Programa CAPES/DAAD de
Graduação-Sanduíche na Alemanha



FAQ da graduação-sanduíche na Alemanha

Nova edição do FAQ - Julho/2000

Esta página foi escrita e vem sendo mantida por alguns ex-bolsistas que estudaram na cidade de Aachen durante o ano de 1998. Esperamos poder ajudar a todos, contando um pouco do que aprendemos durante a nossa viagem. Lembrem-se também que pode haver mudanças de um ano para o outro, ainda mais sendo este um programa tão recente.

Este não é um documento oficial da CAPES, DAAD ou qualquer outra instituição responsável pelo programa. Nós não nos responsabilizamos pelo uso do conteúdo dessa página, nosso objetivo é relatar nossas experiências particulares. Se você tiver quaisquer sugestões (mais perguntas, mudanças nas respostas, alguma coisa que [não] gostou), por favor as envie para [email protected].

1   No Brasil

1.1 Como consigo o visto?
1.2 A passagem de avião
1.3 O que faço com minha (meu) namorada(o)?
1.4 Vou receber algum dinheiro adiantado? Vou passar fome nos primeiros meses? O que a CAPES vai fazer por mim?
1.5 Como levo dinheiro para aí?
1.6 Vale a pena fazer carteira de estudante internacional? E carteira de motorista internacional? E carteirinha de alberguista?
2   A Viagem
2.1 Por que tenho que ir até São Paulo se o avião faz escala em Recife/Salvador, muito mais perto daqui?
2.2 Nunca viajei de avião, tenho medo.
2.3 Demora muito? Quanto falta para chegar?
2.4 Como vai ser a chegada? Alguém vai me esperar?
3    Chegando na Alemanha
3.1 Vai ter um tutor? Alguém vai me ajudar?
3.2 Onde vou morar? Vou morar na universidade? em residências estudantis? na rua?.
3.3 O que eu vou comer? Tem feijão com arroz e bife? E guaraná, tem?
3.4 Vou levar trote?
3.5 Dicas que não cabem em outras perguntas
4   Morando nesse país
4.1 O dinheiro dá?
4.2 Onde vou morar?
4.3 E quanto vai custar?
4.4 Sair a noite, como é?
4.5 Vou sofrer com o frio?
4.6 Que roupas eu levo?
4.7 Eu devo levar meu computador?
4.8 Devo levar remédios?
4.9 Quais são as coisas mais importantes que eu devo fazer nas primeiras semanas?
4.10 Qual a maneira mais barata de telefonar para o Brasil?
4.11 Vou estranhar muito? Vou ficar deprimido chorando em casa?
4.12 Vale a pena comprar carro aí?
4.13 O que eu posso levar quando eu voltar? Como fica a alfândega?
5    Falando (ou não) alemão
5.1 A língua alemã é difícil?
5.2 Eu vou estar falando alemão depois de dois meses de curso intensivo?
5.3 Eu vou estar falando alemão depois de seis meses de curso intensivo?
5.4 Eu vou estar falando alemão quando voltar para o Brasil?
5.5 O fato de eu falar inglês ajuda?
5.6 Eu estou entrando em desespero. O que eu faço?
6    A Faculdade
6.1 Eu vou conseguir entender as aulas?
6.2 Como são as aulas?
6.3 As Vorlesungen
6.4 Os Übungen
6.5 Os Laboren
6.6 O Herr Professor, Deus na Terra
6.7 Como são as provas?
7    O estágio na indústria
7.1 Quem vai arranjar o estágio?
7.2 Vou ganhar algum dinheiro por trabalhar nas férias?
7.3 Como é o estágio?
8    Revisões
9    Créditos

1) No Brasil

1.1) Como consigo o visto?

Pois é, como nós não somos turistas nessa viagem (a princípio), precisamos de um visto de permanência para a Alemanha. Para conseguir este carimbo no passaporte, é necessário ir até um consulado (ou seção consular de embaixada) alemão. Confira os endereços e telefones em: www.embaixada-alemanha.org.br

1.2) A passagem

Assim que receber o comunicado da CAPES (ou escutar algum boato de outro bolsista), vá até o escritório mais próximo da companhia aérea em questão e peça a emissão do ticket de acordo com o PTA (Personal Ticket Authorization) enviado pela CAPES. Confirme também a existência de autorização de excesso de bagagem, que muitas vezes a companhia finge desconhecer. Normalmente o limite de bagagem é de 20kg, mas esse limite pode ser bem maior no caso de haver algum acordo entre a CAPES e a companhia aérea.

1.3) O que faço com minha (meu) namorada(o)?

Esse é um problema sério. A alternativa fácil não precisa ser comentada, mas levá-la (o) para a Alemanha será um pouco mais complicado. Com o dinheiro da bolsa, não é possivel sustentar duas pessoas (a não ser que se proponha a não viajar), além do fato que não existe visto de permanência para namorados. Se o amor é grande, existem algumas alternativas. Basicamente, os problemas são dois: visto e dinheiro.

Para o visto, tendo dinheiro à vontade, um curso de alemão serve. Procure a Volkshochschule, que é a escola mais barata. O consulado vai exigir alguma prova de que ela (ele) realmente tem dinheiro para permanecer no exterior. Se seu amor já faz universidade e fala alemão, pode-se tentar a simples matrícula na universidade (geralmente aceita), resguardadas as mesmas condições de dinheiro.

Se a grana é curta, então o problema é maior. Mesmo assim, há algumas soluções possíveis: au-pair e estágio pago na universidade. Para a primeira, experimente contactar alguma agência (aqui tem uma sugestão), para a segunda, o contato devera ser feito com a universidade, de preferência com um professor. O nome desse tipo de estágio aqui na Alemanha é "HiWi". O mais fácil é vir você primeiro e fazer os contatos in loco.

1.4) Vou receber algum dinheiro adiantado? Vou passar fome nos primeiros meses? O que a CAPES vai fazer por mim?

Não há nenhuma garantia de o procedimento se repetir, mas nós recebemos o equivalente a dois meses adiantados enquanto ainda estávamos no Brasil. Em alguns anos o DAAD também forneceu uma quantia inicial para os custos de instalação. Mesmo assim, sugerimos fortemente que se faça uma reserva e a leve consigo, para pequenos imprevistos, principalmente no inicio. Lembre-se que vocé estará montando uma casa nova e precisará de muita coisa, até de panelas.

1.5) Como levo dinheiro para a Alemanha?

As maneiras mais seguras são traveler checks e cartão de crédito, embora às vezes o câmbio e as taxas cobradas possam não ser favoráveis. Levar grandes quantias de dinheiro em espécie é perigoso, pois se algo acontecer você simplesmente perderá tudo. Leve apenas um pouco de cash para utilizar durante a viagem a para os primeiros dias, pode ser em dólares americanos ou marcos alemães. A maioria dos caixas automáticos aceita VISA e Mastercard e permite saques de acordo com o  limite do seu cartão. American Express, Solo e derivados são um pouco mais complicados, mas também devem funcionar. Vá conversar com o gerente do seu banco, para aumentar o limite do seu cartão universitário, e com seus pais, para pegar um cartão de dependente deles. E é bom verificar a data de validade do cartão, caso ele expire no meio da estadia deve-se providenciar a troca  com uns 3 ou 4 meses de antecedência.
 

1.6) Vale a pena fazer carteira de estudante internacional? E carteira de motorista internacional? E carteirinha de alberguista?

Se você tiver dinheiro, então faça. A carteira de estudante internacional pode render alguns descontos que a carteira de estudante de universidade alemã não dá. Quanto à carteira de motorista: a carteira brasileira é válida na Alemanha por somente um ano, contando a partir da data de entrada no país. A carteira internacional não é válida sem a carteira brasileira, mas em caso de acidente ou problemas com a polícia (a legislação sobre dirigir alcoolizado é duríssima) pode ajudar, porque é um documento internacional. Quanto à carteirinha de albergues (Hostelling International), muitas vezes sai mais barato fazer na Europa do que no Brasil. Os albergues oficiais exigem que você tenha a carteirinha, mas também existem inúmeros albergues não-oficiais que também são muito bons e não exigem o documento.

2) A viagem

2.1) Por que tenho que ir até São Paulo se o avião faz escala em Recife/Salvador, muito mais perto daqui?

Não é uma explicação oficial, mas sim um bom chute: a CAPES compra as passagens no atacado para conseguir um desconto significativo. Com isso, é bem possível que todas sejam no mesmo vôo, a partir de São Paulo. Para qualquer outro tipo de arranjo, tente conversar com a CAPES ou com a companhia aérea.

2.2) Nunca viajei de avião, tenho medo.

Bixo, deixe de ser cagão! A viagem é tranquila e vai ser uma festa, com um monte de bolsistas juntos a bordo de um avião. Leve manteiga de cacau, para prevenir o ressecamento dos lábios, use alguma roupa confortável (a época em que viajar de avião tinha glamour foi quando seus pais tinham vinte anos; hoje, o máximo que uma roupa de festa vai lhe trazer são alguns instantes na tábua de passar) e sapatos leves. Chicletes podem ser uma boa para a mudança de pressão nas decolagens e aterrissagens.

2.3) Demora muito? Quanto falta para chegar?

O vôo leva 12 horas, aproximadamente. Alguns dormem, outros fumam e mais alguns ficam bêbados. Aproveitem para conhecer as pessoas de outras cidades e fazer amigos entre elas, para terem onde ficar quando viajarem. Vai ser interessante o preview de Alemanha que vocês vão ter ao ver os alemães falando aqueles grunhidos indecifráveis entre si.

2.4) Como vai ser a chegada? Alguém vai me esperar?

O pessoal do DAAD vai estar lá. A partir do momento que você puser os pés em território alemão, a CAPES só será responsável pelo pagamento da bolsa, o resto fica com o DAAD. Eles devem conduzi-los até a cidade onde vocês ficarão de ônibus ou trem. Vai ser muito fácil, porque eles falam no mínimo inglês e, provavelmente, português.

3) Chegando na Alemanha

3.1) Vai ter um tutor? Alguém vai me ajudar?

Teoricamente, sim. Esse tutor deve assumir o controle do grupo e dar as instruções iniciais, como moradia, alimentação, curso de alemão, etc.. Em algumas cidades, não foi bem assim e o pessoal teve que se virar um pouco, mas nada de muito grave.

3.2) Onde vou morar? Vou morar na universidade? em residências estudantis? na rua?

Recebemos muitas perguntas sobre isso, mas não podemos dar uma resposta definitiva. O certo é que ninguém vai ficar na universidade, que é local de aulas e pesquisa, não de moradia. Algumas pessoas foram direto para suas residências definitivas, mas algumas ficaram temporariamente, até dois meses, em albergues da juventude. A maioria dos bolsistas têm ficado em moradias estudantis, de vários tipos. Pode ser um quarto individual com banheiro e cozinha próprios, ou então um quarto individual com banheiro e cozinha comuns, ou uma república...houve também bolsistas que moraram em casas de famílias alemãs.

3.3) O que eu vou comer? Tem feijão com arroz e bife? E guaraná, tem?

Preparem-se, porque aqui os hábitos alimentares são completamente diferentes. Venham de cabeça aberta, que vocês irão aproveitar as delícias da culinária alemã, mas jamais tentem comer alguma coisa parecida com o feijão com arroz da mamãe, porque a decepção será enorme, além de você acabar comendo muito mal e caro.
Os restaurantes universitários (Mensa) são bons e baratos. Na rua, tudo é mais caro. Peça sempre o diferente, experimente! E não deixe de tomar muita cerveja, de todos os tipos.

3.4) Vou levar trote?

Depende. Na universidade, não. Entretanto, aquelas mesmas pessoas que lhe fizeram de palhaço no primeiro semestre da universidade estão aqui e, o que é pior, não deram trote em ninguém esse ano. Relaxe, nós já somos veteramos experientes e podemos ser facilmente subornados por um quilo de picanha acompanhado de um litro de guaraná. Feijão, Catupiry, massa de pastel e dólares também são uma boa pedida.

3.5) Dicas que não cabem em outras perguntas

Por segurança, faça cópias xerox das primeiras folhas do passaporte e do visto. Carregue uma com você e guarde outra(s) na bagagem.

4) Morando nesse país

4.1) O dinheiro dá?

Sim. A bolsa da CAPES (US$820) é suficiente para se viver de maneira confortável, e se você souber controlar seus gastos dá até para viajar bastante. Entretanto, não são todas as pessoas que se adaptaram e aprenderam a controlar seu próprio dinheiro, ainda mais com o incrível comércio daqui. Por isso, traga o cartão de crédito internacional dos seus país, nem que seja para o caso de a CAPES atrasar um pagamento, de o DAAD não pagar o seguro de saúde em dia, ou você ver aquele incrível computador pela metade do preço do Brasil. Nas cidades pequenas, o custo de vida tende a ser menor do que nas cidades grandes. Os maiores gastos serão com aluguel (dependendo do tipo de moradia, varia desde DM250 até DM450) e alimentação (varia bastante, uma refeição na Mensa custa em torno de DM5).

A CAPES costuma pagar os bolsistas a cada três meses, o que significa que um mínimo de controle financeiro será necessário para que você não se perca nos seus gastos. O seguro saúde custa cerca de DM100 por mês e é pago pelo DAAD. Você também pode estimar uns DM30-50 por semana de gastos no supermercado. Com transporte, você provavelmente vai comprar um passe mensal de ônibus. Em Aachen, o passe válido para toda a zona central da cidade até a fronteira com a Holanda custava cerca de DM50.

Como gastos extras, tome por exemplo os gastos com telefone. Um aparelho simples pode ser comprado por DM30, mais o custo de instalação da linha, que custava cerca de DM100. Já a conta depende de como você usa o telefone, é claro. Os preços das tarifas e linhas têm caído bastante desde a desregulamentação do mercado de telecomunicações alemão, mas se você passar o dia todo na Internet pode acabar sendo surpreendido por uma conta de DM200 no final do mês. Ainda como gasto extra, um aparelho de TV a cores novo deve custar em torno de DM200-250.

Os livros da faculdade podem ser bastante caros, mas você sempre pode contar com a biblioteca dos institutos ou da faculdade. Caso você queira comprar algum livro para alguma disciplina, verifique antes, no próprio instituto, se não existe algum tipo de desconto para os alunos da disciplina. Podem ser fornecidos vales, que você apresenta na livraria na hora da compra.
Lembre-se que livros pesam bastante e que pode acabar saindo caro trazê-los para o Brasil na volta.


4.2) Onde vou morar?

De novo, podemos dizer que não dormirá em salas de aula, Mensas ou coisas do tipo. Depois de uma possível (mas pouco provável), moradia temporária, o DAAD vai ajudá-lo a achar um lugar definitivo (para a mairoria das pessoas já estava definido na chegada). Esse lugar pode ser de dois tipos, basicamente: no primeiro, cada pessoa tem um quarto individual e divide banheiro e cozinha com algumas pessoas. É como uma república. No segundo, lhe cabe um apartamento completo, de uns 20 m2. Nesse apartamento há um pequeno banheiro e uma mini-cozinha. Ainda há uma terceira possibilidade, que consiste em morar com uma família alemã.

4.3) E quanto vai custar?

Isso varia muito, é claro. Morar totalmente sozinho custa mais caro. Acreditamos que possa variar de 250 a 450 marcos, se ninguém quiser morar em algum lugar diferente do que o descrito acima, inclusos os gastos com água, energia elétrica e calefação. Provavelmente o primeiro lugar onde você vai morar vai ser arranjado pelo pessoal do DAAD.

4.4) Sair a noite, como é?

Os hábitos alemães sao muito diferentes dos brasileiros, isso é certo. Esqueça de ouvir MPB, Rock 'n' Roll ou qualquer coisa embaladinha assim em uma discoteca. Discoteca aqui, como o nome diz, toca disco ou entao umas porcarias alemãs (Schlager Musik). É claro que tem uma infinidade de barzinhos diferentes e que isso varia muito de cidade para cidade.

4.5) Vou sofrer com o frio?

Sim. Para ter uma idéia, dê uma olhada aqui (coloque o nome da cidade em Ortsnamen e clique em LOS!).

4.6) Que roupas eu levo?

Tenha sempre em mente que as roupas de inverno feitas no Brasil (exceto pra quem mora no Sul...) não serão adequadas para o frio europeu. Ou seja: pense duas vezes antes de gastar dinheiro com roupas pesadas de inverno fabricadas no Brasil.

Traga um casaco muito quente (de preferência tipo parka, impermeável - esqueça sobretudos e capas, que podem ser muito bonitos mas não são nada práticos) e um calçado (de preferência realmente impermeável) com sola grossa, para isolar o frio. Você deve se vestir em camadas, com roupas fáceis de pôr e tirar, porque nos interiores a temperatura é sempre em torno de 20 graus. Suéteres e moletons são uma boa pedida para vestir debaixo do casaco.

É provável que logo ao chegar você aproveite a liquidação de inverno (WSV, Winterschlussverkauf) para comprar um bom casaco, mais adequado ao clima local. Como sempre, escolha um casaco de boa qualidade e impermeável. Um produto de boa qualidade vai durar o ano todo e você vai viajar muito com ele, também. Se tiver muito dinheiro pra gastar, procure roupas para alpinismo ou esqui (algumas boas marcas são The North Pole e Lowe Alpine), que em geral são leves, impermeáveis e quentes.

As mulheres devem guardar suas meias calças rasgadas para por embaixo das calças e os homens friorentos devem trazer cuecões (tambem conhecidos como ceroulas ou minhocões). Os que não são tão frescos, até trouxeram, mas não precisaram usar.

As roupas também devem ser resistentes para não estragarem nas máquinas de lavar e secar. Camisetas, camisas pólo e moletons são bastante práticos (não precisa passar...). Outra dica: evite levar roupas novas, sem usar. Use as roupas algumas vezes no Brasil, é bastante desagradável chegar e descobrir que uma roupa desbotou, ou encolheu, ou rasgou logo na primeira vez que você usou.

4.7) Eu devo levar meu computador? Onde vou acessar a Internet?

Não. A universidade tem uma estrutura ótima, o que torna esse aparelho dispensável para as necessidades escolares e de comunicação. É claro que muitos gostariam de ter um em casa, mas devem resistir à tentação e comprar na Alemanha, que é muito mais barato. Não compre nada até a viagem, guarde seu dinheiro. O mesmo vale para sistema de som, televisão (dificilmente funcionará aqui), etc.. Para máquina fotográfica, a dica é a seguinte: no Brasil, compre uma descartável para tirar fotos da viagem de vinda. Na primeira semana, vá a uma loja de departamentos aqui na Alemanha e compre uma máquina boa, porque ela será muito aproveitada. Isso custará uns R$250,00 para uma máquina compacta com umas três vezes de zoom. Caso você deseje levar na viagem algum equipamento importado caro (câmera de vídeo, por exemplo) chegue cedo ao aeroporto, faça o check-in e, de posse do cartão de embarque e das notas fiscais dos aparelhos, dirija-se ao balcão da Receita Federal e declare o que está levando. Isso pode poupar-lhe dor de cabeça na volta.

Para acessar a Internet, é provável que você use bastante a estrutura da universidade para isso. Uma das primeiras coisas que você deve providenciar quando chegar é uma conta de e-mail e de acesso à Internet. Algumas moradias estudantis oferecem pontos de Internet nos quartos, sendo cobrada uma taxa de instalação e de manutenção.
 

4.8) Devo levar remédios?

Sem dúvida, porque aqui as farmácias exigem receita médica para qualquer coisa e as receitas são válidas apenas uma vez. Isso vale inclusive para pílulas anticoncepcionais. Traga todos os remédios que você toma regularmente e receitas médicas daqueles que você pode precisar mas não quer comprar com antecedência -- lembre-se que os nomes devem ser genéricos, não marcas fantasia. Além disso, remédios são barrados na alfândega quando enviados pelo Correio, nem adianta tentar mandar.

4.9) Quais são as coisas mais importantes que eu devo fazer nas primeiras semanas?

O seu tutor deve lhe ajudar com todas essas coisas, fique tranquilo!
- Assinar o contrato de aluguel (peça pro tutor ler).
- Matricular-se e abrir uma conta de e-mail na universidade. Procure  o escritório de estrangeiros da universidade (Akademisches Auslandsamt).
- Abrir uma conta no banco. O seu tutor vai lhe ajudar nisso, inclusive recomendar qual o banco que tem mais agências na cidade (Sparkasse, Deutsche Bank...). Muitos pagamentos são feitos com débito automático (aluguel, telefone, seguro saúde, etc.) e, além disso, dependendo do banco, pode demorar alguns dias para chegar o cartão que permite saques em caixas eletrônicos.
- Mandar os números das contas de banco para a CAPES, além dos endereços para correspondência e (se já tiver) número de telefone e email.
- Se ainda estiver no início do mês, comprar o passe mensal de ônibus.
- Registrar-se na prefeitura da cidade (Einwohnerammeldung) o quanto antes, e tirar o visto permanente (Aufenthaltsbewilligung).
- Certificar-se que você já tem o seguro saúde (você deve receber o cartão logo nos primeiros dias) e quantos meses já foram pagos. Em caso de dúvida contacte o DAAD o mais rápido possível.
- Começar a preocupar-se com o estágio do verão. Muitas grandes empresas exigem que os estágios sejam acertados com três, quatro meses de antecedência. Caso você deixe para a última hora, corre o risco de não conseguir estágio do jeito que quer.

4.10) Qual a maneira mais barata de telefonar para o Brasil?

A maneira mais barata de se fazer ligações internacionais é pelo call-back. Nesse sistema, as ligações são feitas via EUA, ou seja, da Alemanha você disca um número de acesso nos Estados Unidos, com o qual você poderá fazer as chamadas internacionais. A cobrança é feita pelo cartão de crédito, e a tarifa é mais ou menos a metade da cobrada pela Embratel. No entanto, para se utilizar desse sistema, você já deve possuir um número de telefone próprio na Alemanha - a instalação, feita pela Deutsche Telekom, leva alguns dias a partir do pedido e custa entre 100 e 150 marcos. Uma das empresas de call-back é a Kallback. Outro serviço útil é o do Brasil Direto, que está à disposição em diversos países da Europa e do mundo. Em cada país existe um número toll-free, com o qual você entra em contato com a central de atendimento da Embratel. A partir daí, podem ser feitas ligações a cobrar (ou no Telecard da Embratel) para o Brasil. Os serviços oferecidos pelos cartões de crédito (Visaphone, por exemplo) costumam ser muito mais caros. Agora que você já sabe todas as alternativas, ache um telefone, tire o fone do gancho e chame pela sua mãe.

4.11) Vou estranhar muito? Vou ficar deprimido chorando em casa?

No inverno, logo que vocês chegarem a atividade social das cidades tende a estar reduzida. Isso significa que você terá muito tempo para estudar, jogar cartas e bater papo com seu colegas brasileiros. Alguns estarão morando sozinhos pela primeira vez num lugar estranho. Isso não significa que vai ser ruim, apenas diferente e difícil no início. Algumas pessoas compram televisões, mas a programação não é lá essas coisas, mesmo que você entenda alguma coisa. Logo que chegar, vai ser meio chato não poder ler nada, aproveite o tempo para brincar na neve, jogar paciência, escrever e-mails e realizar atividades domésticas. Isso mesmo, os primeiros aprendizados serão fazer comida, limpar banheiro, lavar e passar roupa, etc.. Tente manter contato com os alemães, principalmente se a aula de idioma for somente com os brasileiros, e, portanto, a chance de vocês estabelecerem uma pequena comunidade isolada seria muito grande.

4.12) Vale a pena comprar carro na Alemanha?

Como no Brasil, há carros de todos os preços. Em geral, principalmente para carros usados ou modelos novos mais sofisticados, é mais barato na Alemanha. Estacionar o carro é muito mais problemático que no Brasil, porque quase sempre tem parquímetro, e, nos prédios, deve-se pagar aluguel extra pela vaga na garagem. Geralmente, vale mais a pena viajar de trem. Isso pode mudar se a viagem for curta e com muitas  pessoas, caso em que o carro alugado é melhor negócio.

Pense bem, porque, além do preço do carro, você terá que pagar seguro e, depois de um ano na Alemanha, fazer uma carteira de motorista alemã. Só essas duas coisas já  representam uns 2000 marcos. Uma sugestão: venda o carro no Brasil, ponha o dinheiro no banco e compre um melhor na volta. Na Europa, você viajará muito bem de trem ou avião e andará de ônibus ou metrô, que nem se comparam aos que conhece no Brasil em termos de conforto e pontualidade.

4.13) O que eu posso levar quando eu voltar? Como fica a alfândega?

Para brasileiros que vivem no exterior por mais de 12 meses, é permitido levar tudo o que for de uso pessoal para o Brasil, com exceção carro usado, como mudança. Para carro novo, deve-se pagar o mesmo imposto que pagam os importadores regulares. Isso quer dizer que você pode levar computador, sistema de som, TV (cuidado com o sistema, na Europa é diferente do Brasil), máquina fotográfica, utensílios domésticos em geral, enfim, tudo o que for usado. Não adianta comprar um computador na véspera da viagem de volta e levar tudo fechado, na caixa, sem usar. Os equipamentos têm que ser realmente de uso pessoal. Também não adianta tentar passar com 3 computadores e dizer que você precisava dos três.

O procedimento é simples e chama-se desembaraço de mudança: ainda na Alemanha, você deve levar uma lista dos seus pertences a um consulado brasileiro. O consulado lhe dará um papel que você mostrará junto com os bens ao voltar para o Brasil, ou no Correio, ao receber aquilo que você mesmo despachou da Alemanha.
Ainda no caso de equipamentos eletrônicos, cuidado com as características dos aparelhos como tensão de alimentação (na Europa tudo é padronizado em 220V/50Hz).

5) Falando (ou não) alemão

5.1) A língua alemã é difícil?

Sim.

5.2) Eu vou estar falando alemão depois de dois meses de curso intensivo?

Não.

5.3) Eu vou estar falando alemão depois de seis meses de curso intensivo?

Não.

5.4) Eu vou estar falando alemão quando voltar para o Brasil?

Não. E é sério. Você vai ser capaz de se comunicar, inclusive por escrito, mas dificilmente falará esse língua tão bem como você fala inglês hoje. É claro que há algumas exceções, que são na sua maioria aquelas pessoas que tem um convívio muito grande com os alemães, i.e. aqueles que moram com famílias e/ou tem namoradas (os) germânicos. Nesse ponto, é importante dizer que morar em esquema de república com os nativos ajuda, e muito.

5.5) O fato de eu falar inglês ajuda?

Ajuda, porque nesse mundo globalizado é bom saber falar línguas. Ajuda para você se virar no começo, mas na faculdade a maioria das aulas (ou todas elas) e o material de estudo será em alemão.

5.6) Eu estou entrando em desespero. O que eu faço?

Da próxima vez tente a bolsa para os EUA (pois você provavelmente já fala inglês) ou para a França (pois o francês é muito mais fácil). Infelizmente a CAPES ainda não tem bolsas-sanduíche para Portugal. Se puder, comece um curso de alemão o quanto antes. Mas obtenha informações com a CAPES ou o DAAD antes, caso eles tenham em mente custear algo desse tipo para vocês. No ano passado o DAAD custeou 3 meses de aulas de alemão no Instituto Goethe para os bolsistas. Em algumas cidades, onde não tem uma filial do Goethe, o DAAD contratou professores de alemão.

6) A Faculdade

6.1) Eu vou conseguir entender as aulas?

Vamos ser sinceros: se você já fala (bem) alemão, então sim. Senão, não. (ver "Falando (ou não) alemão"). Mas não se desespere. As aulas são naturalmente complicadas (afinal de contas, são aulas de engenharia) e as aulas expositivas normais (as Vorlesungen) exigem muita atenção, uma vez que envolvem basicamente um professor expondo um assunto, na maioria das vezes com ajuda de transparências. Os próprios alemães têm dificuldades em entender as aulas, e costumam aprender estudando em casa (um hábito que você não precisa necessariamente adotar). No fundo, quanto mais você lida com os assuntos das aulas em laboratórios e outras atividades mais práticas, passa a entender mais as aulas. Mas no começo é difícil mesmo.

6.2) Como são as aulas?

Existem três tipos básicos: Vorlesung, Übung e Praktikum.

6.3) Vorlesung

São as aulas expositivas normais, mais ou menos como as que você tem na sua faculdade. A diferença é que são bem mais superficiais, e mais servem como um guia para você (teoricamente) estudar os assuntos em casa. Quase todas são ministradas pelos respectivos professores que respondem pelas disciplinas (conhecidos como "Herr Professor") e as tradicionais lousas são muito pouco utilizadas, dando lugar a transparências. Desse modo as aulas se assemelham muito a palestras empresariais.

6.4) Übung

São também muito parecidas com aulas que você (possivelmente) tem no Brasil, em que o professor resolve alguns exercícios em aula e fornece tempo para você tentar resolver outros. São menos comuns que as Vorlesungen, e em geral ligadas a estas, mas oferecidas em horários definidos, separados das aulas normais. Normalmente são ministradas por assistentes do "Herr Professor".

6.5) Praktikum

São as aulas práticas, sendo parecidas com as aulas de laboratório do Brasil. Por vezes são mais interessantes por não exigir maiores preparações ou relatórios (e nesse caso as aulas consistem basicamente em observação e interação com diferentes tipos de tecnologia e processos). Mas na maioria dos casos, os alunos devem estudar os tópicos antes das aulas, realizar procedimentos e experiências, e preparar relatórios de acordo com os resultados. Nos Praktika aprende-se em geral mais do que nas outras aulas, mas os que exigem preparações e relatórios são também as atividades que mais acabam tomando seu tempo no período de aulas. As aulas são geralmente ministradas por pessoas conhecidas como Betreuer, que são na verdade alunos já formados que trabalham em seu projeto de doutorado ou coisa parecida dentro do departamento. Os Betreuer realizam diversas atividades dentro de um departamento, além de ministrar estas aulas é possível que um deles seja designado para auxiliá-lo para escolher as disciplinas que você vai fazer, por exemplo. Cuidado para não confundir-se com a terminologia, uma vez que a palavra em alemão para designar os estágios em empresas também é Praktikum.

6.6) O Herr Professor, Deus na Terra

Este sujeito é exatamente isso, o poderoso chefão do departamento. Você vai vê-lo nas Vorlesungen, onde um bando de assistentes (doutorandos) ficará em volta limpando a lousa, trocando slides e realizando outras atividades bobas. Todos o tratam como se fosse um presidente ou coisa do tipo, você inclusive.

6.7) Como são as provas?

Existem vários tipos de avaliação para as Vorlesungen, de acordo com o gosto do Professor. Algumas vezes serão provas orais em inglês, outras vezes em alemão e o pior será a prova escrita nesta língua bárbara. Há dois modos de realizar a prova: com ou sem nota. Sem nota, é claro, será muito mais fácil, e se conseguirá um certificado informando a aprovação, ao contrário da outra versão que contém um índice de aproveitamento. Nos Praktikum a nota pode ser dada apenas pelos relatórios ou pela simples presença, passando pelo caso de avaliação por uma apresentação no final do curso. Esse tipo de seminário pode ser também o método escolhido pelo seu Professor ao avaliá-lo numa Vorlesung. A dica é simples, não estando seguro com o vocabulário técnico da disciplina, peça para falar ou escrever em inglês. A forma de avaliação pode ser importante na hora de revalidar os créditos quando você voltar para o Brasil, mas isso varia muito entre as universidades. Tente sempre conseguir papéis dizendo tudo o que você fez, conteúdo da matéria, nota, avaliação do professor ou assistente, etc. Algumas universidades (como a Unicamp, por exemplo) exigem que os documentos alemães sejam validados pelo Consulado Brasileiro na Alemanha (o que deve ser feito, naturalmente, enquanto você ainda estiver na Alemanha). Tente se informar o máximo possível na secretaria da sua faculdade, com o chefe do seu departamento, com os professores que vão analisar os seus pedidos de equivalência, enfim, corra atrás).

7) O estágio na indústria

7.1) Quem vai arranjar o estágio?

A princípio, quem é responsável por procurar um estágio para os bolsistas é o tutor junto à faculdade. Isso ocorre porque os institutos têm muitos contatos com a indústria, e, por isso mesmo, fica muito mais fácil para eles barganharem uma vaga legal para um de nós. Entretanto, no nosso ano, a maioria dos tutores ficou sabendo tarde demais dessa sua responsabilidade, e algumas pessoas tiveram que procurar um estágio por conta própria. A dica é simples: fale com seu tutor o quanto antes e descubra se ele vai fazer isso. Se ele não puder/quiser, então vá à luta logo, que não vai ser difícil, desde que você comece a procurar com antecedência.

7.2) Vou ganhar algum dinheiro por trabalhar nas férias?

É muito provável que sim. Apesar de você ter assinado um contrato com a CAPES onde se compromente a não trabalhar por dinheiro durante a estadia na Alemanha, esse estágio foi considerado uma exceção devido à sua curta duração. As empresas costumam pagar qualquer coisa entre 600 e 2000 DM, o que é um excelente dinheiro.

7.3) Como é o estágio?

Isso é uma resposta difícil de dar, porque, obviamente, varia muito de empresa para empresa. Posso dizer que, muito provavelmente, você trabalhará fazendo trabalhos úteis, de engenheiro. Muito da elétrica trabalharão com computadores em programação e muitos da mecânica em fábricas, junto à linha de produção. O fato é que há de tudo, então procurar com antecedência com ajuda do tutor pode garantir uma vaga trabalhando exatamente naquilo que você gosta. Uma coisa interessante é trabalhar em departamento de pesquisa em alguma grande empresa, porque pesquisa industrial é algo que praticamente inexiste no Brasil. De qualquer forma, há grande chance de ter contato com tecnologias de ponta, seja lá qual for sua área. Deixe sempre bem claro que você é um estudante de Engenharia e que procura um estágio nessa área. Houve um caso em que a empresa oferecia um Praktikum que na verdade era pra trabalhar como operário na linha de montagem, o que pode ser uma boa experiência mas não é o seu objetivo no estágio!

Atenção bolsistas-sanduíche: preciso de mais descrições dos estágios para colocar aqui em baixo, por favor escrevam para mim.

7.3.1) O estágio do pessoal da elétrica de Aachen (Ericsson)

Nosso estágio foi muito bom. Nós trabalhamos no setor de pesquisa da Ericsson Eurolab, que é uma divisão da empresa que faz exclusivamente R&D. O trabalho envolveu bastante programação, principalmente para demonstrar tecnologias que estávamos desenvolvendo nas áreas de comunicação e provimento de serviços em redes. O mais interessante é conviver com a pesquisa das idéias que só estarão em produtos daqui a 2 ou 3 anos. Nessa empresa, todos falavam inglês, já que a Ericsson é uma multinacional. Isso facilitou o trabalho, mas não colaborou para o apendizado do idioma nativo.

8) Revisões

15/07/00: novo projeto gráfico da página.

04/01/00: novo endereço de e-mail: [email protected], no lugar do antigo: [email protected]

28/12/99: Sanduba-FAQ novamente no ar!

13/10/98: Adição do índice, da seção 7 sobre os estágios e das seções 4.11 e 4.12. Também o FAQ ganhou as bandeirinhas e alguns contadores mais sofisticados.

24/08/98: Mudanças nas seções sobre viajar de avião e sobre falar alemão. Mais mudanças na introdução. Incluído o link para a página do tempo na pergunta sobre o frio. Por fim, corrigido o link do DAAD na introdução.

23/08/98: Revisão inicial

9) Créditos

Mantenedor

Eduardo Noriaki Hirata Nazima
 e-mail: [email protected]

Colaboradores

Álvaro Augusto Machado de Medeiros
Dan Faccio
Darli Augusto de Arruda Mello
Jorge Peixoto Vasquez
Melissa Irala
Samantha Grimm Cabral
Sílvia Leda Torres de Farias

 

 

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