DUBL� DE ALMA

Anibal Be�a



Ando � toa na vida
catando cacos
do que sobrou da caminhada.
Peda�os que ficaram
por a� evanescentes
na solid�o das brumas.

H� um deserto de coisas & palavras
albergado
no bazar de uma casb�
em que me d�o pre�o
num leil�o de partes
que restaram deste corpo.

Me anunciam ao pre�o m�nimo,
e nem assim
consigo que me comprem.

As asas perdi-as no Alabama
numa sess�o de blues & ragtime,
o outro tinha um royal streat flush;
dos p�s s� me ficaram as unhas
estas que tu v�s como colar
lanhando meu pesco�o;

das m�os eis os cotos
que no barro escalavro
a minha escrita;

os olhos joguei-os aos peixes
para aumentar a carga de fosfato.

Apenas a fala que te falo agora
me foi concedida em fogo de santelmo.

- E a tabuleta � testa?
- Escrita em s�nscrito,
mas traduzo:

- Vende-se o corpo, e a alma vai de quebra!



DO CINEM�TOGRAFO
AO BUG DO ANO 2000


Para Marcio Souza e Djalma Limongi Batista
irm�os de gera��o e da arte do Cinema e do Teatro


Anibal Be�a


Hoje me sinto repleto
ancho de alegria:
C�nico
de um cinismo inc�modo.

Cinematogr�fico & glauber�stico.

Ao contr�rio do amante aprendiz,
que vez ou outra sentia-se inabitado
vazio
um sem-teto pueril
habitado de irremedi�vel tristeza
presa de passion�rias silhuetas
refletindo nas paredes
o recorte de m�os apaixonadas:
um ator de teatro de sombras
subindo e descendo palcos
num folhetim de gestos bruscos
sonhando divas dadivosas
refesteladas em sof�s Pel-Mex
sob a luz lil�s de um obsceno abajur.

Para este distante inabitado amante
paix�o!
S� com guilhotina de l�grimas
(olhos decapitando m�goas)
e um acento castelhano
en la palmita de la mano.

Tudo era de uma sinceridade juvenil
(com toda carga de trag�dia e muito sangue)
Ah, pel�culas complacentes do Cine Guarany !
(j� n�o se fazem caba�os como antigamente)
Hoje, n�o.

Sou um amante da globalidade
filho de Becket e disc�pulo de Artaud
saco meu sexo como a navalha de Un chien andalous
(em takes de 3D by Spielberg)
cortando o olho da vol�pia,
(ao som da clarineta de Woody Allen),
e todas as mulheres do mundo est�o a meus p�s,
e se arrastam implorando,
(madonas fogosas),
e me chamam atrav�s de n�meros estampados na TV,
e meu teatro vem das velas de Z� Celso:
sou um ator assumidamente brega
o doce c�nico de um medicine show
o canastr�o das putanas de Copacabana.

Boto banca
escolho quem eu quero
sou o dono da transa
o amante experiente
o ator desenvolto
o protagonista do filme
o gal�
o chibata
o cara
desempenhando o c�nico papel da fita:

"As virgens do Onan virtual".


    
CASA                                                   VOLTAR                                         MAIS POEMAS
Hosted by www.Geocities.ws

1