The Opinion Maker

 

    Portugal prepara-se para iniciar um ambicioso programa de reequipamento militar, cujas directivas e verbas foram apresentados na revisão da Lei de Programação Militar. É um programa complexo, custoso e ambicioso, mas praticável se houver vontade política para isso. A questão financeira poderá deixar de ser um problema, com a retoma da economia mundial encabeçada pelos Estados Unidos da América (EUA), uma potência económica, mas também militar. O exemplo militar dos EUA é algo que se deve ter em conta, pelas suas qualidades e defeitos, pelos seus visíveis sucessos e insucessos. A vontade política do Governo norte-americano em entregar programas de armamento à indústria militar nacional é uma medida que deve ser seguida pelos países europeus. A Alemanha. por exemplo, pondera a aquisição de entre oito a dez aviões P-3 de patrulha marítima à Holanda - que tendo em conta a actual conjuntura estratégica optou por abandonar a operação de tais meios -, enquanto Portugal tenta negociar o restante lote. A Itália, França, Portugal e Alemanha são alguns dos países que poderiam ter interesse em desenvolver conjuntamente - já que as suas forças armadas e indústria não permitem um projecto isolado, que seja válido economicamente - um avião de patrulha marítima para equipar as suas forças aéreas ou marinhas. Caso o fizessem estariam a introduzir uma nova opção num mercado pobre em opções, onde o P-3 norte-americano se assume como o favorito. A questão do P-3 é um dos exemplos possíveis de indicar. Existem outros, como a utilidade de um projecto de uma fragata comum a várias marinhas europeias, que foi abandonado - na fase em que se previa uma fragata comum para os países da NATO - e preterido em favor de projectos nacionais com qualidade, é certo, mas mais dispendiosos e que apostam menos numa (verdadeira) integração militar europeia. A par desta tendência há a tomada de consciência por parte dos países que é necessário reduzir a dependência externa em questões militares, nomeadamente, evitar a aquisição de armamento produzido apenas por um único país e que, por isso, está mais sujeito a limitações quanto ao seu emprego operacional.

    Portugal deve, assim, retirar conclusões das acções de outros países na hora de planear o reequipamento das suas forças armadas. Projectos como o novo blindado de rodas para o exército, a nova arma ligeira, o rádio táctico e os patrulhas oceânicos são mais que indicados para introduzir (ou mesmo reforçar) a participação da indústria portuguesa na produção, desenvolvimento ou fabrico sob-licença de modernos sistemas de armas. Mais, tais equipamentos serão futuramente passíveis de serem vendidos a países estrangeiros originando uma rentabilização do investimento inicial e gerando receitas extraordinárias. Tal não é improvável, é uma realidade, bastará, para isso, referir o interesse de Marrocos no projecto NPO 2000 desenvolvido pelos ENVC ou da Jordânia em modernizar os seus F-16 nas OGMA, tal como fez Portugal. 

    E a frase de ordem deve ser, pois, que não nos fiquemos pela memória da Chaimite, que façamos mais!

 

Pedro Manuel P. Monteiro

 

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