Cartas oportunas sobre Espiritismo
Prefácio
Ao reeditarmos esta coletânea de artigos e cartas de Luiz de Mattos, publicados na imprensa desta Capital, sentimo-nos no dever moral e de consciência de não calar a Verdade pregada e praticada pelo fundador do Racionalismo Cristão, verdade que fere e caustica muitas almas transviadas do bom caminho, para forçá-las a meditar sobre as coisas sérias da vida, entre as quais a prática abusiva do espiritismo.
Pelo seu conteúdo eminentemente esclarecedor e, pois, de combate, não aos homens, mas aos seus erros, compreende-se que este livro não possa ser bem acolhido nos meios melosos do espiritismo não científico, cujos praticantes se sentem feridos na sua vaidade de pontificadores de incautos.
Que nos importa, porém, o que pensam esses pobres ignorantes da vida real, se a finalidade desta obra não é fazer comércio, não é explorar a ignorância ou a credibilidade de quem quer que seja ou alijar criaturas de certas posições, para que outras as ocupem?
Cartas oportunas é obra elucidativa que tudo esclarece sobre espiritismo, mostrando a espíritas e não espíritas o perigo que representam as atuações desordenadas, ainda que feitas com as melhores intenções.
Nos artigos e cartas de Luiz de Mattos, reproduzidas neste livro, usou ele, em muitas delas, linguagem causticante, para alguns dos seus críticos, demasiadamente forte. Mas para quem, como ele, conheceu de perto os praticantes da Magia negra, muitas vezes oculta insidiosamente sob a capa do espiritismo, tais expressões se justificam plenamente, principalmente se levarmos em conta que almas inveteradas no crime astral ou terreno só acicatadas pela dor despertam da embriaguez em que vegetam, rompendo a nuvem negra que as envolve.
Luiz de Mattos foi sempre, na sociedade e na família, um perfeito diplomata, um fidalgo no porte e no trato, mas a sua alma boníssima era como a de todos que se batem por causas justas: vendo a maioria da humanidade resvalar para a prática do mal, escrava de paixões e sentimentos inferiores, dominada pela idéia do gozo puramente material e movendo-se num círculo de honrarias e vaidades tolas, revoltava-se contra tanta materialidade e deixava-se invadir por uma espécie de nostalgia, um desejo de retornar ele que era, e continua a ser, um espírito de elevada evolução ao seu mundo de luz.
Não fora um ser esclarecido, com a consciência, já nítida, da missão que o trouxera à Terra, e se teria deixado talvez vencer pela ânsia de desprender-se da matéria, para ascender ao plano Astral Superior.
As duras verdades contidas nesta obra não devem, pois, inspirar qualquer sentimento de revolta ao leitor, seja qual for a sua maneira de encarar o problema, e não o inspirará, certamente, se considerar que Luiz de Mattos não escreveu por simples passatempo, mas para transmitir à humanidade um pouco do muito que sabia da vida.
Se a sua palavra parecia seca, dura, causticante, a sua alma era transbordante do calor e vida com que envolvia a todos, porque só o bem desejava ao próximo.
Ele verberava para fazer doer e curar, e por isso aqueles que se sentiam atingidos pelas suas verdades, que não podiam refutar, o chamavam de inimigo. Não deixavam de ter certa razão, porque se não era inimigo das criaturas, era-o do que elas praticavam: a mentira e a exploração em nome de Jesus.
Luiz de Mattos deve ser visto, através desta obra, como o Pai austero que censura o filho por vê-lo transviado do bom caminho, mas que, sabendo-o em sofrimento ou já regenerado, vai ao seu encontro, e só se lembra do que precisa fazer para proporcionar-lhe felicidade e bem-estar.
Despeitos, prevenções e idéias preconcebidas devem, pois, ser postos de lado, quando se lê esse livro.
OS EDITORES
* * *