Autor de Odes evidencia um esp�rito grave, medido, ansioso de perfei��o. Caeiro � homem ing�nuo, aberto, expansivo, contente por natureza; o prazer vem ao seu encontro, prazer de ver e sentir-se existir; deixa-se com alegria vogar no rio das coisas; o pr�prio estilo dos seus versos, descritivo ou discursivo, � quase prosa, caminha direito e desenvolto, sem custo, sem nada que embarace a sua naturalidade. Reis n�o � um homem de ressentimento e c�lculo, um homem que se faz como faz laboriosamente o estilo. Experimenta a dor da nossa mis�ria estrutural, sofre amea�as da velhice e da morte. Vai � conquista do prazer relativo, sempre moldado pela tristeza de saber o que �. Sente-se estrangeiro no mundo, incomunic�vel, recolhe-se com orgulho ao castelo interior. Assim, angustiado perante um Destino mudo que o arrasta na voragem, Reis procura na sabedoria dos antigos (gregos, romanos, etc.) um rem�dio para seus males. Confessa em suas poesias que prefere o presente prec�rio a um futuro que teme porque desconhece. Na poesia de Reis � constante a desconfian�a perante a Fortuna, os sentimentos fortes, o prazer. Diz a sabedoria antiga que a Fortuna � trai�oeira e nada devemos esperar que n�o provenha de n�s pr�prios. Assim a felicidade consiste em gozar ao de leve os instantes vol�veis, buscando o m�nimo de dor ou gozo. Reis, como Caeiro, � express�o abstrata de um modo de conceber e sentir a vida. � contemplativo extremamente pobre de calor afetivo, sem amizades que transpare�am na poesia, sem capacidade para o amor aut�ntico. Reis parece existir apenas em fun��o de um problema, o problema crucial de remediar o sentimento da fraqueza humana e da inutilidade de agir por meio de uma arte de viver que permita chegar � morte de m�os vazias e com um m�nimo de sofrimento.
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