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A Compaixão
Escasseia, na atual conjuntura terrestre, o sentimento da compaixão. Habituando-se aos próprios problemas e aflições, o homem passa a não perceber os sofrimentos do seu próximo. Mergulhado nas suas necessidades, fica alheio às do seu irmão, às vezes, resguardando-se numa couraça de indiferença, a fim de poupar-se a maior soma de dores. Deixando de interessar-se pelos outros, estes esquecem-se dele, e a vida social não vai além das superficialidades imediatistas, insignificantes. Empedernindo o sentimento da compaixão, a criatura avança para a impiedade e até para o crime. Olvida-se da gratidão aos pais e aos benfeitores, tornando-se de feitio soberbo, no qual a presunção domina com arbitrariedade. Movimentando-se, na multidão, o indivíduo que foge da compaixão, distancia-se de todos, pensando e vivendo exclusivamente para o seu ego e para os seus. No entanto, sem um relacionamento salutar, que favorece a alegria e a amizade, os sentimentos se deterioram, e os objetivos da vida perdem a sua alta significação tornando-se mais estreitos e egotistas. A compaixão é uma ponte de mão dupla, propiciando o sentimento que avança em socorro e o que retorna em aflição. é o primeiro passo para a vigência ativa das virtudes morais, abrindo espaços para a paz e o bem-estar pessoal. O individualismo é-lhe a grande barreira, face a sua programação doentia, estabelecida nas bases do egocentrismo, que impede o desenvolvimento das colossais potencialidades da vida, jacentes em todos os indivíduos. A compaixão auxilia o equilíbrio psicológico, por fazer que se reflexione em torno das ocorrências que atingem a todos os transeuntes da experiência humana. É possível que esse sentimento não resolva grandes problemas, nem execute excelentes programas. Não obstante, o simples desejo de auxiliar os outros proporciona saudáveis disposições físicas e mentais, que se transformarão em recursos de socorro nas próximas oportunidades. Mediante o hábito da compaixão, o homem aprende a sacrificar os sentimentos inferiores e a abrir o coração. Pouco importa se o outro, o beneficiado pela compaixão, não o valoriza, nem a reconheça ou sequer venha a identificá-la. O essencial é o sentimento de edificação, o júbilo da realização por menor que seja, naquele que a experimenta. Expandir esse sentimento é dar significação à vida. A compaixão está cima da emotividade desequilibrada e vazia. Ela age, enquanto a outra lamenta; realiza o socorro, na razão em que a última apenas se apiada. Quando se é capaz de participar dos sofrimentos alheios, os próprios não parecem tão importantes e significativos. Repartindo a atenção com os demais, desaparece o tempo vazio para a s lamentações pessoais. Graças à compaixão, o poder de destruição humana cede lugar aos anseios da harmonia e de beleza na Terra. Desenvolve esse sentimento de compaixão para com o teu próximo, o mundo, e, compadecendo-te das suas limitações e deficiências, cresce em ação no rumo do Grande Poder. (Responsabilidade - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Questão de Sintonia O fascínio que Jesus exercia sobre todos que O defrontavam, derivava da sua superioridade espiritual. Seus silêncios penetravam na alma dos seguidores, que se comoviam, submissos. As Suas palavras ressoavam demoradamente na acústica dos seres que se deixavam na permear pelo verbo revelador. Seus atos mudavam o habitual e apresentavam a sua natureza transcendente. Quantos eram convocados, quase sem raciocinar, tudo abandonavam pelo prazer de O seguir. Os que debandaram, no momento do testemunho, volveram, de imediato, autodoando-se, mais tarde, em holocausto de amor ou renasceram assinalados pela Sua convocação, seguindo-O com valor e renúncia total. Ao Seu lado vivia-se o clima da esperança, em perfeita comunhão espiritual com a Vida Maior. A morte, a ninguém se afigurava como o fim da vida, mas representava uma porta de acesso à Vida... Faze uma avaliação dos teus atos e considera se estás em condições de partir. O conhecimento espírita que te reconduz a Cristo, dá dimensão da responsabilidade que te cumpre desenvolver. De bom alvitre, portanto, que reconsideres atitudes negativas, situações conflitantes e estados de perturbação que te assinalam as horas. Colocando a vida espiritual em primeiro plano nas tuas atividades e conduta, a vida passará a ter sentido superior. Sairás da torpe situação em que te debates a lutarás com mais decisão pela conquista de ti mesmo, em conseqüência, da tua paz. Sintonizando com Jesus, sentir-te-ás fortemente atraído por Ele, e, mediante uma firme resolução, conquistarás, como os Seus primitivos seguidores, a felicidade que ainda não fruíste. (Receitas de Paz - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Ante o Natal Considerando a alta significação do Natal em tua vida, podes ouvir e atender os apelos dos pequeninos esquecidos no grabato da orfandade ou relegados às palhas imundas da miséria, em memória de Jesus quando menino; consegues compreender as dificuldades dos que caminham pela via da amargura, experimentando opróbrio e humilhação e dá-lhes a mão de amigo em gesto de solidariedade humana, recordando Jesus nos constantes testemunhos; abres os braços em socorro aos enfermos, estendendo-lhes o medicamento salutar ou o penso balsamizante, desejando diminuir a intensidade da dor, evocando Jesus entre os doentes que O buscavam, infelizes; ofereces entendimento aos que malograram moralmente e se escondem nos recantos do desespero social, procurando-os para os levantar, reverenciando Jesus que jamais se furtou à misericórdia para com os que foram colhidos nas malhas da criminalidade, muitas vezes sob o jugo de obsessões cruéis; preparas a mesa, decoras o lar, inundas a família de alegrias e cercas os amigos de mimos e carinhos pensando em Jesus, o Excelente Amigo de todos... Tudo isto é Natal sem dúvida, como mensagem festiva que derrama bênçãos de consolo e amparo, espalhando na Terra as promessas de um Mundo Melhor, nos padrões estabelecidos por Jesus através das linhas mestras do amor. Há todavia, muitos outros corações junto aos quais deverás celebrar o Natal, firmando novos propósitos em homenagem a Jesus. Companheiros que te dilaceraram a honra e se afastaram; amigos que se voltaram contra a tua feição e se fizeram adversários; conhecidos caprichosos que exigiram alto tributo de amizade e avinagraram tuas alegrias; irmãos de fé que mudaram o conceito a teu respeito e atiraram espinhos por onde segues;colaboradores do teu ideal, que sem motivo se levantaram contra teu devotamento, criando dissensão e rebeldia ao teu lado; inimigos de ontem que se demoram inimigos hoje; difamadores que sempre constituíram dura provação, todos eles são oportunidade para a celebração do Natal pelo teu sentimento cristão e espírita. Esquece os males que te fizeram e pede-lhes te perdoem as dificuldades que certamente também lhes impuseste. Dirige-lhes um cartão colorido para esmaecer o negrume da aversão que os manteve em silêncio e à distância. nos quais, talvez, inconscientemente te comprazes. Provavelmente alguns até gostariam de reatar liames... Dá-lhes esta oportunidade por amor a Jesus, que a todo instante, embora conhecendo os inimigos, os amou sem cansaço, oferecendo-lhes ensejos de recuperação. O Natal é dádiva do Céu à Terra como ocasião de refazer e recomeçar. Detém-te a contemplar as criaturas que passam apressadas. Se tiveres olhos de ver percebê-las- ás tristes, sucumbidas, como se carregassem pesados fardos, apesar de exibirem tecidos custosos e aparência cuidada. Explodem facilmente, transfigurando a face, e deixando-se consumir pela cólera que as vencem implacavelmente. Todas desejam compreensão e amor, entendimento e perdão, sem coragem de ser quem compreenda ou ame, entenda ou perdoe. Espalha uma nova claridade neste Natal, na senda por onde avanças na busca da Vida. Engrandeces-te nas pequenas doações, crescendo nos deveres que poucos se propõem executar. Desde que já podes dar os valores amoedados e as contribuições do entendimento moral, distribui, também, as jóias sublimes do perdão aos que te fizeram ou fazem sofrer. Sentirás que Jesus, escolhendo um humílimo refúgio para viver entre os homens semeando alegrias incomparáveis, nasce, agora, no teu coração como a informar-te que todo dia é Natal para quem o ama e deseja transformar-se em carta viva para anunciá-lo às criaturas desatentas e sofredoras do mundo. Somente assim ouvirás no imo da alma e entenderás a saudação inesquecível dos anjos, na noite excelsa: Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens vivendo um perene Natal de bênçãos por amor a Jesus. (Bênçãos do Natal - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Natal de Luzes A sombra dos sofrimentos dilatava-se, envolvendo povos e nações engalfinhados em guerras sanguissedentas, avassaladoras. A arrogância do poder temporal erguera tronos à selvajaria. A impunidade abraçada à arrogância, nutriam-se das multidões que gemiam esmagadas do o eito da escravidão. O servilismo e a indignidade confraternizavam com a hediondez e a traição, que devoravam incontáveis populações sob o látego da crueldade. O mundo era conduzido pela arbitrariedade de homens inescrupulosos e sem coração, que, não obstante, transitavam no carro físico rumando para o túmulo. As hectacombes sucediam-se e a criatura humana humilde valia menos que uma animália. A esperança parecia haver fugido do proscênio terrestre, enquanto a treva predominava. Foi nesse sombrio cenário que a manjedoura se transformou em uma Via Láctea e nasceu Jesus. As estrelas desceram ao vale escuro e inundaram a grande noite com inapagáveis claridades. Desde então, o Seu é um Natal de luzes. Antes dEele a selvajaria elegia os seus líderes sandeus, insensíveis, semeadores da destruição, sequazes da morte. Embora as coroas de louros dos triunfos, com as quais desfilavam, temidos, foram arrastados à sepultura, não sobrevivendo à própria temeridade. Depois dEle, novos guerreiros desembainharam as espadas e continuaram as hediondas carnificinas, inscrevendo alguns, nos seus estandartes, o símbolo do Seu sacrifício ou Suas inesquecíveis palavras... Passaram como tempestades violentas, deixando marcas terríveis, mas foram esquecidos. Ele, no entanto, silenciosamente fez reverdecer o solo crestado dos corações, onde hoje florescem a esperança e a alegria de viver. É certo, que ainda permanecem na Terra, as conjunturas inquietantes do crime, da insanidade e o sofrimento crucifica incontáveis criaturas em toda parte, Jesus, porém, está alerta. A Sua mensagem balsamiza multidões e levanta os combalidos nos mais diferentes lugares. Sua vida é paradigma de equilíbrio e de vitória para bilhões de outras vidas. Como brisa cariciosa Ele alcança os seres e apazigua-os, impulsionando-os com suavidade para os Seus rumos. O Seu estoicismo é lição poderosa e alentadora para todos que nEle meditam. ...E quantos sintonizam com o Seu pensamento, ergam-se dos pauis terrestres às constelações siderais. Não te deixes consumir pela angústia ou pelo medo destes dias. Busca Jesus nas tuas paisagens íntimas e estabelece um vínculo de amor com Ele, deixando-te conduzir pelo caminho seguro do Bem. Se Ele, porém, ainda não nasceu no teu coração, abre-te à possibilidade, para que aconteça esse evento imediatamente, passando a conviver com a Sua presença libertadora. Aquele foi um Natal de luzes, que iniciou era nova para a humanidade em desalinho. Permite que este seja o teu momento luminífero e transformador com Ele nascendo nos teus sentimentos e clareando a noite afligente em que te encontras em um permanente Natal de luzes. (Bênçãos do Natal - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Jesus Veio Ele veio e é a "luz do mundo". Depois dEle nunca mais a treva se fez vitoriosa. Enquanto predominavam a violência, a agressividade, a escravidão dos vencidos, o vilipêndio dos valores morais a benefício da força e do orgulho, Jesus veio ter com os homens. Toda a sua vida constitui até hoje a afirmação do espírito invencível sobre a precariedade das coisas utópicas do mundo. Assinalando com a humildade o Seu berço, demonstrou que cada um é a soma das aquisições pessoais intransferíveis, que se sobrepõem às situações e enganosas distinções da vilegiatura física dos povos. Nenhum estardalhaço em Seu ministério se registra, privilégio nenhum. Caracterizado pela nobreza e elevação espiritual de que se encontrava investido, propôs o amor como terapêutica para a violência e o viveu integralmente. Nunca traiu o postulado em que alicerçou a sua mensagem de esperança e paz. Deu-se a si mesmo em todos os lances da vida, olvidando-se, intimorato, das próprias conveniências, pensando nas criaturas humanas e submisso às superiores determinações do Pai. Exaltando o amor, como caminho único para alcançar a felicidade, tornou-se o amor, por enquanto ainda não amado. Ele veio, e Sua vida mudou os rumos do pensamento, estabelecendo diferente diretriz histórica. Com Ele surgiu o homem integral, protótipo perfeito que Deus nos "concedeu para servir de modelo e guia". Identifica-te com Ele, deixando-te impregnar pelos Seus exemplos, a teu turno apresentando- O aos companheiros do processo evolutivo, em que te encontras. Em situação alguma te afastes dEle. Pensa no labor que Ele desenvolveu e aceita- lhe o convite para O seguir. Hoje, mais do que nunca, quando novamente a violência e o crime se dão as mãos, a dor e o desespero explodem em todo lugar, vive Jesus, trazendo-O de volta, pelo teu exemplo aos que ainda não O conhecem devidamente. Ele veio e nunca se apartou de nós. Não importa que a data do Seu nascimento seja simbólica. Inquestionável é o fato: Ele veio e ninguém conseguiu realizar até hoje o que Ele fez. Faze a tua parte, e evoca-Lhe o Natal em todos os dias da tua vida, tornando-a sinfonia de feitos. Se te parecer difícil lográ-lo, inicia, neste Natal, o dia novo da tua perfeita comunhão com Jesus, auxiliando o nascimento dEle em outros Espíritos e prosseguindo sem cansaço até o momento da tua libertação total. Faze do dia de Natal o teu momento de paz, que se tornará um permanente compromisso com Jesus, em favor das criaturas para as quais Ele veio. (Oferenda - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco)
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Ponte Mediúnica
Mergulhado na matéria densa pelo impositivo da reencarnação, que faculta ao Espírito o processo abençoado da evolução, graças às experiências de que se enriquece, este perde, normalmente, os contatos com a realidade donde veio, padecendo de compreensível esquecimento da vida espírita. Os interesses gravitam, então, em torno das necessidades imediatas do plano físico; os impositivos da "luta pela vida", quase sempre revertem a escala de valores, dando nascimento a lutas acerbas e extravagantes; dúvidas cruéis pairam nos painéis da mente, em relação à imortalidade da alma; inquietações e fobias surgem, avassaladoras, sombreando os dias da existência orgânica; dissabores e enfermidades, insucessos comerciais e dificuldades econômicas induzem à loucura e ao suicídio; empenhos por gozar a hora que passa dominam os cuidados do homem, que teme o aniquilamento da vida por falta de bases reais sobre as quais apoie as convicções da sobrevivência espiritual... Liberando o ser de tais amarguradas situações, a Divindade concede a ponte da mediunidade, a fim de que se mantenha o intercâmbio lúcido entre os dois abismos da vida: o material e o espiritual. Por ela retornam os Espíritos em triunfo sobre a morte, falando da vida em plenitude e apresentando o resultado das suas ações, enquanto estiveram na forma carnal. A esperança, em razão disso, alenta o homem físico e orienta-o com segurança para o salutar aproveitamento das horas, granjeando recursos que se lhe constituirão bens inalienáveis para a felicidade. Não existisse a mediunidade e inumeráveis problemas seriam insolucionáveis, permitindo que mais graves conjunturas conspirassem contra a criatura humana. Sem ouvir-se, nem sentir-se a realidade espiritual de que os implementos mediúnicos se fazem instrumento, certamente grassariam mais terríveis dramas e tormentosas situações injustificáveis. A mediunidade, colocada a serviço do bem com Jesus, enxuga as lágrimas da saudade, diminui as dores, equaciona enfermidades complexas, dirime dúvidas, sustenta a fé, conduzindo à caridade luminosa e libertadora. Reveste as tuas faculdades mediúnicas com as vibrações superiores da prece, alicerçando-a na sadia moral e usando-a serviço da edificação de quantos sofrem. Exercita-a com disciplina e estuda-lhe a metodologia com as luzes da Doutrina Espírita, compreendendo que ela te é concedida, não por merecimento de tua parte, que o não possuis, senão por misericórdia de acréscimo do amor de nosso Pai, a fim de que o homem não se esqueça de que sempre, na vida, edificante e enobrecido deve ser o seu comportamento, fora ou mergulhado na carne. Toma como modelo Jesus, o Médium de Deus, que jamais se excusava, amando e servindo sempre, na condição de divina ponte entre o Criador e todos nós. (Luz Viva - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Contrastes Corredores e salas suntuosos, abarrotados de arte, representando a composição e a técnica representativos da beleza dos tempos, somando quilômetros de encantamento e poder, contrastam, não obstante, com a paisagem sórdida dos guetos e favelas, onde milhões de criaturas se exaurem, pela fome e pela enfermidade, sob o impositivo da ausência de parcas moedas que lhes diminuiriam a miséria e a dor. Museus refinados, exibindo jóias e ourivesaria caprichada, em inumeráveis espaços, retratam a força e a glória das gerações passadas, embora a orfandade e o abandono juvenil, que, padecendo de penúria, são armados pelo ódio e pelo descaso que sofrem, para a delinqüência e a loucura. Cofres fortes, atulhados de moedas e barras de ouro, ocultando gemas de valor incalculável, que não vêem a luz do Sol, ao mesmo tempo em que a necessidade, corrompendo e malsinando milhões de vidas, que são destruídas pela abjeção em que se encontram, esquecidas pela abastança e pela fortuna. Luxo em excesso, pregando renúncia. Poder desmedido, ensinando submissão. Egoísmo enfermiço, propondo fraternidade real. Orgulho em demasia, convocando à humildade. Este é um mundo de contrastes, de imperfeições! Não bastassem as situações antípodas, chocantes, e, ao lado de tanta grandeza, aumenta a ferida purulenta, em chaga viva, dos vícios e licenças morais, amesquinhando e contaminando outras vias que apenas começam. Ante o deslumbramento que produzem a arte a grandeza, que vês em toda parte, não feches os olhos à dor e à sordidez que se abraçam e passeiam em tua frente. Depois de visitares o luxo e o refinamento em que vivem os triunfadores de breves momentos, não ignores a presença dos desditosos e miseráveis que enxameiam em todos os sítios. Uns são as causas dos estados dos outros, isto é: os excessos de alguns produzem a escassez, e o acúmulo em poucas mãos responde pela ausência do necessário em verdadeiras multidões. Aprende a lição que a vida te ministra nestes contrastes. Ninguém escapa à morte do corpo. Aqueles detentores que pareciam eternos envelheceram, enfermaram e morreram como os seus vassalos escravos. Os opulentos e os miseráveis morrerão, deixando tudo. Nivelar-se-ão no túmulo, embora a diferença exterior de que se revistam as tumbas. Deixarão tudo o que detêm e o que lhes faz falta... Mas, voltarão à Terra. Talvez, conforme viveram, invertam-se as posições. Antigos reis, chefes de Estados, ministros, prelados e religiosos, chefes de Igrejas, acumuladores dos tesouros que geraram miséria de milhões, hoje mendigam à porta dos seus antigos palácios e templos, enxotados, de quando em quando, pelos novos detentores, iguais a eles outrora, enganados. Donatários e poderosos voltaram, mas, sequer, podem olhar o que antes lhes parecia pertencer. Uns fazem-se ladrões e tentam recuperar, na insânia em que ainda se debatem, o que supõem pertencer-lhes. Outros, tornam-se guardas de salas e corredores, vigiando as jóias frias, as estátuas mortas que os não vêem, mas que eles prosseguem cuidando, avaros e infelizes. É o mesmo mundo de contrastes... Jesus, o ímpar amante da beleza, fez, porém, do homem, o mais grandioso altar e, da Natureza, o templo augusto, onde o amor é o tesouro mais poderoso e mais fácil de ser adquirido, para quem deseja viver, realmente, a Eternidade, sem contrastes, nem equívocos. (Roteiro de Libertação - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Página À Mulher Espírita No momento em que os valores humanos padecem injunções lamentáveis e os postulados éticos em que se devem estruturar os ideais de engrandecimento da criatura malogram no báratro das paixões, o Evangelho, como ocorreu no passado, constitui a única bússola, a segura rota mediante a qual a hodierna civilização poderá encontrar a solução para os múltiplos problemas e os graves compromissos que pesam negativamente na economia da felicidade geral. As Religiões, na sua feição de Instituições Organizadas, disputando as primazias e mais preocupadas com a dominação e promoção transitórias do que com o "reino de Deus" que é "tomado de assalto" e se estabelece nas paisagens ignotas da alma, fracassaram lamentavelmente, no tentame de consolar e conduzir a Jesus. Os seus triunfos aparentes se fixam no terreno falso dos destaques mundanos, faltando- lhes as estruturas morais legítimas e os comportamentos espirituais relevantes com que seja possível pôr cobro à anarquia social e ao desequilíbrio moral que grassam, voluptuosamente, tudo conduzindo de roldão... Isto, porque os padrões em que ainda se firmam asfixiam o espírito do Cristo que deveria vigir nas suas expressões e serviços. Sem dúvida em todas elas, como em qualquer lugar, a presença do Amor e a manifestação da Divina Misericórdia constituem sinal de esperança. Sem embargo, a necessidade da vivência evangélica se impõe urgente, impostergável. Em decorrência de tal malogro, aos cristãos novos, os adeptos da Revelação Espírita, está reservado significativo ministério, relevante apostolado: viver o Cristo e representá-Lo em atos ao aturdido viandante destes dias. Não assume esta uma tarefa de absurda possibilidade, exceto se o candidato se recusar integração com fidelidade real ao programa de recristianização da Terra. Nesse sentido, à mulher espírita se reserva preponderante atividade, ou seja a de transformar-se, médium da vida que é, em mensageira da dignificação moral, da santificação da sexualidade, da redenção espiritual... Arrostando diatribes e espezinhamentos chulos, deverá volver às bases nobres do amor com a conseqüente valorização da maternidade, reconstituindo a família e elevando os sentimentos. Programada pelo Pai para o sagrado compromisso de co-criadora, a sua libertação, ao invés do nivelamento nos fossos das sórdidas paixões dissolventes, se deve caracterizar pela própria grandeza, que a alça à condição de modelo e paradigma da Humanidade, que se inicia no lar, onde deve reinar, soberana e respeitada. Organizada essencialmente para o amor, no seu mais nobre significado, dela muito dependem as novas gerações, o homem do futuro. Conclamá-la à abnegação e ao laboratório da caridade com elevação de propósitos, inspirando-a ao incessante prosseguimento das realizações cristãs primitivas, eis um dever que a todos nos cabe desempenhar. Pouco importem os contributos de renúncia e de sacrifício. Nesta arrancada para os novos tempos do amanhã, a mulher espírita desempenhará superior desiderato porque modelada, como todas para ser mãe, mesmo que suas carnes não se enfloresçam com as expressões dos filhos, far-se-á o anjo tutelar dos filhos sem mães, mãe pelo coração e pela dedicação a todas as criaturas. (Sementes de Vida Eterna - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********** Incursão na consciência Remontando-se à origem da vida nos mais remotos passos, encontra-se a presença do psiquismo originado em Deus, aglutinando moléculas e estabelecendo a ordem que se consubstanciou na realidade do ser pensante. Etapa a etapa, através dos vários reinos, essa conscência embrionária desdobrou os germes da lucidez latente até ganhar o discernimento vasto, plenificador. À medida que a complexidade de valores se torna unificada, por atavismo das experiências anteriores, os conflitos e os distúrbios que respondem na área psicológica pelos muitos problemas que o afligem. Faz-se então indispensável, ao adquirir-se o conhecimento de Si, o aprofundamento da busca da sua realidade, deslindando os complicados mecanismos viciosos que impedem a marcha ascensional e não o levam à realização total. Os impulsos orgânicos propelem sempre para a comodidade, a satisfação dos instintos, o imediatismo do prazer, a prejuízo da meta essencial: a libertação dos processos determinantes dos renascimentos carnais, que são as paixões primitivas. A atração pelo mundo exterior conduz, por sua vez, a inumeráveis distonias emocionais, que atormentam e desvairam o indivíduo, afugentando- o de si mesmo num rumo difícil de ser mantido. Somente através de um grande empenho da vontade é possível olhar para dentro e pesquisar as possibilidades disponíveis para melhor identificar o que fazer, quando e como realizá- lo. Trata-se, essa tarefa, de um desafio que exige intenção lúcida até criar o hábito da interiorização, partindo da reflexão para o mergulho no oceano do Si, daí retirando as pérolas preciosas da harmonia e da plenitude, indispensáveis à vivência real de ser pensante. A mente não adestrada nessa busca hesita e retrai-se, impedindo-se o descobrimento dos recursos inimagináveis, que esperam para ser desvelados. As tendências ao relaxamento e ao menor esforço, inerentes ao processo da evolução pelo trânsito nas fases anteriores, dificultam os procedimentos iluminativos imprescindíveis. Na excursão ao mundo objetivo o ser adquire conhecimentos intelectuais e experiências vivas das realizações humanas; no entanto, apenas no esforço de interiorização conseguirá identificar- se com os objetivos essenciais da sua realidade, harmonizando-se. Adquirir a consciência plena da finalidade da existência na Terra constitui a meta máxima da luta inteligente do ser. O Evangelho refere que Jesus asseverou, conforme as anotações de Mateus, no capítulo seis, versículos vinte e dois e vinte e três: a candeia do corpo são os olhos. Se estes, pois, forem simples, todo o teu corpo fiará luminoso; mas se forem maus, todo o teu corpo ficará às escuras. Se, portanto, a luz que há em ti são trevas, quão densas são as trevas! Nessa figura admirável, o Psicoterapeuta por excelência estabeleceu a essencialidade da vida nos olhos, encarregados da visão, a fim de que, despretensiosos dos aparatos transitórios do mundo, mergulhem na luz interior, de modo que tudo se faça claridade. O reino da luz é interno, sendo imperioso penetrá-lo, para que as trevas da ignorância não predominem, densas e perturbadoras. Os olhos espirituais - a mente lúcida - são a chama que desce ao abismo da individualidade para iluminar os meandros sombrios das experiências passadas, que deixaram marcas psicológicas profundas, ora ressumando de forma negativa no comportamento do ser. Insatisfação, angústia, fixações perturbadoras são o saldo das vivências perniciosas, cujas ações deletéias não foram digeridas pela consciência e permanecem pesando-lhe na economia emocional. Manifestam-se como irritabilidade, mel-estar para consigo mesmo, desinteresse pela vida, idéias autodestrutivas, em mecanismos de doentia expressão, formando quadros psicossomatológicos degenerativos. Quaisquer terapias, para fazê-los cessar, terão que alcançar-lhes as raízes, a fim de extirpá-las, liberando os núcleos lesados do psiquismo e restaurando-lhes a harmonia vibratória ora afetada. Trata-se de uma experiência urgente quão desagradável nas primeiras etapas, porquanto, a exemplo de outros exercícios físicos, causam cansaço e desânimo, resultantes da falta desse hábito salutar, até que, vencida essa primeira fase, comecem a produzir leveza e rapidez de raciocínio, lucidez espiritual e inefável bem-estar. Cada vez que é vencido um patamar e superados os impedimentos castradores e de culpa, mais amplas possibilidades se apresentam, liberando o indivíduo dos conflitos habituais e equipando-o de legítimas alegrias. A vida se lhe torna ideal, e a morte não se afigura desagradável, por vivenciá-la nos estados de meditação, sentindo-se o mesmo no corpo ou fora dele. Interiorizar-se cada vez mais, sem perder o contato com o mundo físico e social, deve ser a proposta equilibrada de quem deseja realizar- se no encontro com os valores legítimos da existência. Podemos considerar que esse tentame leva o experimentador do mundo irreal - o físico - para o real - o transpessoal - gerador e causal de todas as coisas. (Autodescobrimento - Uma Busca Interior Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Consciência Responsável Responsabilidade, em bom vernáculo, é a qualidade ou condição de responsável. O ser responsável, por extensão, é aquele que se desincumbe fielmente dos deveres e encargos que lhe são conferidos, que responde pelos próprios atos ou pelos de outrem, tornando- se de caráter moral, quando defende os valores éticos pertencentes aos outros e à vida. A responsabilidade pode ser deferida, desde quando é delegada por uma autoridade ou Lei, a fim de ser cumprido o estatuto que esbelece e caracteriza os valores e compromissos a serem considerados. Essa é a mais comum, encontrada em toda parte. Além dela, existe aquela que é conquistada pelo amadurecimento psicológico, pela conscientização inerente às experiências resultantes da evolução. Muitas vezes, a responsabilidade que se torna atributo do caráter moral do indivíduo faz-se grave empecilho ao processo de engrandecimento do ser, caso o seu portador se atenha à letra ou ao limite do estabelecido, sem examinar a necessidade que lhe é apresentada, do ponto de vista da compreensão. Graças à conceituação de responsabilidade, criminosos de guerra e servidores rudes buscam passar a imagem de inocência ante a crueldade que aplicaram, informando que cumpriam ordem na desincumbência das infelizes tarefas e que estavam sujeitos a imposições mais altas que deveriam atender. Outros, responsáveis por massacres cruéis e atitudes agressivas, refugiam- se na transferência de responsabilidade, elucidando que deveriam agir conforme o fizeram, ou sofreriam as consequências da desobediência. Nas instituições militares a responsabilidade cega o indivíduo, de modo a obedecer sem raciocinar e a cumprir ordens sem discutí-las ou justificá-las. Diz-se que, aqueles que se lhes submetem, tornam-se pessoas responsáveis. Nesse capítulo incluiríamos os tímidos, os medrosos, os pusilânimes, os aproveitadores, todos não necessariamente portadores de responsabilidade. Dessa forma, seria inculpado, porque responsável, zeloso pelas suas funções e deveres, Pilatos, que condenou Jesus à morte, embora O soubesse inocente. Posto em cheque pela astúcia dos doutores judeus, de que Jesus dizia-se rei e ele representava o imperador, que era o seu rei, não O crucificar seria crime de traição em relação ao seu representado, com esse sofisma levndo o pusilânime, irresponsavelmente, a mandar crucificar o Justo, lavando as mãos para liberar-se da culpa. Os sicários dos campos de concentração e os belicosos, sistemáticos fomentadores de guerras, que as fazem com crueldade, assim procedem, dizem, para se desincumbir das determinações que recebem dos seus chefes e comandantes. A responsabilidade, para ser verdadeira, não pode compactuar com a delinquência, nem ignorar os mínimos deveres de respeito para com a vida e para com as demais criaturas. A responsabilidade que resulta do amadurecimento psicológico, e que é adquirida pela vivência das experiências humanas, harmoniza o dever com a compreensão das necessidades dos outros, conciliando o cumprimento das atividades com as circunstâncias nas quais se apresentam. Quem assim age, responsavelmente, torna-se pessoa-ponte, ao invés de assumir a postura de ser obstáculo, gerando dificuldades e perturbações. Nesse sentido, a visão do ser imortal contribui grandemente para entender a responsabilidade que se tem no mundo, porque é deferida desde o Mais Alto, como redarguiu Jesus ao seu inquisidor, que a tinha, por que lhe fora dada... E poderia perdê-la, qual ocorreu pouco depois, ao ser destituído da função, e mais tarde, quando despojado do corpo pela morte... Para a aquisição da responsabilidade consciente os valores eternos do Espírito são indispensáveis, de modo a serem absorvidos e vivenciados, ultrapassando os limites das determinações humanas de horizontes estreitos e curtos. Considerando-se a existência física como sendo um breve período de aprendizagem, na larga faixa das sucessivas reencarnações, o ser adiciona ao conceito da responsabilidade os contributos do amor, dessa forma identificando os melhores meios para agir, quando pode e deve - com consciência - não se precipitando a tomar decisão, quando deve, mas não pode, ou quando pode, mas não deve - responsabilidade inconsciente. (Autodescobrimento - Uma busca interior Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco)
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Segue em Frente
Nunca te surpreendas com o surgimento de dificuldades, no ministério a que te afervoras. Toda ação enobrecida gera simpatia entre os que se afeiçoam ao Bem. Entretanto, produzem animosidade entre aqueles que preferem a vigência do desequilíbrio e do mal. Não te escuses, por isso mesmo, de levar o teu labor avante. As tarefas de pequena monta, as fáceis, podem ser realizadas por qualquer pessoa, até mesmo como forma de espairecimento. Os serviços estafantes e desagradáveis, no entanto, pertencem aos idealistas devotados, aos lutadores incansáveis. Assim, não anotes queixas, nem relaciones problemas. Cada etapa vencida faz parte da meta a ser conquistada. Um passo à frente e uma ação em triunfo são avanços no programa a executar. Chocam-se as atitudes de beligerância entre os companheiros e aturdem-te reações que os levam a assumir posições danosas ao trabalho. Os homens ainda são as paixões que cultivam, todavia, continuando a merecer o mesmo afeto e simpatia. Estão despertando, sem possuírem, por enquanto, as condições características dos servidores ideais. Nem poderia ser diferente. Muitos, ainda ontem, opunham-se tenazmente ao que ora aceitam e a transição mental de uma para outra idéia ou opinião nem sempre faz-se acompanhada por uma real mudança de atitude e de comportamento. Há quem se afervore a um serviço, desde que esse esforço o promova; muitos apóiam as realizações somente quando elas os beneficiam; inumeráveis trabalhadores apenas cooperam com aqueles que se lhes submetem ao talante... Sê tu quem ajuda, sem condições nem exigências. Coloca o combustível da paciência e do amor na chama que arde no teu sentimento espírita e prossegue. Ninguém é obrigado a ajudar-te nem a compreender-te. Tu, no entanto, deves a todos auxiliar e entender. Desde que já consegues superar um pouco as tuas limitações e dificuldades, faze-te o companheiro dos outros, ensinando sem palavras o que se deve fazer, como fazer e para que fazer o bem sem descanso. A multidão tem os seus líderes, que sempre são por ela devorados. Respeita-os e opera ao lado dos que se acerquem de ti, sem prejuízo do teu compromisso para com a Vida. O dia se desenrola em apenas vinte e quatro horas, que são suficientes para marcar presença e atuar no programa da Eternidade. Vai, portanto, em frente, com tranqüilidade e fé. (Roteiro de Libertação - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco)
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Mansidão e Piedade
Se caminhas sob chuvas de impropérios e maldições, cultiva a mansidão e exercita a piedade. Se atravessas provas rudes, assoalhadas por aflições contínuas, guarda-te na mansidão e desenvolve a piedade. Se sofres agressões prolongadas, que se não justificam, permanece com mansidão e desenvolve a piedade. Se tombas nas ciladas bem urdidas, propostas por adversários encarnados ou não, mantém-te em mansidão e esparze a piedade. Se te açodam circunstâncias rudes e tudo parece conspirar contra tuas lutas de redenção, não te descures da mansidão nem da piedade. Aclamado pelo entusiasmo passageiro de amigos ou admiradores, sustenta a mansidão e insiste na piedade. Guindado a posições de relevo transitório e requestado pelo momento de ilusão, não te afaste da mansidão da piedade. Carregado de êxitos terrenos e laureado por enganosas situações, envolve-te na mansidão e não te distancies da piedade. Recomendado pelas pessoas proeminentes ou procurado pelos triunfos humanos, persevera com mansidão e trabalha com piedade. Mansidão e piedade em qualquer circunstância, sempre. A mansidão coloca-te interiormente indene à agressividade dos que se comprazem no mal e a piedade envolve-os em vibrações de amor. A mansidão faz-te compreender que necessitas de crescimento espiritual e, por enquanto, a dor ainda se torna instrumento educativo. A piedade evita que mágoas ou seqüelas de aborrecimento tisnem os teus ideais de enobrecimento. A mansidão acalma; a piedade socorre. Com mansidão seguirás a trilha da humildade e com a piedade prosseguirás retribuindo com o bem a todo e qualquer mal. A mansidão identifica o cristão e a piedade fala das suas conquistas interiores. - "Bem-aventurados os mansos e pacificadores - ensinou Jesus - porque eles herdarão a Terra"... feliz do continente da alma imortal. (Otimismo - Joanna de Angelis - [Divaldo Pereira Franco) ********* Serenidade A faina incessante da vida moderna, a sede de conforto supérfluo, a ânsia pelo prazer exorbitante, as demandas injustificáveis são apresentados invariavelmente como fatores básicos para explicarem os desequilíbrios da emoção que atormenta o homem. Não há tempo senão para viver. Viver bem, fruindo as concessões aligeiradas que o corpo enseja - a meta para a grande maioria. E semelhante a aventureiro ávido de prazer larga-se a criatura no cipoal das lutas, empenhando os valores de que dispões, continuando, no entanto, inquieta, aflita. Educa-se ou se vai educando para o triunfo fácil. Disciplina-se ou deixa-se disciplinar antegozando o sabor da vitória em sociedade. Instrui-se ou deixa-se instruir para vencer... Educar-se, no entanto, para conhecer, peregrinando pelos meandros da dor humana, a fim de solucionar os milenários enigmas do espírito encarnado; disciplinar-se com o objetivo de renovar as disposições íntimas, no sentido da evolução espiritual; instruir-se para vencer a sombra da ignorância tendo em vista o impositivo da vitória sobre si mesmo, são diretrizes desconsideradas por muitos que, todavia, possibilitam a felicidade em termos reais e duradouros. De tal conquista frui o homem a satisfação da serenidade. Marco Aurélio, referindo-se à tranqüilidade, em suas Meditações, denominava como "tranqüilo - um espírito bem ordenado". A serenidade é o estado de ordem que tranqüiliza interiormente. Ordem que nasce da educação disciplinada pelo exercício do dever e esclarecida pela instrução que amplia as possibilidades do conhecimento. Acredita-se erradamente que para a serenidade são indispensáveis o conforto, a independência econômica, a estabilidade conjugal, a saúde e outros ingredientes externos considerados essenciais e raros de reunir-se num mesmo afortunado indivíduo. Alguns cristãos, na atualidade, justificam a falta de silêncio para cultivarem a serenidade. Outros dizem-se atormentados por problemas e informam que tudo são convites ruidoso ao desalinho da mente, à enfermidade nervosa, ao desajustamento... Com "olhos de ver" e "ouvidos de ouvir" naturalmente se podem descobrir fontes ricas de belezas capazes de banhar a alma de paz e harmonia. Painéis invulgares se desenham num raio de sol, numa estrela que fulge, num sorriso de criança, num farfalhar de folhas levemente balouçadas por brisas ciciantes, no tamborilar da chuva no telhado, numa ave ligeira bailando no ar, na harmonia e no colorido de uma flor, em mil nonadas..., convidando à serenidade, a "um espírito bem ordenado". "Não vos afadigueis pela posse do ouro", disse o Mestre. A posse exaure aquele que possui. "O meu reino não é deste mundo", explicou o Senhor. Em face de tais lições é que Jesus, embora sem encontrar entre os companheiros quem se identificasse com a sua mensagem de amor, amou e serviu a todos indistintamente e quando, mais tarde, sofreu o desprezo dos que mais se beneficiaram da sua presença, expulso da compreensão dos que d’Ele dependiam no vozerio da perseguição em invulgar soledade, manteve-se sereno, acenando com bênçãos para os infelizes e amando os próprios algozes na mais eminente demonstração de que serenidade com paz íntima é conquista do espírito, independente das excentricidades do mundo do mundo das formas. (Dimensões da Verdade - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) *********
Convite à Humildade
Os que são incapazes de consegui-la identificam-na como fraqueza. Os pessimistas que chafurdam no poço do orgulho ferido e não se dispõem à luta, detestam-na, porque se sentem incapazes de possuí-la. Os derrotistas utilizam-se da subestima para denegri-la. Os fracos, falsamente investidos de força, falseiam-lhe o significado, deturpando-lhe a soberana realidade. Porque muitos não lograram vivê-la e derraparam em plenos exercícios, desconsideram-na... Ela, no entanto, fulgura e prossegue. Sustenta no cansaço, acalenta nas dores, robustece na luta, encoraja no insucesso, levanta na queda... Louva a dor que corrige, abençoa a dificuldade que ensina, agradece a soledade que exercita a reflexão, ampara o trabalho que disciplina e é reconhecida a todos, inclusive aos que passam por maus, por ensinarem, embora inconscientemente, o valor dos bons e a excelência do bem. Chega e dulcifica a amargura, balsamizando qualquer ferida exposta, mesmo em chaga repelente. Identifica-se pela meiguice, e, sutil, agrada, oferecendo plenitude, quando tudo conspira contra a paz de que se faz instrumento. Escudo dos verdadeiros heróis, tem sido a coroa dos mártires, o sinal dos santos e a característica dos sábios. Com ela o homem adquire grandeza interior, e considerando a majestade da Criação, como membro atuante da vida, que é, eleva- se e, assim, eleva a humanidade inteira. Conquistá-la, ao fim das pelejas exaustivas, é lograr a paz. No diálogo entre Jesus e Pilatos, esteve presente no silêncio do amigo Divino e ausente no enganado fâmulo de César... Seu nome é humildade. (Convites da Vida - Joanna de Angelis Divaldo Pereira Franco)
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Amor, Imbatível Amor
O amor é a substância criadora e mantenedora do Universo, constituído por essência divina. É um tesouro que, quanto mais se divide, mais se multiplica, e se enriquece à medida que se reparte. Mais se agigante, na razão que mais se doa. Fixa-se com mais poder, quanto mais se irradia. Nunca perece, porque não se entibia nem se enfraquece, desde que sua força reside no ato mesmo de doar-se, de tornar-se vida. Assim como o ar é indispensável para a existência orgânica, o amor é o oxigênio para a alma, sem o qual a mesma se enfraquece e perde o sentido de viver. É imbatível, porque sempre triunfa sobre todas as vicissitudes e ciladas. Quando aparente - de caráter sensualista, que busca apenas o prazer imediato - se debilita e se envenena, ou se entorpece, dando lugar à frustração. Quando real, estruturado e maduro - que espera, estimula, renova - não se satura, é sempre novo e ideal, harmônico, sem altibaixos emocionais. Une as pessoas, porque reúne as almas, identifica-as no prazer geral da fraternidade, alimenta o corpo e dulcifica o eu profundo. O prazer legítimo decorre do amor pleno, gerador da felicidade, enquanto o comum é devorador de energias e de formação angustiante. O amor atravessa diferentes fases: o infantil, que tem caráter possessivo, o juvenil, que se expressa pela insegurança, o maduro, pacificador, que se entrega sem reservas e faz-se plenificador. Há um período em que se expressa como compensação, na fase intermediária entre a insegurança e a plenificação, quando dá e recebe, procurando liberar- se da consciência de culpa. O estado de prazer difere daquele de plenitude, em razão de o primeiro ser fugaz, enquanto o segundo é permanente, mesmo que sob a injunção de relativas aflições e problemas-desafios que podem e devem ser vencidos. Somente o amor real consegue distingui- los e os pode unir quando se apresentem esporádicos. A ambição, a posse, a inquietação geradora de insegurança - ciúme, incerteza, ansiedade afetiva, cobrança de carinhos e atenções -, a necessidade de ser amado caracterizam o estágio do amor infantil. obsessivo, dominador, que pensa exclusivamente em si antes que no ser amado. A confiança, suave-doce e tranqüila, a alegria natural e sem alarde, a exteriorização do bem que se pode e se deve executar, a compaixão dinâmica, a não-posse, não-dependência, não- exigência, são benesses do amor pleno, pacificador, imorredouro. Mesmo que se modifiquem os quadros existênciais, que se alteram as manifestações da afetividade do ser amado, o amor permanece libertador, confiante, indestrutível. Nunca se impõe, porque é espontâneo como a própria vida e irradia-se mimetizando, contagiando de júbilos e de paz. Expande-se como um perfume que impregna, agradável, suavemente, porque não é agressivo nem embriagador ou apaixonado... O amor não se apega, não sofre a falta, mas frui sempre, porque vive no íntimo do ser e não das gratificações que o amado oferece. O amor deve ser sempre o ponto de partida de todas as aspirações e a etapa final de todos os anelos humanos. O clímax do amor se encontra naquele sentimento que Jesus ofereceu à Humanidade e prossegue doando, na sua condição de Amante não amado. (Amor, Imbatível, Amor - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco)
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Viver é Amar
Caminhas, na Terra, experimentando carência afetiva e aflição, que acreditas não ter como superar. Sorris, e tens a impressão de que é um esgar que te sulca a face. Anelas por afetos e constatas que a ninguém inspiras amor, atormentando- te, não poucas vezes, e resvalando na melancolia injustificável. Planejas a felicidade e lutas por consegui-la, todavia, descobre-te a sós, carpindo rude angústia interior. Gostarias de um lar em festa, abençoado por filhos ditosos e um amor dedicado que te coroassem a existência com os louros da felicidade. Sofres e consideras-te desditoso. Ignoras, no entanto, o que se passa com os outros, aqueles que se te apresentam felizes, que desfilam nos carros do aparente triunfo, sorridentes e engalanados. Também eles experimentam necessidades urgentes, em outras áreas, não menos afligentes que as tuas. Se os pudesses auscultar, perceberias como te invejam alguns daqueles cuja felicidade cobiças... A vida, na Terra, é feita de muitos paradoxos. E isto se dá em razão de ser um planeta de provações, de experiências reeducativas, de expiações redentoras. Assim, não desfaleças, porquanto este é o teu carma de solidão. Faze, desse modo, uma pausa, nas tuas considerações pessimistas e muda de atitude mental, reintegrando-te na ação do bem. O que ora de falta, malbarataste. Perdeste, porque descuraste enquanto possuías, o de que agora tens necessidade. A invigilância levou-te ao abuso, e delinqüiste contra o amor. A tua consciência espiritual sabe que necessitas de expungir e de reparar, o que te leva, nas vezes em que o júbilo te visita, a retornar à tristeza, rememorar sofrimentos, fugindo para a tua solidão... Além disso, é muito provável que, aqueles a quem magoaste, não se havendo recuperado, busquem-te, psiquicamente, assim te afligindo. Reage com otimismo à situação e enriquece-te de propósitos superiores, que deves pôr em execução. Ama, sem aguardar resposta. Serve, sem pensar em recompensa. O que ora faças no Bem, atenuará, liberará o que realizaste equivocadamente e, assim, reencontrar- te-ás com o amor, em nome dAquele que permanece até agora entre nós como sendo o Amor não amado, porém, amoroso de sempre. (Viver é Amar - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Amor A máxima lição da vida é o amor. Quanto mais ames, menos serás atingido pelas farpas do mal, pois que a tua compreensão dilatada abrirá os espaços à vida, colhendo somente os efeitos da paz. (Vida Feliz - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Ação e Trabalho Ínsito nas leis da Natureza, podemos considerar o trabalho como sendo toda ação positiva que objetiva crescimento e conquista de valores. Não circunscrito, apenas, ao âmbito da vida humana, onde, não poucas vezes, é tido como punição injustificável, é o trabalho, nos vários reinos da Natureza, o fomentador do progresso e o desencadeador das realizações enobrecidas. Sem ele a vida tenderia ao caos e o homem ficaria detido em condição inferior, imobilizado e retrógrado, reagindo à felicidade para a qual foi criado. Não apenas como trabalho devem ser considerados os esforços válidos para a conquista do pão e do vestuário, do lar e da saúde, senão, também, o esforço que se converte em beleza e que as artes consubstanciam em realidades dignificadoras. O trabalho são as mãos do Obreiro Divino agindo sem cessar. Trabalha o homem, mediante as ações no campo da inteligência e da força, quanto o Espírito, no processo de desenvolvimento das aptidões que nele jazem latentes. Nas faixas mais primárias da vida, o trabalho provê necessidades da sobrevivência, da procriação, avançando, no homem, para as atividades do enriquecimento, pela cultura e sublimação do amor. Na carpintaria de José, o Filho do Homem agia com a mesma desenvoltura com que trabalhava corações e mentes fascinados, que O ouviam nas tardes mornas da Galiléia ou nas noites deserta e estreladas de Cafarnaum, quando Ele erguia, na Terra, o "reino de Deus". Ama o trabalho e serve sem descanso. Trabalhando o grão, a terra se reverdece e enflora. Trabalhando o caráter e educando-se, o Espírito supera os limites e avança para Deus. O trabalho é o teu passaporte para a Pátria Espiritual. Seja em qual circunstância for, age com dignidade, produzindo para o bem. Este trabalho te constituirá o aval de liberação no processo do teu crescimento espiritual. Melhor será que a desencarnação te surpreenda cansado e exaurido, porém com as mãos na charrua do trabalho dignificante, do que na poltrona cômoda da ociosidade. Mesmo porque, embora saindo do corpo pela morte, entrarás na vida pelas mãos do trabalho do Pai, que te espera, a fim de que prossigas trabalhando quanto Ele trabalha, e Jesus até hoje, na ação do bem sem limite, também trabalha. (Otimismo - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* A Sós Com os Outros Não te creias a sós, embrulhando os sonhos que acalentavas nos pesados tecidos da revolta. Há tantos solitários que não se resolvem a arrebentar as amarras do egoísmo para serem úteis a alguém!... Sê tudo quem consiga esse fanal. O lago plácido e sonhador, que reflete o céu de astros pulverizado qual espelho precioso, desfaz-se ante o batráquio que nele se arremessa, apagando a ilusão da beleza. Desejarias felicidade contemplativa cercado de carinhos, inútil, refletindo sonhos impossíveis. No entanto, enquanto te crês solitário e triste, frustrado nos anseios que acalentavas, perdes os olhos nas tintas carregadas do pessimismo e não vês aqueles olhos que te fitam inquietos, desejando acercar-se de ti, sem oportunidade de fazê-lo. A semente, que se sente desventurada numa arca de mogno e bronze valiosos, desdobra-se em bênçãos para muitos quando acolhida pelo solo que lhe oferece destino. A água morta entre sombras alimenta a vida, se vai depurada. O monturo desprezível enriquece-se de perfume quando agasalho os bulbos do lírio. O coração ao teu lado, na vida diária, é a sublime meta da tua oportunidade no corpo. Mata a solidão, asfixiando-a nos tecidos leves da cordialidade para com os outros. Não creias que haja um abismo entre ti e os outros. Se o vês ou o sentes, lança a ponte da afabilidade e atapeta-a da doçura. Escorregarão muitos seres imersos no personalismo atormentado das vacuidades da Terra, que se aconchegarão ao país da tua alma, sedentos, necessitados e amigos teus, dando carinho também. Compreenderás que o receber é efeito do dar, tanto quanto o colher é o resultado do plantar. A lagarta que teme a metamorfose jamais plainará como borboleta leve, no azul do ar. A flor que receia o desgaste nunca atingirá a semente que a perpetua. O amor que se enclausura não amadurecerá em dádivas renovadoras. Aparecendo à pecadora de Magdala, após a Ressurreição, o Mestre premiou o esforço de quem tanto deu à causa da Mensagem Viva da Fé, a ponto de, vencendo-se a si mesma, oferecer-se entre tormentos íntimos de paixões sem nome que sublimou, para renascer dos escombros qual Circe de luz... E Maria o mereceu, pois que, esquecida do próprio eu, cindiu a casca da autopiedade e da falsa solidão a que muitos a si se impõe, para atirar-se à glória do serviço ao próximo sem fronteira nem limite por amor a Ele. (Dimensões da Verdade - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco)
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Convite ao Desprendimento
"Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões penetram e roubam...” (Mateus: 6-19.) Desprendimento na qualidade de desapego, não de estroinice nem dissipação. Todo e qualquer motivo que ata à retaguarda sob condicionamentos retentivos se transforma em cadeia escravizante. Os objetos a que o homem se apega valem os preços que lhes são emprestados, constituindo-se elos a impedirem o avanço do possuidor, na direção do futuro... Desapego, portanto, em forma de libertação do liame pessoal egoístico e tormentoso que constitui presídio e patíbulo para quem se fixa negativamente como para aquele que se faz vítima afetiva. Liberta-se das aflições constritivas, asfixiantes, para marchar com segurança. Doa com alegria quanto possas, generosamente. O que distribuis com equilíbrio e lucidez multiplica-se, o que reténs reduz-se. Abundância, como excesso engendram miséria e loucura. Distende assim, mão generosa na alfândega da fraternidade, mas liberta- te da emotividade desregrada, da posse afetuosa e objetos, animais e pessoas, porquanto mais carinhos que te mereçam, mais devoção que lhes dês, chegará o dia de atravessares o portal do túmulo, fazendo-o soledade, livre de amarras ou jungido ao que se demorará, a desgastar- se pela ferrugem, pelo azinhavre, corroído ou simplesmente em trânsito por outras mãos ante a tua tormentosa impossibilidade de reter e interferir. (Convites da Vida - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Negadores Necessitados Verdadeira conspiração. Programa que se transmite de incauto a incauto, propalando cepticismo, negação. Religiosos em desalinho, combatendo afirmações imortalistas que foram hauridas nas fonte da sobrevivência. Pesquisadores honestos em teimosa dúvida, engendrando teorias fascinantes e complexas, para fugirem à realidade da vida extrafísica. Indiferentes, zombando das respeitáveis conquistas alcançadas no campo da informação espiritual, como se estivessem indenes à desencarnação e conseqüentemente ao prosseguimento da vida... Técnicos das modernas experiências, embora vinculados a esta ou àquela confissão de fé, estabelecendo linhas rígidas de distinção entre os fenômenos da mente e do espírito, fixando-se em pomposa terminologia, que na maioria das vezes mais perturbam os leigos, que, então, desvairam... ... E não faltam nas lides espiritistas aqueles que, fascinados pelas vãs concessões da ribalta brilhante, se deixam anestesiar ou acorrem à nova onda, aguardando confirmação dos postulados doutrinários abraçados. Pedem provas novas. Exigem fatos atuais. Agregam às velhas dúvidas, negativas modernas, e dão ao Inconsciente poderes divinatórios, transferindo para a mente, arbitrariamente dotada de possibilidades causais, o resultado das aquisições do espírito, esse jornaleiro da evolução em incessantes renascimentos e contínuas desencarnações... Preocupam-se e esperam que os outros lhes ofertem fatos probantes sobre a imortalidade, a comunicabilidade e a reencarnação dos Espíritos, enquanto eles apenas negam, somente negam, sem provarem a validade de sua sistemática negação. Cômodos, cooperam com a desordem que irrompe alarmante. Apaixonados, açulam os instintos e as paixões da personalidade infeliz. Neutros, pendem para a indiferença, numa neutralidade de niilistas, dizendo aguardarem resultados... Continua o honesto labor da fé, penetrando cada vez mais as lições valiosas e consoladoras do Espiritismo libertador. Aqueles espíritos que engendram dificuldades e criam cizânia, sempre os houve. Alguns são invariavelmente contra.. As próprias mazelas somente lhes permitem ver o que lhes apraz e convém. Não evitarão, entretanto, a viagem através da porta do túmulo. Conhecerão de perto a realidade, e despertarão, como ocorrerá contigo mesmo. Confia, portanto, e ama, servindo sem cansaço, vinculado ao ideal de fé que te irmana a todos os homens, e ajuda-os. Se outro socorro não lhes puderes oferecer, ora por eles, compreende-os, pois que, embora não te reconheçam, também necessitam de ti. Se te parecer difícil essa atitude, repete mentalmente como fez Jesus, perdoando-os, ao clamar: "Eles não sabem o que fazem!" e prossegue tranqüilo. (Celeiro de Bênçãos - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* A Desgraça Real Desgraça é todo acontecimento funesto, desonroso, que aturde e desarticula os sentimentos, conduzindo a estados paroxísticos, desesperadores. Não somente aqueles que se apresentam trágicos, mas também inúmeros outros que dilaceram o ser íntimo, conspirando contra as aspirações do ideal e do Bem, da fraternidade e da harmonia íntima. Chegando de surpresa, estiola a alegria, conduzindo ao corredor escuro da aflição. Somente pode avaliar o peso de angústias aquele que lhes experimenta o guante cruel. Há, no entanto, desgraças e desgraças. As primeiras são as que irrompem desarticulando a emoção e desestruturando a existência física e moral da criatura que, não raro, sucumbe ante a sua presença e aqueloutras, que não são identificadas por se constituírem conseqüências de atos infelizes, arquitetados por quem ora lhes padece os efeitos danosos. Essa, sim, são as desgraças reais. Há ocorrências que são enriquecedoras por um momento, trazendo alegrias e benesses, para logo depois se converterem em tormentos e sombras, escassez e loucura. No entanto, quando se é responsável pela infelicidade alheia, ao trair-se a confiança, ao caluniar-se, a investir-se contra os valores éticos do próximo, semeando desconforto ou sofrimento, levando-o ao poste do sacrifício, ou à praça do ridículo, a isso chamaremos desgraça real, porque o seu autor não fugirá da própria nem da Consciência Cósmica. Assim considerando, muitos infortúnios de hoje são bênçãos, pelo que resultarão mais tarde, favorecendo com paz e recuperação o déspota e infrator de ontem, em processo de recuperação do mal praticado. Sob outro aspecto, o prazer gerado na insensatez, os ganhos desonestos, as posições de relevo que se fixam no padecimento de outras vidas, o triunfo que resulta de circunstâncias más para outrem, os tesouros acumulados sobre a miséria alheia, os sorrisos da embriaguez dos sentidos, o desperdício e abuso ante tanta miséria, constituem fatores propiciadores de dolorosos efeitos, portanto, são desgraças inimagináveis, que um dia ressurgirão em copioso pranto, em angústias acerbas, em solidão e deformidade de toda ordem, pela necessidade de expungir-se e reeducar-se no respeito às Leis soberanas da Vida e aos valores humanos desrespeitados. O Homem-Jesus não poucas vezes chamou a atenção para essa desgraça, não considerada, e para a felicidade, por enquanto envolta em problemas, mas única possibilidade de ser fruída por definitivo. Todos os que choram, os famintos e os sequiosos de justiça, os padecentes de perseguições, todos momentaneamente em angústia, logo mais receberão o quinhão do pão, da paz, da vitória, se souberem sofrer com resignação, após haverem resgatado os compromissos infelizes a que se entregaram anteriormente, e geradores da situação atual aflitiva. Aqueles porém, que sorriem na loucura da posse, que se locupletam sobre os bens da infâmia e da cobiça, que são aplaudidos pelas massas e anatematizados pela consciência, oportunamente serão tomados pelas lágrimas, pela falta, pelo tormento... São inderrogáveis as Leis da Vida, constituindo ordem e harmonia no Universo. [...] (Jesus e o Evangelho – À luz da psicologia profunda - Joanna de Angelis - Divaldo Franco) ********* Investir ao Máximo Investe em vidas, fazendo a melhor aplicação dos teus recursos de amor que se multiplicarão através dos tempos, permanecendo depois que passes. Deposita os teus mais expressivos bens na programática da tua própria vida, a fim de que permaneças em paz, após o decesso carnal. Os demais investimentos que dão rendas materiais, facilmente se corrompem, muitas vezes vitimando aqueles que os movimentam. As aplicações espirituais se renovam em valores imperecíveis que substituem os referentes às quinquilharias da vacuidade terrena. Sem desprezarmos os meios de crescimento humano e social, financeiro e cultural na atual conjuntura física do planeta, todos eles valiosos, desde que se transformem em meios, ao invés de cadeias douradas, não podemos esquecer o significado profundo das realidades que vitalizam o Espírito. Os recursos materiais têm finalidade específica, na condição de meio para as realizações a que o ser espiritual se propõe. Não raro, porém, os jogos das paixões mais violentas entorpecem os sentimentos e obscurecem a razão dos mordomos das coisas, fazendo-os derrapar em alucinações e tormentos de largo porte. As conquistas morais, as aplicações espirituais, dulcificam, mesmo quando se desenvolvem em clima de renúncia e sofrimento. Há-de selecionar, o homem, na sua escala de valores, o que lhe é de melhor e aplicar-se ao mais precioso. Com propriedade afirmou Jesus que ninguém serve bem a dois senhores sem que a um deles deixa em falta. O atleta aplica os seus melhores momentos em favor do fanal que busca, privando-se do restante. O artista se devota, em tempo integral, à beleza que deseja materializar, renunciando às outras coisas. O musicista e o intérprete dedicam-se com afinco para atingir a culminância, a tudo mais abandonando. O pesquisador e o cientista afadigam-se na tarefa até colimar os objetivos que perseguem e não se contentam ao lográ-los, porquanto, concluído um ciclo, abrem-se perspectivas dantes não lobrigadas e ora convidativas. ...E todos esses labores, por mais respeitáveis e credores de consideração, passam, em razão da sua própria transitoriedade. Quanto, na Terra, se torna imortal, por força mesmo da situação, um dia tomba no olvido, desmorona, desaparece... Só o Espírito é imperecível. Todas as suas conquistas, no campo da beleza, da arte, da cultura, da ciência, da sabedoria, são-lhe estímulos para vitórias mais amplas. Eis porque o amor, como investimento em vidas, semeando bênçãos e favorecendo quem o direciona, é o dom eterno que liberta. Nos dias difíceis que se vive na Terra, o cristão é convidado a reflexionar antes de agir. Há os que se aplicam ao prazer e fruem por breve tempo as alucinações que passam, deixando amargura... E há os que renunciam hoje para se alegrarem depois. Diante da conjuntura que se apresenta, cabe-nos a todos investir em Deus, conseguindo a vitória sobre as próprias paixões. (Otimismo - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Deus Sempre Por mais terrível se te apresente a situação, segue adiante, sem desfalecimento. O desânimo é inimigo sutil que inutiliza os mais belos empreendimentos da vida. Se os amigos te abandonaram ante os insucessos econômicos ou afetivos que te chegaram; se os parentes e afetos resolveram afastar-se por motivos que desconheces; se tudo te empurra ao limite estreito da solidão, recompõe-te intimamente e espera. É provável que te sintas a sós, e que, aparentemente, estejas sem companhia. Isto, porém, não é uma realidade espiritual, mas o reflexo do momentâneo estado de alma que te assalta. Nunca estás sozinho. Fazendo parte integrante da Criação, ela está em ti, quanto nela te encontras. No lugar onde estejas, Deus está contigo: no lar, no trabalho, no espairecimento, no repouso, na doença, na saúde, nele haurindo consolo e forças para prosseguires nos misteres a que te vinculas. Somente te sentirás a sós, se deixares de preservar o vínculo consciente com o Seu amor. Mesmo assim, Ele permanecerá contigo. Estás unido a toda a Humanidade. Vão-se umas pessoas. Outras chegam. Não te amargures com as que partem. Não te entusiasmes com as que chegam. As criaturas passam como veículos vivos: têm um destino e não as podes deter. Compreendendo esse impositivo, faze-te amigo e irmão de quem encontres no caminho, não o retendo ao teu lado, nem te fixando no dele. Ajuda-o e segue. Só Deus, porém, é sempre o constante companheiro. Por isso, nunca te permitas sentir solidão. (Filho de Deus - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ******** Convite à Tolerância “Mas para que os não escandalizemos...” (Mateus: 17-27.) A calúnia vil se origina comumente na suspeita sórdida. O incêndio que lavra com voracidade é fruto, às vezes, de uma fagulha indisciplinada. A cólera devastadora surge, não raro, da contínua irreflexão. A seara feliz tem começo no grão. O gesto estóico que salva vidas nasce na piedade fraternal. A molécula, o átomo, a célula de tão insignificante aparência são, no entanto, os elementos básicos encontrados em toda parte. Também a gota de leite e o bálsamo medicamentoso, o trapo e a moeda singela, o alfabeto e o Evangelho ofertados lentamente aos que transitam pelos caminhos do mundo, de pequena monta, são essenciais à felicidade de todos. A tolerância, também, aplicada indistintamente entre todos e em qualquer lugar, é lição viva de fé e elevação, que não pode ser desdenhada. Tolerar, no entanto, não significa conivir. Desculpar o erro não é concordar com ele. Entender e perdoar a ofensa, não representa ratificá-la. Indispensável, não entrar em área de atrito, quando podes contornar o mal aparente a favor do bem real. Tolerância é caridade em começo. Exercitando-a, em regime de continuidade, defrontarás com os excelentes resultados do bem onde estejas, com quem convivas. Condescendência para com os direitos alheios, não produzindo choque, não escandalizando, seguindo os mesmos caminhos de todos com atitude correta na busca dos alvos dignificantes, é relevante testemunho de tolerância. Jesus, o perene Instrutor, convidado a pagar o tributo, aquiesceu, elucidando: "para os não escandalizarmos", cumprindo, assim, com os deveres junto a César para melhor desincumbir-se dos sublimes compromissos para com Deus. (Convites da Vida - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco)*
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Viciação Alcoólica
Sob qualquer aspecto considerado, o vício – esse condicionamento pernicioso que se impõe como uma “segunda natureza” constritora e voraz – deve ser combatido sem trégua desde quando e onde se aloje. Classificado pela leviandade de muitos de seus aedos como de pequeno e grande porte, surge com feição de “hábito social” e se instala em currículo de longo tempo, que termina por deteriorar as reservas morais, anestesiando a razão e ressuscitando com vigor os instintos primevos de que se deve o homem libertar. Insinuante, a princípio perturba os iniciantes e desperta nos mais fracos curiosa necessidade de repetição, na busca enganosa de prazeres ou emoções inusitados, conforme estridulam os aficionados que lhe padecem a irreversível dependência. Aceito sob o acobertamento da impudica tolerância, seu contágio destrutivo supera o das mais virulentas epidemias, ceifando maior número de vidas do que o câncer, a tuberculose, as enfermidades cardiovasculares adicionados... Inclusive, mesmo na estatística obituária dessas calamidades da saúde, podem-se encontrar como causas preponderantes ou predisponentes as matrizes de muitos vícios, que se tornaram aceitos e acatados qual motivo de relevo e distinção... Os vitimados sistemáticos pela viciação escusam-se abandoná-la, justificando que o seu é sempre um simples compromisso de fácil liberação em considerando outros de maior seriedade que, examinados, a sua vez, pelos seus sequazes, se caracterizam, igualmente, como insignificantes. Há quem a relacione como de conseqüência secundária e de imediata potência aniquilante. Obviamente situam suas compressões como irrelevantes em face de “tantas coisas piores”... E argumentam: “antes este” , como se um mal pudesse ter sopesado, avaliada e discutidas as vantagens decorrentes da sua atuação... Indiscutivelmente, a ausência de impulsão viciosa no homem dá-lhe valor e recursos para realizar e fruir os elevados objetivos da vida, que não podem ser devorados pela irrisão das vacuidades. A vinculação alcoólica, por exemplo, escraviza a mente, desarmonizando-a, e envenena o corpo o deteriorando. Tem início através do aperitivo inocente, quão dispensável, que se repete entre sorrisos e se impõe como necessidade, realizando a incursão nefasta, que logo se converte em dominação absoluta, desde que aumenta de volume na razão direta em que se consome. Os pretextos surgem e se multiplicam para as libações: alegria, frustração, tristeza, esperança, revolta, mágoa, vingança, esquecimento... Para uns se converte em coragem, para outros em entusiasmo, invariavelmente impondo-se, dominador incoercível. Emulação para práticas que a razão repulsa, o alcoolismo faz supor que sustenta os fracos, que tombam em tais urdiduras, quando, em verdade, mais os debilita e arruína. Não fossem tão graves, por si só, os danos sociais que dele decorrem – transformando cidadãos em parias, jovens em vergados anciãos precoces, profissionais de valor em trapos morais, moiçolas e matronas em torpes simulacros humanos, aceitos e detestados, acatados e temidos nos sítios em que se pervertem, a caminho da total sujeição, que conduz, quando se dispõe de moedas, a Sanatórios distintos e em contrário, às sarjetas hediondas, em ambos os casos avassalados por alienações dantescas -, culmina em impor os trágicos autocídios, por cujas portas buscam, tais enfermos, soluções insolváveis para os problemas que criaram espontaneamente para si próprios... Não acontecendo à queda espetacular no suicídio, este se dá por processo indireto, graças à sobrecarga destrutiva que o alcoólatra ou simples cultivador da alcoolofilia depõe sobre a tecelagem de elaboração divina, que é o corpo. E quando vem a desencarnação, o que é também doloroso, não cessa a compulsão viciosa, em que o espírito irresponsável constata que a morte não resolveu os problemas nem aniquilou a vida... Nesse capítulo convém considerarmos que a desesperada busca ao álcool – ou substâncias outras que dilaceram a vontade, desagregam a personalidade, perturbam a mente – pode ser, às vezes, inspirada por processos obsessivos, culminando sempre, porém, por obsessões infelizes, de conseqüências imprevisíveis. A pretexto de comemorações, festa, decisões, não te comprometa com o vício. O oceano é feito de gotículas e as praias imensuráveis de grãos. Liberta-te do conceito: “hoje só”, quando impelido a comprometimento pernicioso e não te facultes: “apenas um pouquinho”, porquanto, uma picada que injeta veneno letal, não obstante em pequena dose, produz a morte imediata, Está-se bafejado pela felicidade, sorve- a com lucidez. Se te encontras visitado pela dor, enfrenta-a, abstêmio e forte. Para qualquer cometimento que exija decisão, coragem, equilíbrio, definição, valor, humildade, estoicismo, resignação, recorre à prece, mergulhando, na reflexão, o pensamento, e haurirás os recursos preciosos para a vitória em qualquer situação, sob qual seja o impositivo. Nunca te permitas a assimilação do vício, na suposição de que dele te libertarás quando queiras, pois que se os viciados pudessem querer não estariam sob essa violenta dominação. (Após a Tempestade - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) *********
Compromisso e Resgate
Na terra, estás em reparo. Retificação íntima com recuperação externa. Ajustamento pessoal e harmonia generalizada. Em cada madrugada doirada tens um renascimento e contigo nova oportunidade de servir e renovar-te com irremovível compromisso com a vida. Todo dia a experiência é lição significativa como bênção que não podes ignorar. Erro da véspera, aprendizagem para o dia. Como não é justo gastar o tempo em arrependimento desconcertante ou em arrolamento de erros, também não é justificável ignorar a própria imprevidência a pretexto de indiferença. O erro ou o que passa como tal, deixado a esmo sem o devido tratamento, pode ser comparado a matéria em decomposição, dominada pela vérmina, exalando miasmas... Sofrimento e enfermidade em todo lugar e também contigo. Corrige-te agora e ajusta-te de imediato. Amanhã o sol será o mesmo mensageiro da luz mas as circunstâncias, pessoas e coisas estarão diferentes... e tu também. A vida se desenvolve em ciclos perfeitos e harmoniosos. Este grão germina dentro de um período. Esse embrião necessita de uma etapa completa para apresentar-se. Há ordem no Universo... O Sol na Via-Láctea, a hemácia na composição do sangue. Desequilíbrio também é sinônimo de caos. Peça gasta, implemento a substituir. Equívoco constatado, reparação próxima. Desconsideração à ordem pode denominar- se rebeldia passível de punição. A ferramenta em abandono perde a eficiência. O instrumento em uso excessivo gasta a precisão. É indispensável cooperar com o curso do progresso. Retornar para recompor. Punição ao crime que é correção ao criminoso. Lei e justiça. Considerando a própria imperfeição firma o compromisso interior de não repetir enganos nem reincidir na criminalidade. Desperto para as paisagens superiores da existência, examina o que pretendes, como pretendes, até onde pretendes ir. Sem decisão bem delineada, as atitudes são sempre oscilantes e fracas. Quem se encontra interessado na solução dos graves e afligentes problemas que angustiam o homem, resolve avançar, decidido, apagando o passado com o claro sol do trabalho realizador do presente, sem tibieza, porquanto verifica em si mesmo que só a retidão oferece meio seguro para uma consciência tranqüila. (Dimensões da Verdade - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco)
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Teu Recomeço A cada momento podes recomeçar uma tarefa edificante que ficou interrompida. Nunca é tarde para faze-lo; todavia, é muito danoso não lhe dar prosseguimento. Parar uma atividade por motivos superiores às forças é fenômeno natural. Deixá-la ao abandono é falência moral. A vida é constituída de desafios constantes. Sai-se de um para outro em escala ascendente de valores e conquistas intelecto-morais. Sempre há que se começar a vida de novo. Uma decepção que parece matar as aspirações superiores; um insucesso que se afigura como um desastre total; um ser querido que morreu e deixou uma lacuna impreenchível; uma enfermidade cruel que esfacelou as resistências; um vício que, por pouco, não conduziu à loucura; um prejuízo financeiro que anulou todas as futuras aparentes possibilidades; uma traição que poderia ter-te levado ao suicídio, são apenas motivos para recomeçar de novo e nunca para se desistir de lutar. Não houvesse esses fenômenos negativos na convivência humana, no atual estágio de desenvolvimento das criaturas, e os estímulos para o progresso e a libertação seriam menores. Colhido nas malhas de qualquer imprevisto ou já esperado problema aterrador, tem calma e medita, ao invés de te deixares arrastar pela convulsão que se irá estabelecer. Refugia-te na oração, a fim de ganhares força e inspiração divina. Como tudo passa, isto também passará, e, quando tal acontecer, faze teu recomeço, a princípio, com cautela, parcimonioso, até que te reintegre novamente na ação plenificadora. Teu recomeço é síndrome de próxima felicidade. (Filhos de Deus - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* A Evolução Que nenhuma agressão exterior te perturbe, levando-te à irritação, ao desequilíbrio. Mantém-te sereno em todas as realizações. A tua paz é moeda arduamente conquistada, que não deves atirar fora por motivos irrelevantes. Os tesouros reais, de alto valor, são aqueles de ordem íntima, que ninguém toma, jamais se perdem e sempre seguem com a pessoa. Tua serenidade, tua gema preciosa. Diante de quem te enganou, traindo a tua confiança o teu ideal, ou envolvendo-te em malquerença mantém-te sereno. O enganador é quem deve estar inquieto o não a sua vítima. Nunca te permitas demonstrar que foste atingido pelo petardo da maldade alheia. No teu círculo familiar ou social sempre defrontarás com pessoas perturbadas, confusas e agressivas. Não te desgastes com elas, competindo nas faixas de desequilíbrio em que se fixam. Constituem teste à tua paciência e serenidade. Assim, exercita-te com essas situações para, mais seguro, enfrentares os grandes testemunhos e provações do processo evolutivo. Sempre, porém, com serenidade. (Episódios Diários - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Nas Sombras e Dores Nestes dias penumbrosos, quando se adensam as sombras, na Terra, e as perspectivas se fazem mais tensas sob a óptica do desespero e da anarquia; quando se acumpliciam, a agressão injustificável e o crime em desenfreada correria; quando se dão as mãos, a injustiça e o opróbrio, ceifando vidas; quando se destacam, a criminalidade e o erro, ocupando espaços, o cristão decidido deve voltar-se para dentro, procurando reabastecimento na fé. Já são grossos os rolos de fumaça, que sobem da Terra em chamas. Muitas são as vozes que estão silenciadas no fragor das batalhas rudes. Os cadáveres enxameiam, formando pântanos de matéria humana. ... E uma noite, que se apresenta pavorosa, ameaça tomar conta do mundo. No entanto, Jesus é Sol, e os Seus discípulos, chamados à glória do momento grave, devem desempenhar a tarefa com alegria, embora sob estertores ou caminhando com dificuldades no meio do cipoal. Nunca, como hoje, se viveram dias de tanta angústia! O século das glórias tecnológicas, são os dias de horror da própria desenfreada ambição humana. Eis porque, a Doutrina Espírita veio, prenunciando as mudanças sociais e humanas e esclarecendo sobre a visão do Apocalipse que ora se cumpre na atual Civilização. Permaneçamos fiéis ao labor, insistindo mais em nosso trabalho de solidariedade, ampliando os nossos recursos de fraternidade e amando com destemor, a fim de que definhem as fileiras da agressão e do ódio. De forma alguma nos deixemos contaminar pelos vírus que se encontram no ar que se respira no mundo. De maneira nenhuma dos deixemos mimetizar pela violência, estando vigilantes, para que, a qualquer preço, a cordura e a paz não se afastem do nossos corações. Nestes momentos, avaliam-se os recursos de cada um. Ante os testemunhos surgem os heróis e revelam-se os desertores. É imprescindível porfiar, espalhando a luz da esperança e disseminado o exemplo da bondade. Em contrapartida, serão carreadas mais forças e vigores para os obreiros fiéis, a fim de que as metas sejam alcançadas no campo do bem. Levantemo-nos, portanto, conscientes dos deveres que nos dizem respeito e porfiemos sem desânimo na luta da nossa redenção. (Otimismo - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco)
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Benfeitores
Com a alma tocada pelas belezas com que a Doutrina Espírita te enriquece de ventura, gostarias de servir com desassombro, oferecendo a própria existência à EXCELSA MANIFESTAÇÃO do Bem. Descobrindo agora o lado formoso de todas as coisas e constatando que a Sabedoria Divina tudo emoldurou com necessários arremates, sentes a necessidade de dar expansão à felicidade que te invade, espalhando a luz do amor com as criaturas. Fascina-te a posição de benfeitor e afirmas que tudo darias para transformar-te em mensageiro do bem nas lutas da santificação. Qualquer auxílio que se dilate é benção que se difunde. No entanto, para auxiliar de molde a ser felicitado pelo próprio benefício é necessário um grande e exaustivo trabalho dentro de ti mesmo, no intramuros do espírito. Toda doação nobre é sementeira de luz. Todavia, para que a semente atinja à plenitude do embrião, vê-se constrangida a libertar-se do próprio invólucro, transformando-o em vitalidade. Para que atinjas o objetivo é necessário arrebentar a concha do "eu", destruindo a torre de granito onde recolhes o personalismo. Ninguém serve bem, se espera retribuição de qualquer natureza. Para que a fonte atenda à sede do viandante que lhe busca a linfa, a água se liberta do lodo do fundo. A fim de que o pão favoreça a mesa, o trigo supera a lama que lhe atende a raiz. Não se serve a contento, quando se oferece amor com acrimônia e azedume. Pouco importa renunciar aos prazeres do mundo em favor da obra do bem, impedindo que a alegria juvenil irrompa, ingênua, no sorriso dos tutelados. A renúncia legítima desconhece medida e sacrifício. Para ser nobre, deve ser jovial e comunicativa. Ajudar reclamando, pode ser comparado a descuidar da higiene do corpo, em que se oferece água fresca a quem se estima. Serviço com enfado, apresentando cansaço e amargura, sempre expressa trabalho escravo. A obra do Senhor é feita com alegria. O Sol sorri gentil sobre o pântano, sem pressa nem prevenção. A árvore abençoa o homem com sombra e fruto, desconhecendo o próprio valor. A chuva atende ao solo sem constrangimento, caindo na várzea e na montanha. Eles ignoram o benefício que distribuem. Antes acreditava-se que a santificação se manifestava através de uma austeridade que empalidecia o rosto, mortificando a carne. Com o Espiritismo, o homem austero não é aquele em cujos lábios a severidade faz morada e o cenho carregado deforma a face... Não se ajuda, amaldiçoando o auxílio. Coloca, pois, em teus serviços o sal do amor para que o paladar cristão esteja sempre presente em teu prato de fraternidade. Se quiseres servir com sucesso, observa os Mensageiros da Luz Divina, e faze com os teus tutelados como eles fazem contigo. Jamais reclamam - atendem sempre. Nunca exigem - compreendem sempre. Não perturbam - acalmam sempre. São, em qualquer situação, o colo de mãe compreensiva ou o braço de pai vigoroso, oferecendo consolo ou trabalho. Benfeitor, no seu sentido real, é todo aquele que, esquecendo-se de si mesmo, toma a cruz dos outros sobre os ombros feridos e caminha ao lado, ignorando o próprio sacrifício. Jesus, na via dolorosa, esquecia as chagas e o ultraje de todos para poder atingir o termo da tragédia por amor, rogando ao Supremo Pai, no clímax das aflições, perdão para nós que ainda hoje, dois mil anos depois, nos fazemos servos indignos da sua Mensagem Divina. (Messe de Amor - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Convite à Mediunidade Médiuns todos o somos, e mediunidades possuímo-las todos nós. Aprimorá-la ou descurá-las, relegando- as a plano secundário, é responsabilidade que cada um exerce mediante o próprio arbítrio. A argila maleável nas mãos do oleiro é a médium do vaso. O ferro em ignição na bigorna e malho do operário é médium da forma que plasma. Deixando-se conduzir pelas mãos do Operário Divino, o homem modela e executa as construções mentais superiores, tornando-se cooperador na Obra de Nosso Pai. Recalcitrando à inspiração elevada, deixa-se, maleável, arrastar por outras ondas de pensamento, colaborando, às vezes, inconscientemente na formação das paisagens de dor, de sombra e de desdita para os outros como para si mesmo. A verdade é que todos estamos interligados, em ministério mediúnico ativo, incessante, graças aos múltiplos dons de que nos achamos investidos. Vinculados espírito a espírito pelo impositivo da evolução, desde que constituímos famílias que formam a grande família universal, sintonizamo- nos reciprocamente pelas afinidades e aptidões, ideais e desejos em conúbio imenso de que somente o amor consegue os objetivos elevados, libertadores. Assim sendo, medita nas possibilidades mediúnicas de que te encontras possuído e eleva-te pelo exercício das ações nobilitantes, de modo a desdobrares os recursos positivos na realização do bem a que o Senhor a todos nos convoca. Certamente uns estão melhormente aquinhoados pelas faculdades mediúnicas que lhes são concedidas para a própria edificação à luz consagradora da Doutrina Espírita que é a única diretriz segura com Jesus para o ministério abençoado de iluminação na Terra. Se, todavia, não experimentares os sintomas mais evidentes da mediunidade, transforma-te espontaneamente em instrumento do amor e acende a lâmpada do auxílio fraterno no coração, a fim de que a caridade te transforme em médium da esperança entre os que aspiram a um Mundo renovado e ditoso para o futuro, desde hoje. (Convites da Vida - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Luta e Libertação Estás empenhado numa grande luta. Conflito sem quartel a espraiar-se indomável. Avalanches aflitivas que surgem, soterrando esperanças. Batalhas encarniçadas que aparecem, dizimando coração. Ninguém está em paz total. Se por um lado as mentes se alçam às culminâncias da técnica, construindo os admiráveis instrumentos da pesquisa, construção e transporte, por outro lado, as diferenças morais e econômicas proporcionam as quedas desastrosas do sentimento. E apesar das facilidades modernas enxameiam misérias indescritíveis. Com tanta luz projetada nos caminhos da razão as trevas se demoram densas e ameaçadoras... Das tormentas, porém, advêm as alvíssaras da tranqüilidade. A luta é, indubitavelmente, uma imposição evolutiva. Mantém-se o corpo através do conflito celular. Voeja a borboleta com a dilaceração da lagarta. Sustenta-se a árvore com a decomposição dos tecidos que a adubam. Comprometido com a retaguarda espiritual, o homem de hoje como o de ontem, recupera os patrimônios da vida com que se comprometeu em arremetidas da loucura. Trazendo à atualidade o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Doutrina Espírita ensina mudança de rumo para o pensamento, e realização edificante para o sentimento. Objetivando a construção da felicidade no cerne das criaturas oferece a instrumentação do esclarecimento e dos fatos, convocando as forças atuantes de cada um para a batalha real da libertação total. Não somente luta externa pelo poder que não felicita. Nem luta interna sob o guante das seduções degeneradoras. Extinção do mal interno angustiante e vigoroso — eis o objetivo essencial. Libertação de todo gozo fácil e breve, para realização do gozo pleno e total. Repetindo a sentença do Mestre que "não veio destruir a Lei mas dar-lhe cumprimento" asseveram os Espíritos da Luz que o Espiritismo "não vem destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução". Resolve-te, pois, quanto antes e sem demora, ao empreendimento da auto- libertação e não te faltarão os recursos para a vitória imperiosa e inadiável sobre ti mesmo, nas grandes lutas do momento em que a espécie humana se encontra para a sublime ascensão. (Espírito e Vida - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Terapêutica Espírita Pára, no turbilhão que te desequilibra, e medita. Meditação é combustível precioso que mantém o vigor moral. Emerge das areias movediças e sedutoras das atrações fáceis e medita nas responsabilidades morais que enfeixas nas mãos. Meditação é dínamo poderoso que movimenta a máquina da ação. Estaciona, no caminho de inquietudes por onde seguem os teus pés, e faze um exame dos teus atos, demorando-te um pouco em meditação. Meditação é terapia que oferece paz. Esquece sombras e pesadelos e, antes de reiniciares as tarefas que acalentas, deixa-te ficar algum tempo em meditação. Meditação é amiga fiel que corrige com bondade e esclarece com humildade. Se desejas, realmente, um método eficiente para ser mantido o alto índice de produtividade, evitando insucessos continuados ou erros constantes, elege a meditação como hábito salutar em tua vida. O cristão, e em particular o espírita, tem necessidade de meditar como de orar, porquanto se a vigilância decorre da meditação, esta é conseqüência dela. Acreditas-te em soledade e por isso sofres. Medita e verificarás outros corações mais solitários ao teu lado. Levanta-te, visita-os e apresenta-lhes a Mensagem Espírita. Consideras-te enfermo e alquebrado, caminhando sem arrimo. Medita e encontrarás, próximos de ti, sofredores mais atormentados, contemplando em ti a felicidade que dizes não possuir. Dirige-te a eles e oferece a fraternidade que podes haurir nas Lições Espíritas. Aceitas como fato consumado a tua falta de sorte, no que diz respeito às atividades comuns a todos os homens. Medita e enxergarás corações vencidos, que te invejam o sorriso e a fortuna que afirmas não ter. Alonga até eles a compreensão espírita. Descobrirás, se meditares, que a Terra é um imenso hospital de almas mais sofredoras do que a tua e que, com os recursos de terapêutica espírita, poderás operar valiosas contribuições em favor delas, constatando a exatidão da máxima evangélica: "Mais se dará àquele que mais der", porque, ao ajudares, sentir-te-ás também ajudado. Faze pequeno curso de Espiritismo em casa para ti próprio, estudando a Codificação; aplica passes; oferece água magnetizada; concede palavras de alento; freqüenta serviços de desobsessão; desperta para a vida espírita dentro de ti mesmo e, meditando para agir com acerto, desfrutarás a felicidade perfeita que ambicionas, porque meditar no bem é começar a fruir o bem desde agora mesmo. (Dimensões de Verdade - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco)
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Na Esfera dos Sonhos
Os interesses recalcados, as aspirações frustradas, os tormentos íntimos, complexos, mal conduzidos dormem temporariamente no inconsciente do homem e assomam quando emoções de qualquer porte fazem-no desbordar, facultando o predomínio de conflitos em formas perturbadoras , gerando neuroses que se incorporam à personalidade, inquietando-a. Da mesma forma os ideais de enobrecimento, os anelos de beleza, o hábito das emoções elevadas, a mentalização de planos superiores, as aquisições e lutas humanistas repousam nos departamentos da subconsciência, acordando, freqüentemente, e produzindo euforia, emulações no homem, ajudando-o os seu programa de paz interior e de realizações externas. O homem é sempre aquilo que armazena consciente ou inconscientemente nos complexos mecanismos da mente. Quando se dá o parcial desprendimento da alma através do sono natural, açodado pelos desejos e paixões que erguem ou envilecem, liberam-se aos memórias arquivadas que o assaltam, em formas variadas de sonhos nos quais se vê envolvido. Permanecem nesse capítulo os estados oníricos da catalogação freudiana, em que as fixações de ordem sexual assumem expressões de realidade, dominando os múltiplos setores psíquicos da personalidade. Além deles, há os que decorrem dos fenômenos digestivos, das intoxicações de múltipla ordem por conseqüência dos estados alucinatórios momentâneos, que produzem. Concomitantemente, em decorrência do cultivo de idéias deprimentes ou das otimistas, a alma em liberdade relativa sente-se atraída pelo locais que lhe são inacessíveis, enquanto na lucidez corpórea e fortemente arrastada por esse anseio de realização desloca-se do envoltório físico e visita aqueles com os quais se compraz e onde se sente feliz. Disso decorrem encontros agradáveis ou desditosos em que adquire informes sobre oco^ocorrências futuras, esclarecimentos valiosos, ou, conforme o campo de interesse que cada qual prefira, experimenta as sensações animalizantes, frui, em agonia, as taças vinagrosas dos desejos inconfessáveis, continuando o comércio psíquico com Entidades vulgares, perversas ou irresponsáveis que se lhe vinculam ao pensamento, dando origem a longos e rudes processos obsessivos de curso demorado e de difícil liberação. Nos estados de desprendimento pelo sono natural, a alma pode recordar o seu pretérito e tom ar conhecimento de seu futuro, fixando essas impressões que assumem a forma de sonhos nos quais as reminiscências do ontem, nem sempre claras, produzem singulares emoções. Outrossim, a visão do porvir, as revelações que haure no intercâmbio com os desencarnados manifestam-se como positivos sonhos premonitórios de ocorrência cotidiana. Quanto mais depurada a alma, possibilidades mais amplas depara, sucedendo, no sentido inverso, pelo seu embrutecimento e materialização, os desagradáveis e perturbadores sucessos na esfera dos sonhos. Multiplicam-se e perpassam em todas as direções ondas mentais, que percorrem distancias imensas, sintonizando com outras que lhe são afins e que buscam intercâmbio. Em decorrência, pouco importa o espaço físico que separa os homens, desde que estes intercambiam mentalmente na faixa das aspirações, interesses e gostos que os caracterizam e associam... Quando dorme o corpo, não adormece o Espírito exceto quando profundas as hebetações e anestesiamentos íntimos l he perturbam os centros da lucidez. Automaticamente, inconscientemente, libera-se do corpo e arroja-se aos recintos que o agradam, porque anseia e de que supõe necessitar... Quando, porém, se exercita nos programas renovadores e preserva os relevantes fatores da dignificação humana, sutilizam- se as suas vibrações, sintonizando nas ondas que o erguem às esferas da Paz e da Esperança, onde os Seres ditosos, encarregados dos labores excelentes dos homens, facultam que se mantenham diálogos, recebendo recursos terapêuticos e lições que se incorporam à individualidade, indelevelmente... Nas esferas dos sonhos - nos Círculos Espirituais elevados ou nos tormentosos conforme a preferência individual - se engendram muitas, incontáveis programações para o futuro humano, nascendo ali ou se corporificando, quando já existentes, os eloqüentes capítulos das vidas em santificação, como as tragédias, os vandalismos, as desditosa inomináveis... Vive no corpo físico considerando a possibilidade da desencarnação sem aviso prévio. Cada noite em que adormeces, experimentas um fenômeno consentâneo ao da morte. Dormir é morrer momentaneamente. Desse sono logo retornas, porque não se te desatam os liames que fixam o Espírito ao corpo. Podes, porém, pelas ocorrências que experimentas na esfera dos sonhos, ter uma idéia do que te sucederá nos Círculos da Vida, após o desenlace definitivo. Por tal imperativo, aprimora-te, eleva- te, supera-te, mediante o exercício dos pensamentos salutares e das realizações edificantes. Não apenas fruirás de paz por decorrência da consciência reta, como te prepararás para a vida real, porquanto, examinada do Angulo imortalista, o homem na Terra, se encontra numa esfera de sonhos, que normalmente, transforma, por invigilância ou rebeldia, em desditoso pesadelo. (Leis Morais da Vida - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Casamento e Companheirismo (...) Mais do que um ato social ou religioso, conforme estabelecem algumas Doutrinas ancestrais, vinculadas a dogmas e a ortodoxias, o casamento consolida os vínculos do amor natural e responsável, que se volta para a construção da família, essa admirável célula básica da humanidade. O lar é, ainda, o santuário do amor, no qual, as criaturas se harmonizam e se completam, dinamizando os compromissos que se desdobram em realizações que dignificam a sociedade. Por isso, quando o egoísmo derruba os vínculos do matrimônio por necessidades sexuais de variação, ou porque houve um processo de saturação no relacionamento, havendo filhos, gera-se um grave problema para o grupo social, não menor do que em relação a si mesmo, assim como àquele que fica rejeitado. Certamente, nem todos os dias da convivência matrimonial serão festivos, mas isso ocorre em todos os campos do comportamento. Aquilo que hoje tem um grande sentido e desperta prazer, amanhã, provavelmente, se torna maçante, desagradável. Nesse momento, a amizade assume o seu lugar, amenizando o conflito e proporcionando o companheirismo agradável e benéfico, que refaz a comunhão, sustentando a afeição. Em verdade, o que mantém o matrimônio não é o prazer sexual, sempre fugidio, mesmo quando inspirado pelo amor, mas a amizade, que responde pelo intercâmbio emocional através do diálogo, do interesse nas realizações do outro, na convivência compensadora, na alegria de sentir-se útil e estimado. (...) (Amor, Imbatível Amor - Joanna de Angelis Divaldo Pereira Franco) ********* Sob Sombras e Dores Nestes dias penumbrosos, quando sem adensam as sombras, na Terra, e as perspectivas se fazem mais tensas sob a óptica do desespero e da anarquia; quando se acumpliciam, a agressão injustificável e o crime em desenfreada correria; quando se dão as mãos, a injustiça e o opróbrio, ceifando vidas; quando se destacam, a criminalidade e o erro, ocupando espaços, o cristão decidido deve voltar-se para dentro, procurando reabastecimento na fé. Já são grossos os rolos de fumaça, que sobem da Terra em chamas. Muitas são as vozes que estão silenciadas no fragor das batalhas rudes. Os cadáveres enxameiam, formando pântanos de matéria humana. ... E uma noite, que se apresenta pavorosa, ameaça tomar conta do mundo. No entanto, Jesus é Sol, e os Seus discípulos, chamados à glória do momento grave, devem desempenhar a tarefa com alegria, embora sob estertores ou caminhando com dificuldades no meio do cipoal. Nunca, como hoje, se viveram dias de tanta angústia! O século das glórias tecnológicas, são os dias de horror da própria desenfreada ambição humana. Eis porque, a Doutrina Espírita veio, prenunciando as mudanças sociais e humanas e esclarecendo sobre a visão do Apocalipse que ora se cumpre na atual Civilização. Permaneçamos fiéis ao labor, insistindo mais em nosso trabalho de solidariedade, ampliando os nossos recursos de fraternidade e amando com destemor, a fim de que definhem as fileiras da agressão e do ódio. De forma alguma nos deixemos contaminar pelos vírus que se encontram no ar que se respira no mundo. De maneira nenhuma dos deixemos mimetizar pela violência, estando vigilantes, para que, a qualquer preço, a cordura e a paz não se afastem do nossos corações. Nestes momentos, avaliam-se os recursos de cada um. Ante os testemunhos surgem os heróis e revelam-se os desertores. É imprescindível porfiar, espalhando a luz da esperança e disseminado o exemplo da bondade. Em contrapartida, serão carreadas mais forças e vigores para os obreiros fiéis, a fim de que as metas sejam alcançadas no campo do bem. Levantemo-nos, portanto, conscientes dos deveres que nos dizem respeito e porfiemos sem desânimo na luta da nossa redenção. (Otimismo - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Treinamento Para o Perdão A fim de colimares a excelência do perdão aos que te ofendem, mister te adestres mediante antecipados critérios e exercícios contínuos. Habitua-te a iniciar o dia com a mente ligada ao Senhor, através dos fios invisíveis e poderosos da oração. Não te descuides de ler uma página mensageira de otimismo, capaz de produzir júbilo no teu mundo íntimo. Reprime as observações menos dignas, as apreciações fúteis, as referências deprimentes e maliciosas. Estimula a conversação edificante e quando não possas faze-lo, reserva-te silêncio discreto, propiciatório a reflexões salutares. Todo labor para alcançar êxito impõe a necessidade de uma técnica própria, de uma diretriz segura. Indispensável exercitar-te mentalmente para o cometimento do perdão, a que estás chamado a cada instante. Treina, então, a paciência, disciplinando a vontade e aprimorando a indulgência. Não te permitas autocomiseração ou personalismo prejudicial. Cada ser é o que constrói interiormente. A vida sempre devolve o que recebe. Tem cuidado. O acusador gratuito e o perseguidor sistemático podem converter-se, sem que o saibam, em benfeitores valiosos. Aproveita-os. Temperamentos e caracteres humanos há que produzem mais e melhor, quando fiscalizados ou submetidos a rigoroso controle. Quem conhece a verdade, sempre consegue lograr benefícios em todas as situações, se desejar agir com acerto. Olha em derredor: . a primavera perfumada pode ser considerada como o perdão da Natureza ao rigor hibernal; . o grão perdoa a terra que o esmaga, arrebentando-se em flor e fruto; . o trigo agradece à mó que o tritura, transformando-se em pão. . . Apura os sentidos e perceberás as respostas de Nosso Pai, através de convites ao amor, à beleza, à harmonia. Integra-te no concerto de Suas bênçãos e quando fores visitado pelo sofrimento que alguém te imponha por qualquer razão, com facilidade perdoarás. (Celeiro de Bênçãos – Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco)
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Solidão e Jesus
Quando as amarguras da jornada te assinalem a alma, jungindo-te ao carro sombrio onde a solidão se demora algemada, recorda o Mestre Crucificado, em terrível abandono. Onde os amigos doutrora, as multidões saciadas e os corações socorridos? Começara o ministério, a que se entregaria integralmente, nas alegres bodas de Caná, e encerrava-o numa Cruz, esquecido dos beneficiários constantes que O envolviam em álacre vozerio. Sempre estivera o Mestre cercado pelas criaturas... Pregara nas cercanias formosas das cidades e das aldeias, nas praias livres entre o lago e as montanhas, nas Sinagogas repletas e nas praças movimentadas. Atendera a todos que Lhe buscaram socorro. Todo o Seu Apostolado de amor foi de enobrecimento. À mulher desprezada e em aviltamento, ofereceu as mais belas expressões da sua Mensagem. Consolou e esclareceu a Samaritana atormentada. Retirou dos coxins de veludo e seda a obsidiada de Magdala. Convidou Marta às questões do Espírito. Atendeu à mulher Cananéia, prodigalizando o equilíbrio à filha endemoniada. Hannah, a sogra de Pedro, recebeu-Lhe o passe curador. À pobre hemorroíssa sito-fenícia restituiu a saúde. Ofereceu à viúva de Naim o filho considerado morto. Joanna, a mulher de Cusa, recebeu-Lhe o convite para a vida imperecível. A filha de Jairo prodigalizou a bênção do despertamento das malhas da catalepsia. Além delas, distendeu o amor a todos os corações. Leprosos e sadios participaram do Seu convívio. Homens ilustres e mendigos foram comensais da sua afeição. Recuperou a serenidade no homem de Gadara, infelicitado por Espíritos obssessores e curou o filho do Centurião. Elucidou o afortunado príncipe do Sinédrio em colóquio fraterno, e propiciou luz aos olhos fechados de mísero cego das estradas de Jericó. Honrou a rica propriedade de Zaqueu e fez refeições nos barcos humildes dos pobres pescadores. Revelou a Boa Nova aos sábios de Jerusalém que a escutaram deslumbrados e, à última hora, ensinou aos malsinados ladrões, companheiros de crucificação, a porta estreita para a liberdade espiritual. Movimentou os membros paralisados de Natanael, descido pelo telhado, e revelou aos discípulos do Batista os sinais que O identificam como o Esperado... Milhartes de alma receberam a paz e a saúde de Suas mãos. Os "demônios" submetiam-se a sua voz. O mar respeitou-Lhe a ordem. O vento atendeu-Lhe o imperativo. As doenças desapareciam ao Seu contato. Os anjos obedeciam-Lhe à vontade. No entanto, à hora da angústia, sorveu a taça de amargura a sós. O coração feminino, junto à Cruz, apresentou-Lhe apenas a saudade e a aflição, em lágrimas. Mas provou a agonia, o escárnio e a humilhção em suprema soledade. Nenhuma voz se ergueu para defendê- lO nas Altas Cortes. Todavia, entregando-se confiante ao Pai, venceu o mundo e todos os seus enganos e, mesmo depois da morte, ressurgiu glorioso, voltando ao amor para a felicidade de todos. Lembra-te dEle. Só no mundo, e o Pai com Ele. À hora das tuas provações, os companheiros e beneficiários do teu carinho não podem ficar contigo; seguirão adiante. A vida espera mais além. Tem paciência! Não os ames menos por isso, Eles necessitam da tua compreensão e do teu carinho. Cresce para ajudar no crescimento deles. E mesmo que a morte venha às tuas carnes, renascerás das cinzas da sepultura, em esplêndida madrugada, para continuares o teu labor junto àqueles que te abandonaram. Na tua solidão, entretanto, Jesus estará sempre contigo. (Messe de Amor - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) |