Telefonia Móvel
A Telefonia Celular, ou Sistema Móvel Celular (SMC), é uma modalidade da comunicação telefônica, destinada a permitir que assinantes móveis possam se comunicar com outros assinantes móveis ou com a rede telefônica fixa (RTPC) e vice-versa.
O sistema móvel celular é definido como uma rede de comunicações por rádio que permite mobilidade contínua através de muitas células. Suas principais características são: baixa potência na transmissão do sinal e reutilização das freqüências disponíveis dentro do sistema.
É uma das aplicações de maior demanda e velocidade de crescimento tanto nos países desenvolvidos quanto em alguns sub-desenvolvidos, como no caso do Brasil.
Essa tecnologia complexa que
tem
demandado muito esforço em âmbito mundial a fim de tratar de
sua evolução. Estão previstos para um futuro próximo, uma padronização
mundial dos sistemas, permitindo mobilidade total, bem como transmissão de
dados, multimídia e etc.
A principal característica do sistema celular é propiciar mobilidade ao usuário. Para que isso seja possível, é necessário que todo o espaço pelo qual o usuário irá transitar seja "coberto" pelo sistema. Assim, surgiu o conceito de células, descrito a seguir, que deu o nome de celular para esse sistema.
Dá-se o nome de célula a uma área geográfica "iluminada" por uma estação rádio, ou seja a área de cobertura de uma estação rádio. Em um sistema celular, o telefone do usuário móvel recebe sinais de várias áreas e, se o sinal da estação rádio mais próxima for muito maior que os demais, o usuário só percebe esse sinal mais forte. Toda área geográfica em que isso acontece pertence à célula dessa estação rádio base. A descrição visual de um conjunto de células pode ser visto na figura 1.

Fig1 -
Representação do Sistema Celular
As dimensões da área de cobertura, ou seja, de uma célula, variam de acordo com a altura da torre, grau de urbanização do terreno, altura das edificações, grau de arborização das ruas, inclinação e topologia do terreno, bem como da potência de transmissão e ganho das antenas da estação. Ou seja, é uma área completamente irregular e difícil de ser determinada.
Os projetistas de sistemas celulares possuem ferramentas poderosas capazes de fazer uma predição da cobertura de uma célula, como visto na figura 2, que mostra a imagem de uma célula apresentada por uma ferramenta de predição. Porém, constantemente há necessidade de se fazer medidas e corrigir a cobertura de acordo com reclamações dos usuários. Nos projetos, o hexágono é adotado como uma representação gráfica da área de cobertura, a fim de facilitar o planejamento.

Fig 2 - Imagem de
uma célula apresentada
por um software de predição
Células Omnidirecionais
Nesse tipo de célula, a ERB é equipada com uma antena omnidirecional, que transmite a mesma potência em todas as direções como mostra o diagrama abaixo, formando assim, uma área circular cujo centro é a própria ERB.

Fig 3 - Diagrama de
Radiação - Antena Omnidirecional
Células Setorizadas
A ERB é equipada com antenas diretivas, de tal forma que cada uma cubra uma determinada área. O diagrama de radiação é dado pela seguinte forma:

Fig.4 - Diagrama
de radiação - Antena Diretiva
Há situações em cada antena cobre uma área, de tal forma que a ERB seja o centro do conjunto de células iluminado por cada uma das antenas, como mostrado na figura abaixo.

Fig.5 - Omni, 3
setores de 120 graus, 6 setores de 60 graus
Há outras formas de setorização e uso de antenas diretivas, como por exemplo, quando se quer cobrir apenas uma rodovia.
Normalmente, nos sistemas em funcionamento, a setorização ocorre com freqüência em ambientes urbanos, onde o número de canais por área deve ser grande, a fim de aumentar a capacidade do sistema. O diagrama de células setorizadas é representado pela seguinte forma:
Fig. 6 - Antena com três setores
A forma como o total de canais é sub idido entre as várias células dá origem ao cluster, ou conglomerado de células, que é o conjunto de células contíguas que possuem juntas o total de canais do sistema. Padrões de conglomerados comumente utilizados:
- 7 células omnidirecionais (como mostrada na fig. 1)
- 21 células, 7 ERB's de 3 setores
- 24 células, 4 ERB's de 6 setores
- 12 e 4 células omnidirecionais
Dado um número fixo de canais eles serão distribuídos pelas células que compõem o conglomerado. Dessa forma, quanto mais células tiver um conglomerado, menos canais terá cada uma das células e vice-versa. Por outro lado, quanto menos células ele tenha , menores serão as distâncias entre as células de mesmos canais e, conseqüentemente, maior a probabilidade de interferência entre elas. Por isso, a escolha do tipo de conglomerado de células depende de encontrar um equilíbrio entre esses fatores.
Todos esses conceitos citados acima, dependem de um outro que é a base do sistema celular, o Reuso de Freqüências.
É a aplicação desse conceito que permite que o espectro finito destinado ao sistema celular seja utilizado por um número tão grande de usuários.
O sistema analógico, por exemplo, funcionando na faixa de freqüência utilizada para celular no Brasil, de 824 a 849 MHz para recepção e 869 a 894 MHz para transmissão, sendo que necessita de um canal de 30 kHz por usuário, totalizando 333 canais por sistema. Dos 333 canais, 312 são de voz e 21 de controle. Sendo assim, se não fosse o reuso de freqüência, somente 312 pessoas poderiam utilizar o telefone celular simultaneamente. O canal de 30kHz destinado a cada usuário, tem esse tamanho devido a modulação a que a voz é submetida. Se houvesse essa modulação, a largura de banda necessária para transmitir a voz seria a mesma utilizada no telefone fixo, ou seja, 3,4 kHz.
Essa técnica permite que a mesma freqüência usada nos canais de uma célula sejam reutilizadas em células não adjacentes.

Fig. 7 - Padrões de Reuso
Quanto maior o reuso, maior a capacidade do sistema. Os padrões de reuso mais comumente utilizados são: K=3, K=4, K=7, K=12. Alguns exemplos são dados na figura 5, acima.
A distância de reuso de canais D depende do raio de uma célula R e do número K da células em um cluster. Ou seja,
Onde:
D = distância em metros ou
quilômetros
Essa fórmula pode ser deduzida através de propriedades geométricas dos hexágonos utilizados para representar as células.
Como foi dito anteriormente, da mesma forma que o reuso de canais incrementa a capacidade do sistema, aumenta também a chance de ocorrer a interferência co-canal.
Assim, testes empíricos mostraram qual deveria ser a intensidade do sinal desejado na presença de um sinal interferente, de tal forma que os usuários considerassem a qualidade do sinal como boa ou excelente. O valor encontrado na relação sinal/ruído foi 18dB, que é hoje o valor padrão da indústria para sistemas analógicos.
Em alguns casos, há necessidade de se tomar algumas medidas para fazer o controle da interferência. Dentre elas:
redução da potência e/ou altura da torre da ERB interferente
utilização de antenas diretivas e downtilt, ou seja, inclinação angular nas mesmas
adição de novas células e modificação do plano de freqüências
|
K células/cluster |
D/R |
Canais/célula |
Capacidade de Tráfego |
Qualidade de Transmissão |
|
1 |
1,73 |
360 |
Mais alta |
Mais baixa |
|
3 |
3,00 |
120 |
|
|
|
4 |
3,46 |
90 |
|
|
|
7 |
4,58 |
51 |
|
|
|
12 |
6,00 |
30 |
mais baixa |
Mais alta |
Tabela 2.3.1: Capacidade de Tráfego e interferência co-canal
A ERB, ou Estação Rádio Base (figura 6), é o elo de
ligação entre o telefone móvel e a Central de Comutação. Suas funções são:
no caso do sistema analógico, converte os sinais digitalizados de voz que trafegam entre a Central e a ERB em sinais analógicos para a transmissão em FM realizada entre a EM e a ERB.
Monitora os canais de voz em conversação para avaliar a intensidade do sinal, indicando para a central quando os valores medidos estão fora das especificações, para que seja iniciado processos de transferência para outras células (handoff), quando for necessário.
Uma
ERB analógica possui em média, 128 canais.
Suas antenas são
responsáveis pela irradiação e recebimento dos sinais de várias estações
móveis.
fig. 9 - Estação Rádio Base
A Central de Comutação Celular, ou CCC, é uma central telefônica tradicional, expandida para operar com software próprio de serviço móvel celular. Além dos serviços tradicionais de uma central telefônica, a CCC oferece serviços suplementares como:
Interceptação de usuário ausente, ou seja, encaminhamento da chamada recebida para um serviço de caixa postal;
Bloqueio de chamadas originadas dos tipos DDI, 900 ou 0900, conferência e consulta, chamada em espera;
Criptografia da informação circulada no sistema (serviço opcional);
Bilhetagem e tarifação;
Registros estatísticos de todos os tipos de usuários para estudo do tráfego telefônico;
Análise dos dados das EMs;
Supervisão das ERBs e dos canais rádio;
Teste e localização de falhas;
Administração de todo o sistema;
A CCC é interligada a uma central de telefonia fixa padrão (RTPC), fazendo a conexão com esse sistema.
A Estação Móvel, ou EM, é o terminal móvel do usuário. Embora haja uma infinidade de modelos com funções ersificadas disponíveis no mercado, no geral, ela é composta por uma unidade de controle, um transceptor e uma antena.
Ao ser habilitado pela operadora do sistema celular, a EM recebe um número de série que é a identificação do aparelho dentro do sistema.
As conexões entre as ERBs e as CCCs do sistema não são exclusivamente sem fio, através de microondas. Ela pode ser feita através de fibra ótica ou cabo coaxial. Da mesma forma é a conexão entra a CCC e a RPTC.
Os canais de rádio utilizam freqüências separadas para transmissão da EM e para a ERB (operação duplex) para que não haja interferências entre esses dois sinais. A diferença entre essas duas freqüências é sempre 45 MHz. Esse número 45 MHz foi imitado pela ANATEL do FCC, órgão que regulamenta as telecomunicações nos Estados Unidos. A fim de evitar interferências entre os sinais de recepção e transmissão, 20 MHz já seria suficiente.
Faixas de freqüências utilizadas para trasmissão celular:
Banda A
Recepção - 824 MHz a 835
MHz
Transmissão - 869 MHz a 880
MHz
845 MHz a 846,5
MHz
890 MHz a 891,5 MHz
Banda B
Recepção - 835 MHz a 845
MHz
Transmissão - 880 MHz a 890
MHz
846,5 MHz a 849
MHz
891,5 MHz a 894 MHz
Fig. 10 - Alocação do Espectro de Freqüências
A figura acima, mostra a alocação no espectro de freqüências.
A maioria dos canais são utilizados para transmissão de
voz. Os demais, transmitem informações necessárias para se estabelecer a
comunicação. Esses canais de informação são chamados de canais de
controle.
825 a 845 MHz - 666 canais de 30 kHz no sentido EM - ERB
870 a 890 MHz - 666 canais de 30 kHz no sentido ERB - EM
O conjunto de 666 canais é idido em 2 sistemas, A e B. Os sistema alocados na banda A são comercializados pelas empresas oriundas do Sistema Telebrás, as chamadas concessionárias. A
Os sistemas da banda B são operados pelas empresas-espelho, que surgiram após a privatização do sistema de Telefonia brasileiro. Essa isão é mostrada na figura abaixo

fig. 11 - Espectro
de Freqüências na Faixa do Celular
Em ambos os sistemas são comercializados 333 canais, onde 312 são canais de voz e 21 de controle. Esses canais são numerados de 1 a 333 na banda A e de 334 a 666 na banda B, a partir da freqüência mais baixa de cada banda. Assim, a freqüência do canal pode ser obtida a partir do seu número da seguinte forma:
sentido ERB - EM (direto) : F = (n. canal x 0,03) + 870
sentido EM - ERB (reverso): F = (n. canal x 0,03) + 825
Por exemplo, se o canal 20 for designado pela CCC para conectar uma EM, teremos a freqüência de 870,6 MHz no sentido direto e 825,6 no sentido reverso.
Além da conversação em si, os canais de voz também transmitem algumas sinalizações de controle entre a ERB e o móvel. São elas:
SAT ou Tom de sinalização de áudio: usado para supervisionar a qualidade da transmissão. É enviado nos dois sentidos durante a transmissão de voz, na freqüência de 6 kHz. Serve para monitoração da relação Sinal/Ruído do canal.
ST ou Tom de sinalização: Enviado pela EM em 10 kHz. Serve como sinalização de linha no estabelecimento de uma chamada ou handoff (troca de célula que opera a EM).
Dados em banda larga: Podem ser ordens da ERB para a EM, como aumento de potência, liberação da chamada, designação de canal de voz durante o handoff, ou então, confirmação de ordens vinda do móvel e dados como endereço chamado e etc.
4.3.2 Canais de Controle
Normalmente, existe um canal de controle em cada célula. No caso de haver mais canais de controle que células, eles simplesmente não são utilizados, da mesma forma que ocorre no canal de voz.
São usados para:
Transmitir mensagens gerais dos parâmetros do sistema;
Transmitir mensagens de busca e informações gerais;
Mensagens de designação de canal de voz e informações gerais;
Receber mensagens da EM;
Busca de uma EM (paging);
Cada mensagem de sinalização é transmitida na forma de palavras de 28 bits, que por serem codificados na forma de código de correção de erros, passam a ter 40 bits.

fig. 12 - Esquema
de ligação móvel-fixo
Os itens a seguir correspondem ao números circulados no diagrama acima:
O usuário teclou o número a ser chamado e pressionou a tecla "SND"
a EM sintoniza o canal de controle e envia uma mensagem de originação para a ERB
a ERB recebe a mensagem, converte para o formato do fabricante e acrescenta a identificação da célula e setor, enviando-a para a CCC
a CCC consulta a tabela de canais da célula, identifica um canal livre e informa o número para a ERB
a EM identifica o canal de voz designado e faz a sintonia, detecta a presença do SAT e retorna-o para a ERB
a ERB recebe de volta o SAT, certifica que o canal de voz foi ativado e comunica à CCC
a CCC recebe a confirmação e providencia a conexão com a rede fixa
a rede fixa faz a conexão com o assinante chamado e envia à CCC um sinal de assinante chamado
O assinante chamado atende e a comunicação se inicia.

fig. 13 - Esquema
de ligação fixo-móvel
Os itens a seguir correspondem ao números circulados no diagrama acima:
a central fixa analisa o número chamado verificando que é um telefone celular e acessa a CCC
a CCC responde para a central que a chamou
a CCC envia uma mensagem de busca para todas as ERB`s de sua área de controle em busca do número chamado
cada ERB faz chamada ao usuário através de uma mensagem de busca
estando ligado, a EM reconhece seu número, capta o canal de controle e envia uma mensagem de resposta para a ERB
a ERB recebe a mensagem, converte-a para o formato do fabricante, ou seja, para a forma que o fabricante armazena e trata os dados, e acrescenta a identificação da célula e setor, enviando-a para a CCC
a CCC confere o número da EM, checa seu cadastro e consulta a tabela de canais da célula, identifica um canal livre e informa o número para a ERB
a ERB recebe o número do canal de voz livre, transmite para a EM e insere nesse canal o SAT da célula
a EM identifica o canal de voz designado e faz a sintonia, detecta a presença do SAT e retorna-o para a ERB
quando a ERB recebe o SAT, obtém a confirmação que o canal de voz foi acionado corretamente. Envia uma mensagem a EM que aciona a campainha
o usuário móvel é alertado e a EM envia um sinal de usuário sendo chamado
a ERB avisa a CCC que o usuário está sendo chamado, que por sua vez, avisa a central fixa
o usuário móvel atende, termina o sinal de usuário sendo chamado. A ERB reconhece que o usuário atendeu, avisa à CCC que avisa à central
a conversação é iniciada e a CCC registra o tempo para fins de tarifação

fig. 14 - Esquema de desconexão de uma chamada a partir do celular
Os itens a seguir correspondem ao números circulados no diagrama acima:
o usuário do telefone móvel apertou a tecla "END" de seu aparelho. A ERB envia o Tom de Sinalização (10 kHz) durante 1,8s, informando à ERB que está liberando a chamada
a ERB reconhece que a EM desligou e comunica esta informação à CCC, que por sua vez, comunica à central fixa, enviando para ela o sinal de desconexão, ao mesmo tempo que atualiza sua tabela de canais voz, indicando o novo canal livre
após atualização da tabela, informa à ERB correspondente, que desliga o transmissor daquele canal de voz
O handoff é uma função que permite manter a continuidade de
uma conversação quando o usuário passa de uma célula para outra. O handoff
está centralizado na CCC e causa uma interrupção na conversação inferior a
0,5s.
A célula de sinal mais forte passa a controla a EM, como
mostra a figura abaixo:
fig. 15 - Handoff
Para isso, é necessário que haja uma
sobreposição na área de cobertura das células adjacentes.
A mudança de
uma ERB ligada a uma CCC para outra ERB ligada a outra CCC, durante uma
chamada é denominado handoff entre centrais.
Quando a EM entra na área de controle de outra CCC, essa central é conhecida como central visitada (CCC-V) e o assinante, como visitante.
Essa função ocorre da seguinte forma:
Uma EM ao entrar em uma nova área de controle, registra-se automaticamente na CCC que controle essa nova área
A CCC visitada irá verificar se essa EM não havia se registrado anteriormente. Caso esse procedimento não tenha sido efetuado, a CCC visitada irá informar a CCC domicílio da nova posição da EM
Essa última registrará que a área em que o visitante está. Assim, o visitante estará habilitado a usar o telefone celular como se estivesse na sua própria área.
Três técnicas distintas podem ser utilizadas na comunicação entre a EM e a ERB, conhecida por interface aérea do sistema: FDMA, TDMA e CDMA.
No FDMA (Frequency ision Multiple Access), a faixa de transmissão é idida em um determinado número de canais, os quais são atribuídos aos usuários através de um processo de consignação por demanda, ou seja, em uma ERB o usuário pode utilizar qualquer um dos canais que esteja desocupado no instante considerado. Esta técnica é a única aplicável aos sistemas analógicos.
No TDMA (Time ision Multiple Access), cada usuário dispõe de toda a faixa de freqüência durante um determinado período de tempo denominado janela (slot).
No CDMA (Code ision Multiple Access), uma seqüência de código distinta é atribuída a cada usuário e todos os usuários utilizam a mesma faixa de freqüência relativamente à faixa originalmente ocupada pelo usuário.
O primeiro padrão de comunicações móveis que introduziu o conceito de célula foi o padrão AMPS. O padrão AMPS foi desenvolvido pelo Bell Labs e foi instalado experimentalmente em Chicago em 1978, embora, devido a problemas de regulamentação, a exploração comercial do AMPS só tenha sido iniciada em outubro de 1983. Com base no Amps ersos outros padrões foram desenvolvidos e implementados durante a primeira metade da década de 80. Em 1979, foi desenvolvido o sistema MCS (Móbile Communication System) no Japão. Em 1980, o sistema NMT (Nordiska mobil Telefongruppen) foi desenvolvido nos Países nórdicos. O sistema TACS (Total Access Communication System) foi desenvolvido em 1982 pelo Reino Unido e o sistema C 450 em 1985 pela Alemanha.
No Brasil, a telefonia móvel foi introduzida em 1972, através de um sistema de baixa capacidade, instalado em Brasília. Entretanto, o primeiro sistema de telefonia celular AMPS somente foi implantado em 1990 pela Telerj, no Rio de Janeiro. Logo em seguida veio o sistema da Telebrasília em 1991.
Este sistema utiliza uma modulação FM (Freqüência Modulada - analógica) para a transmissão de voz (como utilizada nas rádios FM comerciais). Da mesma maneira como as rádios FM utilizam uma banda de freqüência dedicada (88 a 108 MHz), onde cada estação ocupa uma sub-banda de freqüência (150 kHz), também o celular analógico utiliza uma banda de freqüência na faixa de 800 MHz, que se ide em A e B, sendo está as sub-bandas ididas em canais de 30 kHz para cada conversação. A figura 1 mostra que a faixa de 30 kHz fica dedicada a conversação durante todo o tempo de conversação.
A figura abaixo mostra o esquema de funcionamento do AMPS:

fig. 16 - Esquema de
funcionamento do AMPS
Duas diferentes filosofias orientaram o desenvolvimento dos sistemas digitais que constituem a base da segunda geração da telefonia celular móvel. Na Europa, a necessidade de um sistema que facilitasse o roaming internacional levou ao padrão GSM (Global System for móbile Comunnication), incompatível com os sistemas analógicos atuais. Os Estados Unidos e o Japão, ao contrário, optaram pela compatibilidade com os sistemas de primeira geração, de modo a permitir, com o uso de estações móveis duais, uma transição suave para a tecnologia digital.
Com a finalidade de operar com amplificadores de potência não lineares (alto rendimento), são empregadas variações da modulação por desvio de fase de 4 níveis (QPSK - Quaternary Phase Shift Keying), as quais propiciam também uma satisfatória relação de compromisso entre a largura de faixa do canal de transmissão e a tolerância ao ruído. A técnica de acesso TDMA é usada em um dos padrões americanos e nos padrões europeu e japonês. O outro padrão americano adotou a técnica de acesso CDMA.
Nos estados Unidos foi adotado um padrão TDMA com 30 kHz de freqüência portadora chamado atualmente por D-AMPS, ou seja, AMPS digital. Este padrão utiliza um TDMA com 3 usuários por portadora. O quadro tem duração de 20 ms, correspondendo cada janela a 6,67 ms. Este sistema permite obter um ganho 3 vezes maior do que a capacidade do AMPS analógico.
A especificação básica do padrão digital europeu, ou GSM, incluindo a técnica de acesso TDMA e a arquitetura do sistema, foi aprovada em junho de 1987. Atualmente, o padrão GSM (Global System for móbile Communications) é adotado em toda a Europa, na Austrália e em ersos países asiáticos. A largura de faixa da portadora para este sistema é de 200kHz. Na técnica de acesso TDMA, cada usuário dispõe de toda esta faixa durante 577 microsegundos, ou seja, o período de tempo de uma janela (slot). A reunião de 8 usuários distintos corresponde ao quadro (frame), cuja duração é de 4,615 milisegundos.
Esta estrutura simplifica a parte de RF das ERBs e dos terminais móveis, uma vez que não é necessário um receptor independente para cada canal, como no caso dos sistemas analógicos com técnica de acesso FDMA. O padrão GSM foi projetado de modo a ser compatível com a RDSI (Rede Digital de Serviços Integrados). Assim, o GSM oferece uma série de funções de chamada, tais como: espera, desvio de chamada, chamada com restrição, etc., e uma variedade de serviços de dados até 9600 kbps, onde é dispensável o emprego de modems específicos.
Embora conhecida desde a década de 40, a tecnologia de espalhamento do espectro manteve-se durante muito tempo restrita a aplicações militares, aproveitando suas características de privacidade (dificuldade da intercepção) e resistência a sinais interferentes (intencionais ou não). Apenas nos anos 80 o potencial desta tecnologia passou a ser explorado também em aplicações comerciais.
No caso dos sistemas móveis celulares, o emprego como técnica de acesso da versão CDMA tem base na alta rejeição a sinais interferentes, tanto no que diz respeito às interferências inerentes ao sistema (co-canal e canal adjacente), como para interferências externas. Neste contexto, o uso de códigos ortogonais e um cuidadoso controle do nível da potência transmitida das ERBs são procedimentos fundamentais.
O CDMA foi padronizado nos EUA com o código IS-95. Esta técnica tem como característica básica espalhar o sinal de conversação digitalizado no espectro com um determinado código, que é uma chave de identificação para cada usuário. Desta forma as conversações dos usuários poderiam trafegar todas juntas sem causar interferência entre elas. Para obter esta característica é necessária uma banda maior que os 30 kHz utilizados pelo AMPS e pelo TDMA. Esta banda é de 1,25 MHz. Normalmente, o sinal transmitido nessa técnica, por estar espalhado no espectro, tem um nível de potência inferior ao ruído gerado pelos outros usuários. Esse recurso ajuda a garantir a segurança do sistema.
O diagrama abaixo ilustra a utilização desta técnica:

fig. 17 - Esquema de funcionamento do
CDMA
A figura acima mostra que a conversação dos usuários trafegam ao mesmo tempo ocupando a mesma banda de 1,25 MHz.
O sistema CDMA tem um ganho de capacidade de aproximadamente 8 vezes o oferecido por um sistema analógico AMPS ocupando a mesma faixa de freqüência.
Entende-se por terceira geração os sistemas que visam uma integração a nível mundial das comunicações pessoais. Nesta linha, sob responsabilidade de um grupo de estudo da UIT-R (União Internacional das Telecomunicações - Radiocomunicação), encontra-se em desenvolvimento o conceito de FPLMTS (Future Public móbile Telecommunications Systems), ou seja, Sistemas Públicos de Telecomunicações Móveis Terrestres do Futuro. Os PFLMTS visam unificar os ersos sistemas existentes atualmente em uma estrutura capaz de oferecer em torno do ano 2000 uma ampla gama de serviços em ambientes ersos. Entre outros, os seguintes objetivos dos PFLMTS podem ser destacados:
Uso de terminais por em âmbito global;
Incorporação de uma variedade de sistemas com disponibilidade de serviços de telefonia e dados, assim como qualidade e confiabilidade comparáveis à rede fixa;
Compatibilidade de serviços com a rede fixa;
Interligação de usuários móveis a outros usuários móveis ou fixos através das redes de telecomunicações existentes;
Estrutura modular possibilitando um crescimento ordenado e otimizado;
Arquitetura aberta facilitando a introdução dos avanços da tecnologia e novas aplicações.
A área de telefonia celular é uma tecnologia que ainda necessita de
muito estudo e promete muito para sua evolução.
Ela se inicio com os
sistemas analógicos que ainda operam em muitos lugares pelo mundo. Porém,
eles estão sendo substituídos ou funcionando em paralelo com os sistemas
digitais, que usam as tecnologias TDMA ou CDMA para o acesso entre a
Estação Móvel e a Estação Rádio-Base.
A implantação dos sistemas digitais aumentam a capacidade do sistema e são na verdade, um passo para a evolução.
A Terceira Geração de telefones celulares promete alta capacidade para transferência de dados, inclusive multimídia bem como uma "globalização" dos sistemas, fazendo com que o mundo todo possa usar qualquer telefone em qualquer lugar.
Termos e siglas usadas nesse trabalho.
SMC - Sistema Móvel Celular.
RTPC - Rede de Telefonia Pública Comutada.
ERB - Estação Radio-base.
CLUSTER - Conjunto de células contíguas que possuem juntas o total de canais do sistema.
EM - Estação Móvel.
HANDOFF - Função que permite manter a continuidade de uma conversação quando o usuário passa de uma célula para outra.
CCC - Centro de Comutação e Controle.
ITU - International Telecommunications Union ou
UIT - União Internacional de Telecomunicações.
GSM - (Global System fo móbile Communications ). Padrão digital europeu, adotado também na Austrália e em ersos países asiáticos.
RDSI - Rede Digital de Servidos Integrados.
Norma Geral de Telecomunicações NGT n 20/96 -
www.mc.gov.br/Biblioteca/Legislacao/PortariasNormas/normas/norma020_96.htm
Centro Nacional de Treinamento do grupo TELEBRÁS- "Curso Básico de Telefonia Móvel Celular" , 1996
Marcelo Sampaio de Alencar - "Telefonia Digital" , Ed. Erica, 1998