Santa Catarina de Sena e o inferno


O inferno como o Pai Eterno o revelou a Santa Catarina de Sena:

«... Filha, tua linguagem é incapaz de descrever os sofrimentos destes infelizes..., no inferno os pecadores padecem quatro tormentos principais.

Primeiro tormento é a ausência da minha visão. Um sofrimento tão grande que os condenados, se fosse possível, prefeririam sofrer o fogo vendo-me, que ficar fora dele sem me ver.

Segundo tormento, como consequência, é o remorso que corrói interiormente o pecador privado de mim longe da conversação dos anjos, a conviver com os demónios. aliás, a visão do diabo constitui o terceiro tormento. Ao vê-lo, duplica-se o sofrer... os infelizes danados veêm crescer seus padecimentos ao verem os demónios. Nestes, eles se conhecem melhor, entendendo que por própria culpa mereceram o castigo. Assim o remorso os martiriza e jamais cessará o ardor da consciência. Muito grande é este tormento porque o diabo é visto no próprio ser; tão horrível é sua fealdade, que a mente humana não consegue imaginar... segundo a Justiça Divina ele é visto mais ou menos horrível pelos condenados, segundo a gravidade das suas culpas.

O quarto tormento é o fogo. Um fogo que arde sem consumir, sem destruir o ser humano. É algo imaterial, que não destroi a alma incorpórea. Na minha Justiça , permito que tal fogo queime, faça padecer, aflija; mas não destrua. É ardente e fere de modo crudelíssimo em muitas maneiras. A uns mais, a outros menos, segundo a gravidade dos pecados...

Destes quatro tormentos derivam os demais: o frio, o calor, o ranger de dentes (Mt 22,13).

Como vês, repreendo os pecadores nesta vida por seus julgamentos falsos e injustiças; senão se corrigem, faço-lhes uma segunda repreensão na hora da morte; pela ausência de esperança e arrependimento, sobrevem-lhes a morte eterna em indizível infelicidade!...»

O Diálogo, 14.3.2









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