From the Portuguese newspaper P�blico. P�blico keeps stories on its web site for one week only. I "lost" many fascinating stories in the past. Now I hope to preserve at least a few on my site.

Primeiro contingente senegal�s abandonou a Guin�
Jambaar Sem Vontade de Voltar
Por PEDRO ROSA MENDES, em Bissau
Sexta feira, 19 de Fevereiro de 1999

Os primeiros Jambaar, "os que n�o t�m medo", sa�ram de Bissau. "Foi duro. N�o espero voltar em miss�o". Uma senhora sentou-se no cais e saboreou a partida dos sobrinhos. Tem uma pulseira de sorte. "A no��o de vit�ria e de derrota n�o � pertinente aqui".

FotoMaria do Carmo, residente em Bissau, foi ontem ao porto e escolheu o melhor lugar para ver partir o primeiro contingente senegal�s da Guin�. Estava feliz: dois dos 400 soldados alinhados no cais s�o seus sobrinhos e sobreviveram � guerra. Maria do Carmo tem uma pulseira de prata que, entre os Manjacos e Banhunes, protege de maus-olhados. "Eles vieram cumprir uma miss�o. Mas est�o contentes porque o seu lugar � no Senegal. S�o aqueles dois mais altos".

A partida do contingente senegal�s, sucessivamente adiada e aguardada nos �ltimos dias em Bissau, aconteceu finalmente ao fim da tarde de ontem. As tropas aguardaram, em ordem, pela revista do comandante das for�as estrangeiras que apoiam o Presidente "Nino", o coronel Yoro Kon�, esguio como um junco de dois metros. A festa rebentou logo depois, com os soldados que iam embarcar dan�ando no cais e entoando o grito de guerra: "Jambaar!".

Maria do Carmo, que tem a irm� casada no Senegal, explicou o significado da palavra wolof. "Jambaar significa aquele que tem coragem, aquele que n�o tem medo de nada e vai em frente". "� normal os soldados estarem contentes por voltar", afirmou o coronel Kon� antes de se despedir dos Jambaar. "N�o estamos aqui pela guerra total, estamos aqui pela paz, mesmo que n�o houvesse acordos de paz".

O comandante senegal�s - uma voz nervosa num rosto impass�vel - explicou mais: "O Senegal interveio por dignidade porque n�s n�o podemos ver um povo irm�o na carnificina � nossa porta. � preciso compreender isso".

"Foi muito duro", confessou, entre dois sil�ncios de alegria, o sobrinho mais novo de Maria do Carmo, Kalisse, abra�ada � baixa estatura da senhora. O seu irm�o, o p�raquedista Louis, esteve, como Kalisse, na Guin� desde o in�cio da interven��o senegalesa. "Espero n�o voltar aqui em miss�o. Foi dif�cil".

"Precisamos de paz para construir �frica e � isso que quero dizer aos guineenses", continuou o p�raquedista euf�rico. "Se encontrasse um rebelde, diria que deve discutir as suas diferen�as politicamente. Na tribuna. Nunca encontrei nenhum". Mas sabe que pode ter disparado contra um primo guineense que � soldado da Junta . Louis tem 43 anos e cinco filhos. "N�o � a primeira vez que estou fora em combate. J� estive no L�bano em 1981 e na Ar�bia Saudita durante a Guerra do Golfo".

No cais, n�o havia apenas soldados. Um friso dos melhores vestidos de Bissau desceu ao porto para se despedir do contingente - senhoras com panos garridos e porte nobre. Partilharam o momento com as namoradas dos soldados, que vieram beij�-los uma �ltima vez com os l�bios excessivamente pintados e as roupas excessivamente apertadas. No meio do povo, um enxame de agentes da Seguran�a de Estado guineense vigiavam os jornalistas e escutavam todas as conversas, controlavam todas as declara��es. E o povo repetiu o que era suposto eles ouvirem: "A guerra acabou. Todos somos irm�os porque todos somos africanos. Isto aconteceu, infelizmente, mas todos somos irm�os". Anteontem � noite, no seu programa da R�dio Nacional, o director da Seguran�a, Baciro Dab�, instruiu os habitantes de Bissau para se despedirem dos her�is.

Depois da festa, os Jambaar entraram no navio de guerra senegal�s, as delega��es abandonaram o porto e a noite caiu sobre Bissau. O navio continuou atracado, com alguns soldados rezando no ch�o, virados para Meca, de ter�o na m�o, enquanto outros carregavam o �ltimo esp�lio: bicicletas, caixas de tabaco, lou�a sanit�ria, sacos de arroz vietnamita.

Ao fundo do cais, nessa espera, um soldado muito jovem repetia, como uma reza, "Jambaar, Jambaar, Jambaar". "Repito isto como se fosse um al�vio". No escuro, um grande cami�o arrancou do porto com uma estranha carga: soldados, cerca de meia centena, com armas iguais aos que deviam embarcar. Quase todos os embarcados levaram na m�o um cacete que uma mulher vendia no cais. O p�o da Guin� saber� a qu�? "A no��o de vit�ria e de derrota n�o � pertinente aqui", explicou o coronel Kon�. "A vit�ria � a paz".

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