4 de setembro, 1999 5:02 p.m. hora de Nova York (2102 GMT)  

 Esportes

Fidel Castro insiste na inocência de seus atletas e pede ao COI uma investigação

Fidel fala a correspondentes estrangeiros antes de ir à televisão

HAVANA (CNN) -- O presidente de Cuba, Fidel Castro, ligou as acusações de doping contra atletas cubanos às hostilidades políticas que sofre seu país e pediu ao Comitê Olímpico Internacional (COI) que limpe seus nomes.

"Não descansaremos até conseguí-lo", disse Castro na sexta-feira à noite, na segunda parte de um programa de televisão ao vivo, do qual participaram a estrela cubana do salto em altura, Javier Sotomayor, e três levantadores de peso, que refutaram as acusações de doping.

Proclamando que "a honra vale mais que a vida", o líder cubano fez um apelo ao presidente do COI, Juan Antonio Samaranch, para que investigue formalmente o que chamou de "grosseiras injustiças".

Castro mencionou os Jogos Panamericanos de Winnipeg, no Canadá, durante os quais Sotomayor, dono do recorde mundial de salto em altura, e dois levantadores de pesos, William Vargas e Rolando Delgado, foram privados de suas medalhas de ouro depois que não passaram pelos testes antidoping.

Outro levantador de pesos, Modesto Sánchez, perdeu uma medalha de prata pelo mesmo motivo.

"Que devolvam as medalhas"

"Exigimos que lhes sejam devolvidas as medalhas, que foram ganhas limpamente e lhes foram tiradas com procedimentos criminosos e cínicos", disse o presidente.

Castro também se referiu ao recente campeonato mundial de boxe amador realizado em Houston. Os boxeadores cubanos se retiraram da competição em protesto contra as decisões dos juízes, que eliminaram vários deles.

Com a voz às vezes embargada de indignação, o presidente cubano de 73 anos denunciou o que chamou de "conspiração", "conjuração" e "uma manobra" para sujar a imagem esportiva de Cuba.

�É uma guerra contra nós", disse Fidel, lembrando que Cuba passou 40 anos resistindo às tentativas de seus inimigos políticos de pôr fim à sua revolução socialista.

Explicou que ainda é prematuro indicar algúm culpado direto pelos escândalos esportivos contra seu país, mas disse que entre os possíveis culpados estariam "profissionais da contrarrevolução e do crime".

"Uma máfia conhecida"

"Há uma máfia cubano-americana bem conhecida", disse Fidel referindo-se aos exilados cubanos de direita, que freqüentemente assediam os atletas cubanos em competições internacionais.

O presidente foi particularmente firme na defesa de Sotomayor, um dos astros esportivos mais populares de Cuba, que foi acusado de ter resíduos de cocaína no sangue depois de competir em Winnipeg.

"Essas acusações são um crime atroz, um repugnante assassinato moral", disse Castro, acrescentando que Cuba tomará medidas legais, se for necessário, para limpar a imagem dos atletas que segundo ele foram caluniados.

"As nossas provas são irrefutáveis", disse mostrando cartas e fax em que vários funcionários esportivos e médicos cubanos denunciam o que chamam de graves irregularidades nos procedimentos antidoping dos Jogos Panamericanos.

Castro disse que as mesmas amostras de urina dos levantadores de pesos cubanos tinham sido analisadas em laboratórios europeus e não mostraram vestígios de drogas.

O presidente anunciou que Cuba montará seus próprios laboratórios antidoping modernos, para que também sejam utilizados por outros países da região.

Hosted by www.Geocities.ws

1