Pedaço de planeta Edição 1 654 -21/6/2000
Descoberta de asteróide mostra que
vulcões são comuns no sistema solar
Bia
Barbosa
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Infográfico
Anderson Marçal

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Os astrônomos sempre acreditaram que corpos celestes com atividade vulcânica
fossem raridade no sistema solar. Até agora apenas seis deles tinham em
sua composição elementos que denotavam essa característica: Terra,
Lua, Vênus, Marte, o satélite Io, de Júpiter, e um asteróide chamado
Vesta. Na semana passada, uma pesquisa feita por cientistas brasileiros
e americanos publicada na revista Science mostrou que esse número
pode ser bem maior. Os astrônomos descobriram que, perdido nos cafundós
do cinturão de asteróides, existe um microplaneta coberto de basalto,
rocha originária do vulcanismo. É Magnya, uma pedra voadora de apenas
30 quilômetros de diâmetro que orbita a 320 milhões de quilômetros
da Terra. "O asteróide é muito pequeno para ter gerado calor
suficiente a ponto de produzir vulcões", diz Daniela Lazzaro, do
Observatório Nacional, no Rio de Janeiro. "Deve ser o que restou
de um corpo celeste maior." Isso leva os cientistas a acreditar que
o vulcanismo foi um processo mais freqüente do que se imaginava.
Desde que o primeiro asteróide foi identificado pelo italiano
Giuseppe Piazzi em 1801, 12.000 deles já
foram catalogados com órbitas definidas. Magnya foi descrito em 1937,
mas ninguém sabia ao certo seu tamanho e sua composição. Os
pesquisadores descobriram que era coberto por basalto ao estudar asteróides
cujas posições estavam fora do padrão habitual. Eles se surpreenderam
ao encontrar por lá o mesmo elemento que recobre a crosta terrestre.
Agora acreditam que outros pedaços do asteróide que o originou possam
estar perdidos em meio ao cinturão ou ter chegado até a órbita
terrestre e aqui despencado na forma de meteoritos. "Todas as
teorias em torno desses corpos basálticos já estavam fechadas desde os
anos 70", disse Daniela. "Agora vamos ter de rever tudo
isso." Os asteróides são fundamentais para se entenderem os
mecanismos que deram origem ao sistema solar como conhecemos hoje. Por
terem evoluído menos que os planetas, carregam mais informações sobre
o que aconteceu há 5 bilhões de anos.
Arco e flecha em vela
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AFP

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O Observatório Chandra, da Nasa, flagrou na semana retrasada uma
insólita formação cósmica. Trata-se de uma nébula em forma de
arco e flecha criada por uma estrela de alta rotação chamada
pulsar. Conforme gira, a estrela emite radiação eletromagnética
e libera partículas de alta energia, que viajam a uma velocidade
próxima à da luz. O que surpreendeu os astrônomos americanos
foi o fato de estas partículas de matéria jorrarem na mesma direção
em que a estrela libera sua radiação, como se fosse um arco e
flecha de verdade. O pulsar é o resultado da explosão de uma das
estrelas da constelação Vela, ocorrida há 10 000 anos, que
ainda pode ser vista.
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