
Histórico dos movimentos de Neopaganismo Germânico
(por Aistan Falkar)
A
reconstrução do Paganismo Germânico, começou de uma forma muito distinta
daquela que hoje em dia, podemos acompanhar, e deu passagem em seu trajeto, a
uma série de termos, como Ásatrú ("Fidelidade aos Aesir"),
Odinismo, Forn Sed ("Antigo Caminho", e em Anglo Saxão Fyrnsidu),
Heathenry, Germanic Heathenry, e o Theodish, além de outras formas de
representação do tradicionalismo ligado aos Ases e Vanes.
Em meados do Século 19, começou-se a catalogar e definir um
conjunto de costumes e crenças, sobreviventes, em meio a famílias alemãs e de
outras regiões do Norte da Europa, de forma a produzir uma recriação romântica
de todo o contexto dessa tradição.
Havia um contingente relativo de grupos sobreviventes aos
massacres e mutilações, tanto humanas quanto representativas dos costumes dos
povos, praticados pelos invasores cristãos.
Muitos se mantiveram em segredo, praticando os costumes
ancestrais em seus lares.
Muitos abertamente serviram de exemplo, e foram mortos em nome
da tradição, e são incontáveis os crimes decorrentes, das totalmente
condenáveis atitudes praticadas por Olaf Haraldsson (Olaf, o Gordo),
Rei Norueguês.
E muitos outros
praticaram exatamente os mesmos atos, em busca do ouro de Roma.
Houve também uma
pequena sobrevivência de textos, infelizmente alterados para o ponto de vista
cristã, mas que mantiveram muito dos costumes antigos da Paganismo Germânico.
Esse foi o caso
da Edda que Snorri Sturlusson escreveu, a título de fazer sobreviver a métrica
da poesia islandesa, conhecida como kenningar.
No entanto a
presença do contexto de muitos detalhes do tradicionalismo nórdico, ligado ao paganismo
germânico, puderam também sobreviver a partir disso, embora a cristianização
seja clara e categórica, como podemos observar por exemplo, dentro do contexto
da Voluspa e do Ragnarock (notemos que este último está mais para uma percepção
sobre os fatores climáticos ligados a sazonalidade, e bem como as Festividades
do Decorrer do ano, como é o caso do Jiula).
Após o final do
século 19, e começo das primeiras décadas do século 20, começou um crescente
enfoque nos termos e terminologias nórdicas, que começaram a ser absorvidos e
utilizados em larga escala, dentro de movimentos de característica
nacionalista, muito ativos dentro da Alemanha e da Áustria, mas que
infelizmente estavam levando em consideração, tanto a orientação cristã dada
pela adulteração praticada no decorrer do tempo, contra o Tradicionalismo
Germânico, assim como efetuaram a fusão deste com modelos de pensamento ligados
a visão Européia do Hinduismo, o que em si foi conhecido em uma de suas
vertentes por Kardecismo, e em outra de suas vertentes por Teosofia.
Assim sendo, os
modelos de pensamento que supunham um dito “...logos solar...”, montado em seu
cavalo branco para resgatar valores “...ários...”, como encarnação divina
incorporada na terra, foi adicionado aos termos de “...algumas partes...” do
Paganismo Germânico, e a Swástica perdeu muito do seu sentido original, para
dar enfoque apenas ao ponto de vista ligado ao Sol em tanto quanto o Falo, ou
seja, ao modelo “...Fálico Solar...” .
E assim,
engendrou-se um retorno do Paganismo Germânico, sob o termo Odinismo, mas com
essa marca alterando completamente todo o sentido de sua atividade, de sua
atitude, e do desenlace final que é produzido por suas qualidades, em todos os
sentidos.
Após o final da
Segunda Guerra Mundial, muitos grupos ligados a esse Odinismo (hoje em dia
conhecido como Odalismo), acabaram fluindo para dentro da Igreja de Anglicana
de Odin fundada no final dos anos 50 por Alexander Rud Mills, que teve como um de seus expoentes, posteriormente, Elsie Christiansen.
Ocorre que após um tempo relativamente
pequeno, muitos grupos de Odinistas não vinculados a igreja de Odin, e outros
que haviam estado ligados a ela, geraram focos de práticas, em várias regiões,
e exatamente disto veio a surgir o Asatru, e algumas outras formas ligadas ao
Paganismo Germânico, em maior ou menor grau.
Nos dias de hoje, o Paganismo Germânico
está em franca Ascensão em todos os países da América Latina, em Todos os
Países da América do Norte, em todos os Países da América Central, em todos os Países da Europa, e bem como
Oceania, com expoentes na Austrália. Constituindo um número muito grande de
praticantes de nos mais variados estilos de Paganismo Germânico.
Analisemos agora, um pouco do
que se passa nos principais grupos e estilos, de pratica e praticantes dentro
dos caminhos que tem algo em comum com o Paganismo Germânico.
O Odinismo é uma a
mais antiga das formas de Neo paganismo Germânico, que está em atividade até
nossos dias, e que teve também os períodos mais conturbados de todas elas.
É creditado o início do uso deste termo a
um livro de Orestes Brownson,
escrito em 1948, cujo nome era “...O Renascer do Odinismo...”, em que Alexander
Rud Mills, em 1930 da vulgar era cristã, teria o re-introduzido para engendrar
a Igreja Anglicana de Odin, que acaba de criar.
Elsie Christeansen que tornou-se uma
divulgadora desta Igreja, juntamente com a Fraternidade de Odin, trouxe o termo para a América do Norte, em
que por volta de 1970 o Odinic Rite declarou-se especificamente Odinista, sendo
o grupo mais antigo em atividade.
O tradicionalismo germânico, esteve
presente durante todo o conturbado período da Segunda Guerra Mundial, na forma
como o texto descreve acima, sempre
sendo maculado pela presença do thurse cristão.
No entanto o Odinismo nada tem haver com
grupos específicos, pessoas isoladas, ou mesmo tendências presentes em obras,
ou mesmo opiniões de autores, que limitam-se em sua dita apresentação de
Paganismo Germânico, apenas a uma prática de sectarismo ou mesmo de racismo.
A forma como procede o
Odinismo atualmente, está ligada a divisões que acabaram sendo necessárias,
pela própria natureza das pessoas envolvidas com o Paganismo Germânico,
inclusive para distinguir extremistas de não extremistas.
Apesar do termo Odinismo estar claramente ligado a “...Odin...”,
ele não se limita apenas aos mistérios “...Odínicos...”, tratando
igualitariamente a todos os Ases e Vanes, e na verdade é uma forma direta e
organizada, de abranger os costumes, os valores, as virtudes e bem como a
prática da tradição e de tudo que define o que o Paganismo Germânico é em sua
essência.
O Odinismo possui vertentes
que primam pela presença de um Gudja, um sacerdote que centraliza os Blots
(cerimônias), e guia a todos em seu Clã, pelo bem não de si, mas do conjunto
que está a sua volta.
Há todo um conjunto de
estudos ligados ao que é ser um Gudja, e há todo um corpo de requisitos
necessários, que sem os quais seria ineficiente qualquer tentativa para
engendrar o nascimento de outro Gudja.
Apesar de que, muitos grupos
de odinistas e asatruares, similarmente aos heathenry, não verem com bons olhos
a presença de um Gudja, ou Gothi (intermediário), alegando que não haviam
cargos especializados para realização dos trabalhos sacerdotais, nos tempos
antigos.
É fato que o chefe de uma
família era aquele que exerceria este cargo.
É fato que poderia ser tanto
o Pai quanto a Mãe, de acordo com o Blot, cerimônia, ocasião ou necessidade.
E é fato que os Clãs são
unidades familiares, que vem compor as tribos.
O que define essencialmente
um dos motivos para a presença de Gudjas, em meio às celebrações.
Algumas organizações
Odinistas: Aliança Odinista da Águia Visigoda; Odinic Rite.
Este movimento vinculado aos costumes e
tradições especificamente da Islândia, foi reconhecido legalmente em 1972 da
vulgar era cristã, pelo parlamento islandês, e teve como sua expressão mais
conhecida como primeiro Gothi, Sveinbjorn Betteinsson.
O termo Asatru implica em um um neologismo inventado no contexto do
nacionalismo romântico do séc. XIX, usado por Edvard Grieg em sua ópera Olof Trygvason de 1870.
Define-se pela combinação da
palavra AS (que também está ligado aos termos AZA, AESIR, ASA, ASES),
implicando assim nos Deuses Aesires, combinada a palavra TRÚ (que quer dizer
Fidelidade ou Fé).
Essa definição claramente foi
usada, por uma forma de identificação e de referência ao Odinismo, uma vez que
Wotan (Gudam, Vodan, Votan, Odin) é chamado de Allfathur ( Pai de Todos), e
sendo assim os ASES estariam todos ligados a presença de Votan.
Há uma enorme quantidade de
grupos ligados ao termo Asatru, muitos deles com tendências a “...wicca...”, e
outros com tendências muito forte ligadas ao “...Wotanismo...”, que era
praticado na igreja de Odin, outros ainda são complementares a movimentos da
“...nova era...”, e há também movimentos asatruares, que em si mesmos, procuram
uma renascimento da temática praticada no período anterior ao da igreja de Odin,
justamente o que era praticado pela ariosofia.
Algumas organizações
asatruares: Asatruarfélagio; Asatru Folk Assembly, Rune Gild.
Esse é um termo muito similar a um neologismo, que na verdade é empregado para distinguir as praticas pagãs de todos os outros povos, das praticas pagãs dos povos nórdicos, uma vez que heidni, aparece em algumas sagas islandesas para definir os que estão ligados as tradições mais antigas.
Os heanthenrys normalmente não conseguem conceber uma idéia
centralizada a cerca da presença de um Gudja, ou Gothi, e empregam cerimoniais
que podem muito bem ser improvisados para a ocasião, ou ter uma agenda
vinculada a atividade “...específica...” de algum grupo heathenry.
Distinguem-se de outros grupos de praticantes de tradições
nórdicas, justamente por essas características, e por nem sempre levarem a
termo operações que envolvam magia propriamente dita, pois muitos grupos de
heathery relegam seus hábitos a um contato com ancestrais, ou algumas oferendas
simples, limitando-se apenas a isso.
No entanto, como está descrito mais acima, existe o incorreto
costume de empregar a palavra heathenry, para definir todo e qualquer tipo de
prática de “...Paganismo Nórdico...”, e muitas vezes isso é estendido ao
Odinismo, o que em si equivale a um erro gritante.
Este termo pode
aparecer também como Forn Sed (escandinavo mais recente), Fyrnsidu (anglo
saxão), e está diretamente ligado a formas de Paganismo Germânico da
Escandinávia.
A palavra Forn
quer dizer “...Antigo...”, e a palavra Sidr implica em “...Costume...”, muitas
vezes subentendida como “...Caminho...”, dando um sentido de caminho antigo.
O objetivo de
uso deste termo, implica em distinguir-se por meio dele, do “...novo
costume...”, que veio com a chegada de “...hwiths krists thurses...” (cristo
branco invasor).
O Theodisc Geléafa, é uma reconstrução dos costumes e tradições de tribos de Anglo Saxões, que se estabeleceram na Inglaterra.
Orientam-se pelo modelo anglo saxão, abrangendo atualmente
também as formas e modos de ser escandinavos e do restante da Europa, que por
ventura estejam enquadrados dentro desse mesmo ponto de vista.
Garman Lord deu forma ao Witan Theod em Water Town,Nova York, em
1976 da vulgar era cristã, e tem suas origens vinculadas diretamente a Seax
Wicca.
Um dos pontos que distinguem o Theodisc Geléafa de outras
vertentes do Paganismo Germânico, é o fato de que procuram reconstruir não
somente a tradição, mas também o conjunto total dos costumes, da Hierarquia
Tribal, das línguas originais, derivando disso o fato de que o Theodismo é uma
vertente, que estabelece uma relação interna de “...Monarquismo...”.
Algumas
organizações de Theodisc: Axenthod Thiad; Sahsic Thiad; New Anglia Theod.
Com foi dito acima, há uma divisão em 3 categorias, ligada a tudo o que se refere dentro dos caminhos que ligam-se ao Paganismo Gemanico.
Por uma série
de fatores e motivos, vinculados inicialmente a necessidade de liberdade em relação
as marcas deixadas por sectaristas, assim como para poder exercer a plenitude
do renascimento do Paganismo Germânico, livre das muitas formas de corrupção
monoteísta, que infectaram inclusive obras, usadas como base para estudos
dentro da Tradição Germânica.
Os grupos de
praticantes dividiram-se em:
-
Universalistas: Que aceitam a combinação de
costumes, usos e meios, diferentes do Tradicionalismo Germânico, estando em
muitos casos ligados a movimentos “...New Age...”, sendo muitas vezes totalmente
inconscientes no que fazem ou efetuam, ou mesmo inconseqüentes em suas
atitudes, tendo fraca base de estudos, ou de resultados;
-
Tribalistas: Categoria que aceitam a presença de
membros, independente da origem, cor ou raça desde que seja firmado um voto de
confiança entre o novo membro e o Clã ao qual está pleiteando adentrar, por
meios de juramentos de mútua confiança, sob a presença de um Gudja que o admite
no Clã;
-
Elitistas: Categoria que vê a si mesma como uma
“...elite étinica...”, ligada a uma determinada raça ou origem, e que somente
admitem em seu meio, pessoas que por ventura tenham a mesma origem que a deles
mesmos. Os elitistas podem chegar a extremos de recusar a presença de pessoas
que não sejam descendentes puros, de uma determinada localidade da qual seus
pontos de vista, visam.
É hábito que se estabeleça dentro de qualquer grupamento
consciente, de prática de Paganismos Germânico, o respeito pelas Nobres Nove
Virtudes, assim como pelo conhecimento e aplicação do Havamal, para um nível elevado
de relacionamento ser estabelecido entre os membros desses mesmos grupos.
Da mesma maneira, recomendasse que se pratique e estude todos os
conceitos presentes dentro da temática da Cosmogenese Germânica, assim como a
estrutura de valores ligados a essa temática, e a aplicação prática e ética na
vida de cada um dos membros.
Pede-se a cada membro que esteja sempre consciente do uso
reflexão e da racionalidade, para que as partes turvadas pela intoxicação
monoteísta, possam ser substituídas pela expressão mais correta dessa
Espiritualidade Germânica. E justamente é nisso que se enquadra o
“Reconstritucionismo” dessa Tradição Pagã Germânica.
Vemos assim, por conta de muitos dos detalhes acima, que poderemos encontrar uma enorme variedade de derivações populares, que vão de músicos a escritores, que tem se usado como fonte de inspiração, justamente do Paganismo Germânico.
Podemos citar a
obra de Tolkien por exemplo, que declaradamente usou-se da Edda – assim como do
Kalevala – para engendrar seu “...O Senhor dos Anéis...”.
Podemos citar
também artistas modernos, que em seus trabalhos ou cinematográficos, ou mesmo
musicais, usam-se igualmente do tradicionalismo nórdico para criar e dar vazão
a sua capacidade artística.
Há algumas
bandas de Folk Metal ou mesmo de Black Metal, por exemplo, que são
especializadas nisso como é o caso da Ragnarock, Finntroll, Ensiferum, Otyg,
Visntersorg.
Também devemos
citar, que mesmo as tradições populares ligadas ao “...folk – lore...” de cada
povo, não conseguem escapar da contribuição do Paganismo Germânico, em meio a
suas celebrações, por mais que estejam adulteradas pelo monoteísmo.
Este é o caso
das celebrações de Junho, as chamadas Festas Juninas no Brasil, onde é efetuada
uma fogueira, e as pessoas dançam em roda a volta desta, e tem por hábito
saltar sobre a fogueira.
Tudo isso como
reflexo das festas ocorridas no Fruma Lintha, a festa de Ana Midie Asans, do
calendário Gothico.
Ou mesmo a grande
colaboração causada pela presença Visigoda, ao conjunto de leis e regras da
Espanha como foi o caso do Liber
judiciorum.