Edi��o 1 654 -21/5/2000

Direto no tumor

Nova t�cnica, que utiliza a vitamina B12,
permite diagn�stico mais preciso do c�ncer

 

A melhor arma contra o c�ncer � a detec��o precoce da doen�a. H�, no entanto, aqueles tumores malignos que passam despercebidos at� pelos mais avan�ados exames, como a tomografia computadorizada. Nesses casos, quando aparecem, pode ser tarde demais. Na semana passada, m�dicos americanos anunciaram a cria��o de uma t�cnica que promete mudar a rotina do diagn�stico de c�ncer. Desenvolvido por cientistas da Cl�nica Mayo e da Universidade de Minnesota, o novo m�todo se mostrou extremamente preciso em 90% dos casos estudados. Indicou a presen�a do c�ncer nas mais diversas regi�es do corpo: mama, pulm�o, pr�stata, c�lon, c�rebro, tire�ide e ossos. Dos trinta doentes estudados, nove eram mulheres v�timas de neoplasias nas mamas. Em oito delas foi poss�vel distinguir com exatid�o as les�es malignas das benignas. Em uma, o c�ncer n�o havia sido revelado pelo exame f�sico, pela mamografia nem pela ultra-sonografia.

A nova forma de diagn�stico � simples e revolucion�ria � resultado da observa��o do comportamento dos tumores cancer�genos. Para se multiplicar, as c�lulas doentes necessitam, entre outras subst�ncias, de uma quantidade de vitamina B12 muito maior que as c�lulas sadias. Isso porque a B12 � essencial para a reprodu��o celular. Gra�as aos avan�os tecnol�gicos, os cientistas americanos conseguiram marcar as mol�culas de vitamina com elementos radioativos (veja quadro ao lado). O composto foi ent�o injetado nos pacientes. Com uma c�mara especial, os m�dicos rastrearam o organismo dos doentes. �reas do corpo onde a vitamina foi absorvida em quantidade acima do normal apareceram escuras nas imagens captadas pela c�mara. Eram os tumores. A t�cnica, segundo a equipe respons�vel pelos estudos, teve mais efeito em c�nceres agressivos e em est�gio inicial, quando a "fome" por vitamina B12 � maior.

As pesquisas ainda est�o em fase inicial. Mas j� se come�a a estudar a possibilidade de essa t�cnica com a vitamina B12 ser usada n�o apenas no diagn�stico da doen�a mas tamb�m em seu tratamento. Nesse caso, a subst�ncia serviria como uma esp�cie de transportadora de drogas antic�ncer. Como o tumor absorve com muito mais avidez a vitamina, os rem�dios seriam despejados diretamente dentro das c�lulas doentes. Isso permitiria diminuir bastante os efeitos colaterais da quimioterapia tradicional, em que um dos maiores problemas � o fato de atingir indistintamente tanto os tecidos cancerosos quanto os sadios. "A nova t�cnica pode ser o calcanhar-de-aquiles para alguns tipos de c�ncer", diz o radiologista Douglas Collins, da Cl�nica Mayo. Seria uma grande evolu��o no diagn�stico e tratamento de uma doen�a que at� o final do ano, estima-se, deve matar cerca de 114.000 brasileiros.

 

No alvo

Como funciona o novo m�todo de diagn�stico de c�ncer

1) Por��es de vitamina B12 s�o marcadas com elementos radioativos e injetadas no organismo

2) As c�lulas cancerosas se multiplicam de forma desordenada e em ritmo acelerado. Quanto mais r�pido o crescimento do tumor, maior o consumo de vitamina B12

3) Com uma c�mara especial, os m�dicos rastreiam o organismo em busca do ponto onde h� concentra��o de radioatividade. A t�cnica funcionou em oito de nove mulheres v�timas de c�ncer de mama

Fonte: Cl�nica Mayo

 

O HIV e a circuncis�o

Os riscos de contamina��o pelo v�rus da Aids s�o menores entre os homens submetidos � circuncis�o, como se chama a retirada do prep�cio, a pele que recobre a glande. A conclus�o, relatada na �ltima edi��o do British Medical Journal, uma das publica��es cient�ficas de maior prest�gio no mundo, � de pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austr�lia. Eles analisaram mais de quarenta estudos sobre o assunto e conclu�ram que a probabilidade de um n�o circuncidado contrair o v�rus � de duas a oito vezes maior. Um desses estudos, realizado com 187 casais numa �rea rural de Uganda, um dos pa�ses mais pobres da �frica, impressiona pela clareza do resultado. No in�cio da experi�ncia, todas as mulheres eram portadoras do v�rus, mas nenhum dos homens estava infectado. No final, constatou-se que nenhum dos cinq�enta circuncidados havia sido contaminado. Dos 137 restantes, quarenta estavam infectados. A explica��o: o interior do prep�cio � rico nas chamadas c�lulas de Langerhans, que funcionam como uma esp�cie de �m� para o v�rus.



        

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