Coréia

Tailândia

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U M   P A S S E I O    P E L A   T A I L Â N D I A

( extraído do site da "The Humane Society of the United States": http://www.hsus.org )

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Foi impossível para os investigadoresa da HSI salvarem os animais do massacre, mas eles conseguiram salvar um, que simbolizou pra eles, a brutalidade abominável de que foram testemunhas. Era um cão preto, ainda novinho, que usava uma coleira com uma medalha em formato de coração coma a palavra "LOVE". Por que esse nome? Seria um animal querido de alguma criança? Os investigadores compraram o cão, levaram-no ao hotel onde estavam hospedados, deram-lhe comida, água, levaram-no a um Veterinário e encontraram um lar seguro pra ele. Longe, muito longe de todo o massacre.

(TAKE SPECIAL NOTE OF WHAT DOG/CAT SKIN CAN BE DECLARED AS!)

É noite alta numa cidade situada no noroeste da Tailândia e um caminhão, transportando setenta e cinco cães chega ao abatedouro local. Os cães são de diversas raças: mestiços, pastores alemães e outras e estão destinados à indústria do couro. Alguns animais parecem bem cuidados e amistosos, outros são tímidos e assustados. Dois homens, empunhando bastões pesados, se encontram de pé no telhado de uma estrutura baixa na qual os cachorros são desembarcados. Um a um, e uivando de dor, os cães são puxados de dentro do caminhão através de um laço de arame preso a uma vara de madeira. Um cãozinho preto mestiço assiste aterrorizado seus companheiros serem brutalmente abatidos. Ele leva ao pescoço um pendente em forma de coração com a inscrição "Amor". Numa fria manhã de janeiro de 1998, um trem parte de Beijing, China, para Datong, cidade que fica algumas centenas de milhas ao sudoeste da capital chinesa.  A bordo do trem, acomodados num compartimento privado, representantes de uma grande empresa de confecção de artigos de pele tomam chá e discutem a indústria de peles de cães e gatos com um homem de negócios americano. Eles desconhecem que seu visitante estrangeiro é, na verdade, Richard W Swain Jr, Vice-Presidente de Serviços de
Investigação da "Humane Society of the United States", e que as duas pessoas  que o acompanham são investigadores disfarçados.

HSUS

Nosso destino é Yang Yuan, uma curta parada no trajeto para Datong e pequena demais para figurar em nossos mapas. Quanto mais o trem se distância da moderna e vibrante Beijing, mais a paisagem se torna desolada e nos damos conta do quão distantes estamos do nosso lar. Procuramos não pensar no que pode nos acontecer caso nossas verdadeiras identidades sejam reveladas: nos infiltramos numa empresa controlada pelo governo chinês e a China é bem conhecida por sua intolerância para com aqueles que discordam de sua política. Após 5 horas de viagem, chegamos a Yan Yuan e somos transportados de táxi por ruas repletas de bicicletas e burros puxando carroças. Paramos no único hotel da cidade, um dos poucos prédios que não aparentam estar prestes a desmoronar. Naquela mesma tarde somos escoltados, através de vielas cheias de escombros e lixo, para o armazém da empresa de peles. Pilhas de peles de todo o tipo de animal revestem as paredes do armazém. Casacos de pele de gatos malhados cor caramelo, prontos para comercialização, encontram-se pendurados ao lado de casacos de minks e de raposas. O Sr Swain inspeciona o que parece ser uma pele de um "golden retriever" (Labrador com pelo comprido, pouco comum no Brasil), vendida a U$14.00. Um pacote com peças de pele, confeccionada com a pele da cabeça de 36 gatos malhados de cor cinza sai por U$15.00.

Várias semanas e centenas de milhas depois, nos encontramos em Harbin, uma cidade de uma  província situada no noroeste da China. Antes do amanhecer, numa outra manhã gelada, tem início mais uma dia de trabalho no açougue local. Mantidos numa pequena estrutura de cimento, localizada ao lado do açougue, meia duzia de cães de várias raças, amordaçados com fios de arame,  tremem na escuridão. Pendurados sobre eles, encontram-se corpos de cães já sem a pele.

O silêncio é mórbido, não há um som sequer, com exceção do gemido de um cãozinho deitado no chão gelado, fraco demais para se mover e que mal consegue abrir seus olhos.  O prédio não possui calefação e os cães não recebem água nem comida. Muitos chegaram na noite anterior, provenientes de fazendas de criação, e enfrentaram horas de viagem enfiados dentro de sacos de lona.

Os cães se encolhem quando a porta se abre e dois homens entram no prédio. Um pastor alemão e um chow mix são arrastados para fora e enfiados em sacos para serem transportados para outro abatedouro.

Em outubro, fazemos nossa viagem final à China. Chegando à cidade de Zhengzhou, somos recepcionados por representantes de uma outra companhia que confecciona artigos com peles de cães e gatos. Viajamos de carro por várias horas, em direçao à fábrica da empresa. Passamos pelo interior, durante a maior parte do trajeto, atravessando ruas estreitas e na sua maioria não pavimentadas, pequenas vilas e campos. Paramos numa vila na qual há uma feira livre.

Somos informados por nossos anfitriões que seus residentes jamais haviam visto um americano. Estes nos cercam enquanto caminhamos pela vila, em direção ao açougue local, que vem a ser um pequeno pátio cercado por muros de tijolos caindo aos pedaços. O açougueiro exibe, orgulhosamente, pilhas de peles de carneiro e de vaca, que estão sendo curadas com sal, bem como peles frescas, ainda ensanguentadas, de vacas abatidas naquela manhã. Dentro de alguns meses este local será um ponto de coleta de peles de cães e gatos. O mau cheiro é insuportável. Não permancecemos lá por muito tempo.

Como em nossas viagens anteriores à China, visitamos imensos armazéns, repletos de peles de cães e gatos. Rodeados por pilhas de peles de gatos malhados e de pastores alemães, somos sufocados pela grandeza do sofrimento aqui representado; sabemos que todos estes animais tiveram uma morte agonizante, estrangulados, afogados ou sangrando até a morte. Muitos tiveram sua pele retirada enquanto ainda vivos. Nesta viagem fazemos outra descoberta estarrecedora: enormes quantidades de pele de cachorro sendo tingidas de preto ou marrom, tornando-as virtualmente indistinguíveis de outros tipos de peles, como a de raposa. Durante nossa visita, funcionários embalam centenas de peles tingidas e prontas para comercializaçao em caixas destinadas à exportação.

De volta à Tailândia, o cãozinho preto, cujo pendente no seu pescoço traz a inscrição "Amor", treme de medo quando um homem se aproxima e o agarra pela coleira porém, ao invés de ser levado para os homens que empunham os bastões pesados, ele é colocado nos braços de um investigador. Salvo momentos antes de sofrer uma morte cruel, ele encontrará um novo lar onde terá segurança e carinho, distante deste lugar repleto de terror e dor.

Virginia L. Bollinge
( Tradução   feita por Lina Barbieri )

( Pesquisa feita por Noeli Santisteban )
 

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29 JANEIRO 2000
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