Chega de careta
Controlada por computador, a anestesia
dentária
fica mais precisa e não deixa a boca torta
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Ricardo
Benichio

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Dentista
em ação, com o aparelho: mais de 100 profissionais brasileiros já
usam
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Anestesia no tratamento de dentes é uma dádiva da ciência. Duro é o
antes e o depois. Para não sentir dor, o paciente, primeiro, padece com
a picada, a agulha que se mexe lá dentro, a dorzinha fina que sobe pelo
nariz, o dentista dizendo "só mais um pouquinho" e repetindo
tudo outra vez. Consulta encerrada, é hora do lábio amortecido, do
sorriso torto, da careta involuntária e da explicação obrigatória:
"Saí do dentista". Tudo isso, no entanto, pode estar prestes
a, se não acabar de vez, pelo menos melhorar muito. Durante o VI
Encontro Anual da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética que se
realiza nesta semana no Rio de Janeiro, os dentistas vão conhecer as
vantagens de um aparelho americano capaz de anestesiar gengivas e
mucosas com menos dor e muito mais precisão. Acompanha a novidade um
patch alemão azul, do tamanho de um confete, que amortece a área da
picada. "Estamos prestes a aposentar a injeção manual", prevê
Débora Ayala, diretora da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética.
O novo aparelho, que custa 1.200
dólares e já está sendo usado por mais de 100 profissionais no
Brasil, vem equipado com um microprocessador que controla a pressão e o
volume do anestésico a ser injetado no paciente. O dentista acopla ao
aparelho a mesma ampola de sempre, contendo o mesmo líquido
anestesiante de sempre. Em seguida, leva uma seringa fina, na forma de
caneta, à boca do paciente, insere a agulha e aciona o aparelho, que
despeja uma gota por segundo no local. As vantagens são várias. A mão
do dentista, ao manipular a seringa normal, empurra mais anestésico que
o necessário, em jatos inconstantes. O método computadorizado, gota a
gota, reduz em um terço o volume de substância usado. "O
organismo absorve melhor o produto e o efeito é imediato", explica
Débora. O aparelho também facilita a aplicação do anestésico no céu
da boca e em outros lugares de difícil acesso. Com menos anestésico e
aplicação mais exata, só o dente a ser tratado fica adormecido. O
resto do rosto se movimenta normalmente.
Pré-anestésico eletrônico –
Apesar de todas as suas vantagens, a anestesia computadorizada continua
a depender, basicamente, da experiência e habilidade do dentista. É
ele quem decide quanto e onde injetar, e qualquer erro nestas duas
escolhas é certeza de dor e boca torta. Muito mais simples de usar é o
adesivo destinado a amortecer o local da picada da anestesia. Cinco
vezes mais potente que velha pomada de xilocaína, pode até substituir
a anestesia líquida em tratamentos superficiais. O próximo passo é um
pré-anestésico eletrônico, que já vem sendo utilizado nos Estados
Unidos e dá leves choques na gengiva para relaxar os músculos. Doer, não
dói, mas era só o que faltava: choque elétrico na cadeira do
dentista.
Direto no
alvo
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Raul
Junior

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Um patch em forma de confete – cinco vezes mais potente que a
pomada de xilocaína – amortece o local da picada. Em seguida,
com uma seringa em forma de caneta, o dentista libera o anestésico,
uma gota por segundo.
Pressão,
volume e velocidade são controlados por um microprocessador. O
efeito é imediato, a quantidade de anestésico é menor e só a
área em volta do dente é afetada.
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