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| LEI 7.853 | DECRETO 914 |

Dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência, sua integração
social, sobre a Coordenadoria Nacional para integração da Pessoa Portadora
de Deficiência (CORDE), institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos
ou difusos dessas pessoas, disciplina a atuação do Ministério Público,
define crimes, e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte
Lei:
NORMAS GERAIS
Artigo 1. - Ficam estabelecidas normas gerais que asseguram o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiência, e sua efetiva integração social, nos termos desta Lei.
Parágrafo l. - Na aplicação e interpretação desta Lei, serão considerados os valores básicos da igualdade de tratamento e oportunidade, da justiça social, do respeito à dignidade da pessoa humana, do bem-estar, e outros, indicados na Constituição ou justificados pelos princípios gerais de direito.
Parágrafo 2. - As normas desta Lei visam garantir às pessoas portadoras
de deficiência as ações governamentais necessárias ao seu cumprimento e
das demais disposições constitucionais e legais que lhes concernem, afastadas
as discriminações e os preconceitos de qualquer espécie, e entendida a
matéria como obrigação nacional a cargo do Poder Público e da sociedade.
RESPONSABILIDADES DO PODER PÚBLICO
Artigo 2. - Ao Poder Público e seus órgãos cabe assegurar às pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à previdência social, ao amparo à infância e à maternidade, e de outros que, decorrentes da Constituição e das leis, propiciem seu bem-estar pessoal, social e econômico.
Parágrafo único - Para o fim estabelecido no caput deste artigo,
os órgãos e entidades da administração direta e indireta devem dispensar,
no âmbito de sua competência e finalidade, aos assuntos objeto desta Lei,
tratamento prioritário e adequado, tendente a viabilizar, sem prejuízo
de outras, as seguintes medidas:
Na área da educação
a) a inclusão, no sistema educacional, da Educação Especial como modalidade educativa que abranja a educação precoce, a pré-escolar, as de 1º e 2º graus, a supletiva, a habilitação e reabilitação profissionais, com currículos, etapas e exigências de diplomação próprios;
b) a inserção, no referido sistema educacional, das escolas especiais, privadas e públicas;
c) a oferta, obrigatória e gratuita, da Educação Especial em estabelecimentos públicos de ensino;
d) o oferecimento obrigatório de programas de educação Especial a nível pré-escolar e escolar, em unidades hospitalares e congêneres nas quais estejam internados, por prazo igual ou superior a 1 (um) ano, educandos portadores de deficiência;
e) o acesso de alunos portadores de deficiência aos benefícios conferidos aos demais educandos, inclusive material escolar, merenda escolar e bolsas de estudo;
f) a matrícula compulsória em cursos regulares de estabelecimentos
públicos e particulares de pessoas portadoras de deficiência capazes de
se integrarem no sistema regular de ensino.
Na área da saúde
a) a promoção de ações preventivas, como as referentes ao planejamento familiar, ao aconselhamento genético, ao acompanhamento da gravidez, do parto e do puerpério, à nutrição da mulher e da criança, à identificação e ao controle da gestante e do feto de alto risco, à imunização, às doenças do metabolismo e seu diagnóstico e ao encaminhamento precoce de outras doenças causadoras de deficiência;
b) o desenvolvimento de programas especiais de prevenção de acidentes do trabalho e de trânsito, e de tratamento adequado a suas vítimas;
c) a criação de uma rede de serviços especializados em reabilitação e habilitação;
d) a garantia de acesso das pessoas portadoras de deficiência aos estabelecimentos de saúde públicos e privados, e de seu adequado tratamento neles, sob normas técnicas e padrões de conduta apropriados;
e) a garantia de atendimento domiciliar de saúde ao deficiente grave não internado;
f) o desenvolvimento de programas de saúde voltados para as pessoas
portadoras de deficiência, desenvolvidos com a participação da sociedade
e que lhes ensejem a integração social.
Na área da formação profissional e do trabalho
a) o apoio governamental à formação profissional, à orientação profissional, e a garantia de acesso aos serviços concernentes, inclusive aos cursos regulares voltados à formação profissional.
b) o empenho do Poder Público quanto ao surgimento e à manutenção de empregos, inclusive de tempo parcial, destinados às pessoas portadoras de deficiência que não tenham acesso aos empregos comuns;
c) a promoção e ações eficazes que propiciem a inserção, nos setores público e privado, de pessoas portadoras de deficiência.
d) a adoção de legislação específica que discipline a reserva de
mercado de trabalho, em favor das pessoas portadoras de deficiência, nas
entidades da Administração Pública e do setor privado, e que regulamente
a organização de oficinas e congêneres integradas ao mercado de trabalho,
e a situação, nelas, das pessoas portadoras de deficiência.
Na área dos recursos humanos
a) a formação de professores de nível médio para a Educação Especial, de técnicos de nível médio especializados na habilitação e reabilitação, e de instrutores para formação profissional.
b) a formação e qualificação de recursos humanos que, nas diversas áreas de conhecimento, inclusive de nível superior, atendam à demanda e às necessidades reais das pessoas portadoras de deficiência;
c) o incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico em todas
as áreas do conhecimento relacionadas com a pessoa portadora de deficiência.
Na área das edificações
a) a adoção e a efetiva execução de normas que garantam a funcionalidade
das edificações e vias públicas, que evitem ou removam os óbices às pessoas
portadoras de deficiência, e permitam o acesso destas a edifícios, a logradouros
e a meios de transporte.
RESPONSABILIDADES DO MINISTÉRIO PÚBLICO - A DEFESA DOS
INTERESSES COLETIVOS E DIFUSOS
Artigo 3. - As ações civis públicas destinadas à proteção de interesses coletivos ou difusos das pessoas portadoras de deficiência poderão ser propostas pelo Ministério Público, pela União, Estados, Municípios e Distrito Federal; por associação constituída há mais 1 (um) ano, nos termos da lei civil, autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista que inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção das pessoas portadoras de deficiência.
Parágrafo. l. - Para instruir a inicial, o interessado poderá requerer às autoridades competentes as certidões e informações que julgar necessárias.
Parágrafo. 2. - As certidões e informações a que se refere o parágrafo anterior deverão ser fornecidas dentro de 15 (quinze) dias da entrega, sob recibo, dos respectivos requerimentos, e só poderão ser utilizadas para a instrução da ação civil.
Parágrafo. 3. - Somente nos casos em que o interesse público, devidamente justificado, impuser sigilo, poderá ser negada certidão ou informação.
Parágrafo. 4. - Ocorrendo a hipótese do parágrafo anterior, a ação poderá ser proposta desacompanhada das certidões ou informações negadas, cabendo ao juiz, após apreciar os motivos do indeferimento, e, salvo quando se tratar de razão de segurança nacional, requisitar umas e outras; feita a requisição, o processo correrá em segredo de justiça, que cessará com o trânsito em julgado da sentença.
Parágrafo. 5. - Fica facultado aos demais legitimados ativos habilitarem-se como litisconsortes nas ações propostas por qualquer deles.
Parágrafo. 6. - Em caso de desistência ou abandono da ação, qualquer dos co-legitimados podem assumir a titularidade ativa.
Artigo 4. - A sentença terá eficácia de coisa julgada oponível erga omnes, exceto no caso de haver sido a ação julgada improcedente por deficiência de prova, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova.
Parágrafo. 1. - A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência da ação fica sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal.
Parágrafo. 2. - Das sentenças e decisões proferidas contra o autor da ação e suscetíveis de recurso, poderá recorrer qualquer legitimado ativo, inclusive o Ministério Público.
Artigo 5. - O Ministério Público intervirá obrigatoriamente nas
ações públicas, coletivas ou individuais, em que se discutam interesses
relacionados à deficiência das pessoas.
Artigo 6. - O ministério Público poderá instaurar, sob sua presidência,
inquérito civil, ou requisitar, de qualquer pessoa física ou jurídica,
pública ou particular, certidões, informações, exames ou perícias, no prazo
que assinalar, não inferior a 10 (dez) dias úteis.
Parágrafo. 1. - Esgotadas as diligências, caso se convença o órgão do Ministério Público da inexistência de elementos para a propositura de ação civil, promoverá fundamentadamente o arquivamento do inquérito civil, ou das peças informativas. Neste caso, deverá remeter a reexame os autos ou as respectivas peças, em 3 (três) dias, ao Conselho Superior do Ministério Público, que os examinará, deliberando a respeito, conforme dispuser seu Regimento.
Parágrafo. 2. - Se a promoção do arquivamento for reformada, o Conselho Superior do Ministério Público designará desde logo outro órgão do Ministério Público para o ajuizamento da ação.
Artigo 7. - Aplicam-se à ação civil pública prevista nesta Lei,
no que couber, os dispositivos da Lei n. 7.347, de 24 de julho de 1985.
CRIMINALIZAÇÃO DO PRECONCEITO
Artigo 8. - Constitui crime punível com reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa:
I - recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, por motivos derivados da deficiência que porta;
II - obstar, sem justa causa, o acesso de alguém a qualquer cargo público, por motivos derivados de sua deficiência;
III - negar, sem justa causa, a alguém, por motivos derivados de sua deficiência, emprego ou trabalho;
IV - recusar, retardar ou dificultar internação ou deixar de prestar assistência médico-hospitalar e ambulatorial, quando possível, a pessoa portadora de deficiência;
V - deixar de cumprir, retardar ou frustrar, sem justo motivo, a execução de ordem judicial expedida na ação civil a que alude esta Lei;
VI - recusar, retardar ou omitir dados técnicos indispensáveis à
propositura da ação civil objeto desta Lei, quando requisitados pelo Ministério
Público.
REESTRUTURAÇÃO DA CORDE
Artigo 9 - A Administração Pública Federal conferirá aos assuntos relativos as pessoas portadoras de deficiência tratamento prioritário e apropriado, para que lhes seja efetivamente ensejado o pleno exercício de seus direitos individuais e sociais, bem como sua completa integração social.
Parágrafo 1 - Os assuntos a que alude este artigo serão objeto de ação, coordenada e integrada, dos órgãos da Administração Pública Federal, e incluir-se-ão em Política Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, na qual estejam compreendidos planos, programas e projetos sujeitos a prazos e objetivos determinados.
Parágrafo 2 - Ter-se-ão como integrantes da Administração Pública
Federal, para os fins desta Lei, além dos órgãos públicos, das autarquias,
das empresas públicas e sociedades de economia mista, as respectivas subsidiárias
e as fundações públicas.
Artigo 10 - A coordenação superior dos assuntos, ações governamentais
e medidas, referentes às pessoas portadoras de deficiências, incumbirá
órgão subordinado à Presidência da República, dotado de autonomia administrativa
e financeira, ao qual serão destinados recursos orçamentários específicos.
Parágrafo único - À autoridade encarregada da coordenação superior
mencionada no caput deste artigo caberá, principalmente, propor
ao Presidente da República a Política Nacional para Integração da Pessoa
Portadora de Deficiência, seus planos, programas e projetos e cumprir as
instruções superiores que lhes digam respeito, com a cooperação dos demais
órgãos da Administração Pública Federal.
Artigo 11 - Fica reestruturada, como órgão autônomo, nos termos do artigo anterior, a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência - CORDE.
COMPETÊNCIA DA CORDE
Artigo 12 - Compete à CORDE:
I - coordenar as ações governamentais e medidas que se refiram às pessoas portadoras de deficiência;
II - elaborar os planos, programas e projetos subsumidos na Política Nacional para a Integração de Pessoa Portadora de Deficiência, bem como propor as providências necessárias à sua completa implantação e a seu adequado desenvolvimento, inclusive as pertinentes a recursos e as de caráter legislativo;
III - acompanhar e orientar a execução, pela Administração Pública Federal, dos planos, programas e projetos mencionados no inciso anterior;
IV - manifestar-se sobre a adequação à Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência dos projetos federais a ela conexos, antes da liberação dos recursos respectivos;
V - manter, com os Estados, Municípios, Territórios, o Distrito Federal e o Ministério Público, estreito relacionamento, objetivando a concorrência de ações destinadas à integração social das pessoas portadoras de deficiência;
IV - provocar a iniciativa do Ministério Público, ministrando-lhe informações sobre fatos que constituam objeto da ação civil de que trata esta Lei, e indicando-lhe os elementos de convicção;
VII - emitir opinião sobre os acordos, contratos ou convênios firmados pelos demais órgãos da Administração Pública Federal, no âmbito da Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência;
VIII - promover e incentivar a divulgação e o debate das questões concernentes à pessoa portadora de deficiência, visando à conscientização da sociedade:
Parágrafo único - Na elaboração dos planos, programas e projetos
a seu cargo, deverá a CORDE recolher, sempre que possível, a opinião das
pessoas e entidades interessadas, bem como considerar a necessidade de
efetivo apoio aos entes particulares voltados para a integração social
das pessoas portadoras de deficiência.
CONSELHO CONSULTIVO
Artigo 13 - A CORDE contará com o assessoramento do órgão colegiado, o Conselho Consultivo da Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência.
Parágrafo 1. - A composição e o funcionamento do Conselho Consultivo da CORDE serão disciplinados em ato do Poder Executivo. Incluir-se-ão no Conselho representantes de órgãos e de organizações ligados aos assuntos pertinentes a pessoa portadora de deficiência, bem como representante do Ministério Público Federal.
Parágrafo 2. - Compete ao Conselho Consultivo:
I - opinar sobre o desenvolvimento da Política Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência;
II - apresentar sugestões para o encaminhamento dessa política;
III - responder a consultas formuladas pela CORDE.
REESTRUTURAÇÃO DA SESPE/MEC E CRIAÇÃO DE ÓRGÃOS SETORIAIS
Artigo 15 - Para atendimento e fiel comprimento do que dispõe esta Lei, será reestruturada a Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação, e serão instituídos, no Ministério do Trabalho, no Ministério da Saúde e no Ministério da Previdência e Assistência Social, órgãos encarregados da coordenação setorial dos assuntos concernentes às pessoas portadoras de deficiência.
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DECRETO Nº 914, de 6 de setembro de 1993
Institui a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere
o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei
nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, alterada pela Lei nº 8.028, de 12 de
abril de 1990.
DECRETA:
Capítulo I
DAS DISPOSIÇÕES INICIAIS
Art. 1º A Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora
de Deficiência é o conjunto de orientações normativas, que objetivam assegurar
o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras
de deficiência.
Art. 2º A Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora
de Deficiência, seus princípios, diretrizes e objetivos obedecerão ao disposto
na Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, e ao que estabelece este Decreto.
Art. 3º Considera-se pessoa portadora de deficiência aquela que
apresenta, em caráter permanente, perdas ou anomalias de sua estrutura
ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, que gerem incapacidade
para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para
o ser humano.
Capitulo II
DOS PRINCÍPIOS
Art. 4º A Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora
de Deficiência nortear-se-á pelos seguintes princípios:
I - desenvolvimento de ação conjunta do Estado e da sociedade
civil, de modo a assegurar a plena integração da pessoa portadora de deficiência
no contexto sócio-econômico e cultural;
II - estabelecimento de mecanismos e instrumentos legais e operacionais,
que assegurem às pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de
seus direitos básicos que, decorrem da Constituição e das leis, propiciam
o seu bem-estar pessoal, social e econômico;
III - respeito às pessoas portadoras de deficiência, que devem receber igualdade de oportunidades na sociedade por reconhecimento dos direitos que lhes são assegurados, sem privilégios ou paternalismos.
Capítulo III
DAS DIRETRIZES
Art. 5º São diretrizes da Política Nacional para a Integração
da Pessoa Portadora de Deficiência:
I - estabelecer mecanismos que acelerem e favoreçam o desenvolvimento
das pessoas portadoras de deficiência;
II - adotar estratégias de articulação com órgãos públicos e
entidades privadas, bem como com organismos internacionais e estrangeiros
para a implantação desta Política;
III - incluir a pessoa portadora de deficiência, respeitadas
as suas peculiaridades, em todas as iniciativas governamentais relacionadas
a educação, saúde, trabalho, à edificação pública, seguridade social, transporte,
habitação, cultura, esporte e lazer;
IV - viabilizar a participação das pessoas portadoras de deficiência
em todas as fases de implementação desta Politica, por intermédio de suas
entidades representativas;
V - ampliar as alternativas de absorção econômica das pessoas
portadoras de deficiência;
VI - garantir o efetivo atendimento à pessoa portadora de deficiência,
sem o indesejável cunho de assistência protecionista;
VII - promover medidas visando à criação de empregos, que privilegiem
atividades econômicas de absorção de mão-de-obra de pessoas portadoras
de deficiência;
VIII - proporcionar ao portador de deficiência qualificação e
incorporação no mercado de trabalho.
Capítulo IV
DOS OBJETIVOS
Art. 6º São objetivos da Política Nacional para a Integração
da Pessoa Portadora de Deficiência:
I - o acesso, o ingresso e a permanência da pessoa portadora
de deficiência em todos os serviços oferecidos à comunidade;
II - integração das ações dos órgãos públicos e entidades privadas
nas áreas de saúde, educação, trabalho, transporte e assistência social,
visando à prevenção das deficiências e à eliminação de suas múltiplas causas;
III - desenvolvimento de programas setoriais destinados ao atendimento
das necessidades especiais das pessoas portadoras de deficiência;
IV - apoio à formação de recursos humanos para atendimento da
pessoa portadora de deficiência;
V - articulação de entidades governamentais e não-governamentais,
em nível Federal, Estadual, do Distrito Federal e Municipal, visando garantir
efetividade aos programas de prevenção, de atendimento especializado e
de integração social.
Capítulo V
DOS INSTRUMENTOS
Art. 7º São instrumentos da Política Nacional para a Integração
da Pessoa Portadora de Deficiência:
I - a articulação entre instituições governamentais e não-governamentais
que tenham responsabilidade quanto ao atendimento das pessoas com deficiência,
em todos os níveis, visando garantir a efetividade dos programas de prevenção,
de atendimento especializado e de integração social, bem como a qualidade
do serviço ofertado, evitando ações paralelas e dispersão dos esforços
e recursos;
II - o fomento à formação de recursos humanos para adequado e
eficiente atendimento das pessoas portadoras de deficiência;
III - a aplicação da legislação específica que disciplina a reserva
de mercado de trabalho, em favor das pessoas portadoras de deficiência,
nas entidades da Administração Pública e setor privado, e que regulamenta
a organização de oficinas e congêneres integrados ao mercado de trabalho,
e a situação, nelas, das pessoas portadoras de deficiência;
IV - o fomento ao aperfeiçoamento da tecnologia dos equipamentos
de auxílio utilizado por pessoas portadoras de deficiência, bem como a
criação de dispositivos que facilitem a importação de equipamentos;
V - a fiscalização do cumprimento da legislação pertinentes às
pessoas portadoras de deficiência.
Capítulo VI
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 8º O Ministério do Bem-Estar Social, por intermédio da Coordenadoria
Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência - CORDE, providenciará
a ampla divulgação desta Política, objetivando a conscientização da sociedade
brasileira.
Art 9º Os Ministérios de Estado aprovarão os planos, programas
e projetos de suas respectivas áreas, em consonância com a Política Nacional
para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, estabelecida por este
Decreto.
Art. 10. Caberá à CORDE a Coordenação superior de todos os assuntos,
ações governamentais e medidas referentes à política voltada para as pessoas
portadoras de deficiência, em articulação com os órgãos da Administração
Pública Federal.
Art. 11. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 06 de setembro de 1993; 172º da Independência e 105º
da República.
ITAMAR FRANCO
Jutahy Magalhães Júnior
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