
The Doors – História
Os Doors foram a outra cara da geração Sgt Pepper's. Enquanto grupos como Beatles e a turma de São Francisco buscavam paz, amor e uma vida alternativa, os Doors apontavam para o lado do caos, da revolta. À frente de tudo estava Jim Morrison, o novo apóstolo do rock, que entendia que os tempos eram perigosos e assassinos. Curiosamente, Morrison não tinha a pretensão de ser cantor. Não se interessava tanto por rock e via na música apenas um meio para canalizar suas aspirações poéticas e artísticas.
O núcleo dos Doors foi gerado em 1965, quando Morrison conheceu o tecladista Ray Manzareck, colega no curso de cinema da UCLA (um dos companheiros de classe da dupla era o futuro diretor de cinema Francis Ford Coppola). Reza a lenda que a banda surgiu depois de Morrison recitar um trecho do poema Moonlight Drive para Manzarek.
Em seguida vieram Robby Krieger, guitarrista com influências de música flamenca, e John Densmore, baterista de técnica jazzística. Gravaram um demo, foram rejeitados por algumas gravadoras e pararam na Elektra, indicados por Arthur Lee, do Love.
O primeiro álbum saiu em janeiro de 1967 e se chamava apenas The Doors. Misturando doses de hedonismo, sexo e violência psicológica, o disco só emplacou meses depois, quando a música "Light my Fire" foi lançada em uma versão editada em compacto. Mas a faixa de maior impacto foi "The End", uma verdadeira viagem de 11 minutos que tinha a imortal frase: "Pai, quero te matar / Mãe quero te foder". A música se tornou uma das favoritas dos soldados no Vietnã – mais tarde "The End" foi aproveitada pelo diretor Francis Ford Coppola, em seu épico sobre o Vietnã, Apocalipse Now.
Os Doors eram a banda número 1 da América e Jim Morrison, o maior símbolo sexual do rock desde Elvis Presley. Os shows eram caóticos, com Morrison provocando o público e as autoridades. Em dezembro de 1967, ele foi preso em pleno palco depois de ridicularizar um policial num show em Nem Haven. Criava casos em programas de TV e abusava da bebida e das drogas psicodélicas.
Apesar de alguns críticos acharem que o melhor momento do grupo foi o primeiro disco, os álbuns Strange Days e Waiting for The Sun venderam bem e trouxeram vários clássicos: "People Are Strange", "When The Music Is Over", "Hello I Love You", "The Unknown Soldier" ... Esta último, uma firme condenação à guerra, foi banida das rádios.
Morrison começou a ficar de saco cheio da vida de astro do rock e reclamava que as pessoas não ouviam o que ele tinha a dizer. Soltava suas frustrações no palco, onde aprontava loucuras. Era um poeta perdido no mundo do rock. Cada vez mais queria deixar de lado as calças de couro e ser reconhecido como um artista – não como um ídolo adolescente. Começou a descuidar da aparência. Deixou crescer a barba e começou a ostentar um barrigão. O disco seguinte, The Soft Parade (1969), foi muito criticado por sua produção exagerada.
Apesar das sabotagens de Morrison, o grupo continuava indo bem. Em 1969, foram vendidos antecipadamente todos os ingressos para um show no Madison Square Garden. Nesse período, Morrison começou a freqüentar os shows dos Living Theatre, uma trupe que permitia que as coisas mais escabrosas acontecessem no palco. O vocalista ficou tão impressionado que resolveu usar algumas técnicas chocantes do Theatre no próximo show dos Doors, que aconteceria em Miami.
O dia primeiro de março de 1969 nunca será esquecido pelos fãs dos Doors. Morrison iria cantar em Miami, um lugar que trazia para ele péssimas recordações e traumas. O local do show, chamado Dinner Key, acomodava no máximo 7 mil pessoas – e cerca de 13 mil se acotovelavam para ver o palco. O calor era insuportável e a banda demorou para entrar em cena por causa de problemas com a organização.
Finalmente, quando o show começou, Morrison estava mais bêbado do que nunca. E ele não tinha nenhuma intenção de cantar naquela noite. A cada tentativa da banda de tocar alguma música, Morrison atacava a platéia, chamando-a de idiotas e escravos.
Quando o grupo atacou "Touch Me", Morrison ordenou que a platéia tirasse a roupa. Depois, berrou "Vocês são um bando de idiotas, suas faces estão enfiadas na merda do mundo... querem ver meu pau?" O público subiu no palco e destruiu tudo. Até hoje ninguém sabe se realmente Morrison colocou seu membro para fora. O escândalo foi tão grande que os Doors foram banidos praticamente de todos os palcos dos EUA.
Jim Morrison foi acusado de bebedeira, desordem e comportamento indecente. A tensão da espera do julgamento fez com que ele se afundasse cada vez mais. No final, acabou sendo condenado a sete meses de prisão e pagou uma multa de 500 dólares. Os advogados do cantor apelaram da sentença.
Logo depois da confusão, os Doors lançaram Morrison Hotel, uma volta ao blues. O disco foi sucesso, mas os Doors viviam sob constante tensão. Morrison passou a dedicar-se à sua amada poesia. Lançou alguns trabalhos que foram ignorados pelo público e pela crítica. A banda gravou um último disco chamado LA Woman, com a voz de Morrison cada vez mais baleada. O cantor vivia em depressão. Depois da morte de Jimi Hendrix e de Janis Joplin, ele comentou com alguns amigos: "Vocês estão bebendo com o número três".
Morrison chegou à conclusão de que em Los Angeles sempre seria visto como um astro do rock. Em março de 1971, ele e sua esposa, Pamela Courson, rumaram para Paris, onde buscava reencontrar inspiração. Mas não fez nada além de escrever notas de suicídio e encher a cara. No dia 4 de julho, Pamela Courson achou Morrison morto na banheira do apartamento. Somente um médico viu o corpo e sua morte só foi tornada pública depois que foi enterrado em Paris. A causa oficial fo ataque cardíaco, embora o comentário tenha sido de que ele morreu de overdose de heroína – que vitimou Pamela, três anos depois.
Os outros Doors tentaram prosseguir sem Morrison, mas depois de dois discos a banda encerrou atividades. Nos anos 80 começou o culto com o lançamento de vídeos, discos e até um filme sobre a banda, dirigido por Oliver Stone. Recentemente os fãs se deliciaram com The Doors Box Set, uma caixa de quatro CDs com muito material inédito. O que prova que o mito de Jim Morrison vai estar ainda por aí por muito tempo.
Jim Morrison
Ele é quente, ele é sexy, ele está morto. Assim Morrison foi descrito pela revista Rolling Stone em sua matéria de capa em 1981, por ocasião dos dez anos da morte do cantor. A publicação estava certa. Assim como Elvis, Morrison vende mais discos morto do que quando vivo e sua popularidade só vem aumentando com o passar do tempo.
Jim chegou ao mundo com o nome James Douglas Morrison no dia 8 de dezembro de 1943, em Melbourne, Flórida. George Sthepen, pai de Jim, era almirante da Marinha. Apesar de ser um garoto sensível, logo ele começou a mostrar suas inseguranças e fraquezas. A família de Morrison se mudou para o deserto da Califórnia, onde, na infância, Jim presenciou algo que mudaria sua vida. Um caminhão cheio de índios tinha capotado e um monte deles estava esparramado pela estrada. "Foi quando eu descobri a morte", disse Morrison. A partir daí, o cantor ficou fixado no assunto e se dizia possuído pela espírito de um velho pajé.
Morrison também era aficionado por répteis. Quando criança, a sua leitura favorita era sobre esses animais. Ele percorria o deserto atrás dos bichinhos. Tempos mais tarde, adotou o apelido Lizard King (Rei Lagarto). Morrison achava que as roupas de couro o deixavam com aparência de lagarto.
Jim Morrison abandonou de vez a casa dos pais em 1964 e nunca mais os viu. Quando ficou famoso, dizia com a maior cara-de-pau que eles tinham morrido. Clara Morrison conseguiu contatar o filho e conversou brevemente com ele por telefone. Jim virou para um roadie e falou: "Nunca mais quero falar com ele novamente". Tanto que uma vez ela tentou vê-lo em um show em Washington e foi barrada nos bastidores.
Pouca gente sabe, mas Jim Morrison nunca teve uma casa própria enquanto vivo. Dormia em apartamentos de amigos, hotéis ou então passava a maior parte do tempo na residência de Pamela Courson. Gostava de freqüentar bilhares, e os hotéis em que dormia eram os mais vagabundos possíveis. Fazia isso porque acreditava que era o último lugar onde poderiam achá-lo.
Apesar dos excessos, Morrison nunca foi um junkie. Não gostava de pílulas nem de cocaína. Tinha medo de agulhas. Por isso muita gente contesta que ele tenha morrido de overdose de heroína. De 1965 a 1967, Jim usou várias drogas psicodélicas e LSD até achar que tinha esgotado as possibilidades. Daí em diante, caiu de boca na manguaça. Ele dizia que a droga do irlandês era o álcool. A bebida favorita de Morrison era o uísque Bushmills.
Foi o próprio Jim Morrison que planejou seu visual. Um de seus modelos era Alexandre O Grande, chefe militar da Antiguidade que conquistou metade da humanidade e que ele admirava. A famosa foto de Jim sem camisa usando um colar foi tirada em 1967 por Joel Brodsky para a revista Voice. Apelidada o Jovem Leão, a foto tornou-se marca registrada de Jim Morrison e é uma das mais famosas em toda a história do rock.
Poesiais de Jim Morrison