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Sobre o show Acústico no ATL HALL - 2003       
Roqueiros quarentões - 2002     
Sobre o Acústico MTV - 2002       
Lançamento do Acústico MTV - 2002       
Gravação do Acústico MTV por João Pimentel - 2002    
Gravação do Acústico MTV por Jamari França - 2002     
Gravação do Acústico MTV - 2002       
Estréia do show Parabolóide Hiperbólico - 2001
Lançamento do Surf - 2001
Show do Kid Abelha no Rock In Rio - 2001
Show do Kid Abelha no Canecão - 2000
Saída do do Kid Abelha da Warner Music - 2000
Show do Kid Abelha & Barão Vermelho no Metropolitan - 2000
Lançamento da turnê Autolove - 99
Perfil de Paula Toller - Planeta Globo - 98
Bastidores do clipe "Eu só penso em você" - 98
Recebimento do disco de ouro no Metropolitan - 96
Critica sobre o disco Tudo é Permitido - 91     
Paula fala de seus hábitos e lugares favoritos no Rio - 89  
Critica sobre o disco Kid - 89     
Sobre o show do Kid na primeira edição do Rock In Rio - 85 
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Roda (de violão) gigante

        Quem foi ao Rock in Rio 3, no dia 20 de janeiro de 2001, lembra: não teve Oasis, Guns 'N Roses ou R.E.M. que tivesse a resposta que o Kid Abelha arrancou do público. Pintura íntima, Lágrimas e chuva, Na rua, na chuva, na fazenda, Amanhã é 23... o número de sucessos é interminável. A banda aproveitou a força de seu repertório e o recheou de violões e arranjos elegantes no disco Acústico MTV, um dos maiores sucessos deste início de verão.

- A gravadora nos sugeriu gravar o disco para comemorar nossos 20 anos de carreira, lembra a cantora Paula Toller. A gente nem tinha se tocado da data.

        Ao lado de músicos da pesada, Paula, Bruno Fortunato (violões) e George Israel (violão e saxofone) mostram todos esses sucessos e novas músicas, como Gilmarley e Nada sei, hoje e amanhã, às 22h, no ATL Hall. É como aquela roda de violão em que todo mundo canta. Só que com milhares de pessoas.

CD segue a fórmula 'Acústico MTV'

        O CD tem tudo que o acústico MTV consagrou. Convidados: tem o guitarrista Edgar Sacandurra, Lenine na música 'Na rua, na chuva, na fazenda' ('Resolvemos fazer parceria com dois músicos que não eram nem ídolos, nem brothers', dizem ), versões inusitadas como 'Quero te encontar', de Claudinho e Buchecha ('Experimentamos a música pela primeira vez, num show. No dia seguinte, soubemos do acidente. Mas resolvemos manter', recordam), hits como 'Amanhã é 23', 'Grand´Hotel' e 'Te amo pra sempre' ('Senão, iríamos ser linchados', justifica Paula Toller) e - claro - arranjos de cordas. Mas eles dizem que procuraram centrar as canções no trio Paula-George-Bruno.

- O desafio foi colocar músicas novas ao lado de outras que já eram consagradas. Você tem que arriscar - diz Paula que, durante quase todo o shoow, permanece sentada num banquinho. Mas a moça já disse: na turnê vai querer ficar em pé.

        Entre as versões, também há a releitura (ou retoque, como eles dizem) de 'Brasil', de George, Cazuza e Nilo Romero.

- Tínhamos o aval de gravar já que um dos compositores faz parte da banda - disse Bruno Fortunato.

 Sobe


Como ser roqueiro quarentão

        Quando amigos de colégio ou faculdade se juntam para levar um som e fazer umas musiquinhas, qual a chance de a bandinha deles vingar e durar 20 anos? Os Beatles não duraram. E a probabilidade de se chegar às duas décadas fazendo sucesso, renovando o público e ganhando prêmios? Pois grupos do rock brasileiro formados nos anos 80, como Titãs, Kid Abelha, Paralamas do Sucesso e Capital Inicial — este com uma breve interrupção — estão atingindo essa marca, todos em bons momentos profissionais. Enquanto isso, boa parte da geração 90 enfrenta problemas, sejam de brigas ou de queda nas vendas — dos Raimundos ao Rappa, do Jota Quest aos Hermanos. Os quarentões conseguiram manter-se unidos, resistir às inevitáveis crises e estão loucos para estourar o champanhe e cair de boca em 2003. O GLOBO reuniu Paula Toller, cantora do Kid Abelha — que, além de manter seu grupo em atividade, está envolvida na criação da Associação Brasileira dos Criadores de Disco (ABCD), nos moldes da entidade das grandes gravadoras, a ABPD, para representar os artistas — e os bateristas João Barone, dos Paralamas, e Charles Gavin, dos Titãs, para a conversa que se segue.

O que é preciso para uma banda durar 20 anos?
CHARLES GAVIN:
No nosso caso, a gente gosta de tocar junto, isso é mais forte do que qualquer coisa. Gostamos de tocar, de fazer música e shows juntos. Somos uma banda essencialmente de estrada. Prova disso é que, mesmo com a morte do Marcelo Fromer, há um ano e meio, e a saída do Nando Reis, alguns meses atrás, já vamos gravar um disco novo. Acredito que a gente ainda tem muita coisa a dizer.

PAULA TOLLER: Não vou entrar na comparação entre as gerações, acho que é um reflexo de um momento muito específico. Acho que o nosso aniversário de 20 anos é resultado de um trabalho de muita ralação. Fomos melhorando, tocando melhor, compondo melhor.

JOÃO BARONE: Nunca nos sentimos como um artista estabelecido. Temos que matar um leão por disco. Se tem uma regra que sempre nos orientou, é que não podemos nos sentir estabelecidos, muito menos no Brasil. Houve um momento de euforia no mercado fonográfico daqui, mas sabemos que o showbiz é muito inconstante. Não podemos pensar que fizemos a fama e deitarmos na cama. Cada disco novo é um recomeço.

Por que as bandas dos anos 90 estão em um momento comercial pior do que o de vocês?
GAVIN:
Nós também atravessamos crises, faz parte do amadurecimento. Acho que esses grupos, que são mais jovens do que a gente, estão passando por essas fases que nós já atravessamos. A gente também se questionou, perguntou tudo. Acho que a gente tinha uma estrutura boa, discutíamos tudo, não tínhamos líder, isso nos ajudou a respeitar as diferenças, mais do que muita gente que tem por aí. Acho que sustentar uma banda é difícil. Nós, dos Titãs, dos Paralamas e do Kid Abelha, hoje somos exceções.

BARONE: Acho que artistas como nós têm tanto tempo no mercado que adquirimos uma solidez, fruto desse aprendizado que a Paula falou. Temos uma associação sólida o suficiente para durar o tempo necessário para o que pretendemos fazer. Isso chama a atenção exatamente em um momento em que algumas bandas que vieram depois da gente não tiveram essa solidez. Até hoje fico inconformado de ver, por exemplo, os Raimundos desmembrados. É estranho ver como estava tudo indo tão bem e de repente, por uma razão ou por outra, saíram dois integrantes.

PAULA: Não vou julgar, mas tenho a mesma impressão que me vem quando sei de algumas separações. No primeiro problema, o casal se separa. De repente há uma imaturidade. Problemas existem em qualquer trabalho. Quando há uma equipe, como uma banda, é mais complicado ainda.

Qual a diferença entre as gerações dos anos 80 e 90?
GAVIN:
A nossa geração pensa muito diferente desse pessoal mais novo, são valores muito diferentes. Acho que, apesar de todos os problemas que a indústria fonográfica e a economia do Brasil enfrentaram, os Titãs sempre passaram por essas crises acreditando que a melhor coisa era ficarmos juntos. O Nando foi o último a questionar isso. Nós, os cinco que sobramos, continuamos gostando de estar juntos.

BARONE: Talvez essa turma toda tenha encontrado uma realidade muito diferente da que a gente encontrou. Na nossa época a coisa era muito mais dura, você tinha que fazer mais concessões.

PAULA: A gente meio que inaugurou o mercado como ele é hoje. Na época, havia uma velha-guarda nas gravadoras, nas rádios e nos jornais. A nossa geração mudou tudo, ajudou a criar um novo mundo, de certa forma.

BARONE: A gente foi meio boi de piranha nessa coisa da superexposição do rock. Não vou ter a arrogância de dizer que o rock brasileiro começou nos anos 80, porque sabemos que isso não é verdade. As bandas foram muito expostas, naquele momento depois do Rock in Rio 1, na abertura política, e com o Circo Voador e a Rádio Fluminense. A gente foi pegando um suingue com tudo o que ia acontecendo. Éramos novos, inexperientes, e fomos aprendendo, brigando, o que talvez seja muito diferente do que aconteceu na década de 90, quando as bandas já pegaram uma certa estrutura pronta.

PAULA: Por outro lado, para eles há uma cobrança muito maior. O fato de termos começado essa grande exposição do rock brasileiro — que vinha da Jovem Guarda e depois passou por uma fase muito underground — nos fez adquirir um certo respeito. Ninguém chega para nós e nos diz como fazer o nosso disco. Mudamos de gravadora e mesmo assim ninguém se mete, a gente é que convida o pessoal da gravadora para ouvir o disco, quando achamos que já está na hora. Vejo muitas bandas hoje em dia muito presas, querendo fazer sucessos. A gente não tem essa visão. Essas três bandas têm um monte de sucessos, mas, se você me perguntar como se faz um sucesso, eu não sei. Não existe uma fórmula.

E quais são os planos para 2003?
GAVIN:
Estamos encerrando a turnê de "A melhor banda de todos os tempos da última semana", que foi ótima, o disco ultrapassou as 250 mil cópias vendidas e "Epitáfio" foi a segunda música mais tocada no Brasil em 2002. Já estamos nos encontrando para compor o repertório do próximo disco, e devemos começar as gravações no primeiro semestre.

BARONE: Vai ser um ano de muito trabalho. Ficamos surpresos com as vendas de "Longo caminho" nesses primeiros meses, que já são próximas dos 300 mil discos. Acho que ainda temos lastro para tocar muito pelo Brasil durante todo o ano de 2003.

PAULA: Estamos apenas começando a turnê do disco "Acústico MTV", que deve nos tomar o ano inteiro também. O nosso disco anterior, "Surf", não teve vendas muito boas e mesmo assim tocamos, ao todo, para cerca de 500 mil pessoas, afora o Rock in Rio 3. Então, certamente, estaremos muito ocupados.

 


E o Kid?

        No começo dos anos 80, nós ainda achávamos que o rock era capaz de mudar o mundo. Ou, ao menos, o nosso mundinho, chamado Brasil. O país estava num processo de abertura política "lenta, segura e gradual", tensionada entre o desejo dos quartéis e o dos comícios. Nesse processo, os roqueiros, antes vistos como alienados pró-ianques, bancavam os bois de piranha revolucionários. Legião Urbana, Blitz e Leo Jaime, entre tantos outros, davam voz às ruas. Suas músicas, falando que na favela e no Senado havia sujeira para todo lado, que queriam ver a menina nua, que na Aids não ia adiantar botar band-aids, testavam e alargavam os limites da Censura Federal, braço antiintelectual do regime militar.

        Até um dos grupos mais engraçadinhos do lote, o Ultraje a Rigor, teve a honra de ser citado pelo doutor Ulysses Guimarães, que, em janeiro de 1984, em plena Campanha das Diretas Já, recomendou que o general-presidente João Figueiredo escutasse "Inútil" ("A gente não sabemos escolher presidente/ A gente não sabemos tomar conta da gente"). E o Kid Abelha? Bom, nesse contexto de indignação cívica era politicamente incorreto dizer que se gostava dele, de seu som pop, sua new wave suave, suas letras levinhas, intimistas. No máximo, se flagrados em delito, pigarreávamos, dávamos uma disfarçada machista e dizíamos que só prestávamos atenção na banda por causa da cantora gostosinha.

        Na época, eles se intitulavam Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens, não apenas Kid Abelha. (Fico imaginando se um dia ainda vão adotar um radioheadiano Kid A. Nada a ver, nada a ver) Acho que assisti ao seu segundo show. Foi no Monte Líbano, a 5 de dezembro de 1982. (Não, nada tão marcante assim, mas eu tenho um álbum com canhotos de ingressos, lembra?) Era uma festa-show de lançamento para o álbum ao vivo "Still life", dos Rolling Stones. Vários grupos se apresentaram no salão. Tocaram suas músicas e deram um jeito de meter uma versão para os Stones no meio. O Kid cantou "Let’s spend the night together". O Kid era Paula Toller (vozinha), Carlos Leoni (baixo), Carlos Beni (bateria), George Israel (sax), Beto Martins (guitarra) e Richard Owens (teclados).

        No ano seguinte, uma formação ligeiramente alterada, sem os dois últimos, se tornou a primeira banda de rock brasileiro dos anos 80 a conquistar compacto de ouro — mais de cem mil cópias vendidas — com "Por que não eu?". Cinco anos depois, num Festival Alternativa Nativa, realizado no Maracanãzinho lotado, Paula tirou uma de Marilyn Monroe com seus cabelos recém-platinados. Ela se agachou na beira do palco, sua saia subiu com um corrente de ar e, bem, os fotógrafos se fartaram. Eu estava por perto. Ainda ali, tendo o grupo vários discos elogiados e bem vendidos, a ênfase costumava ir toda para a cantora, não para a canção. Hoje, conforme escuto o seu recém-lançado álbum "Acústico MTV", penso: "Meu Deus, como fomos tolos!"

        Preocupados com coisas materiais, não tivemos coragem para assumir que o Kid Abelha também elevava o espírito e que, portanto, não havia nenhuma razão para nos envergonharmos de gostar dele. Faço essa autocrítica não é de hoje. Este acústico, porém, é outra prova cabal de que, sim, é possível fazer música pop no Brasil sem descambar para a irrelevância. "Grand’ Hotel", por exemplo, parceria de Israel com Paula e seu marido, o cineasta Lui Farias, tem um verso cruel e preciso para descrever a modorra em que se transformam certos relacionamentos: "O nosso amor se transformou em ‘bom dia’". Isso está, em vários sentidos, muito adiante de "baba, baby, baba". Ou da bonitinha "Quero te encontrar", de Claudinho & Buchecha, que o Kid toca no CD.

        Aliás, imagino a trabalheira do grupo e do produtor Paul Ralphes — um craque galês radicado no Brasil por amor — ao selecionar repertório e bolar arranjos para este "Acústico MTV". Primeiro, pelos 20 anos de sucessos. Segundo, porque o Kid já tinha gravado um ótimo álbum semi-acústico ao vivo, bem intitulado "Meio desligado" (1994). Nada bate. Mesmo as três únicas músicas nos dois discos, "Como eu quero", "Eu tive um sonho" e "Grand’ Hotel", surgem muito diferentes. E, de lá para cá, novas belezinhas somaram-se às antigas: "Nada sei", "Eu contra a noite", "Eu só penso em você", "Te amo pra sempre". O fato é que o Kid — há bastante tempo um trio com Paula, Israel e Bruno Fortunato (guitarra) — melhorou com o tempo. A "cantora gostosinha", em particular, tornou-se mãe, encorpou uma bela voz e até ficou mais bonita aos 40 anos.

        Na alvorada de um verão que pelo visto trará mais tatuagens descendo por barriguinhas do que um homem com minha pressão arterial pode suportar, quedo-me em paz escutando o Kid Abelha, sem nenhum saudosismo, apenas sabendo que a vida nos torna menos indefesos ante a sedução da última novidade musical. Porque sabemos que ela com certeza não é a última e que ela muito provavelmente nem é nova. De qualquer forma, satisfeito com os White Stripes e os Strokes, decepcionado com os Hives, indiferente ao Calling e aos Vines, o ouvido já coça curioso por esse tal The Coral. Isso não acaba nunca?

Sobe


 O elo perdido entre Paula Toller e Kelly Key

        Edgar Scandurra, guitarrista do Ira!, é canhoto. Mas não toca guitarra com as cordas invertidas. Ou seja: tentar acompanhá-lo é quase um suicídio. Pois foi o que George Israel e Bruno Fortunato tiveram que fazer na quase-improvisação de 'Mudança de comportamento', uma das músicas do CD acústico do Kid Abelha.

- O Edgar ia tocar apenas 'Como eu quero'. Num ensaio, véspera da gravação, começamos a improvisar esta música do Ira!. Todos vieram falar que ela tinha que entrar - lembra a vocalista.

        No dia seguinte, lá estavam eles executando a canção e tentando 'colar' do guitarrista canhoto. Este foi um dos únicos momentos de improviso do show porque, de resto, estava tudo ensaiadinho, ensaiadinho. Tanto que o grupo tentou refazer alguns momentos em estúdio - o que, eles fazem questão de dizer, faz parte o processo - e, no final, optaram pelas tomadas ao vivo, realizadas em dois shows.

    Acústico MTV Kid Abelha será um programa de TV, um DVD (com extras e uma faixa a mais, 'Pintura íntima') e o CD, com 19 músicas. Não é a primeira vez que o grupo faz um disco acústico. Em 95 eles tinham lançado 'Meio desligado'.

- Aquele CD era o fechamento do ciclo dos anos 80, estávamos experimentando arranjos sofisticados. Este é de um novo momento, mais para simplificar e apontar caminhos.

        CD tem hits e inéditas - Simples, mais ou menos. O disco tem tudo que o acústico MTV consagrou. Convidados: além de Edgar, há Lenine na música 'Na rua, na chuva, na fazenda' ('Resolvemos fazer parceria com dois músicos que não eram nem ídolos, nem brothers', dizem ), versões inusitadas como 'Quero te encontar', de Claudinho e Buchecha ('Experimentamos a música pela primeira vez, num show. No dia seguinte, soubemos do acidente. Mas resolvemos manter', recordam), hits como 'Amanhã é 23', 'Grand´Hotel' e 'Te amo pra sempre' ('Senão, iríamos ser linchados', justifica Paula Toller) e - claro - arranjos de cordas. Mas eles dizem que procuraram centrar as canções no trio Paula-George-Bruno.

        Outro porém do lançamento são as inéditas. Elas são 'Nada sei (Apnéia)', 'GirlMarley Song' - dedicada a Gilberto Gil e Bob Marley - e 'Meu vício agora'.

- O desafio foi colocar músicas novas ao lado de outras que já eram consagradas. Você tem que arriscar - diz Paula que, durante quase todo o show, permanece sentada num banquinho. Mas a moça já disse: na turnê vai querer ficar em pé.

        Entre as versões, também há a releitura (ou retoque, como eles dizem) de 'Brasil', de George, Cazuza e Nilo Romero.

- Tínhamos o aval de gravar já que um dos compositores faz parte da banda - disse Bruno Fortunato.

        Avaliando o disco, os músicos dizem que algumas músicas acabaram mais simples e puras do que as originais.

- 'Eu contra a noite', por exemplo, foi produzida pelo Memê e, o que fizemos no acústico, foi quase um mix. Afinal, a música original já era o remix - compara Paula.

        Nos extras do DVD, a grande supresa é Paula Toller dando uma de Kelly Key e cantando 'Baba'. O Kid jura que não é piada.

- Não é ironia, nenhum pouco - assegura Paula.

- 'Baba' tem um parentesco com 'Pintura íntima' - diz George Israel.

        O primeiro show da turnê acontece em Salvador, em dezembro. Em janeiro eles chegam no Rio e, em abril, em SP.

Sobe


Roteiro vai nos sucessos de sempre

        Por João Pimentel - O primeiro dos dois dias de gravação do "Acústico MTV" do Kid Abelha, na noite de anteontem, foi marcado pela descontração, pela ausência de famosos e por um público que, se deixou muitas cadeiras vazias no Pólo de Cinema e Vídeo, cantou com Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato quase todas as 20 músicas do roteiro inteligentemente calcado em sucessos da banda.

        Intercalando músicas do início da carreira, como "Pintura íntima", "Fixação", "Como eu quero" e "Os outros" (dos dois bons primeiros discos, "Seu espião" e "Educação sentimental, de 1984 e 85), com as inéditas "Nada sei", "Meu vício agora" e "Gilmarley song", o Kid Abelha foi acompanhado por um público formado em grande parte por fãs-clubes.

        Duas coisas ficaram flagrantes. A primeira é que a banda tem sucessos para dar e vender. A segunda é que tais sucessos têm mais de dez anos. Mesmo assim, um show do Kid agrada a todos. Aos mais velhos, pelas canções que marcaram a década de 80. Aos mais novos, pela temática adolescente que, passados 20 anos, ainda permeia a banda.

        Fugindo ao lugar-comum, as versões de "Quero te encontrar" (Claudinho & Buchecha); "Mudança de comportamento", do Ira!, com a excelente participação de Edgar Scandurra ao violão; e uma dispensável "Brasil" (Cazuza, Nilo Romero e George Israel) na voz de Israel.

 

RESPOSTA DE PAULA TOLLER PARA A REPORTAGEM:

Rio, 21 de Setembro de 2002

        Caro João Pimentel, Escrevo para lhe agradecer pela manchete da sua crítica (19/9) ao show acústico MTV de minha banda, Kid Abelha, "Roteiro vai nos sucessos de sempre". Talvez não tenha sido a intenção elogiar, mas considero-me uma artista pop privilegiada por deter sucessos de sempre e não sucessos de nunca ou sucessos de vez em quando, por exemplo.Depois de citar quatro músicas do início de nossa carreira junto às inéditas do repertório, o sr. escreveu que os sucessos da banda têm mais de dez anos, portanto, pelo menos 11. Para contestá-lo, mando o set-list sub-11: "Eu contra a noite" (2001), "Maio" (98), "Eu só penso em você" (98), "Na rua, na chuva, na fazenda" (96), "Te amo prá sempre" (96), "Eu tive um sonho" (93). Quase um terço do show foi ignorado no seu texto para dar a impressão de que somos acomodados com os primeiros êxitos, o que não é verdade, haja vista que, durante todos esses 20 anos, continuamos a lançar regularmente CDs de composições inéditas, sendo que, deles, o mais vendido é de 1996 ("Meu mundo gira em torno de você"). Nada foi comentado sobre a excelência dos novos arranjos, dos músicos ou da minha performance como cantora e mestre-de-cerimônias; nada sobre a qualidade das novas canções. O sr. preferiu chamar a atenção para a ausência de "famosos" (sic), e ainda considerou o super-hit "Brasil" "dispensável", o que é, no mínimo, um incômodo ato falho nesses tempos de profunda reflexão e desejos de mudança no nosso país. O primeiro samba-rock da geração 80, primorosa parceria de Cazuza com George Israel e Nilo Romero, continua fundamental e é uma das músicas prediletas de todos que já assistiram aos ensaios e espetáculos ao vivo.Não vou nem comentar, aliás vou, o velho clichê "temática adolescente que... ainda permeia a banda". O que significa temática adolescente? Afogamento existencial ("Nada sei"), revirão musical ("Meu vício agora") e antimegalomania pacifista ("Gilmarley")?Por fim, em tempos tão bicudos e com tanta pirataria, me permita corrigir a frase "a banda tem sucessos para dar e vender". São só para vender. Obrigada

PAULA TOLLER

Sobe


Kid Abelha grava o Acústico MTV que marca 20 anos de carreira da banda

        O primeiro dia de gravação do Acústico MTV do Kid Abelha terça à noite no Rio teve um começo tenso e um final para lá de descontraído. O grupo entrou travado em ''Lágrimas e chuva'', nem pareciam veteranos com 20 anos de estrada. Uma hora depois, Paula Toller já estava matando todo mundo de rir com sua imitação de Kelly Key, ficou cantarolando canções que tivessem a palavra água enquanto aplacava uma garganta seca que a perseguiu pela gravação inteira. 'Sei um monte de canções com dinheiro, amor, coração, ilusão e chuva, mas água tem poucas,' comentou entre um gole e uma retocada da maquiagem.

        Paula é a mais nova quarentona do pedaço mas está com um corpinho de 18, o rosto sem sinais de dobrinhas impostas pelos anos e cada vez mais bonita. Seus colegas de Kid, George Israel, 42, e Bruno Fortunato, 46, mostram sinais de idade, comportamento típico de homem que não liga para essas coisas.

        A locação é no Polo de Cinema e Vídeo em Jacarepaguá, colado na Barra da Tijuca. A cenógrafa Isabella Bittencourt, teve uma inspiração carnavalesca, pendurando alegorias de carnaval no teto com luzes acopladas e cortinas penduradas, alguns enfeites parecidos com vasos no palco circular, tudo ressaltado com uma luz viva de Césio Lima. Os inevitáveis banquinhos estavam lá, em alguns momentos Paula disse que a MTV deixou a banda ficar de pé, mas não por muito tempo. Bruno contou que eles queriam ficar de pé direto, mas a produção não deixou. Paula comentou que o lance técnico da gravação contribuiu para seu nervosismo. 'A gente está acostumado a ir direto, não tem isso.' Ela tinha dois fones no ouvido por onde ouvia sua voz e o som da banda e também as instruções da diretora Romi Atarashi.

        Eles tiveram apenas um convidado no primeiro dia, o guitarrista do IRA! Edgar Scandurra, que emprestou seu estilo ímpar a ''Como eu quero'', solando num violão de aço de seis cordas com os dedos nus, cantando com Paula e, a seguir, levando com ela ''Mudança de comportamento'', música de sua banda, uma bela surpresa que não estava no roteiro. Pela primeira vez o Kid tocou ''Brasil'', sucesso de Cazuza, composta por ele com George Israel e Nilo Romero (ex-baixista e produtor da banda).

        Eles prestaram uma homenagem à dupla carioca de funk Claudinho e Buchecha, desfeita com a morte do primeiro em julho último num desastre de carro. 'Os dois fizeram muito pelo altíssimo astral do Rio de Janeiro, a música deles transmite muita alegria,' disse Paula, atacando um dos sucesssos da dupla, ''Quero te encontrar'' em arranjo black tie, com quarteto de cordas e um solo de trumpete com surdina de Jefferson Victor.

        Outra de fora foi ''Na rua na chuva na fazenda'', dos anos 70, que o Kid levou de volta às paradas de sucesso há seis anos, gravada com a participação de Lenine no segundo dia, ontem à noite. Na terça-feira, Paula cantou sozinha e leu um telegrama enviado por Hyldon. 'Fala galera do Kid. Estou daqui sempre torcendo por vocês, senta o pau. Na dúvida, siga a intuição,' disse a mensagem de Hyldon, um veterano do Soul Brasil, da turma de Tim Maia e Cassiano.

        As três músicas inéditas são promissoras. ''Gilmarley song''' Paula dedicou a 'todas as pessoas da música e da paz', um animado reggae baião que ela e George fizeram inspirados no show/disco Kaya N'Gan Daya de Gilberto Gil, dedicado a Bob Marley. ''Nada sei'' é uma canção de amor típica do Kid, feita para o rádio e ''Meu vício agora'' é uma pequena obra prima da dupla, uma canção em que o Kid demonstra maturidade, deixando de lado a síndrome da eterna adolescência que pode explicar seus revezes recentes. Um belo arranjo para a banda e quarteto de cordas enfatizam uma letra inspirada: 'Não vou mais falar de sol, do mar, da rua, da lua ou da solidão/ Meu vício agora é a madrugada/ Um anjo, um tigre, um gavião/ Que desenho acordada contra o fundo azul da televisão (...)/ Não vou mais verter lágrimas baratas sem nenhum porque/ Não vou mais vender melôs manjadas de karaokê/ E mesmo assim fica interessante/ Não ser o avesso do que eu era antes/ De agora em diante/ Ficarei assim/ Desedificante.'

        Outro belo momento foi quando ela cantou ''Os outros'' só com o piano de Humberto Barros. Ao final, repetiu mais duas vezes e, na última, conseguiu um resultado emocionante. E os sucessos é claro: ''Eu só penso em você'', ''Grand'Hotel'', ''Amanhã é 23'', ''Fixação'', ''Te amo pra sempre'' e ''Pintura íntima''. Todos trabalhados por violões e bandolim, ressaltados por piano ou órgão e ainda o balanço e a firmeza da cozinha com Ramiro Musotti (percussão), Kadu Menezes (bateria) e Rodrigo Santos (baixo), este integrante do Barão Vermelho.

        Num dos intervalos da gravação, Paula cantou um pedaço de ''O portão'', de Roberto Carlos ('Eu voltei/ agora pra ficar/ Porque aqui/ aqui é o meu lugar'), que ficou bem jeitosinho, daí começou a fazer apelos à sua majestade para que liberasse a canção. 'O Roberto não vai deixar rolar a do portão. Deixa Roberto, eu não falei 'não' e não tem nada marrom aqui,' brincou Paula, que ao final de ''Te amo pra sempre'', agradeceu em italiano - 'grazie mille' - e saiu cantando o tema da novela Esperança. 'Eu adoro cantar isso'.

        Antes do boa noite final, foram, refeitas as duas músicas com Edgar Scandurra e as três primeiras da noite, ''Lágrimas e chuva'', ''Eu contra a noite'' e ''Nada sei'', uma idéia providencial porque o nervosismo deles tinha desfigurado as três. Refeitas, tudo ficou nos conformes e ainda faltava o segundo dia. O disco e DVD devem sair em novembro, a tempo das providenciais compras de final de ano.

Sobe


20 anos depois: Uma musa de 40

        Vai fazer 20 anos, mas parece que foi ontem: no dia 13 de novembro de 1982, o Kid Abelha, já com a demo de "Distração" na programação da Rádio Fluminense, fez o primeiro show de sua história, abrindo para Zé da Gaita e Jards Macalé — no Circo Voador, naturalmente. À época, os Rolling Stones comemoravam duas décadas de carreira e a cantora Paula Toller, que era fã de Marcos e Paulo Sérgio Valle, Stevie Wonder e Rita Lee (principalmente de Rita Lee), achava tal duração um absurdo.

— Para mim era coisa de outro mundo uma banda ficar de pé por tanto tempo — lembra. — Hoje penso que 20 anos é só um número, mas acho bom comemorar. É tão difícil trabalhar, é tão difícil fazer música e é tão difícil viver de música...

        Paula, George Israel e Bruno Fortunato — o atual Kid Abelha, enfim — estavam pensando em lembrar a data com um show no Circo (ou "nas ruínas do Circo", como ela diz). Mas acabaram convidados para fazer um disco do projeto Acústico MTV. Saiu melhor que a encomenda: o grupo acaba de gravar hoje, no Pólo de Cine e Vídeo, em Jacarepaguá, o CD que chega às lojas em meados de novembro. Na hora "H", portanto.

        O "Acústico MTV" do Kid Abelha vem com novidades. Além dos grandes sucessos e das participações especiais que já viraram marca do projeto — desta vez tem Lenine (em "Na rua, na chuva, na fazenda", de Hyldon) e Edgar Scandurra (guitarrista e compositor do Ira!, em "Como eu quero") — o disco traz três faixas inéditas cujas letras marcam uma nova fase no caminho do Kid Abelha: "Meu vício agora", "Nada sei (apnéia)" e "Gilmarley song", parcerias de Paula e George, falam de um universo até então estranho às letras do grupo.

— As músicas novas têm uma cara diferente dos nossos sucessos. Quero falar de outros assuntos e este disco já apresenta uma mudança que vem por aí — adianta Paula, que em seguida acha melhor trocar a forte palavra "mudança" pela mais simpática "andança". — Em uma dessas músicas, digo que não vou mais falar de amor e dor, elementos que estão sempre nas minhas letras. Estou mostrando uma visão menos particular das coisas. Andávamos meio reclusos. É bom fazer uma coisa diferente.

‘A Paula sempre foi uma espécie de Nara’, diz Gil

        "Gilmarley song" é diferentérrima . Escrita na noite em que Paula viu o show "Kaya N’Gan Daya", de Gilberto Gil, a música é, segundo a autora, "um recado a favor da paz e da música e contra a megalomania" ("Vamos falar mais baixo/Vamos falar pra escutar/Uma barriga roncando/Uma mamãe chorando", diz uma estrofe). O baiano recebeu um CD com a homenagem na última segunda-feira, assim que pôs os pés no Rio de volta de uma temporada de apresentações pelo Nordeste.

— Fico encantado. A Paula, apesar de surgida no seio dessa coisa rock, sempre teve um recato, sempre foi uma espécie de Nara Leão, até mesmo no jeito de cantar, com uma voz muito própria, natural, sem afetação. É lindo que gente como ela tenha se encantado com um show tão singelo e feito uma música por causa de Gil e de Marley — derrete-se Gil.

        A admiração mútua acaba de render a Paula um convite para se apresentar no trio elétrico Expresso 2222, no próximo carnaval soteropolitano. Ela adorou a idéia porque acredita que a fórmula do sucesso de um artista é justamente o contato constante com o público. O que esse público não sabe, ou parece não saber, é que a Paula Toller que em cena corre de lá para cá e exibe um corpinho malhado, conquistado às custas de alongamento, musculação (ambos três vezes por semana, em casa, com a ajuda de um professor particular) e partidas de tênis (duas vezes por semana, sempre contra o marido, o cineasta Lui Farias), completou 40 anos no último dia 23 de agosto. Se bem que a idade, para ela, não faz muita diferença.

— Só sinto que fiquei mais alegre. Era cheia de problemas e hoje não invento mais problemas. Sou uma pessoa do sim, gosto de ver o lado bom das coisas — divaga.

        O marido, que divide a vida com a recém-quarentona há 14 anos (antes, porém, Paula foi casada com Herbert Vianna), concorda. Para ele, Paula é totalmente do bem e quase não mudou com o tempo:

— Ela é uma pessoa muito constante, sempre teve uma direção muito precisa e definida do que quer. Além disso, é carinhosa, generosa, inteligente, muito consciente e domina muito bem a profissão que tem, da letrista à empresária. Do ponto de vista profissional, é muito madura.

        Nem sempre foi assim. No início de sua trajetória, Paula teve problemas sérios com a imprensa: quando surgiu no fervilhante cenário musical oitentista, ficou muitíssimo chateada com a imagem de aparvalhada que colaram à sua imagem. E o trauma só passou recentemente.

— Tinha 20 anos, era uma garota de classe média sem nenhum traquejo e me pintaram como uma boba — reclama. — Tinha uma turma a fim de dar opinião, de aparecer. Já eu, quis sumir. Mas agora relaxei.

        Mesmo assim, Paula continua passando muito tempo em casa, na Gávea. Gosta de cantar com o filho, Gabriel, de 13 anos, apreciador de rock, reggae e rap. Come bem ("e de tudo") mas há muito largou o vício da Coca-Cola, que para ela tem "muita química". Adora praia. Está em dívida com o cinema ("Quando estou dentro da sala, adoro, mas dá preguiça de pegar o carro, estacionar..."). Não morre de amores pela música eletrônica ("Em festa, então, é uma coisa muito cansativa. Não tomo ecstasy..."). É muy amiga de George Israel, do casal Fernanda e Dado Villa-Lobos.

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Kid Abelha surfa sobre o palco

        Quem sabe o que é um parabolóide hiperbólico? Não, o texto não é sobre geometria. Parabolóide hiperbólico é o, digamos, nome científico do formato de uma onda. Não é óbvio? Também é o nome do novo show do Kid Abelha, numa brincadeira com "Surf", o disco do grupo lançado em maio pela gravadora Universal. O trio formado por Paula Toller (voz), George Israel (saxofone, voz e violão) e Bruno Fortunato (guitarra e violão) estréia o novo show neste sábado, dia 18, no ATL Hall.

        Em uma época em que tantas bandas pop/rock estão lançando discos ao vivo (O Rappa, Skank, Engenheiros, Planet Hemp, Ira!, Capital Inicial), o Kid, que já andou por aquelas praias, aposta em seu novo repertório.

        — Temos que compor novas canções, senão como poderemos gravar discos ao vivo e acústicos no futuro? — brincou Paula à época do lançamento do disco.

        Assim, novidades como "Eu contra a noite", "O rei do salão" e "Três garotas na calçada" — as duas primeiras com boa execução nas rádios — serão a base do repertório. Mas é claro que uma parte do show está reservada a sucessos dos anos 80 e 90.

        — Fomos influenciados pelo show do Neil Young no Rock in Rio — diz George. — Vamos tocar por muito tempo, para poder privilegiar o disco novo sem deixar de tocar as mais antigas.

        O show marca a estréia do baixista Rodrigo Santos, do Barão Vermelho, como integrante da banda que acompanha o Kid. Ele estará ao lado dos músicos Kadu Menezes (bateria), Humberto Barros (teclados), Cesinha Brunet (percussão) e Jefferson Victor (trompete). A banda usará figurinos de Yamê Reis e o show tem cenografia de Lia Renha e iluminação de Danny Nolan (Rock in Rio 3). A equipe promete criar uma atmosfera que dará a impressão de que a banda está no mar. O ingresso de pista custa R$ 25.

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  Kid Abelha enfrenta a clausura pela novidade

        Uma banda pop com quase 20 anos de carreira e dezenas de sucessos radiofônicos no currículo: nada mais justo do que um disco ao vivo, ou, quem sabe, um acústico. Pois o Kid Abelha já andou pelas duas praias, em 1986 (com "Kid Abelha ao vivo") e em 1994 ("Meio desligado"), e agora só quer saber de mostrar novidades ao povo. Tanto que seu novo disco, "Surf" (Universal), terá duas músicas de trabalho, nas rádios e programas de televisão, "Eu contra a noite" e "O rei do salão".

- Queremos que as pessoas conheçam logo o disco, que vão ao show e cantem também as músicas novas - explica a cantora Paula Toller. - Às vezes estranham que no nosso CD não haja nenhuma regravação, mas alguém tem que compor novas músicas para as coletâneas e acústicos dos próximos anos, né?

        A banda dá entrevista em um hotel à beira da Praia de Ipanema, onde surfistas aproveitam o mar bravo.

- Ih, olha lá, o cara tomou a maior vaca - comenta o guitarrista Bruno Fortunato, mostrando conhecimento sobre o esporte que dá nome ao CD.

        Mas "Surf" nada tem a ver com as guitarras de Dick Dale ou do grupo The Shadows, feras da surf music dos anos 60.

- Tiramos esse nome de "O rei do salão" - conta o saxofonista George Israel, lembrando a canção cujo refrão diz "Pico alto Ekuai/Uluwatu Pipeline/Juquehy number three's/Joaquina Waikiki". - Mas é um disco de pop-rock como nós sempre fazemos.

        Manter o Kid Abelha com cara de Kid Abelha é uma preocupação que o trio e seus produtores não têm.

- É engraçado isso, né? - diz George. - De vez em quando o Memêê (produtor de algumas faixas de "Surf") me pede para colocar um sax "bem Kid Abelha" em uma música, ou para a Paula cantar de um jeito que é bem a cara dela. A gente não se preocupa com isso, porque sabemos que sempre sai com a nossa cara mesmo. Pelo contrário, pensamos sempre em ser originais. Também queremos muito renovar o repertório do nosso show.

        A carpintaria das canções costuma dar trabalho.

- É difícil, porque a gente sempre quer fugir do óbvio, não basta um arranjo que resolva a canção - diz Paula. - Por outro lado, o Memê, os outros produtores e a gente mesmo às vezes resolve encher a música de detalhes, que nem sempre são necessários.

        Desta vez a confusão foi grande. Foram quatro meses gravando e trabalhando com quatro produtores: Memê, Max de Castro e a dupla George/Kadu Menezes, que já produz o grupo há alguns discos.

- O Bruno cismou de ficar trabalhando em casa... - brinca Paula. - Era um sacrifício para tirar ele de lá.

- Não é nada disso - defende-se o guitarrista. - Às vezes a Paula estava gravando voz com um produtor, em um estúdio, o George estava ocupado com a parte dele na produção em outro e eu queria tocar o barco, pensando no prazo. Então ia gravando umas guitarras em casa e mostrava a eles por telefone.

        Com isso, era raro os três estarem no mesmo lugar.

- O Memê diz que nós somos apenas dois, um é virtual - lembra Paula. - Quando estamos todos juntos ele diz: "Olha, olha, um vai sumir!"

        O cantor Max de Castro, filho de Wilson Simonal, foi chamado a produzir algumas faixas para o Kid por George, fã de seu disco "Samba raro".

- Achei que ele era a pessoa certa para algumas músicas do disco que são mais puxadas para o soul - explica o saxofonista. - Não saber exatamente o que fazer com esse tipo de música é um problema que temos há tempos.

        Paula não perdoa:

- No final, elas acabavam virando reggae...

        Dos grupos da geração 80 do rock brasileiro, o Kid Abelha sempre foi o mais assumidamente pop, pródigo em canções assobiáveis, daquelas que costumam grudar no cérebro - goste-se ou não delas. Algo que marcou o surpreendente disco de estréia, "Seu espião" (de 1984), recheado de sucessos que também eram ótimas músicas. Desde então, mesmo tendo esse parâmetro e sem repetir o feito, o Kid Abelha vem se mantendo em evidência.

        Agora, independentemente do desempenho radiofônico que venha ter, "Surf" mostra impasse. A sonoridade e as letras de certas faixas parecem por demais adolescentes para serem assinadas por três balzaquianos - "Eu contra a noite", "3 garotas na calçada" e "10 minutos". Mas eles também acertam, destacando-se a balada "Gávea-Posto 6", boa parceria de George Israel e Paula Toller com a cantora Cris Braun: com ar de bossa pop, na praia de um Everything But The Girl, descreve a delícia que é o Rio outonal, cinzento e chuvoso.

        Duas outras baladas, e bons momentos, ambas de Israel e Toller, "Eu não esqueço nada" e "Solidão, bom dia!" provam que o grupo cresce ao explorar a sutileza e a suavidade. Curiosamente, a participação do incensado Max de Castro, produtor de duas faixas, pouco acrescentou ao som do grupo: para o bem e para o mal, "Surf" é puro Kid Abelha.

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O sucesso da banda certa na hora exata

        É difícil acreditar que as cem mil pessoas que assistiram ao show do Kid Abelha, por volta das 21h de ontem, na Cidade do Rock, tenham ido até lá para ouvir e cantar junto com Paula Toller, Bruno Fortunato, George Israel e sua turma. É bem verdade que também não deviam estar lá por causa de Neil Young ou Sheryl Crow ou por causa dos Engenheiros... Já que toda aquela gente estava lá mesmo, o Kid aproveitou e arrebentou, com o clássico show de festival: um sucesso atrás do outro, sem tempo para nada no meio. Como não podia deixar de ser, deu certo. Desde 'Eu tive um sonho', que abriu o show, até o final apoteótico com 'Pintura íntima', o povo cantou, pulou e deu beijos na boca à vontade, como se estivesse ali para isso mesmo.

        É curioso comparar o Kid de agora com a tímida banda vítima de metaleiros no dia 15 de Janeiro de 1985. Hoje Paula (que dá um banho de beleza em Britney Spears, desinibida em seu minivestido dourado) canta melhor, Bruno manda muito bem na guitarra e George, além do saxofone que patenteou no pop nacional, dá uma força na voz e no violão, em vez de não nada fazer como acontecia antigamente.

        A banda por trás do trio também se mostrou afiada: Kadu Menezes continua firme na bateria e Dunga (assustadoramente careca) é uma segurança no baixo. Humberto Barros (teclados) e Jefferson Victor (trompete) também levam boas notas na caderneta.

        Além de velhos sucessos como 'Fixação', 'Como eu quero' e 'Alice', a banda mostrou que se vira muito bem sem as composições do ex-baixista Leoni, em hits recente como 'Grande hotel', 'No meio da rua' e a versão de 'Na rua, na chuva, na fazenda'.

        Ontem, o Kid Abelha provou que permanece no inconsciente coletivo do Brasil.

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Kid Abelha em curta temporada no Rio de Janeiro

      O Kid Abelha vai presentear os fãs do Rio de Janeiro. A banda carioca se apresenta no Canecão, nos dias 12, 13 e 14 de maio para mostrar um repertório que inclui seis músicas do novo disco, além de "Pare o casamento", sucesso de Wanderléa na Jovem Guarda, "O telefone tocou novamente", de Jorge Benjor e a inédita "Deve ser amor". O cenário de Lia Renha e a iluminação de Marcelo Linhares vão colocar a banda entre tubos plásticos transparentes e diversos efeitos luminosos.

        No final do show, Paula Toller, que é acompanhada no palco por George Israel (sax, violão e voz) e Bruno Fortunato (guitarra e violão), vai jogar um buquê e quem pegar terá direito a escolher uma canção de uma lista que será distribuída na entrada. A banda se completa com Kadu Menezes (bateria), Dunga (baixo), Humberto Barros (teclados), Cesar Garzoni (percussão) e Jeferson Victorio (trumpete). Clássicos como "Te amo prá sempre", "Na rua na chuva na fazenda" e "Fixação", entre outros, estarão presentes no set list.

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Reviravolta na seara do rock nacional

        Dois dos mais representativos nomes de pop-rock dos anos 80, Titãs e Kid Abelha, ambos criados na WEA, estão mudando de casa. A gravadora já admite oficialmente a saída do grupo paulistano enquanto o futuro da banda de Paula Toller estaria sendo decidido em Miami, onde executivos da multinacional estão reunidos numa convenção da empresa. O presidente da WEA para a América Latina, André Midani, que na década de 80 dirigiu a companhia no Brasil e contratou esses artistas, pode forçar uma renovação do contrato do Kid. O grupo, entretanto, não pretende voltar atrás e já tem negociações bem adiantadas com outra gravadora.

        A WEA vem passando por profundas mudanças, devido à fusão com a EMI anunciada em janeiro passado - no mesmo período, o grupo Time Warner, que controla a WEA, foi comprado pelo provedor de Internet American Online (Aol) - embora a associação ainda não se tenha concretizado na prática. Nesta transição, já perdeu a cantora Zélia Duncan para a Universal.

        Boatos também rondam o futuro do Barão Vermelho, outro contratado da WEA. Porém, nem o grupo nem a gravadora confirma a debandada. - Com a saída dos Titãs e do Kid Abelha, talvez o Barão passe a receber mais atenção na gravadora - diz fonte ligada ao grupo que não quis se identificar.

        Para Manoel Poladian, empresário dos Titãs, a saída dos Titãs já é certa. - Só se houvesse uma reviravolta na WEA, o que não acredito, ficaríamos. Mas quem sabe a gravadora resolve acordar e entender a importância do grupo? - diz Poladian, lembrando que os Titãs são os maiores vendedores de discos da companhia. - Já temos convites para conversar com a Abril Music, a Sony e a Universal. O Kid Abelha, inclusive, está com o pé na Universal. O problema todo é que a WEA não nos dá perspectiva, está mudando de direção e ainda não sabemos quem vem comandá-la.

        Poladian adianta que não vai fazer leilão com os Titãs e acaba admitindo que o grupo está pendendo para a Abril: - Eles são os verdadeiros empreendedores do mercado, com uma agressividade competente - diz o empresário. - A Abril tem o perfil que a gente gosta e vamos definir com calma, com a democracia que existe no grupo.

        A WEA foi procurada pelo GLOBO mas os executivos da gravadora, em convenção em Miami, não comentaram o assunto. Os últimos CDs de Titãs e Kid Abelha, "As dez mais" e "Coleção", respectivamente, só de regravações, já indicavam que as duas bandas apenas cumpriam contrato, sem gastar material inédito.

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Pop para começar o novo ano

        O s músicos do Barão Vermelho e do Kid Abelha, dois dos mais importantes representantes do rock brasileiro surgido nos anos 80, prometem mais do que um encontro, hoje, a partir das 21h30m, no Metropolitan. Além de apresentações individuais, os dois grupos voltarão ao palco para lembrar os grandes momentos da Midnight Blues Band - formada por músicos do Barão Vermelho, por um naipe de sopros e por George Israel, saxofonista e compositor do Kid.

        Roberto Frejat e Paula Toller, os líderes do Barão e do Kid Abelha, respectivamente, acreditam numa grande festa, e, para isso, prepararam um repertório especial para um público diferente do habitual. ''Nessa época do ano tem muita gente quue não mora no Rio. E não poderemos fazer um show pensando que as pessoas estão lá para assistir apenas ao Barão ou ao Kid'', explica Frejat.

        Paula concorda e lembra da experiência de tocar no Metropolitan nesta mesma época do ano: "Vai ser apenas uma apresentação para um público que, possivelmente, nunca viu e não verá de novo um show nosso".

        Quem for à noite dedicada ao rock na série "Shows da virada do milênio" vai ouvir sucessos do Barão, como "Pro dia nascer feliz" e "Todo amor que houver nessa vida", e do Kid Abelha, como "Pintura íntima" e "Grande hotel". Juntos no palco vão tocar "Bete Balanço" (Frejat e Cazuza), "Ovelha negra" (Rita Lee) e "I feel good" (James Brown).

        Para o Barão, este é o último show antes do início da turnê de lançamento do CD "Balada". Há 18 anos juntos, os integrantes do grupo, que é uma das grandes referências do rock nacional, rodarão o país com "Balada" e depois pretendem "dar um tempo" para a realização de projetos pessoais. Frejat explica que a intenção de lançar um disco solo no ano que vem não significa um racha na banda. ''Não quero chegar aos 55 anos e me toccar que nunca fiz um disco individual. Não estou ainda pensando nesse trabalho. Acredito que será muito positivo para a banda, pois teremos que buscar novos caminhos e quando nos reencontrarmos traremos novas possibilidades. A nossa geração impôs uma formação de banda e sempre é difícil uma separação", diz Frejat.

        Paula lembra que passou pela mesma situação quando gravou o CD "Paula Toller", em 1998. "Se eu tivesse optado por um trabalho solo no início da banda talvez pudessem ter ocorrido problemas. Mas saí numa fase de entressafra. Apesar das especulações, sempre esteve claro que a nossa história não tinha acabado".

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Kid Abelha -   Autolove

       Parece que foi ontem, mas ninguém se importa com isso. Até a sétima música do show, "Tanta gente", não há nem sinal de que o Kid Abelha está lançando CD novo, Autolove. A apresentação do grupo de Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato, no Metropolitan, sábado, soou como bis dos realizados em 98. Para não sair dos trilhos do sucesso e perder a fidelidade de milhares de adolescentes, o triunvirato ignorou Autolove e enfileirou um hit atrás do outro, sem respiração: "Eu tive um sonho", "Alice", "Nada tanto assim", "Por que não eu", "Grand Hotel" e por aí vai. A ousadia, marca das bandas do BRock que resistiram ao tempo e aos modismos, só deu as caras lá pelo fim.

     O Kid Abelha achou a fórmula e não quer se desgrudar dela. Sabe que tocar "Minas-São Paulo" causaria estranheza. Ao mesmo tempo que pode ser arriscado para o grupo rejeitar suas mais recentes investidas estéticas, é louvável o respeito ao seu público. De novidades, um tombo feio de George Israel (quem mandou pular tanto?), o bonito cenário, com projeções de carros, e a melhor iluminação que o grupo já teve.

     Enquanto "Fixação" e "Como eu quero", já aos 45 minutos do segundo tempo, surgem com arranjos pseudomodernos techno-disco, "Mamãe natureza", de Rita Lee, e "Eu sou terrível", clássico jovem-guardista de 67 de Roberto Carlos, aparecem fiéis ao formato cru/rock’n’roll. Paradoxal.

     Como de praxe, a guitarra de Bruno estava muito alta, o baterista Kadu Meneses ditou a pegada do grupo e Paula Toller comandou, serelepe, a garotada. Nada mudou. Parecia o mesmo show do ano passado.

Sobe


Perfil - Paula Toller>

        Se é para sonhar, que seja um sonho de verdade: Paula Toller, cantora do Kid Abelha, por exemplo, queria poder voar. Mas se nisso ela sonha alto, no resto é bem pé no chão. É caseira, gosta de curtir o filho Gabriel, tem como hobby estudar línguas estrangeiras e ama viajar.

Nome completo: Paula Toller Amora
Data de nascimento: 23/8/62
Parada do momento: O CD "Autolove."

Preferências:
Cor: Verde com pinceladas cor-de-mel, a cor dos olhos do Gabriel, meu filho
Time: Flamengo
Tipo de música: Esse tal de roquenrou
Cantor: David Bowie
Cantora: Rita Lee
Animal: Vertebrado, mamífero, bípede e racional
Esportes: Tênis, futebol e esqui alpino
Filme: Tenho mostrado ao Gabriel os filmes do japonês Akira Kurusawa. Ele adorou ‘Kagemusha’ e ‘Ran’. Percebemos que a série ‘Guerra nas estrelas’ e até ‘O resgate do soldado Ryan’ beberam muito nessa fonte: nos figurinos, na música, no som...
Point: Lopes Mendes, na Ilha Grande. É a melhor praia do mundo!
Hobby: Estudar línguas estrangeiras. Atualmente é o alemão
Sou louca por: Água do mar, água de banheira, barulho de água corrente...
Detesto: Que me chamem de Paulinha
Comida: Mediterrânea. É tudo bem colorido, feito com azeite, alho e ervas
Qualidade: Sou uma pessoa em que se pode confiar
Defeito: Sou muito crítica e exigente com as pessoas mais próximas
Mania: Ler jornal dos outros e não combinar a meia com o resto da roupa
Sonho: Eu queria voar
Gostaria de conhecer: Havaí, Barcelona, Florença e costa Almafitana
Ponto positivo da profissão: Conhecer outros artistas e poder trabalhar com eles
Ponto negativo da profissão: Viagens cansativas
Quando era criança: Lia muitos livros e brincava na rua
Se eu ganhasse na Sena: Não faço idéia do que faria, pois nunca jogo, então sei que nunca vou ganhar
Presente que gosta de dar: CDs, copos, vinhos e quadros
Presente que gosta de receber: Jóias
Para matar o tempo não há nada melhor que: Dormir
Não saio de casa sem: Caneta e um bloquinho para anotar idéias
Aí, galera do Planeta Globo: Nunca acreditem quando alguém diz ‘isso é impossível’. Na maioria das vezes, é apenas difícil. Um beijão!

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Os bastidores da filmagemdo novo clipe do Kid Abelha

        Duas semanas de produção envolvendo o trabalho de 45 pessoas a um custo de R$ 50 mil; mais um dia de filmagem somado a outra semana para editar e dar os ajustes finais. O resultado dessa complicada operação serão os quatro minutos e meio do novo clipe do Kid Abelha, "Eu só penso em você", que a galera vai poder conferir na telinha a partir desta semana.

        Filmado no estúdio Ponto Filmes, na Zona Portuária do Rio, no último dia 23, o clipe tem direção de Flávio Colker e um visual de história em quadrinhos misturado com filmes de espionagem. Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato são os mocinhos da história, os espiões (com QG e tudo!) que têm como missão encontrar o vilão e destruir a bomba (que tem o formato da palavra você) que ele construiu. Bem diferente de outros clipes da banda. E foi justamente isso que animou os músicos. ''Começamos procurando o tema. Ficamos mais ou menos um mês pensando no que fazer. Queríamos sair do clima romântico, que não precisasse necessariamente explicar a música", diz Flávio, que depois de tanto matutar e trocar idéias com o trio chegou ao formato final.

        Os três, que dizem confiar totalmente no trabalho de Flávio, com quem já filmaram antes, adoraram tudo, do cenários ao figurino. Para Paula, o clima do clipe não destoa da música, muito pelo contrário: "Por causa do nome, "Eu só penso em você", as pessoas pensam logo que é uma música romântica, mas não é bem assim. A letra tem dois climas, um para cima, romântico, e outro meio deprê. E isso funciona bem no clipe, em que o "você" é o que modifica tudo, seja para o bem ou para o mal", explica a cantora.

        Falando assim, parece divertido pacas, né? Na verdade, até é, só que também é supercansativo. Palavra de quem faz: "A filmagem é demorada, cansativa mesmmo. Mas faz parte e a gente já vem preparado para não se aborrecer", diz Bruno. ''O segredo é ficar conversando, tocanddo zona. Às vezes a gente até leva bronca do diretor e tem que ficar quieto'', brinca George.

        Mas se para os rapazes é complicado, para Paula Toller, que tem que estar sempre linda, perfeita para os closes das câmaras, é ainda mais. "Tenho que retocar a maquiagem e o cabbelo a toda hora. Além disso, há uns segredinhos para não perder o pique , como não comer muito antes da gravação", explica Paula enquanto ajeitam os seus cabelos.

        Depois da filmagem, os três começam a contagem regressiva para ver o clipe pronto. Eles não são os únicos curiosos.

Sobe


Kid Abelha festeja disco de ouro no Metropolitan

        É só hoje: a banda Kid Abelha estréia no Metropolitan o show Meu Mundo Gira em Torno de Você, nome do disco que já vendeu cerca de 250 mil cópias. "A gente se apresentou no Palace, em São Paulo, e foi ótimo. Agora, vamos fazer esta noite no Metropolitan e, se Deus quiser, voltamos para uma temporada mais longa", torce Paula Toller, a vocalista. O grupo O Rappa foi convidado para abrir o espetáculo, às 21h30.

        Uma das novidades será um telão onde, antes do show começar, passará um desenho animado dos abelhas Paula, George Israel e Bruno Fortunato, como se fossem personagens de histórias em quadrinhos. O cenário, de Luiz Stein, usa cerca de 800 peças de roupa em tons azuis e pesa mais de uma tonelada.

        No repertório, além de sucessos antigos como Lágrimas e Chuva, Nada por Mim e Alice, entram músicas do novo álbum como Te Amo pra Sempre, a releitura de Na Rua, na Chuva, na Fazenda, de Hyl-don, e Como É Que Eu Vou Embora, bem executada nas rádios. "A gente toca a versão do disco, que não é tão dançante quanto à das FMs, mas também é legal", afirma Paula.

        Já a turma de O Rappa irá tocar músicas como a ótima Miséria S.A., Hey Joe, versão do clássico de Jimi Hendrix, e Vapor Barato, sucesso de Gal Costa e do filme Terra Estrangeira, com uma batida reggae.

Sobe


Salto para a maturidade

        Após o recesso de alguns meses para "arrumar a casa" e ter filhos - Paula Toller teve o seu e o saxofonista George Israel tornou-se pai - o Kid Abelha acaba de "dar à luz" um novo LP. Tudo é Permitido, que estará nas lojas a partir do próximo dia 20. George frisa que o quinto disco do grupo leva a marca dessa pausa, que serviu para reflexão. O resultado, diz ele, é um salto na carreira da banda formada há quase dez anos.

        Esse salto significa não só um cuidado dobrado com a qualidade do som e com os arranjos, mas também com os detalhes do lançamento. O disco chega às lojas com o clip da música "Grand’ Hotel" já pronto, gravado em Veneza e dirigido por Lui Farias, marido de Paula. Os shows de lançamento estão programados para acontecer a partir de setembro e terão uma superprodução.

        Além disso, Tudo é Permitido chama atenção pelo conteúdo das letras, "mais fortes e cruéis", segundo Paula, autora da maioria delas. "A experiência da maternidade me deu uuma sensação de força, de saber o que quero", afirma.

        Pela primeira vez, uma das músicas do grupo, "Grand’ Hotel" - que Paula escreveu em parceria com Lui e que fala das dificuldades da relação a dois - despertou o interesse da WEA internacional para ser gravada também em espanhol. "Já somos bem tocados nas rádios argenntinas, apesar da dificuldade de intercâmbio da música pop entre os países da América Latina", conta Paula.

        O disco levou cinco meses para ser gravado. E só depois de ter entrado no estúdio os integrantes do grupo decidiram incluir as músicas "Não vou ficar", de Tim Maia, e "Fuga nº 2", feita por Rita Lee na época dos Mutantes. "São duas referencias obrigatórias do pop brasileiro, pois fizeram parte da formação de qualquer um", explica Paula.

        De acordo com George Israel, o LP mostra uma fase mais tranqüila do Kid Abelha, em que seus integrantes não se sentem mais impelidos a "correr atrás das novidades". "O que sobressai são as canções que deependem mais de nós e menos da sofisticação tecnológica dos instrumentos", diz ele.

        O título do disco foi tirado de um verso da música "A indecência", feita por Paula com inspiração em um poema de D.H.Lawrence.

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O miado agudo da gata chique

        Ela parece mais uma estudante de Psicologia ou Desenho Industrial da PUC. Bonita, educada, leitora de Machado de Assis, das revistas Photo, freqüentadora do Colégio Freudiano, onde se analisa duas vezes por semana, de aulas de corpo-análise. Tudo com aquele estilo esporto-wear, moderno, discreto. Um jeito "paulatoller" de ser. E que surpreende os desavisados e encantas as teenagers quando canta "nem me lembro muito bem/da primeira vez que eu dei", que abre o lado A do seu quinto disco, o recém lançado Kid.

        Segundo Cazuza, que assina a apresentação do LP, ele próprio estranhou quando viu pela primeira vez aquela menina tímida a miar ao microfone. Paula Toller amora, aos 27 anos e cinco de carreira, continua tímida e a miar. Um pouco de atenção e se reconhecerá um miado de angorá. Se Deus não lhe deu a voz triscante de Janis Joplin – a deusa de sua adolescência tijucana – ou a desenvoltura de Rita Lee – para ela a grande roqueira brasileira -, pelo menos lhe deu uma voz afinadíssima, de soprano-lírico, capaz de alcançar notas distantes, sem alterar a fisionomia. Para compensar um certo desajeito cênico, ela capricha no visual: roupas interessantes, cabelo descolorido, curtinho. Passa um leve ar de antipatia, na verdade a tal timidez.

        Filha de Copacabana, com infância passada na rua Siqueira Campos, aos oito anos frequentava uma escolinha de Ipanema e achava o bairro badalado uma "uma floresta", tal a calma e a quantidade de árvores que lá havia. Aos oito, mudou-se para a casa dos avós na Tijuca e se criou entre bailes no Tijuca Tênis Clube, livros de Machado e discos de Mozart, Beethoven, Tchaikowsky, Maria Callas, Albéniz e Carmem Miranda.

        - No momento, os escuto de novo e mais La Bohème, de Puccini, que estou estudando. Adoro a Carmem e toda aquela sua coisa, os trejeitos, as roupas, o repertório. É genial ouvir tudo isso agora, com outra noção das coisas – conta.

        Apesar da música que ouvia e gostava, Paula quase acabou o curso de Desenho Industrial na PUC. Por força do destino e despeito do temperamento implodido da virginiana, virou roqueira. A transição aconteceu sem trancos, sem resistência familiar. Montar uma banda de rock hoje não contraria os valores da classe média e "roqueiro" deveria estar entre "engenheiro" e "veterinário", nos testes vocacionais. Não há nem mesmo riscos econômicos: incendiar guitarras saiu de moda e as gravadores investem pesado no produto.

        Aplicada, Paula trabalha sua matéria-prima com disposição. Estuda canto lírico uma vez por semana com Vera Canto e Mello e exercita árias em casa. As cantoras preferidas são Ella Fitzgerald e Calla e encontra discos das divas na Gramophone ou na Modern Sound. Para soltar os movimentos, aulas de corpo-análise duas vezes por semana com Gerry Maretzky. "Tem sido ótimo, não agüento ginástica e já fiz dança durante muito tempo. Aí a gente aprende a compreender a inteligência do corpo, nenhuma aula é igual a outra", conta Paula. Para manter a cabeça em ordem, ela faz visitas semanais ao analista do Colégio Freudiano, no Leblon.

        - Não sei ao certo se faço análise paraa tomar sorvete ou tomo sorvete para fazer análise – conta a freqüentadora assídua de Babuska, onde pede casquinha de chocolate com marinetto.

        Com quatro meses de gravidez de seu casamento com o cineasta Lui Farias, Paula já engordou quatro quilos e pretende diminuir a dose de sorvetes. Açucareiro nem tem mais em casa. Mas na sua rotina carioca, entre uma música irreverente e uma ária de La Bohème, ela mantém o hábito de sair para almoçar no Celeiro – saladas – ou jantar no Marikos – trocando os pauzinhos e sushis com Lui – no Clube Gourmet e no Gradrifoglio, onde esquece os 59 quilos já alcançados e come massas. Os restaurantes mais populares ou agitados, nos "baixos" do Rio não estão no seu roteiro.

        Seu estado de espírito no momento é de muita calmaria, mesmo pronta para viajar por todo o Brasil, para trabalhar o disco. No apartamento da Gávea – decorado com uma escultura de madeira, de Geleno, um valioso desenho de Jean Cocteau, de 47, um toldo de patchwork indiano e sofás de estilo antigo – ela quer ter bastante tranqüilidade para ler "A comédia humana", de Balzac, e reler Machado, Eça de Queiroz e Flaubert. Em casa também tem se dedicado a bolar o figurino dos novos shows.

        - Uma roupa que não esconda a barriguinnha, mas que seja engraçada, com aplicações e bordados – conta com sua voz monocórdia, em ritmo pausado, sem atropelos.

        Se no dia-a-dia Paula prefere jeans da Zoomp e camisetas, blazers e acessórios comprados em Londres e Nova York – na linha esporte griffe -, os modelos que veste para cantar podem surpreender: um tomara-que-caia sensual, anos 40, como os de Madonna, ou um conjunto de saia-e-blusa branca de listras vermelhas, de funcionária de repartição pública.

        - Acho legal usar uma coisa que parece não ter nada a ver comigo. Contrariar um pouco as expectativas – diz.

        O cabelo curtinho – por obra do acaso, depois de uma barbeiragem doméstica – será mantido descolorido, sob os cuidados de Adela, a chique coiffeuse. Com essas manias refinadas, mais os olhos azuis acinzentados, mãos longas e brancas, unhas compridas e transparentes, anéis de ouro com ônix, Paula está mais para uma lânguida e sofisticada Grace Kelly, de "Alta Sociedade" (onde a estrela, vaporosa, dança com Bing Crosby e Frank Sinatra), que para as angustiadas cantoras americanas de rock e jazz. Mergulhar no clima chique e leve de "Paris Paris", do novo disco, ajuda a compreender a comparação. Mais lady do seu tempo, a contora é esportiva. Gosta de caminhar nas areias de Grumari e, quando não há tempo, no calçadão de Ipanema. Quando Lui pode, aprende tênis com ele nas quadras do Clube Costa Brava. O futebol que começou a jogar com as amigas, como Fernanda Abreu, no Asa, de Botafogo, fica suspenso por medida de segurança: neném a bordo. Paula está bem entusiasmada com seu primeiro filho, embora não pretenda inaugurar uma fila de rebentos à Baby Consuelo. Em série só discos, sempre na contramão das expectativas dos que não apostaram no seu fiozinho de voz. É o seu jeito "paulatoller" de ser rock.

DISCRETO PRAZER: boas lambidas, ágeis raquetes e ‘tortelloins’

- BABUSKA: a sorveteria da Rua Rainha Guilhermina, próxima à Ataulfo de Paiva, no Leblon, é frequentada por Paula, que adora o sorvete de chocolate com amaetto. A casa fica aberta das 10h às 24h, diariamente, e oferece muitas opções para quem aprecia a guloseima.
- CORPO-ANÁLISE: na Rua Redentor, 48, IIppanema. Sob direção de Gerry Maretzky, são feitos trabalhos de corpo baseados na antiginástica de Therèse Bertherat, com quem Guerry estudou na França. A academia tem horários para trabalhos individuais e em grupo. Funciona durante o dia todo.
- ZOOMP: no Shopping Rio Sul, segundo ppiiso. Tem calças jeans que caem no corpo com perfeição, segundo Paula, que gosta de usá-las para tudo, menos para cantar em público. Além dos jeans escuros ou delavés, colantes ou tipo "baggy", a loja tem casacos, vestidos, camisetas e acessórios.
- QUADRIFOGLIO: na rua Maria Angélica 4433, Lagoa. É uma pequena casa de massas, com pratos inventivos, como o "tortelloni a Quadrifoglio", com manjericão, ricota, creme e nozes, uma das pedidas da cantora. Abre de segunda a sábado, das 12h30m às 15h30m e das 19h às 2h. Domingo, apenas almoço. Aceita cheques e tem manobrista.
- GRAMOPHONE: no terceiro piso do Shopppiing da Gávea. A sofisticada ouvinte de Callas e clássicos encontra novas edições internacionais para enriquecer sua discoteca. A loja abre de segunda a sexta, das 10h às 22h, aos sábado até as 20h. Aceita cheques.
- CLUBE COSTA BRAVA: na Avenida Sargenttoo José da Silva, 3621, naquela ponta de pedra vista do elevado da Barra, mantém, de terça a sexta, suas duas quadras de tênis ocupadas, por alunos orientados por professores. Horário a combinar. Aulas abertas aos não sócios também.

Sobe


Zumbido mais afinado - Kid Abelha

        Blondie, Transvision Vamp, Eight Wonder, Darling Buds... Se os americanos e ingleses têm suas bandas pop lideradas por uma loirinha sapeca, por que nós não podemos ter a nossa também? E, sem dúvida, o Kid Abelha é nossa genuína e pop representante. A banda, surgia nos ares do novo rock Brasil por volta de 1982, só agora atinge um nível estável, acima da discussão se o que fazem é bom ou não, pois no começo era difícil assumir que se gostava do Kid, até porque a vozinha de Paula Toller era meio difícil de aturar.

        Afinal, como ela mesmo declara, quando surgiu de brincadeira, sem querer, curtição colegial que acabou virando coisa séria e tirando a menina e seus amigos das carreiras diversas que iam seguir. Na época, era tudo lucro. Havia espaço, gente querendo contratar, um momento bem diferente do atual, em que o rock nacional foi arquivado como uma moda que já passou, para azar das novas bandas.

        Na trajetória do Kid Abelha houve um pequeno acidente de percurso justo quando eles se preparavam para alçar vôo maior: a saída do baixista e principal letrista Leoni, hoje nos Heróis da Resistência. O talento de Leoni para criar perfeitas canções pop era a principal substância do Kid Abelha na época. Os músicos ainda estavam se aperfeiçoando, bem como a voz de Paula. Lembre-se dos maiores hits do grupo e verá que era (quase) tudo obra do Leoni.

        Mas o grupo deu a volta, e no LP anterior, Tomate, garantiu-se na ajuda dos amigos e quase criou seu melhor disco, coisa que só veio a acontecer agora com este Kid. Pode ser injusto esquecer dos LPs anteriores. Então façamos assim, este é o melhor disco da nova fase do Kid Abelha, não mais Abóboras Selvagens, pois não há como negar que a fase "Fixação" também foi muito boa, senão o ápice da época new wave do grupo, quando só tinham como concorrentes o Metrô.

        E Kid é gostoso de se ouvir do início ao fim. Primeiro porque possui apenas oito bem trabalhas faixas, ao invés de se encher lingüiça com dez ou doze. Por isso, cada uma delas tem uma sonoridade diferente, Paula tenta modular sua às vezes monocórdica voz (agora no ponto exato dos agudos). Também é o primeiro disco em que o grupo atuou na produção, com o auxílio de Paulo Junqueiro e Vitor Farias. A produção é realmente de primeira, sem necessidades de incrementar o molho em estúdios de Los Angeles. Talvez por isso não pintou o excesso que às vezes pinta nas produções "americanizadas" e superproduzidas.

        A banda está cada vez mais unida e coesa, e Paula ainda ganhou um "abelha" extra, seu marido, o cineasta Lui Farias, que participa como autor em três faixas, uma delas, "Sexo e dólares", é o tema principal do filme de Farias, Lili, a estrela do crime. As faixas mais fortes são as que abrem os lados, "De quem é o poder", uma letra em que se nota em cada frase a força poética de Cazuza e "Agora sei", de Paula e Lui. E Paula mostra que está inspiradíssima em outra faixa também muito boa, "Promessas de ganhar".

        Fora a boa qualidade musical, das letras e da produção, o disco tem ainda a seu favor o genial projeto gráfico de Gringo Cardia na capa, no encarte e as glamourosas fotos de Flávio Colker, que deixou La Toller com ares de deusa grega e Bruno e George como seus anjos protetores. E nem falamos das inúmeras participações especiais.

Sobe


Abelhas/Abóboras promovem um baile new wave em alto estilo

        Dez minutos antes da hora marcada começa o show do Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens. Com um rockódromo cheio (cerca de cem mil pessoas) e uma boa recepção do público, isso só vem a provar que não é boa coisa misturar metaleiros com new wavers. Um público contagiante e colorido estava lá para ouvir o seu estilo de som, sem hostilizar e sem serem hostilizados por ninguém. Parecia domingo passado.

        Com uma introdução prolongada de "Por que não eu?", os quatro abelhas/abóboras entram em cena com dois músicos convidados na bateria e teclados. Paula (voz) de capa prateada e os outros no mais chic-wave visual. A música flui e ao final Leoni (baixo) elogia a platéia com a melhor do festival. Na música seguinte, "Seu espião", Paula tira a capa e fica de vestidão de baile de anos 50 estilizado. Alguns deles aproveitam as passarelas laterais do palco para chegarem mais perto do público.

        O céu estava cinza e nublado, mas as pessoas radiante e coloridas. Tomara que não chova. "Pintura íntima" e "Nada tanto assim" dão continuidade ao show, sendo cantadas e aplaudidas em conjunto com a platéia. Pena que o show duraria apenas 30 minutos. Tava tão legal a festa.

        A unidade banda/platéia continua em "Como eu quero", e na multidão notava-se um novo must. Em vez de luvas coloridas, vários jovens com as mãos pintadas. Em "Alice", Paula sobe num pedestal no fundo do palco e tira a parte de baixo da saia, e logo aparece um short preto. Ouriço na rapaziada. Ela, que estava ótima nesse show, faz voz de menininha na introdução de "Hoje eu não vou". Havia no palco uma mini-cama elástica onde Bruno (guitarra) tocava dando pulinhos.

        Desta vez, eles conseguiram dar seu show sem problemas e com todo o clima de que precisavam. Saíram com pedidos de bis, que não puderam atender, pois logo começou a tocar o tema horrível do festival.

CRÍTICA Em vez de pedras, curtição total

        Ontem, realmente o Kid Abelha e os Abóboras Selvagens puderam dar seu show, com um público que os conhece e curte participando das músicas, em vez de jogarem pedras, como fizeram os heavies terça-feira passada. No rock, as tendências não se misturam, por mais democráticos que queiramos ser.

        Com os quatro integrantes em boa forma, mostrando um bom desenvolvimento musical, o show correu tranqüilo, alegre e direto. Eles vieram mais transados do que da outra vez: o palco decorado com faixas com motivos de relógios, o nome da banda em formato grande atrás e um pedestal abóbora ao fundo, onde vez por outra alguns subiam para dar seu recado. Eles contaram com dois convidados: Júlio Gamarra, na bateria, e Marcelo Lima, nos teclados. No mais, Paula (voz), Bruno (Guitarras), Leoni (baixo) e George (sax) estiveram bem à vontade.

        Desfilaram um guarda-roupa supertransado e bonito, movimentaram-se por todo o palco e provaram que, apesar de todas as críticas contra, são um dos melhores grupos pop do Brasil, independentes de fazerem músicas tolas ou não. O que interessa é o show e a comunicação que conseguem.

Sobe

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