Castro: acusações de doping são uma mentira colossal
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Castro: complô contra Cuba
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HAVANA (Reuters) -- O presidente cubano Fidel Castro disse na quinta-feira que uma investigação encomendada por ele concluiu que as acusações de doping contra os atletas cubanos nos Jogos Pan-Americanos foram uma "mentira colossal" destinada a desacreditar seu país.
Castro falou em um programa ao vivo de televisão para apresentar um informe da extensa investigação realizada pelas autoridades esportivas para desmentir as acusações contra o astro do salto em altura, Javier Sotomayor, e três halterofilistas.
Sotomayor, que possui o recorde mundial de sua especialidade, perdeu a medalha de ouro que conquistou nos Pan-Americanos do mês passado em Winnipeg, Canadá, depois que foi divulgado o resultado positivo para cocaína de seu exame antidoping.
Os halterofilistas acusados, William Vargas, Rolando Delgado e Modesto Sánchez, também perderam suas medalhas porque a substância nandrolona foi encontrada em seus respectivos exames de urina.
"Tudo não passou de uma mentira colossal", assegurou Castro, depois de passar quase duas horas lendo um detalhado informe que resumiu os esforços do governo cubano durante o mês de agosto para contestar as acusações de doping.
"Nenhum atleta de nossa equipe de halterofilistas se dopou", afirmou o mandatário cubano, de 73 anos.
Amostras enviadas para Europa
Castro também informou que as amostras da urina dos esportistas que foram enviadas secretamente por Cuba depois dos jogos para laboratórios da Espanha e de Portugal não mostraram vestígios de drogas.
"A nandrolona é uma substância que melhora o desempenho dos atletas e deveria ter sido identificada em todas as amostras de urina, mesmo depois de vários dias de injetada no corpo", disse Castro.
O presidente cubano também defendeu firmemente Sotomayor e o elogiou como um exemplo de "atleta nobre". "Ele negou que tivesse consumido cocaína e até chorou quando lhe informaram que o resultado do exame tinha sido positivo", disse Castro. "É um homem honesto e acreditamos nele".
O governante cubano, usando sua característica farda militar verde oliva, deixou bem claro durante sua apresentação que Cuba considerava falsas as acusações de doping contra Sotomayor e contra os halterofilistas e que tudo foi resultado de um complô deliberado.
"Inventaram a cocaína para desprestigiar o atleta e Cuba", afirmou.
O presidente e os dirigentes esportivos cubanos que foram chamados a testemunhar durante o programa sugeriram algumas vezes que as amostras de urina dos atletas da ilha poderiam ter sido manipuladas em Winnipeg.
Mas não apresentaram provas diretas de exatamente como isso aconteceu, nem identificaram quem poderia ter feito a troca.
Castro referiu-se a "manobras do inimigo" e falou de uma "uma suja e mesquinha guerra política lançada contra os atletas cubanos por parte de opositores ao governo comunista de Cuba.
Crítica aos organizadores do Pan
Depois das desclassificações, Cuba terminou em segundo lugar no quadro geral de medalhas dos Pan-Americanos, atrás dos Estados Unidos.
O presidente cubano criticou ferozmente os organizadores dos jogos de Winnipeg, especialmente os funcionários médicos da Organização Desportiva Pan-Americana por causa dos exames antidoping.
Castro qualificou o laboratório de Winnipeg onde foram feitas as análises de "desorganizado e indiscreto", e assegurou que os procedimentos para a realização dos testes foram cheios de irregularidades.
"O vencedor, no canto vermelho, é Cuba", proclamou o presidente, como fazem os juizes de boxe.
O escândalo de doping não foi a única controvérsia em torno da participação de Cuba em eventos esportivos internacionais em agosto.
No final do mês, a equipe de boxe da ilha retirou-se do Campeonato Mundial Amador, realizado em Houston, em protesto contra o que afirmaram ter sido uma arbitragem injusta.
Os dirigente cubanos disseram que uma "máfia" de juizes desonestos estava mancomunada para privar os lutadores cubanos de medalhas.