Os Princípios
Racionais
..........Desde seus começos, a
filosofia considerou que a razão opera seguindo certos
princípios que ela própria estabelece e que estão em
concordância com a própria realidade, mesmo quando os
empregamos sem conhecê-los explicitamente. Ou seja, o
conhecimento racional obedece a certas regras ou leis
fundamentais, que respeitamos até mesmo quando não conhecemos
diretamente quais são e o que são. Nós as respeitamos porque
somos seres racionais e porque são princípios que garantem que
a realidade é racional.
..........Que princípios são
esses? São eles:
..........Princípio
da identidade, cujo enunciado pode parecer
surpreendente: "A é A" ou "O
que é, é". O princípio da identidade é a condição do
pensamento e sem ele não podemos pensar. Ele afirma que uma
coisa, seja ela qual for (um ser da Natureza, uma figura
geométrica, um ser humano, uma obra de arte, uma ação), só
pode ser conhecida e pensada se for percebida e conservada com
sua identidade.O princípio da identidade é a condição para
que definamos as coisas e possamos conhecê-las a partir de suas
definições.
..........Princípio
da não-contradição (também conhecido como
princípio da contradição), cujo enunciado é: "A
é A e é impossível que seja, ao mesmo tempo e na
mesma relação, não-A". Assim, é impossível que a
árvore que está diante de mim seja e não seja uma mangueira;
que o triângulo tenha e não tenha três lados e três ângulos;
que o homem seja e não seja mortal; etc.
..........Sem o princípio da
não-contradição, o princípio da identidade não poderia
funcionar. O princípio da não-contradição afirma que uma
coisa ou uma idéia que negam a si mesmas se auto-destroem,
desaparecem, deixam de existir. Afirma, também, que as coisas e
as idéias contraditórias são impensáveis e impossíveis.
..........Princípio
do terceiro excluído, cujo enunciado é:
"Ou A é x ou é y e não há
terceira possibilidade". Por exemplo: "Ou este homem é
Sócrates ou não é Sócrates". Este princípio define a
decisão de um dilema - "ou isto ou aquilo" - e exige
que apenas uma das alternativas seja verdadeira. Mesmo quando
temos, por exemplo, um teste de múltipla escolha, escolhemos na
verdade apenas entre duas opções - "ou está certo ou
está errado" - e não há terceira possibilidade ou
terceira alternativa, pois, entre várias escolhas possíveis,
só há realmente duas, a certa ou a errada.
..........Princípio
da razão suficiente, que afirma que tudo o que
existe e tudo o que acontece tem uma razão (causa ou motivo)
para existir ou para acontecer, e que tal razão pode ser
conhecida pela nossa razão. O princípio da razão suficiente
costuma ser chamado de princípio de causalidade para indicar que
a razão afirma a existência de relações ou conexões internas
entre as coisas, entre fatos, ou entre ações e acontecimentos.
Pode ser enunciado da seguinte maneira: "Dado A,
necessariamente se dará B". E também: "Dado B,
necessariamente houve A".
..........Isso não significa que a
razão não admita o acaso ou ações e fatos acidentais, mas sim
que ela procura, mesmo para o acaso e para o acidente, uma causa.
A diferença entre a causa, ou razão suficiente, e a causa
casual ou acidental está em que a primeira se realiza sempre, é
universal e necessária, enquanto a causa acidental ou casual só
vale para aquele caso particular, para aquela situação
específica, não podendo ser generalizada e ser considerada
válida para todos os casos ou situações iguais ou semelhantes,
pois, justamente, o caso ou a situação são únicos.
( Fonte: Veja o Link Bibliografia )