (no singular), estamos falando do
Papa; mas quando dizemos "Os Santos Padres" ou "Os Padres da
Igreja", estamos nos referindo àqueles famosos
"mestres" da doutrina da fé que viveram nos primeiros
séculos da Igreja. Eles foram os primeiros "construtores" da
Teologia, os guias ou "pais" na elaboração da
doutrina da igreja. "Padres" quer dizer "pais", geradores
ou fontes. O período em que viveram chama-se Patrística, e o
estudo de sua vida e de suas obras leva o nome de Patrologia.
A seguir damos outras características dos Padres da igreja. 1.
Antiguidade: situam-se entre os
séculos segundo e oitavo. 2.
Ortodoxia: sua doutrina é
correta, aprovada pela Igreja. 3.
Santidade de vida: são mestres e
testemunhas da fé. 4.
Aprovação: são reconhecidos
pela Igreja como tais.
Por isso, Orígenes e Tertuliano não são propriamente
"Padres" da Igreja. São, antes, apologistas ou Escritores
Eclesiásticos. Sua doutrina teve alguns senões.
Outra expressão consagrada na Teologia e na História da Igreja
é "Padres Apostólicos". São aqueles mestres
famosos que receberam a doutrina dos Apóstolos. Por exemplo:
Inácio de Antioquia, Clemente Romano, Policarpo. Estes são
também tidos como Santos Padres.
Os mais famosos "Padres da Igreja":
OS
DOUTORES DA IGREJA
Doutores da Igreja são
santos e santas que, nos diferentes períodos históricos da
Igreja, distinguiram-sepela doutrina reta, grande sabedoria, santidade de
vida e obras de notável valor (escritos ou pregação). O
que eles ensinaram tem validade perene e universal. Suas obras servem de
referência e de fonte aprovada pela Igreja para elaboração
da Teologia e da vivência da fé. Os últimos Padres da Igreja são
também Doutores. Eis os principais Doutores, pela ordem do nascimento:
Lição 27 387: CONVERSÃO DE SANTO AGOSTINHO
Agostinho nasceu em Tagaste, norte da África, aos 13 de novembro de
354. Seu pai era pagão. Chamava-se Patrício. Sua mãe, a
grande Santa Mônica, orou pela conversão do filho durante 20
anos. Agostinho era muito inteligente. Frequentou as mais famosas escolas da
época.
Na escola de Cartago, começou sua vida dissoluta. Antes dos vinte
anos, tinha um filho com uma concubina. A seguir foi para Milão e
Roma, onde se tornou notável professor de oratória. Além
de sua vida desregrada moralmente, Agostinho tornou-se adepto do
maniqueísmo. Sua mãe não cessava de orar por ele.
Certo dia, Agostinho estava à soimbra de uma figueira e ouviu uma voz
que lhe dizia: "Toma e lê". Então ele pegou o primeiro
livro que encontrou e começou a ler. Era uma carta de São
Paulo. Estava escrito: "Caminhemos
como de dia, honestamente. Nada de orgia e bebedeira. Nada de desonestidade e
dissoluções. Nada de contendas e ciúmes. Ao
contrário: revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não vos
entregueis aos prazeres da carne e aos seus desejos" (Rm
13,13-14).
Essas palavras da Bíblia questionaram Agostinho. Logo depois ele
entrou na catedral de Milão, na hora em que o famoso bispo Santo
Ambrósio estava fazendo a homilia. Ao ouvir as palavras do Evangelho,
ele pensou: "Diante de tudo isto, nada vale a minha sabedoria".
A partir daí começou a preparação para receber o
batismo, sob a orientação do sábio e santo Bispo de
Milão, que era também convertido. Agostinho foi batizado por
Santo Ambrósio, na Páscoa de 387. Em 391 recebeu a
ordenação sacerdotal e em 395 foi ordenado bispo, vindo a ser o
grande Bispo de Hipona e imortal Doutor da Igreja.
Mais tarde, ele assim falou a Deus: "Tarde
te amei, Beleza sempre antiga e sempre nova! Tarde te amei! Tu estavas em
mim, e eu te procurava fora de mim. Naquelas mesmas coisas que criaste para
que eu te achasse, meu coração maluco encontrava motivo para
desviar-me de ti. Estavas comigo, sem eu estar contigo". OS
MOSTEIROS E AS OBRAS DE CARIDADE
Dissemos que os mosteiros tornaram-se o lugar aonde muita gente ia buscar
orientação de vida. Mas não só. Eles foram
também escolas de formação religiosa, centros de
difusão da liturgia e o lugar da caridade, pois abriram em torno de si
um espaço para atendimento a peregrinos, enfermos e necessitados.
São Basílio era monge e foi feito bispo de Cesaréia da
Capadócia. E o que fez ele? Levou para sua diocese o
espírito da caridade. Ao redor das igrejas e dos mosteiros, construiu
albergues, escolas artesanais, hospícios e hospitais, com pessoal
capacitado para cuidar dos enfermos e dos necessitados.
Ele dizia: "A roupa que tens de
sobra não te pertence; pertence a quem necessita".
É também dele esta outra frase: "Se cada um desse o seu supérfluo,
não haveria necessitado".
As obras de São Basílio tiveram início no ano 372. E,
logo depois, outras dioceses seguiram o mesmo exemplo. Em Alexandria, a
igreja organizou um corpo de enfermeiros com mais de 500 pessoas para
atendimento da caridade sob as ordens do bispo.
Tais obras, assim como os mosteiros, começaram no Oriente e passaram
para o Ocidente. Elas não existiam no tempo da Roma pagã, pois
os pagãos não pensavam em fraternidade. As obras de caridade são
frutos do Evangelho. Nasceram à sombra dos mosteiros e das catedrais.
O exemplo dos mosteiros passou para toda a Igreja e permaneceu ao longo da
história. Em todas as épocas existiram os santos
carismáticos que ficaram conhecidos pela sua entrega total a
serviço dos carentes. Por exemplo: São Vicente de Paulo,
São Camilo de Lélis, Frederico Ozanan, Dom Bosco, Padre
Damião, Irmã Dulce, Madre Teresa de Calcutá e tantos
outros. Lição 28 400: PELÁGIO E A GRAÇA DE DEUS
Por volta do ano 400, surgiu uma heresia referente à Graça de
Deus. Chamou-se "pelagianismo", porque foi ensinada por um monge de
nome Pelágio, nascido em 360 e morto em 420. Essa heresia
atribuía um valor demasiado às obras e minimizava o poder de
Deus em nossa Salvação.
Para Pelágio, o homem era capaz de salvar-se pelas suas
próprias forças. Chegar à perfeição
evangélica era coisa que estava ao alcance da capacidade humana.
Bastava querer. Segundo sua doutrina, o homem (ou a mulher) nascia sem o
pecado original, num estado de perfeição, como Adão e
Eva antes da queda. No fundo, era um orgulho por parte da criatura.
A favor de Pelágio estava um ex-monge chamado Celéstio. E
contra a heresia de Pelágio estava o grande Santo Agostinho, que
defendia a necessidade da graça de Deus para nossa
Salvação. Para Agostinho, nós nascemos numa natureza
fraca, propensa ao pecado. Somente por nossa força, jamais chegamos
à Salvação. Não basta querer. É Jesus quem
nos salva. A Salvação é obra de Deus, não dos
homens.
E, para afirmar isso, Santo
Agostinho baseava-se na própria Palavra de Deus. Jesus disse aos
discípulos: "Sem mim, nada
podeis fazer" (Jo 15,5). Falou ainda o Senhor: "É pela graça que fostes salvos,
mediante a fé. Não é de vós mesmos que vem a
fé: é dom de Deus. Não provém das boas obras,
para que ninguém se glorie" (Ef 2,8-9)
Até um grande santo como São Paulo disse que sentia sua
natureza presa ao pecado. Ele falou: "Não
faço o bem que quero e sim o mal que não quero".
E afirma que é a graça de Deus que o libertará dessa
escravidão, por meio de Jesus (cf. Rm 7,15-25).
A heresia de Pelágio foi condenada no Sínodo de Cartago (411) e
no Concílio de Éfeso (431). Ficou definido que a
salvação é fruto da graça de Deus. É claro
que o homem entra também com sua participação, acolhendo
a graça no seu coração, para que esta não fique
em vão. Santo Agostinho disse: "Deus te criou sem ti, mas não quer salvar-te sem ti". Lição
29 431: CONCÍLIO DE ÉFESO (3º ECUMÊNICO)
Nestório foi Patriarca de Constantinopla de 422 a 432. Ele ficou na
História da Igreja porque ensinou uma heresia: dizia que a Virgem
Maria não era mãe de Deus.
Sabemos que Jesus tem duas naturezas: a divina e a humana. Diante disso,
Nestório achou que Jesus tivesse também duas Pessoas: a Pessoa
divina e a Pessoa humana. Então, umas coisas eram feitas pelo
Jesus-Deus, outras, pelo Jesus-Homem. Por exemplo: quando bebia água,
era só Jesus-Homem que estava bebendo.
Baseado nessa teoria, Nestório acabou negando que Maria fosse
Mãe de Deus. Para ele, seria apenas Mãe do "Homem"
chamado Jesus. Ora, essa doutrina está errada. Em Jesus há uma
só Pessoa: a Pessoa divina. A natureza humana é
"assumida" pela natureza divina. Por isso, tudo o que Jesus faz
é Deus quem faz. E tudo o que fazemos a Ele, fazemos a Deus. Portanto,
Maria é Mãe de Deus, porque gerou Jesus, que é Deus. É
também certo dizer que Maria é Mãe de Deus "feito
Homem", ou Mãe de Deus "enquanto"
Homem. Como é certodizer que Deus morreu enquanto Homem.
O Papa São Celestino I, em sínodo realizado em 430, condenou a
heresia e convidou Nestório a fazer comunhão com a Igreja.
Este, porém, não quis. E pediu que a questão fosse
resolvida em concílio. Foi então feito o terceiro
Concílio Ecumênico, em Éfeso, aberto no domingo de
Pentecostes de 431. Mais uma vez saiu condenado o nestorianismo. A Igreja
definiu: Maria é Mãe de Deus! O grande defensor deste dogma foi
São Cirilo, bispo de Alexandria, representante do Papa no
Concílio.
Na praça, o povo aguardava a definição em favor da
maternidade divina de Maria. Quando a Igreja fez tal
declaração, milhares de pessoas saíram pelas ruas com
tochas acesas, dando vivas a Nossa Senhora. Foi uma proclamação
oficial com a participação popular de maneira nunca vista na
Igreja.
Ao Papa São Celestino atribui-se também a
introdução da segunda parte da Ave-Maria, isto é: "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por
nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte!" Lição
30 432: PATRÍCIO EVANGELIZA A IRLANDA
Dizem que Patrício nasceu na Inglaterra por volta do ano 389. Seus
pais o educaram na fé cristã desde pequeno. Aos 16 anos foi
raptado por bandoleiros que o venderam como escravo na Irlanda, onde
trabalhou como pastor de ovelhas. Naquele tempo, a Irlanda era habitada pelos
celtas e escoceses, ainda pagãos.
Duas vezes Patrício tentou fugir, mas não conseguiu. Até
que um dia, depois de seis anos, libertou-se daquela escravidão. Foi
para a França, onde ficou 14 anos. Primeiro esteve no mosteiro de
Lérins, por pouco tempo. Depois se fixou no mosteiro de São
Martin, em Auxerre. Ele diz que sentia um "chamado" de Deus para
anunciar o Evangelho na Irlanda. E, nesse mosteiro, preparou-se para sua
futura missão, por meio de orações e de estudos
teológicos. Seu mestre foi São Germano.
Dizem que o próprio Papa convidou Patrício para voltar à
Irlanda como missionário. Então foi feito bispo e enviado. Era
o ano 432. Uma viagem bem diferente da primeira. Agora, não mais como
escravo, mas como anunciador da Boa-Nova. Por isso, levava no
coração muita esperança e alegria.
Mas, chegando à Irlanda, encontrou duas barreiras: os pelagianos e os
druidas. Pelagianos eram os seguidores de Pelágio, a qual minimizava a
graça de Deus, como vimos na lição
28. Druidas eram os sacerdotes do druidismo, uma religião
pagã. Tratava-se de um culto violento, que sacrificava vidas humanas,
inclusive crianças. O druidismo matava os prisioneiros. A vida de um
homem só era resgatada com a morte de outro homem.
Patrício conseguiu vencer as barreiras por meio da graça de
Deus e de sua habilidade. Ele soube respeitar os costumes daquele povo e
assim conquistou muita gente, começando pelos seus chefes. O primeiro
líder que se fez amigo chamava-se Dichu. Ele abriu caminho para o
trabalho de Patrício.
Pouco antes de seu falecimento, Patrício passou o bispado para seu
discípulo Benignus. Assim sua obra teve continuidade. Ele morreu em
461. Tornou-se o grande santo venerado pelos irlandeses no dia 17 de
março. É o Padroeiro da Irlanda. Lição
31 451: CONCÍLIO DE CALCEDÔNIA (4º ECUMÊNICO) De 440 a 461 foi Papa o inteligente e
corajoso Leão I, chamado Leão Magno. Nesse tempo surgiu uma
heresia ensinada por Êutiques, monge de Constantinopla. Ele dizia que,
em Jesus, a natureza divina "absorvia" a natureza humana. Era como
se Cristo tivesse apenas a natureza divina. Por isso, tal heresia chamou-se
"monofisismo", que quer dizer "uma só natureza".
Negava-se, assim, o valor e a autenticidade dos atos humanos de Jesus.
Diante disso, em 448, o Patriarca Flaviano fez um sínodo em
Constantinopla e mostrou a Êutiques o seu erro. Este, porém,
reagiu e intensificou a difusão do monofisismo. Então Flaviano
expôs o problema ao Papa, pedindo uma palavra oficial. Leão
Magno escreveu a famosa "Carta Dogmática", na qual afirmou
que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.
Êutiques rejeitou a Carta do Papa e fez um sínodo em
Éfeso no ano de 449, com apoio do imperador Teodósio II e do
terrível Patriarca de Alexandria, Dióscoro, que presidiu o
sínodo. Os representantes do Papa foram impedidos de falar, e a Carta Dogmática
não pôde ser lida. Dióscoro até
"excomungou" o Papa. E o imperador mandou para o exílio os
bispos fiéis à Roma. Flaviano faleceu no caminho do
exílio, devido aos maus tratos. Esse sínodo ficou chamado
"Latrocínio de Éfeso".
No ano 450, porém, o imperador caiu do cavalo e morreu. Sua
irmã, a imperatriz Pulquéria, mandou regressar do exílio
todos os bispos que defendiam a doutrina da Igreja. Então, com o apoio
de 600 bispos, o Papa realizou o Concílio de Calcedônia (4º
Concílio Ecumênico). Este definiu que, em Cristo, há uma
só Pessoa, na qual existem duas naturezas "sem confusão
nem mudança, sem divisão nem separação".
Estava, pois, condenado o monofisismo como heresia.
Dióscoro compareceu, levando dezessete bispos monofisistas, com planos
de "depor" Leão Magno. Mas ele é que foi deposto logo
de início. Terminado o sábio discurso do Papa, todos os bispos
aclamaram: "Esta é a fé dos Apóstolos! Assim o
cremos todos. Pedro falou pela boca de Leão!" Lição
32 452: O PAPA LEÃO SALVA ROMA
O Papa São Leão I governou a Igreja do ano 440 a 461. Recebeu o
título de Leão Magno, isto é: "Leão, o
Grande". Seus valores morais, cívicos e espirituais o colocaram
acima de todos os Papas anteriores. Ele foi zeloso pastor, diplomata
inteligente e corajoso chefe da Igreja, de tal modo que se fez respeitar por
todos, como Papa e como cidadão, tendo-se destacado na defesa da
cidade de Roma frente aos invasores. Dentro do império decadente,
Leão Magno foi o último baluarte que ofereceu resistência
aos bárbaros, indo ao encontro dos invasores com a arma da coragem e
da fé.
Era o ano 452. O Império Romano estava sob o governo de Valentiniano
III. Os bárbaros asiáticos invadiram a Itália a caminho
de Roma, comandados pelo terrível Átila, rei dos Hunos.
Atemorizado, Valentiniano enviou uma embaixada para deter o invasor na metade
do caminho. Pois bem, o chefe dessa delegação foi o Papa
Leão, o homem que na época reunia em si mais virtudes e coragem
para se impor ao inimigo. O encontro se deu junto à confluência
dos rios Pó e Míncio. Átila desistiu da invasão.
O exército dos barbaros regressou. Roma ficou em paz.
O grande Rafael imortalizou num quadro célebre esse encontro
histórico de Leão com Átila. Dizem que, voltando a Roma,
Leão Magno mandou derreter a famosa estátua de Júpiter,
a maior divindade do paganismo, e com seu bronze fez a bela imagem de
São Pedro que se encontra até hoje na Basílica do
Vaticano.
Infelizmente, três anos depois, os bárbaros voltaram ao ataque e
invadiram a invencível Roma com certa facilidade. Mesmo assim, o Papa
São Leão conseguiu dos bárbaros uma coisa: que eles
respeitassem a vida dos cidadãos e não depredassem os templos
cristãos. Por isso, ele ficou chamado "Defensor Urbis", isto
é, "Defensor da Cidade de Roma".
O que favoreceu esta invasão foi a corrupção, que
enfraqueceu o poderoso Império Romano. A imortalidade reinava dentro
da casa imperial, como veremos a seguir. Lição
33 455: OS BÁRBAROS INVADEM ROMA
A partir do governo de Teodósio I, o império e a igreja tiveram
um período de paz. Mas logo vieram as invasões dos
bárbaros (Bárbaros eram tribos fortes e guerreiras do mundo
germânico. Moravam além do Reno e do Danúbio).
As invasões começaram pela África, Espanha,
Grécia e França, sob o comando de Alarico. Em 405,
Radagásio (general de Alarico) marchou contra Roma, com 200 mil
soldados. Houve resistência. Estilicão (general do imperador
Honório) derrotou o invasor. Em 452, o temível Átila
estava para invadir Roma; contudo desistiu, a pedido do Papa Leão,
como já vimos (nota: na
lição anterior).
Átila, rei dos hunos, era o terror universal. Foi até chamado
"Flagelo de Deus". Os hunos eram guerreiros, de cor amarelada.
Moravam entre o mar Negro e o Báltico. Eram cruéis. Por onde
passavam com suas tropas devastavam e saqueavam tudo. Após invadir
muitas cidades da França e da Itália, Átila morreu num
banquete, em 453.
Dois anos depois, Genserico invadiu Roma e saqueou a cidade. A
podridão que reinava na família imperial romana abriu as portas
para a invasão dos bárbaros. Basta lembrar que, no ano 455, o
senador Petrônio Máximo assassinou o imperador Valentiniano III
e, no mesmo dia, se fez imperador de Roma. Depois, para garantir sua
posição, obrigou Eudóxia a aceitá-lo em casamento
(Eudóxia era a viúva de Valentiniano). Em seguida,
forçou o casamento do seu filho Paládio com Eudóxia,
filha do imperador Valentiniano assassinado.
Isso tudo fez com que a imperatriz Eudóxia viesse a odiar o seu
"marido", o imperador Petrônio Máximo. Então,
como vingança, ela pediu apoio a Genserico, rei dos vândalos.
Tendo aberto ao invasor as portas da Itália, este veio com seu
exército e avançou como um conquistador, até Roma.Quando
Genserico chegou junto ao rio Tibre, o povo e os soldados romanos
revoltaram-se contra o próprio imperador Petrônio Máximo,
que foi trucidado pela multidão ao tentar a fuga. Governou menos de
três meses: de 16/3/455 a 31/5/455 Lição
34 496: OS BÁRBAROS SE CONVERTEM
Dissemos que os romanos davam o nome de "bárbaros" aos povos
que estavam fora dos domínios de seu vasto império. Em geral,
os bárbaros habitavam a região chamada Germânia (Alemanha
de hoje e mais outras regiões visinhas). Entre os diversos povos
chamados "bárbaros" estavam os francos. Eram nômades,
fortes, guerreiros, agressivos, cruéis, temíveis. Cultuavam o
deus Odin e esperavam ganhar o paraíso graças à virtude
da coragem e da valentia. Os francos saíram da Germânia e foram
para a Gália (região onde está a França de hoje).
O mais famoso rei dos francos foi Clóvis. Nasceu em 465 e faleceu em
511, em París. Começou a reinar com 16 anos. Conseguiu
consolidar o reino. Era pagão, mas casou-se com uma católica: a
rainha Clotilde de Borgonha. Esta procurou convertê-lo.
Depois de ganhar muitas guerras, Clóvis precisava ainda derrotar os
alanos, que estavam para invadir o reino. Então invocou o nome do Deus
dos cristãos, diante da batalha de Tolbiac, em 496. E venceu os
alanos. Aí se converteu e pediu o batismo. Foi batizado no Natal do
mesmo ano, pelo bispo São Remígio, na catedral de Reims,
juntamente com outros homens e mulheres que o seguiam de perto.
Conta-se que, no dia do batismo, São Remígio disse a
Clóvis: "Adora o que até agora queimaste e queima o que
até agora adoraste!" Contudo, apesar de ter abraçado a
fé, sabe-se que o valente rei não deixou na pia batismal o seu
espírito de guerreiro. A adesão a Deus e à Igreja
acontecem num momento, mas a conversão da mente e do
coração é coisa mais demorada.
Até o fim da vida, Clóvis era ainda um homem de lutas
sangrentas. Isso estava no sangue de sua raça. É preciso
compreendê-lo dentro de seu povo valente e guerreiro e dentro de sua
época de conquistas. Contudo, a conversão de Clóvis ao
cristianismo marcou sua vida. Foi uma grande vitória da Igreja. Com
Clóvis, todo o seu reino se converteu. Deu-se o início de nova
era na cristandade, como veremos a seguir. A
IGREJA APÓS A CONVERSÃO DOS FRANCOS
Vimos que os bárbaros invadiram Roma no ano 455. A partir
daí começou a derocada do poderoso Império Romano, que
havia dominado o mundo durante vários séculos. O último
imperador romano do Ocidente foi Rômulo Augústulo, derrotado em
23/8/476.
A queda de Roma (em 455) e a conversão dos francos (em 496) trouxeram
grandes mudanças políticas e religiosas. O ano 455 é
apontado pelos historiadores como marco indicativo do início da Idade
Média - esse longo período que durou dez séculos.
A conversão dos francos trouxe diversas mudanças. 1.
Antes, a cristandade
estava concentrada no Oriente; depois tornou-se numerosa no Ocidente. 2.
Diminuiu o interesse
pelas dicussões teológicas (muito a gosto dos orientais) e
aumentou o interesse pela evangelização dos povos no Ocidente. 3.
Com o crescimento da
cristandade na Europa, Roma se fez a "Capital da Fé". Isso
despertou no Patriarca de Constantinopla a vontade de ser uma espécie
de "Papa" do Oriente, em parceria com o Império Bizantino
(Constantinopla). 4.
A fé nova dos
convertidos (francos e germanos) era fiel a Roma e tinha grande
consideração pelo Papa. Diante disso, a Igreja viu que dava
mais resultados evangelizar os bárbaros do que ficar tentando mudar a
cabeça dos arianos. 5.
O Papa, além de
crescer como chefe religioso, começou também a ganhar
prestígio político entre os reis e a sociedade. 6.
A partir daí,
Constantinopla começou a distanciar-se de Roma. O Patriarca foi
acertando o passo com o imperador bizantino e perdendo o interesse pela
comunhão com o Papa, até chegar ao grande cisma (16/6/1054) que
dura até hoje. Lembramos
que o primeiro nome de Contantinopla foi Bizâncio, cidade fundada em
660 antes de Cristo pelo lendário Bizas. Em 330 de nossa era passou a
chamar-se Constantinopla, em homenagem ao imperador Constantino Magno, que a
escolheu para capital do Império do Oriente (Império
Bizantino). Hoje, Constantinopla é Istambul, na Turquia. Lição
35 553: 2º CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA (5º ECUMÊNICO)
Vigílio tinha ambição de ser Papa. Sabendo disso, a
poderosa imperatriz Teodora, de Constantinopla, pôs seu
prestígio político em favor da eleição papal de
Vigílio. Acontece, porém, que Teodora era monofisista e muit
interesseira. Ela queria que Vigílio, feito Papa, viesse a favorecer a
doutrina do monofisismo, já condenada no Concílio de
Calcedônia.
E tudo indica que, de fato, ele havia dado alguma esperança à
imperatriz. Mas, feito Papa, a sua cabeça mudou. E, numa carta, ele
escreveu a Teodora: "Se errada e imprudentemente, antes, eu te disse o
que não devia ter dito, não posso agora, de modo algum, atender
ao teu pedido, reabilitando esse herege" (que era Antimo, monofisista).
Vigílio foi Papa de 29/3/537 a 7/6/555. Pagou caro sua
ambição. Foram 18 anos de amarguras. O primeiro problema foi a
questão dos Três
Capítulos, imposta pelo prepotente imperador Justiniano
(marido de Teodora). Ele queria que o Papa condenasse três trechos (=
três capítulos) dos teólogos Teodoro de
Mopsuéstia, Teodoreto de Ciro e Ibas de Edessa (já falecidos).
Ora, se o Papa os condenasse, estaria indo contra o Concílio de Calcedônia
- o que não podia fazer.
Nessa perseguição estava a vingança de Teodora, porque
Vigílio não favorecera o monofisismo. Por isso, quando
Vigílio rezava na igreja Santa Cecília, em Roma, veio o general
Antimo com sua tropa; agarraram-no e o levaram prisioneiro para Justiniano.
Em Constantinopla, ele se agarrou de tal modo a uma coluna da basílica
que os soldados não conseguiram arrancá-lo.
Para resolver a questão, fizeram um Concílio. Vigílio
queria que fosse na Itália, mas Justiniano exigiu que fosse em
Constantinopla. Tudo contra a vontade do Papa. Parecia que tal
Concílio iria ser um desastre. Mas nele estava o Espírito
Santo. Por fim, as declarações ali feitas foram de acordo com
os Concílios anteriores e a doutrina da Igreja. E o Papa o reconheceu
como 5º Concílio Ecumênico. Vigílio, doente e
abatido, partiu para a Itália, mas morreu no caminho (7/6/555) Lição 36 590: GREGÓRIO I, UM GRANDE PAPA
Ele nasceu em Roma no ano 540, filho do senador Gordiano e de sua esposa
Sílvia. Aos 32 anos era prefeito de Roma. Ocupou o cargo de pretor,
função equivalente à de Primeiro Ministro do governo.
Depois deixou a política para fazer-se beneditino. Transformou sua
residência num mosteiro. E destinou sua fabulosa riqueza à
construção de mosteiros.
Durante 6 anos foi representante do Papa Pelágio II, em
Constantinopla. Voltando para Roma, o Papa o nomeou seu conselheiro. Contra
sua vontade o elegeram Papa (3/9/590). Como Papa, Gregório fez uma
caixa ou patrimônio destinado a socorrer os romanos empobrecidos com as
invasões e saques.
Gregório I elevou o conceito de papa, o qual se fez mais respeitado. E
conseguiu isso através da humildade. Sob sua assinatura, ele escrevia:
Servus servorum Dei, isto
é, "servo dos servos de Deus". Essa frase passou a ser
escrita por todos os outros papas.
No seu pontificado, deu-se a conversão dos povos germânicos.
Começou com o histórico batismo de Clóvis, rei dos
Francos, no Natal de 496, na Catedral de Reims. Com Gregório I deu-se
também a cristianização da Inglaterra. Para essa obra de
evangelização ele enviou Agostinho (prior do mosteiro) com mais
40 monges. Nessa ocasião, São Gregório organizou a
Igreja na Inglaterra, fundando o arcebispado de Cantuária.
Foi também São Gregório Magno quem estruturou o governo
da Igreja na sua parte social e jurídica. Ele levantou a voz contra os
impostos injustos e se opôs à prepotência dos poderosos.
Organizou a função dos bispos na Igreja, bem como dinamizou a
pastoral e deu vida à liturgia. Foi ele quem criou o Canto Gregoriano (Por isso é que se chama gregoriano).
É cantado até hoje.
Juntamente com São Leão Magno e outros grandes papas antigos,
São Gregório Magno é um baluarte da Igreja. Ele
escreveu muitos livros. Sua sabedoria iluminou as
gerações durante séculos. Dele disseram: "Jamais a cátedra de São Pedro
foi ocupada por uma alma tão sublime e generosa como a sua". MONGES
EVANGELIZAM A EUROPA
Gregório Magno, como vimos, tinha sido monge antes de ser papa. Por
isso ele teve facilidade para fazer um trabalho missionário com os
monges. Nesse tempo a Igreja estava empenhada na obra da
evangelização da Europa. Queira converter os pagãos:
Irlandeses, italianos do Norte, franceses, alemães, saxões,
escoceses, ingleses, suíços...
Não era uma catequese estruturada, com dioceses e paróquias,
com pastoral organizada e visão de conjunto. Sendo um trabalho
realizado por monges, havia muita fé e amor, mas era tudo feito com muita
simplicidade, na base da entrega pessoale da boa vontade, sem a
preocupação de fazer um trabalho orgânico e
esquematizado.
Lembremos alguns desses monges missionários. 563: São
Columba fundou vários mosteiros na Irlanda. Depois, com 12
discípulos, construiu um mosteiro e diversas igrejas na Inglaterra.
Levou a fé também à Escócia, onde ungiu o rei
Aidan. São Columba era membro da família real irlandesa. 592: São
Columbano fundou o mosteiro de Luxeuil, na França, o qual foi
também um centro de irradiação da fé. Seu
discípulo, São Galo, partiu para a Suíça e
lá fundou o famoso mosteiro de São Galo, além de muitas
igrejas. A Irlanda produziu tantos santos que ficou sendo chamada Ilha dos
Santos. 599: O
monge Agostinho (abade de Santo André em Roma) foi enviado à
Inglaterra como missionário, com mais 40 monges, e lá fundou a
importante diocese de Cantuária. Agostinho teve o apoio pessoal do
Papa São Gregório Magno. 627: Nesse
ano foi batizado o rei Edwino, com toda a sua corte. Ele era soberano da
Nortúmbria e de Yorkshire (condado pertencente à Inglaterra).
Foi então criada a diocese de York. A partir daí começa
uma catequese sistemática e estruturada, e a
evangelização se difunde por toda a Europa. 690: O
inglês Villibrordo anunciou o Evangelho aos frisões. Em 695 ele
foi nomeado bispo de Utrecht. Bonifácio, chamado o Apóstolo da Alemanha, continuou sua obra de
evangelização. Lição
37 610: SURGE O ISLAMISMO
Quando a Igreja estava vivendo tempo de paz e de propagação da
fé, surgiu um inimigo terrível: o islamismo, também
chamado maometismo, porque seu fundador era Maomé ou Mohamed
(570-632). Maomé nasceu em Meca, a cidade santa onde estava (e
está) guardada a pedra sagrada chamada Caaba. Dizem que esta pedra
é negra por causa dos muitos pecados da humanidade. Segundo a lenda,
ela foi trazida do céu pelo anjo Gabriel, e nela Ismael (o pai dos
árabes) descansou a cabeça. Por isso, Meca é a
"cidade santa" para os árabes, como Jerusalém
é para os judeus (e também para os cristãos).
Maomé era descendente da tribo dos Coraixitas, encarregada de guardar
a Caaba. Órfão de pai e mãe, viveu pobre os primeiros
anos, trabalhando como condutor de caravanas. Mas logo adquiriu enorme
fortuna, casando-se com uma viúva rica chamada Kadidja. Aí
pôde realizar seus sonhos. Era ambicioso e tinha um grande projeto:
reunir todos os árabes sob seu domínio. Daí nasceu o
islamismo. Contudo, o Islã não é uma religião
original. Ele reúne ensinamentos de antigas religiões
árabes, do judaísmo e do cristianismo. O nome de seu Deus
é Alá, seu livro sagrado é o Alcorão, e o profeta
é Maomé. A revelação que Alá fez a
Maomé está acima de tudo o que Deus havia dito antes por
meio de Abraão, Moisés ou Jesus Cristo.
O Deus do islamismo é o mesmo dos cristãos: o Deus de
Abraão, de Isaque, de Jacó, de Moisés... com uma
diferença: os maometanos (assim como os judeus) não aceitam
Jesus como Messias ou Salvador. Mas, entre o islamismo e o judaísmo
há também uma grande diferença: os judeus se dizem
filhos de Abraão por meio de Isaque, enquanto os árabes
são filhos de Abraão por meio de Ismael. Isaque naceu da
"promessa" de Deus. É filho de Abraão e de Sara, a esposa
legítima. Ao passo que Ismael é filho de Abraão e de
Agar, a escrava de Abraão. Por isso o islamismo é também
chamado ismaelismo. aí está a causa das lutas
intermináveis entre judeus e árabes. Lição
38 622: A EXPANSÃO DO ISLAMISMO
Como dissemos, o projeto de Maomé era reunir sob seu domínio
todas as tribos árabes. No começo teve algumas dificuldades,
pois, à medida que mexeu com interesses de grupos, encontrou
oposição. Mas esses obstáculos foram eliminados por meio
da força. Sua religião era radical, pois dizia que representava
a vontade absoluta de Alá. A própria palavra "Islã"
quer dizer: "submissão total à vontade divina". Daí
veio a chamada "guerra santa". Segundo os maometanos, quem morresse
combatendo por Alá, teria garantido seu lugar no paraíso.
Essa paixão religiosa lançou os muçulmanos à
conquista do mundo (Muçulmano é todo aquele que segue o
islamismo, em qualquer parte da terra). Foi assim que o islamismo expandiu-se
rapidamente. O império muçulmano invadiu a Ásia, o
Egito, a Síria, a Pérsia, a Palestina. Lutou contra os gregos e
entrou na Espanha, em Portugal e na Itália. Em seguida quis
apoderar-se da França. Mas aí foi detido pelos francos, sob o
comando de Carlos Martelo, ma batalha de Poitiers, em 732.
No islamismo, política e religião eram inseparáveis. A
espada e a fé caminhavam juntas. Assim foi um século de lutas.
Por onde os seguidores de Maomé passavam, ficava plantada a semente do
islamismo. Eles não obrigavam seus dominados a se converter, mas os
obrigavam a pagar um tributo. A lei era esta: ou se converte ou paga tributo
ao império muçulmano. O objetivo de Maomé era levar o
islamismo às tribos árabes dispersas. Mas, na
prática, acabou invadindo e conquistando novas terras para o
império islâmico.
Hoje o islamismo está dividido em muitas seitas: vaabitas, sufitas,
sunitas, xiitas... Todas elas têm espírito guerreiro. Os mais
radicais são os xiitas. Quem não se lembra da recente
"guerra santa" do Aiatolá Khomeini (do Irã) contra o
Iraque de Saddan Hussein? Aliás, por aí se vê que a
"guerra santa" nem sempre é contra os "infiéis",
mas às vezes acontece entre os próprios muçulmanos. Lição
39 629: O RESGATE DA CRUZ DE CRISTO
De 610 a 641 o imenso Império Bizantino foi governado por
Heráclio I. A capital do império era Constantinopla
(Bizâncio). Ao imperador bizantino pertencia a grande parte do Oriente.
Heráclio não estava preparado para defender seu imenso
território no caso de uma invasão, coisa comum naquele tempo.
E, por motivo de vingança, em 611, os persas invadiram o
Império Bizantino. Heráclio tentou um acordo, mas Cosroes
Parviz, rei dos persas, não quis nenhum tratado de paz. Os persas
tomaram o Egito, a Palestina, a Cicília, a Armênia, a
Síria e parte da Capadócia. Devastaram a Cidade Santa.
Profanaram lugares sagrados.
O rei Cosroes levou para a Pérsia as relíquias da Cruz de
Jesus. Isto revoltou os bizantinos, que eram cirstãos fervorosos.
Então, motivado pelo sentimento patriótico e religioso,
Heráclio preparou-se para uma contra-ofensiva.
Em 629 derrotou os persas e resgatou os territórios tomados. As
relíquias da Cruz foram reconduzidas à Terra Santa de maneira
triunfal, de Ctesifonte a Jerusalém, no dia 14 de setembro (Por isso,
nesse dia, a Igreja celebra, até hoje, a festa da
Exaltação da Santa Cruz). E, a respeito da entrada das
relíquias da Santa Cruz em Jerusalém, conta-se a seguinte
lenda:
O cortejo era solene. O imperador Heráclio levava as relíquias
da Cruz. Na Cidade Santa elas eram esperadas com devoção e
grande festa. Iam ser colocadas no altar do Calvário. Mas, quando
chegou à porta da Cidade, o imperador não conseguiu mais mover
os pés. Eles ficaram presos ao chão. Aí o patriarca
Zacarias disse-lhe: "Majestade,
lembra-te de que Jesus era pobre, e tu estás ricamente vestido; Jesus
tinha na cabeça uma coroa de espinhos, e tu tens uma coroa de ouro;
Jesus não usava anéis e calçados com brilhantes como
fazes agora". Então o imperador tirou o anel, a coroa
de ouro, os sapatos bordados e o manto brilhante. E vestiu-se como pobre.
Seus pés ficaram leves, e ele se pôs a andar livremente
até o altar do Calvário. Lição
40 633: O MONOTELISMO, OU MONOTELITISMO
As principais heresias vistas até agora são:
Depois, no ano 633, surgiu nova heresia: o monotelismo.
Foi fundado por Sérgio, Patriarca de Constantinopla. Ele ensinava que
em Cristo havia somente a vontade divina. A vontade humana seria absorvida
pela divina.
Isso fez grande mal à Igreja. A cristandade já estava sofrendo
bastante com os inimigos externos, que eram os invasores (persas e
maometanos). A partir daí passou a sofrer também com o inimigo
interno - a heresia - que causava discórdia e divisão no
cristianismo.
Lembramos que todas essas heresias nasceram dentro da Igreja. Foram criadas
por padres, monges e bispos. Ario era sacerdote; Pelágio e
Êutiques eram monges; Macedônio, Nestório e Sérgio
ocupavam o elevado cargo de Patriarcas (bispos) de Constantinopla.
Diante dessa confusão, os Papas Honório I (625-638) e
João IV (640-642) fizeram afirmações teológicas
não muito precisas, que foram usadas pelos monotelistas na defesa de
sua heresia. E a coisa se complicou ainda mais, porque Heráclio,
imperador de Constantinopla (610-668) fez outro decreto imperial impondo o
monotelismo como verdade a ser observada. Em seguida, o imperador Constante
II (641-668) fez outro decreto proibindo que se discutisse o assunto.
Aí começou a perseguição contra a Igreja, como
veremos a seguir. Lição
41 655: O PAPA MARTINHO I É PRESO E MORTO O
Papa Martinho I, consciente de sua responsabilidade de Pastor do Povo de Deus
não pôde calar-se diante da heresia. ele reuniu um Sínodo
em São João de Latrão, em 649, do qual participaram 150
bispos. Aí o Papa condenou o monotelismo e definiu que em Cristo
há duas vontades,
assim como duas capacidades de agir, porque Ele tem duas naturezas: a divina
e a humana. Isto é: Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.
Diante disso, o imperador Constante II enviou a Roma um exarca (delegado), chamado Olimpo,
com a incumbência de fazer o Papa e os bispos desdizerem o que haviam
dito. Se não se retratassem, o Papa seria preso. É claro que
Martinho permaneceu irredutível no que havia dito.
Por isso, Olimpo resolveu assasssinar o Papa através de uma
traição. Tomou uma atitude piedosa, e quis participar da Missa
solene na igreja de Santa Maria. No momento em que o Papa se dirigisse a ele
para saudá-lo com o abraço da paz, um escudeiro seu deveria
apunhalar o Papa. Mas aconteceu o imprevisto. O Liber Pontificalis (Livro Pontifical) diz que, nesse
exato momento, o escudeiro ficou com a vista escurecida por uns minutos e
não pôde fazer nada. Então Olimpo partiu dali e foi
combater os sarracenos na Sicília, onde veio a falecer vítima
de uma peste.
O imperador, para vingar-se, enviou outro exarca, a fim de levar o Papa
algemado para Constantinopla. São martinho foi iludido e, a 19/6/649,
embarcava, prisioneiro, num barco ancorado no Rio Tibre. Depois de penosa
viagem de 14 meses, chegou a Constantinopla. Para aumentar seu sofrimento,
aí lhe disseram que o imperador havia colocado um papa em seu lugar.
Trancado num cárcere, São martinho foi caluniado, julgado,
condenado e humilhado de maneira infame. Algemado, com veste reduzida,
conduziram-no pelas ruas da cidade sob as vaias do público mal informado.
Em março de 655 embarcaram-no para a ilha de Quersoneso, aonde chegou
após dois meses de sofrimento. Aí morreu a 16/9 do mesmo
ano (655), encarcerado e abandonado, passando fome e frio, mas com alma de
herói e santo. Lição
42 680: 3º CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA (6º ECUMÊNICO) Vimos
que o Papa Martinho I foi um mártir na defesa da verdadeira fé,
naquela questão do monotelismo. Mas não foi só ele. A
vingança do imperador Constante II fez mais vítimas. O grande
teólogo Máximo, o
Confessor, também morreu no exílio. E foi
torturado. Ele havia sido secretário do imperador
Heráclio no ano 610. E quis ser coerente com sua fé. Como um
dos teólogos mais fiéis à Igreja, Máximo havia
condenado o monotelismo em sínodos realizados na África e em
Roma. Sendo preso e deportado por essa causa, ele aceitou o brutal
martírio. No exílio, cortaram-lhe a língua e a
mão direita.
Felizmente, com o Imperador Constantino IV (668-685), que sucedeu Constante
II, veio um alívio para a Igreja. Percebendo o desastre cocorrido com
a perseguição, ele quis fazer amizade com o Papa Agaton e
dar-lhe todo o apoio. Então, entrou logo em entendimento para que
fosse feito um Concílio e esclarecida a verdade. Foi o 3º
Concílio de Constantinopla (6º Ecumênico), aberto a
7/11/680 e encerrado no ano seguinte. Ficou conhecido como Concílio Trullanum, porque foi realizado no
salão da cúpula do palácio imperial, local chamado
"Trullus".
Esse Concílio condenou o monotelismo como heresia e definiu que em
Cristo há duas vontades, assim como há duas naturezas, tal qual
tinha sido ensinado pelo Papa Martinho I no Sínodo de Latrão em
649. E, no final, os bispos declararam que Deus falava ao Papa. O
próprio imperador Constantino IV afirmou publicamente: "A luz da fé brilhou para nós, vinda
do Ocidente. Pedro falou pela boca de Agaton".
Agaton era de família rica, de Palermo. Quando se fez monge
beneditino, distribuiu todos os seus bens aos pobres. Ao ser eleito Papa
(680), estava com 103 anos. Foi o Papa eleito com mais idade. Era,
porém, perfeitamente lúcido. Faleceu no terceiro ano de
pontificado (681), atingido por uma epidemia que devastou a população
de Roma. Foram três anos abençoados, de progresso para a
Igreja. Lição
43 719: BONIFÁCIO, O APÓSTOLO DA ALEMANHA Nasceu
na Inglaterra e, 673. Chamava-se Vinfredo. Em 719 recebeu o nome de
Bonifácio (nome de um mártir romano). Messe mesmo ano o Papa
Gregório II enviou-o como missionário para a Alemanha. Foi
evangelizar os frisões, junto com Willibrordo. Frisões era um
povo do norte da Germânia (Alemanha), difícil de ser
evangelizado, porque Carlos Magno, o protetor da Igreja, era o seu maior
inimigo político.
Em 721, Bonifácio evangelizou a Frísia e Hesse (Hesse era uma
região formada por três Estados da antiga Germânia). Nessa
região havia o "sagrado carvalho" de Tonar, uma divindade
pagã. Bonifácio cortou o carvalho sagrado para mostrar que os
deuses dos pagãos não tinham poder nenhum.
De 725 a 735 Bonifácio exereu sua atividade missionária na
Turíngia. Aí fundou os mosteiros de Ohrdrf, Fulda e outros. Em
Hesse e na Turíngia batizou muitos convertidos.
Em 732 é nomeado bispo; depois, legado da Santa Sé na Alemanha.
Sagrou muitos bispos e organizou a Igreja germânica. Fundou as dioceses
de : Burraburgo, Erfurt, Vurtzburgo, Eichstatt, Salzburgo, Regensburgo
(Ratisbona), Frisinga, Passau.
Em 753, com 81 anos de idade, Bonifácio voltou a anunciar o Evangelho
entre os frisões pagãos. Aí terminou sua caminhada
apostólica de maneira heróica, juntamente com mais de 52
companheiros missionários. Eles estavam celebrando a Missa em Dokkun,
no dia cinco de junho de 754, dia de Pentecostes. De repente, veio um bando
de pagãos armados de espadas. Bonifácio disse aos
companheiros: "Não tenhais medo! Todas as armas deste mundo
não podem matar a nossa fé!" E foram mortos. Por isso, ele
recebeu o nome de "Apóstolo da Alemanha".
Para se ter uma idéia da dureza daqueles bárbaros, basta dizer
que as leis da Igreja eram também muito severas. Numa carta de
Bonifácio, ele diz: "O
cristão que tiver caído no crime da imoralidade
será posto na prisão, a pão e água, a fim de
fazer penitência. Se for padre, fará dois anos de
penitência, depois de ter sido flagelado até derramar sangue." Lição
44 754: ORIGEM DO ESTADO PONTIFÍCIO Desde
o tempo dos Apóstolos, os cristãos punham grandes
doações numa Caixa Comum,
para as despesas da Igreja e socorro aos irmãos
necessitados (cf. At 4,36-37). Depois da conversão do imperador
Constantino, o Edito de Milão (ano 313) deu liberdade aos
cristãos. Aí, famílias ricas se converteram e fizeram
gordas doações à comunidade. O próprio imperador
ajudou muito a Igreja. Formou-se, então, o Patrimônio de São Pedro.
No ano 751, Astolfo, rei dos lombardos, apossou-se do grão-ducado de
Ravena, pertencente aos gregos. Em seguida, queria tomar também Roma.
O Papa Estêvão II foi ao encontro de Astolfo, em Pávia,
14/10/753, em busca de acordo. Mas o rei não quis saber de nada. Seu
plano era apossar-se de Roma. Então o Papa fez uma procissão de
penitência na qual tomou tomou parte com pés descalços,
cabeça coberta de cinzas, carregando uma cruz.
Quando Pepino, o Breve, rei dos francos, ficou sabendo disso, tomou a defesa
do Papa. Seu poderoso exército derrotou os lombardos em Suza. Astolfo,
sitiado em Pávia, rendeu-se e teve que entregar Ravena aos francos.
Aí Pepino deu de presente ao Papa todo o ducado de Ravena mais a
Pentápolis, que era um conjunto de cinco cidades: Rímini,
Pesaro, Fano, Sinigália e Ancona. Pelo Tratado de Quiercy (754), esses
territórios foram anexados ao Patrimônio de São Pedro.
Deu-se assim origem ao Estado
Pontifício, tendo como soberano o Papa.
Em 1115, o Estado Pontifício recebeu outras grandes
doações da riquíssima e famosa duquesa Matilde de
Toscana ou de Canossa. O território da duquesa abrangia a Toscana,
Espoleto, Bréscia, Parma, Régio, Modena, Mântua, Ferrara,
e Cremona. Ela possuía poderoso exército. Derrotava
imperadores. Mais uma vez defendeu o Papa, quando inimigos queriam se apossar
de Roma. Pois bem, num testamento assinado em 1080, a Duquesa Matilde doou
todos os seus bens à Santa Sé (após a morte, em 1115).
Com essas e outras doações de nobres medievais, o
território do Estado Pontifício chegou a medir 41.000 km².
De tudo isso, hoje resta apenas um minúsculo pedacinho, que é o
Estado do Vaticano, criado oficialmente em 1929 (como veremos na
lição 150). [OS ICONOCLASTAS]
"Eikon" é uma palavra grega que significa "imagem"
ou estátua. "Iconoclasta" é a pessoa que
destrói imagens. A guerra contra a veneração de imagens
deu-se em Constantinopla. Começou em 726, quando o imperador bizantino
Leão III assinou um decreto proibindo o culto às imagens. Ele
mesmo destruiu uma famosa imagem de Jesus. Aquilo provocou tumulto na cidade
e revolta em toda a Igreja. Logo a seguir, Leão decretou a
destruição de todas as imagens e símbolos sagrados,
incluindo as pinturas das paredes e as figuras desenhadas nas vestes
litúrgicas. Além da destruição das imagens,
o referido imperador perseguiu muita gente.
Em 741, morreu Leão III. Subiu ao trono seu filho, Constantino V, que
reinou até 775. Mas, para a Igreja, nada melhorou. Ficou até
pior. No ano 754, Constantino convocou um Sínodo em Hieréia,
perto de Constantinopla, o qual reuniu 338 bispos (Não houve,
porém, a participação de Alexandria, Antioquia,
Jerusalém e Roma).
Esse Sínodo particular condenou como idolatria o culto às
imagens. E suas decisões foram postas em prática com rigor e
violência. Mosteiros foram fechados, monges e freiras foram perseguidos
por ordem do governo. Constantino V chegou até a proibir a
oração aos santos, inclusive à Virgem Maria.
Em 775, faleceu Constantino V. Assumiu o governo seu filho, Leão IV,
que reinou até 780. Apesar de ser também iconoclasta, como o
pai e o avô, Leão IV começou dando liberdade ao culto
às imagens. Mas não durou muito. Logo voltou a proibi-lo, mesmo
contrariando sua esposa Irene. A Liberdade total veio em 780, com a morte de
Leão IV, quando sua esposa assumiu o governo em lugar do filho menor,
Constantino VI.
Os imperadores bizantinos combatiam o uso das imagens por influência
dos muçulmanos e judeus. Estes seguiam apenas o Antigo Testamento, no
qual Deus proibia ter imagens, para evitar que seu povo caísse em
idolatria, como os povos vizinhos, que eram pagãos e adoravam as
estátuas de seus deuses. Lição
45 787: 2º CONCÍLIO DE NICÉIA (7º ECUMÊNICO) O
Papa Gregório II (715-731) escreveu duas cartas ao imperador
Leão III, recusando sua intromissão na Igreja em assunto de
fé. O grande teólogo João Damasceno escreveu três
famosos discursos, defendendo a veneração de imagens. No ano
731, o Papa Gregório III excomungou o imperador oconoclasta. Tudo
isso, porém, não adiantou nada.
A virada total veio em 780, com a morte de Leão IV, filho de Constantino
e neto de Leão III. Seu filho, Constantino VI, tinha apenas nove anos.
Então a mãe, imperatriz Irene, assumiu o governo. Ela era
favorável à veneração das imagens. Aí a
Igreja realizou o Concílio Ecumênico em Nicéia, no ano
787 (o segundo de Nicéia e o sétimo Ecumênico). Foi
presidido pelo patriarca Tarásio, de Constantinopla, com a
participação de 350 bispos.
Esse Concílio declarou nulo aquele Sínodo convocado por
Constantino V, em Hieréia, no ano 754, e aprovou a
veneração das imagens (Não "adoração",
que é devida somente a Deus). Eis algumas palavras desse
Concílio de Nicéia: "Quanto
mais alguém contemplar as imagens, mais lembrará daqueles que
são representados; sentir-se-á animado a imitá-los e a
venerá-los, sem prestar-lhes adoração, que é devida
somente a Deus".
Nesse Concílio ficou claro que o sentido da veneração
das imagens é a glória de Deus. A piedade cristã
não pára nos santos, mas tem como meta o próprio Deus,
que opera maravilhas através dos seus fiéis amigos.
Depois, em Francoforte, um Sínodo declarou: "As imagens
não devem ser destruídas nem veneradas, mas conservadas para a
memória e o ensino". Contudo, o culto às imagens
permaneceu na Igreja, conforme as decisões do Concílio de
Nicéia (787). Mais
tarde, os imperadores Leão V, Miguel II e Teófilo voltaram a
proibir a veneração das imagens. E a questão ficou
resolvida no governo da imperatriz Teodora. Ela deu apoio ao patriarca
Metódio para fazer um Sínodo e deixar claro que era permitido
vencerar as imagens. No século XVI, porém, as imagens foram,
novamente, rejeitadas pelos "Protestantes". Lição
46 800: CARLOS MAGNO Em
742 nascia Carlos Magno, primeiro filho de Pepino, o Breve, rei dos francos.
Morto o pai, em 768, o reino foi dividido entre Carlos e seu irmão
Carlomano. Morrendo Carlomano, em 771, Carlos tornou-se rei do grande
império, que abrangia a França e a Alemanha. Em 774, foi
também coroado rei dos lombardos.
Carlos aprendeu a ler depois de avançada idade. Mas, por
incrível que pareça, foi grande protetor da Cultura, das
Ciências e das Artes. Auxiliado pelo sábio Alcuíno, ele
fundou muitas escolas, inclusive de Teologia. Lia muito. Durante as
refeições, alguém ficava a seu lado, lendo em voz alta.
Carlos falava várias línguas. Até recebeu o
título de "professor de seu povo". Ele era simples e fugia
dos banquetes.
Sua grande aspiração era cristianizar todos os povos. Para isso
usava até a espada. Em 779 dominou os Ávaros (um povo
bárbaro dado à guerra) e os forçou a receber o Batismo.
Durante trinta anos lutou contra os saxões, a fim de
convertê-los. Com a paz de Seltz, em 803, eles aderiram ao cristianismo.
Tudo isso, porém, custou muito sangue.
Essa violência deve ser vista dentro de seu contexto histórico,
tendo em conta o espírito guerreiro da época. Na verdade,
Carlos queria a expansão e o triunfo do cristianismo. Queria
também ser o protetor do Papa e da Igreja. Em 774, quando o rei
Desidério ia invadir o Estado Pontifício, ele o derrotou. em
759 defendeu o Papa Leão III que, perseguido, refugiou-se em
Paderborn. Carlos se fez respeitado e temido também quando dominou os
muçulmanos ao Norte da Espanha. a partir daí, foi constituído
"protetor" dos santos lugares de Jerusalém.
No Natal de 800, Carlos Magno foi coroado "imperador de Roma" pelo
Papa Leão III, ocasião em que recebeu os títulos de
César e Augusto. Seu império abrangia: Alemanha, Itália,
França, Países-Baixos, Catalunha, Aragão e Navarra. Por
isso ficou chamado "Imperador do Ocidente". Começou
aí o famoso "Sacro Império Romano", que durou dez
séculos. Dele falaremos a seguir. Lição
47 800: O SACRO IMPÉRIO ROMANO A
partir do ano 800, os papas e os imperadores francos preencheram o vazio
deixado pela ausência dos imperadores romanos. E assim, numa
espontânea parceria, lançaram as bases para a formação
do "Sacro Império Romano". Começou com trocas de
gentilezas: o Papa Estêvão II coroou Pepino, o Breve, em 754, e,
no mesmo ano, Pepino derrotou Astolfo, rei dos lombardos, que ia invadir
Roma; em 774, Carlos Magno defendeu o Papa Adriano I dos ataques do rei
Desidério e, em 781, o mesmo papa coroou reis os dois filhos de Carlos
Magno; em 795, Carlos defendeu o Papa Leão III, que estava sendo
perseguido, e, no ano 800, o mesmo Papa coroou Carlos Magno "Imperador
Romano".
Essa data marcou o início do Sacro Império Romano. A partir
daí, o imperador e o papa se ajudam e se completam. Carlos sempre
havia sido protetor da Igreja. Mas ele aspirava muito mais: queira que todo o
Ocidente se tornasse um "reino cristão", tendo o papa como
chefe espiritual e o imperador como chefe civil, numa parceria iluminada
pela fé. O Evangelho seria a "cartilha" de todos
os povos. As leis terrenas seriam fundamentadas na lei divina. Os imperadores
tinham um sentido sagrado.Eram ungidos pela Igreja, à
semelhança dos reis do Antigo Testamento. Eram imperadores "pela
graça de Deus".
O Sacro Império passou a chamar-se "Sacro Império Romano
Germânico" no governo de Otão I (962-973), imperador da
Alemanha. O seu apogeu se deu no século XI. Foi dissolvido quando
Napoleão Bonaparte obrigou Francisco II a renunciar à coroa
imperial da Alemanha (06/08/1806). O Sacro Império abrangia a
Itália e os povos de língua germânica.
O Sacro Império foi uma utopia que, em parte, deu certo. Mas gerou
muitas tensões entre a Igreja e o Estado, devido à
ingerência de uma parte naquilo que era de competência de outra
parte (veja a questão das "Investiduras",
lição 55). O Sacro Império gerou também uma
tensão entre Roma e Constantinopla. Isto influenciou o Cisma de 1054
que, na verdade, foi uma questão religiosa de fundo político
(lição 53). "Eis
que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo" (Mt
28,20b)" ©2002, Alfa&Ômega mídia cristã |
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