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Ydishe
Tam
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Estadual : 71.269.256 |
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“A
forma pela qual os povos preparam os alimentos
contam um pouco da sua história. A maneira
de cozinhar dos judeus narra a trajetória
de um povo que mantém-se unido pelas suas
tradições”.
O
povo judeu ao longo dos anos, forçado a
mudar constantemente de país, acabou criando
e fortalecendo as suas raízes também
através da sua culinária. A comida
acabou sendo o símbolo da continuidade,
o laço com o passado influenciado também
pela cultura nos quais as comunidades judaicas
se estabeleceram ao longo dos séculos. |
De
acordo com a tradição judaica, a
comida ocupa lugar de destaque nas festividades
e comemorações religiosas. Cada
festividade tem pratos típicos correspondentes,
com papel definido no ritual. Como a Matzá
em Pessach, a Chalá no
Shabat.
A refeição que é associada
a um ato religioso se reveste de espiritualidade
e é conhecida como seudat mitzvá.
Entre os atos de seudat mitzvá estão
a refeição servida após a
cerimônia de casamento, de brith milá
e do pidion haben. Quando o estudo de um grande
trecho do Talmud é concluído, realiza-se
uma celebração e uma refeição
festiva para os alunos. |
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NASCIMENTO |
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O nascimento de
uma criança é um dos acontecimentos
mais importantes, principalmente se for menino.
Nessa ocasião prepara-se pratos especiais,
que variam de acordo com a região. Na Catalunha
(Espanha), a refeição antes da apresentação
do recém nascido era composta por galinha,
arroz e mel. Em bairros judaicos do Oriente
Médio, comiam-se as chamadas “fatias
de nascimento” , ou Torrijas,
com as quais se presenteavam as mães que
acabavam de dar a luz. Esse costume prevalecia
em Toledo, na Espanha até há pouco
tempo.
Ao
entardecer do sétimo dia após o
nascimento era realizada uma cerimônia chamada
“Hadas” ou fadas, no sentido de “destino”
- em honra e homenagem dos recém-nascidos.
Se fosse um menino esse seria o primeiro passo
para a circuncisão. Para as meninas, consistia
no “Simchat Bat” de Israel
atual, em que a menina recebe seu nome hebraico
e as “fadas”, isto é, os bons
votos de sua comunidade para que tenha um destino
feliz. Além de bolos,
também eram servidos vários tipos
de doces
e confeitos de amêndoas.
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CASAMENTO |
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A
Almosana, costume comum entre os judeus de Salonica,
começava no Sábado anterior à
semana das núpcias e contava basicamente
com a presença de mulheres. Na ocasião
eram servidos doces e bebidas. O banquete nupcial
se realizava depois do anoitecer, em companhia
dos familiares e amigos mais próximos.
As vezes, era oferecida uma pequena recepção
em que eram servidas guloseimas bem açucaradas
e tarales (roscas grandes feitas a base de farinha,
óleo e açúcar). Depois de
terem aberto a recepção e recebido
a bênção do pai, os recém-casados
se retiravam. Atualmente ainda é costume
a mãe da noiva colocar pequenos doces
e bombons sob os travesseiros do casal,
para que os noivos adocem a boca da vida que iniciam.
Depois da cerimônia do casamento, começava
a semana das festas nupciais. O marido agradecia
os convidados, oferecendo roscas e tarales preparados
por sua mãe. Em algumas comunidades, encerrava-se
a semana de comemorações com o Dia
do Peixe. Começava com a ida do recém-casado,
bem cedo, comprar os peixes. Estes eram colocados
em uma bandeja no chão e a noiva deveria
passar três vezes sobre a bandeja, enquanto
os presentes faziam votos para ela ser tão
fértil quanto os peixes.
A esposa tinha o dever de não romper os
laços afetivos com a sua própria
família. Por isso, seguindo um ritual antigo,
sua mãe lhe colocava bombom ou um torrão
de açúcar na boca antes de atravessar
o umbral da casa paterna, em direção
à nova vida.
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O
luto rigoroso, pela perda de entes queridos, se
estende também à comida. A primeira
refeição depois do enterro é
composta por ovo cozido e pão.
Durante a Shivah - semana de luto, as refeições
são feitas no chão ou sobre banquinhos,
pois a mesa da casa tem o caráter de alegria
e abundância.
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As
leis da Kashrut determinam o que é permitido
e o que é proibido comer (taref). A preparação
dos alimentos também seguem leis rígidas,
especialmente quanto à proibição
de se misturar leite e produtos derivados com
carne, ressaltando que não se consome o
sangue dos animais.
Dentre os legumes, as lentilhas tiveram um papel
decisivo na história do povo judeu, pois
Esaú vendeu seu direito de primogênito
para Jacob, seu irmão, por um prato de
lentilhas. O óleo também sempre
esteve presente na história do povo judeu.
O rei Salomão enviava óleo a Hirão
I, rei de Tiro, em troca de materiais e de artesãos
para a construção do Templo. O óleo
de oliva também é mencionado em
vários trechos da Tanach.
As frutas sempre tiveram destaque nas comemorações.
Na mesa de Rosh Hashaná a maçã,
a romã e tâmaras são importantes.
A romã é o símbolo da fertilidade
e da abundância devido a suas inúmeras
sementes. A uva merece menção especial,
pois dela se extrai o vinho, presente em todas
as rezas. Consumiam-se uvas frescas, secas ou
em forma de bebida. As uvas passas servem como
ingrediente para bolos e doces.
A tradição judaica atribui a Noé
a primeira experiência com os efeitos do
vinho.
Canaã é chamada, em diversas passagens
da Torá, de terra “onde corre o leite
e o mel” o que indica o quanto o leite era
apreciado na região. Quanto ao mel, fazia
parte dos produtos que a região de Tiro
importava de Judá e Israel.
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CULINÁRIA
DAS FESTAS JUDAICAS
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Nas
festas religiosas a mesa tem um lugar fundamental.
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Os preparativos
para o Shabat são basicamente referentes
à comida. Entre os judeus marroquinos,
o prato principal do Shabat é o hamin,
também conhecido com o nome de adafina
ou “coisa quente”. Este prato tem
como ingredientes básicos ovos cozidos,
grão de bico e carne, exala um aroma
especial desde a véspera, quando é
lentamente preparado, já que no Shabat
não se cozinha. Os judeus ashkenazim
tem um prato semelhante para o Shabat, o Tchulent,
que é um cozido de feijão branco,
galinha, carne de peito e outros ingredientes.
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O
Yom Kipur , dia do Jejum, determina a proibição
de ingerir qualquer alimento ou bebida. Mas a
comemoração começa e termina
com uma refeição festiva. A que
precede o jejum é uma refeição
leve, geralmente a base de frango, sem temperos
fortes como pimenta e canela e sem bebida alcóolica,
que provocam sede. O jantar que o quebra é
geralmente suculento. Come-se de tudo, salgados
e doces. Antigamente a refeição
era à base de carne, sopas e aves. Hoje
a tendência entre algumas comunidades é
preparar uma refeição predominantemente
à base de leite, mais leve.
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Sucot
– a Festa das Cabanas – começa
cinco dias depois de Yom Kipur. Durante uma semana
as refeições devem ser feitas dentro
da cabana ou sucá. Servem-se pratos de
salgados e doces durante sete dias seguidos.
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Purim
é uma das expressões mais autênticas
do povo judeu. Aq leitura da Meguilá (o
Pergaminho de Esther) é feita na véspera,
após o término do jejum –
chamado o Jejum de Esther – e também
no dia seguinte, pela manhã. É costume
beber muito vinho. Em Purim é costume dar
e receber misloach manot – doces e outras
guloseimas.
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A
comemoração de Pessach dura oito
dias e o preparo dos alimentos requer cuidados
especiais, pois deve-se fazer abstenção
de alimentos fermentados durante toda a festividade.
A matzá, ou pão não fermentado
é o alimento característico.
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CULINÁRIA
SEFARADITA |
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Ao contrário
dos pratos ashkenazitas, relativamente semelhantes
entre várias comunidades, a cozinha sefaradita
é extremamente variada e regional. Os
judeus adotaram o tipo de comida dos países
nos quais viviam, mantendo sempre um toque pessoal
e um sabor singular que os diferenciava dos
demais. A cozinha sefaradita difere de um país
para outro e, às vezes, até de
uma cidade para outra. Há, no entanto,
uma certa unidade na preparação
dos pratos encontrados em várias regiões
do mundo sefaradita.
A comida é sempre aromática e
colorida. Usa-se todo o tipo de condimentos
e produtos que dão um gosto muito especial,
como a famosa água de rosas. A boa mesa
sempre fez parte da tradição dos
judeus desta origem. Grande parte dos pratos
provêm de Bagdá, entre os quais
as carnes cozidas com frutas, o xarope de romã
e tamarindo, as misturas agridoces. Os outros
pratos, provêm da Espanha e alguns originaram-se
em Portugal, núcleos marranos.
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Bibliografia:
História da alimentação - Flandrin,
J.L. e Montani, M.
The book of Jewish Food – Roden, C. |
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