Narciso, em grego Nárkissos (nárkes, "torpor", de onde provém a palavra narcótico), era um belíssimo jovem, filho da náiade Liríope e do rio Cefiso. Tamanha beleza não era bem vista sob os olhos dos gregos, já que desafiava a supremacia dos deuses (somente aos Imortais era permitido o exagero, a ultrapassagem do métron, "medida"). Jovens da Grécia inteira por ele se apaixonaram, incluindo ninfas e deusas. A ninfa Eco morreu por amor não correspondido pelo rapaz, deixando de se alimentar e definhando até a morte, tornando-se um rochedo capaz de repetir apenas as últimas palavras ditas (essa característica lhe fora atribuída em outra situação pela deusa Hera). As demais ninfas, por vingança à frieza de Narciso, pediram ajuda a Nêmesis (entidade responsável pelo ciúme divino ante injustiça cometida), que o condenou a sofrer por um amor impossível.E assim se sucedeu: sedento após uma caçada, Narciso aproximou-se de uma fonte límpida, e pela primeira vez contemplou a si mesmo nas águas impertubáveis...Apaixonou-se irremediavelmente. Via naquele rosto toda a beleza que impressionara as Imortais e demais mulheres da Grécia...Incapaz de afastar os olhos daquela imagem, em seu eterno contemplar-se, pereceu de fome e sede diante da fonte. No lugar de seu corpo sem vida, nasceu uma delicada flor amarela com centro circundado por pétalas brancas: o narciso.
A essa flor são creditadas propriedades entorpecentes, amolecimento do corpo, devido à substâncias químicas. Alguns povos ainda hoje não admitem que se deixe a imagem refletida em algo, seja água, espelho ou fotografia: a alma poderia ficar inteira retida no reflexo exterior, permanecendo disponível às forças do Mal e do demônio...
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