Pessoas
existem, que são como as árvores.
E firmes, imutáveis, oferecem aos que as cercam a sua sombra protetora e o gosto sempre igual dos seus frutos.
Nelas, a tranqüilidade sobrepuja as paixões. Por assim ser, aqueles que as conhecem antecipam as suas reações. A vida ao seu lado é uma agradável rotina e à sua sombra protetora vicejam, sem surpresas, outras vidas.
Existem pessoas que são como os rios.
E, para os que as cercam, as suas emoções são como o rolar das águas, entoando uma sempre nova canção de amor à vida.
Como os rios, essas pessoas nem sempre se limitam a seus leitos. E em suas margens, fecundadas pelas águas que se derramam, brota a cada dia uma nova planta, uma nova vida, uma nova emoção.
Pelo ar espalha-se o canto das águas do rio, quando calmo em seu curso; e o rumor trovejante quando, agitadas, as águas já não podem ser contidas. Juntos, o canto e o rumor compõem a sinfonia do viver.
Felizes daqueles que vivem ao lado das pessoas que são como as árvores. Porque as suas existência serão sempre protegidas e isentas de surpresas.
Entretanto, são venturosos aqueles que vivem ao lado das pessoas que são como os rios. Porque a sua vida será sempre nova: um eterno crescimento, um constante aprendizado.
Pois, se a árvore oferece a beleza das mesmas flores e a segurança dos mesmos frutos, a cada dia uma nova flor flutua nas águas do rio. E à sua beleza junta-se o encanto de uma nova surpresa.
Não são sempre claras as águas do rio e é preciso desvendar os seus mistérios, quando turvas;
nelas não existe apenas o afago, mas também uma inesperada dose de agressão;
o rio não provê, apenas oferece, e é preciso que se aprenda a merecer a dádiva.
Decerto, é mais fácil assentar-se à sombra da árvore que aprender a navegar nas águas do rio.
Contudo, a quem pertence o mérito maior?
E quem mais terá aprendido, ao fim da jornada?
Eis que a árvore, ao tombar sob o machado, torna-se lembrada por aqueles que lamentam a ausência da sombra, ou da doçura dos frutos, ou da beleza das flores.
E o rio, ao fim do seu curso, sobrevive em todas as vidas e lições que fez brotar ao longo de suas margens.
Deleitai-vos, com a segurança das árvores.
E aprendei a viver, com a impetuosidade dos rios.