Ao Encontro de uma Nova Era

 

Prefácio

A fabricação e utilização de bombas atômicas são assuntos de flagrante atualidade. As discussões nas Assembléias das Nações Unidas têm despertado geral atenção. A atitude do Racionalismo Cristão em face dum problema da tão terríveis conseqüências, capaz de esterilizar o solo ou exterminar a vida em determinado ponto do planeta, é exposta no capitulo ENERGIA NUCLEAR*, desta obra, de maneira clara, simples e constitui também uma advertência.

O átomo, esse elemento básico da matéria, contém, na sua estrutura, um potencial de força extraordinária. A energia nuclear, subtraída dos átomos, para os efeitos da bomba atômica, corresponde a uma parte de força liberada de cada átomo, e não à liberação da sua potência total.

Com a desintegração da energia atômica, nas experiências nucleares, desprende-se uma enorme radioatividade, que paira nas camadas altas de atmosfera, daí descendo, depois, principalmente pelas chuvas.

Essa radioatividade é altamente nociva, não só porque esteriliza a terra a aumenta o calor atmosférico, como ainda porque, em se tornando cada vez mais densa, pode chegar a um limite, não muito distante, de eliminar a vida no planeta, pela sua influência direta.

O hidrogênio é o mais leve dos gases e, por Isso, se encontra, praticamente puro na periferia da camada de ar, ocupando uma faixa; ele é grandemente inflamável e, em conseqüência das explosões das bombas de hidrogênio a grandes altitudes, é possível dar-se uma explosão, com uma incandescência tal desse gás e decorrente de temperatura elevadíssima, que produzirá a morte de todos os seres viventes do planeta.

Resumindo, pode ser reafirmado que, quanto ao prosseguimento das explosões atômicas, duas reações podem dar-se: ou a explosão do hidrogênio, na parte superior da atmosfera, e conseqüente destruição de toda a vida, na superfície do globo, ou ficar a atmosfera fortemente densificada de radioatividade, o que produziria um resultado igualmente fatal, com a diferença que, no primeiro caso, a morte sobreviria de maneira muito mais rápida do que no segundo.

O desenvolvimento científico precisa ser feito, concomitantemente, com o espiritual, caso contrário, a humanidade fica exposta ao desaparecimento. Por esse risco passa presentemente a Terra, se as experiências e utilização das bombas atômicas não forem suspensas.

Por aí se conclui que a continuação das experiências atômicas representa um risco, sob mais de um aspecto, e que motivos de ordem científica o espiritual prevalecem, de forma bastante nítida, para que não surjam dúvidas quanto ao desfecho das perigosas explosões. Esta advertência, aqui registrada, visa alertar os que ainda puderem revogar as disposições destruidoras de que se acham dominados.

Luís de Souza

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Introdução

Todos os estudantes do Racionalismo Cristão estão empenhados em absorver os seus ensinos, pondo-os em prática onde quer que se encontrem. Igualarem-se a sectaristas não seria possível, pois, se o fizessem, onde estariam os conhecimentos espirituais adquiridos?

Quem se esclareceu, quem sentiu a força da vida fora da matéria, quem percebeu a realidade dos fatos nos planos astrais, não pode mais encaixar o seu raciocínio nas reduzidas expressões materialistas adotadas por vários credos, e retroceder.

O mundo está repleto de indivíduos que só crêem naquilo que podem apalpar e ver com os olhos da carne. Para estes, só há um caminho capaz de os conduzir dentro dos limites de uma relativa e insegura consciência moralista, que é o que as seitas apontam.

E uma ilusão pensar que todos estão preparados para conhecer a Verdade nua e crua, na sua singeleza ou rudez. Na realidade, todos marcham, implacavelmente, para ela, ou na sua direção, mas como a estrada é longa, uns seguem mais à frente, enquanto outros retardam, desnecessariamente, a caminhada.

Ninguém poderia acreditar na realidade das invenções - que hoje são corriqueiras - se elas não fossem apresentadas. Assim são os sectaristas incrédulos quanto ao que lhes informam os espiritualistas, por se encontrarem ainda distanciados do ponto chave do despertar espiritual. E como têm preguiça de investigar por si mesmos, seguram-se, vigorosamente, ao sacerdote, como ponto de apoio, e este, por sua vez, lhes mostra a cartilha milenar ortodoxa, como única saída.

Diante desse quadro, o Racionalismo Cristão é tolerante e compreensivo. De maneira nenhuma deseja incutir no espírito de alguém os seus Princípios. Não há esse afã de procurar "salvar" o próximo. Salvar por que, se não existe condenação eterna? O livre arbítrio é um direito que a todos assiste e, então, se preferirem dar, nesta e em vidas subseqüentes, milhares de voltas, em lugar de seguir em linha reta, é assunto que somente a eles diz respeito. Logo, não há razão para ninguém ter receio de ser assediado, envolvido, catequizado, instado para fazer parte do Racionalismo Cristão, por ser tal procedimento contrário, inteiramente, aos preceitos doutrinários.

Quem não tiver o espírito amadurecido para receber, espontaneamente, o Racionalismo Cristão ou a síntese das normas da Vida que ele proclama, nada tem nele que aprender nem dará valor ao que ouvir ou ler dos seus ensinos. Ninguém dará também maior atenção a isso, por saber que as leis naturais são imutáveis e a natureza não dá saltos.

No entanto, os que podem sentir o Racionalismo Cristão, encontram nele beleza, ensinamentos morais da mais alta concepção e reverência aos postulados espiritualistas que elevam e fortalecem o espírito.

O lema democrático e cristão "liberdade, igualdade e fraternidade", é esposado, dignamente, pela valiosa substância que encerra. O Racionalismo Cristão vê na liberdade o direito de pensar, de escrever, de ensinar, sempre com o alto propósito de beneficiar, esclarecer e remodelar hábitos e costumes, no rigor da moral cristã; vê, na igualdade, o ser como partícula da Inteligência Universal igual perante o Todo, não fazendo, por isso, distinção de raças e nacionalidades, de pobres e ricos, de nobres e plebeus, mas a todos considerando como almas em evolução, merecedoras de apoio espiritual, e vendo na fraternidade a união de todos numa só família que marcha na Vida com um objetivo comum, que é o de alcançar a derradeira etapa da evolução.

Além desse lema, empenha-se o Racionalismo Cristão pela ordem, a moralidade, a decência, a virtude e o amor ao próximo. A ordem compreende o método, a disciplina diária, que fazem com que as obrigações sejam executadas em tempo e as pessoas estejam sempre nos seus postos ou nas posições em que os deveres reclamem a sua presença, de maneira consciente, a moralidade, compreende o respeito que o indivíduo deve a si mesmo, a dignidade pessoal, a honorabilidade em todos os atos, a retidão nos empreendimentos e compromissos assumidos, a discrição nos julgamentos e o respeito aos direitos alheios; a decência, compreende a limpeza moral e física, a nobreza de atitudes, a superioridade em desculpar e a habilidade em reerguer o humilhado; a virtude, compreende a ação filantrópica, o espírito de renúncia e a capacidade de sacrifício; o amor ao próximo, compreende o interesse ativo em favor do semelhante, o valor que se souber dar à amizade, cultivando-a, dedicadamente, e o sentimento cristalino da solidariedade.

O mundo está infestado de sensualismo, de hipocrisia. de egoísmo, de falsidade, de indivíduos que não possuem o menor escrúpulo, que traem, prevaricam, lesam, difamam e escondem debaixo da máscara de bondade todas essas misérias.

Sempre houve na Terra seres de tal espécie, mas o seu número tem aumentado consideravelmente. Na época atual, há muito mais ensejo para desfrutar a riqueza, e a multiplicidade de gozos que o mundo oferece é avidamente disputada pelas criaturas mundanas, sôfregas de prazeres terrenos. Vem daí o aviltamento do caráter, que se corrompe diante da ânsia incontida de fazer fortuna para poder atirar-se às orgias, ao luxo, à ostentação, à superexcitação das emoções vibrantes de sabor sensualista.

Eis porque se mantém o Racionalismo Cristão como um farol aceso, para que ao seu encontro venham os que não querem naufragar, os que buscam a paz, os que não desejam viver atribuladamente, sem rumo, sem orientação. No meio corrupto da humanidade, há os que, embora poucos, relativamente, desejam outro viver, outro meio, outras companhias. Esses são os que, dia mais, dia menos aportarão ao Racionalismo Cristão para regozijo e esclarecimento de seus espíritos.

Quando se chega a compreender que além da luz solar, há uma outra luz, muito mais brilhante, que os olhos físicos não vêem, então o aspecto da vida muda de paisagem e os seus horizontes se dilatam.

Os capítulos que compõem este livro são desdobramentos da Doutrina Racionalista Cristã focalizados com o objetivo de enfatizar, com argumentos mais amplos, os Princípios exarados na obra básica.

Muito a propósito foi o Racionalismo Cristão lançado à Terra neste século vinte, pelo Astral Superior. Nada é feito por acaso, e tudo tem a sua razão de ser. O progresso vertiginoso do século está arrastando as massas humanas para o mais agudo materialismo. As religiões não possuem recursos espirituais para conter a avalanche do mal contaminante.

Era preciso, pois, imperiosamente preciso, que surgisse uma Doutrina revolucionária no sentindo moral, para advertir o mundo do perigo que corre. Essa Doutrina é o Racionalismo Cristão, que vem edificando, com a mais absoluta solidez, os seus alicerces.

A missão do Racionalismo Cristão vem sendo cumprida com método e regularidade. De ano para ano, novos progressos são registrados. Uma obra dessa envergadura não é feita de improviso, nem caminha aos pulos, pois segue a sua rota com ritmo e segurança.

Lutas vem tendo, e muitas, mas estas só têm servido para dar-lhe maior fortalecimento e mais vigoroso impulso.

Assim se confirma que as Forças do Bem são inabaláveis, e que à grandeza dos ideais correspondem os êxitos alcançados. Será de vitória em vitória que a expansão da Doutrina se fará, e muitos milhões de seres hão de ser atingidos, nesta geração, pelos salutares benefícios que o poder da Verdade distribui.

Como não é o Racionalismo Cristão uma criação dos homens, a sua Pátria é o Universo, pois a concepção fraternalista do seu Código tem tamanha amplitude que abrange todo o Universo. Isto é natural. Os que já despertaram para a Luz da Vida, encontram nessa elevada ordem de pensamentos e concepções, um grande conforto espiritual.

O Racionalismo Cristão não é uma Doutrina estanque, em que a criatura se satura e pode dizer que não tem mais o que aprender. Ela cada dia apresenta lições novas, nas experiências que cada um tem de colher.

Os desdobramentos dos ensinos podem ser desenvolvidos em várias direções, e em cada uma delas novas paisagens são oferecidas. Por isso, o adepto do Racionalismo Cristão é um discípulo permanente que nunca chega a ser diplomado, porque os conhecimentos a adquirir estão muito além dos limites da imaginação humana.

A corrente racionalista cristã não se restringe ao orbe terráqueo, estendendo-se pelos Planos Superiores, onde se acham em atividade constante, em favor dessa mesma corrente, muitos milhões de espíritos iluminados. Assim, o trabalho dos racionalistas cristãos não termina com a desencarnação, mas continua, depois, no Espaço Superior, ainda com maior intensidade.

O cultivo da inteligência faz-se com o estudo. É preciso estudar muito, e sempre. O Racionalismo Cristão oferece a oportunidade de conduzir o discípulo ao estudo, à meditação sobre o que ouve e lê, para gravar, no subconsciente, o resumo concentrado do conhecimento.

Aquele que pára de estudar, pensando que já sabe tudo, marca passo e não progride. As obras racionalistas cristãs precisam ser relidas e meditadas. O estudo e a prática constituem um meio eficaz e simples de fazer desabrochar as faculdades intelectuais.

Convém ponderar que a vida terrena vale pelo que pode dar de experiência bem aproveitada; de acordes disciplinares, de espírito de renúncia; de hábitos de simplicidade; de desinteresse pelas coisas vãs e sem objetividade. A paz, a alegria, a felicidade, o encantamento pela Vida, representam um estado que será desfrutado, cada vez mais e melhor, por aqueles que tiverem adquirido o saber e o sentir na prática dos verdadeiros conhecimentos espiritualistas.

O desdobramento dos Princípios racionalistas cristãos, apresentado nesta obra é mais uma contribuição no sentido de facilitar aos estudiosos o desvendamento dos segredos da vida. Decisão e firmeza não deverão faltar nunca aos que quiserem vencer, aos que pretenderem apoderar-se das rédeas de comando do ego rebelde o incontrolado, que pode ser contido pela força de vontade.

*ENERGIA NUCLEAR: A fabricação e utilização de bombas atômicas é assunto de flagrante atualidade. As discussões nas Assembléias das Nações Unidas, têm despertado geral atenção. A atitude do Racionalismo Cristão, em face dum problema de tão terríveis conseqüências, capaz de esterilizar o solo ou exterminar a vida em determinado ponto do Planeta, é exposta, neste capítulo, de maneira clara, simples, e constitui também uma advertência. (Nota dos Editores).

 

 




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