A geração de Fernando Pessoa

Dentro de um clima político e social agitado por golpes e contragolpes que Fernando Pessoa se forma intelectualmente, circundando por uma das mais brilhantes gerações de Portugal. Entre seus companheiros de espírito salientam-se Mário de Sá-Carneiro e José Almada Negreiros.

Sá-Carneiro (1890-1916) era prosador e poeta. Deixou, entre outras, as seguintes obras: Céu em fogo (1915), contos; Dispersão (1914), poesia. Poeta egocêntrico e alucinado, Sá-Carneiro talvez reflita em sua obra a inquietação do homem moderno, dividido entre os grandes sonhos com o Absoluto e a realidade estúpida que o esmaga. Sua poesia alucinada, cheia de imagens estranhas, parece uma eterna busca de uma totalidade impossível: “Um pouco mais de sol - eu era brasa, / Um pouco mais de azul - eu era além./ Para atingir, faltou-me um golpe de asa.../ Se ao menos eu permanecesse aquém...”.

Almada-Negreiros (1893-1970), dono de um talento múltiplo, dividiu-se entre a poesia, a pintura, o desenho, o romance, o teatro. Rebelde, impulsivo, notabilizou-se pelos manifestos, através dos quais se insurgiu contra o academicismo, contra o passadismo. Em literatura, escreveu uma poesia com evidentes toques surrealistas. Valorizando o caráter primitivo do homem, o irracionalismo, acabou por produzir uma obra desigual, mas que marcou profundamente sua geração.

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