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Prevfogo

 

 

Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais

Desde que o Homem conheceu e começou a dominar o FOGO, este recurso passou a ser utilizado com as mais diversas finalidades. Aqui no Brasil tem-se registros, da época do descobrimento, de que os primeiros habitantes do nosso território já utilizavam o FOGO para o preparo de alimentos, para facilitar a caça, para o aquecimento e, inclusive, para abertura de áreas para o plantio agrícola.

Buscando um uso controlado deste recurso, em 1989, o governo federal criou o Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais - PREVFOGO, e atribuiu ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA a competência de coordenar as ações necessárias à organização, implementação e operacionalização das atividades relacionadas à educação, pesquisa, prevenção, controle e combate aos incêndios florestais e queimadas.

Assim, as áreas e a forma com que o PREVFOGO desenvolve suas ações estão diretamente relacionadas a dois conceitos bastante distintos, em função dos quais são estabelecidas as áreas em que as mesmas ocorrerão e as prioridades com que serão executadas, Incêndios Florestais e Queimadas.

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No que diz respeito aos Incêndios Florestais os segmentos eleitos como prioritários para o desenvolvimento de ações voltadas para a Prevenção, Controle, Combate, Pesquisa e Treinamento. foram as Unidades de Conservação e as Áreas de Interesse Estratégico e/ou Econômico.

Quanto às Queimadas, o PREVFOGO vem atuando prioritariamente na Amazônia e na região de Cerrados, onde o fogo, como instrumento de manejo agrícola, vem sendo utilizado de forma mais freqüente.

Devido a abrangência e a multidisciplinaridade das questões que envolve o tema Incêndios Florestais e Queimadas, o IBAMA vem implantando um modelo gerencial multi-agências, onde busca-se a descentralização da execução de diversas atividades nos campos da Prevenção, Controle, Combate e Pesquisas e, ao mesmo tempo, permite ao IBAMA desempenhar o papel de coordenador do Sistema e catalizador de meios, propiciando, desta forma, uma total integração das diversas agências que participam do mesmo.


ESCLARECIMENTOS

Diante das distorções divulgadas pela imprensa entre focos de calor, queimadas e incêndios, o IBAMA, esclarece:

Diferenças entre focos de calor, incêndio e queimadas

Focos de calor:

A expressão focos de calor é utilizada para interpretar o registro de calor captado na superfície do solo pelo sensor AVHRR, que viaja a bordo dos satélites da série NOAA. Esse sensor capta e registra qualquer temperatura acima de 47º C e a interpreta como sendo um foco de calor. Um foco de calor, porém, não é necessariamente um foco de fogo ou incêndio.

Queimadas: fire01.jpeg (33034 bytes)

A queimada é uma antiga prática agropastoril ou florestal que utiliza o fogo de forma controlada para viabilizar a agricultura ou renovar as pastagens. A queimada deve ser feita sob determinadas condições ambientais que permitam que o fogo se mantenha confinado à área que será utilizada para a agricultura ou pecuária. A queima deve ser autorizada pelo Ibama.

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É o fogo sem controle que incide sobre qualquer forma de vegetação, podendo tanto ser provocado pelo homem (intencional ou negligência), quanto por uma causa natural, como os raios, por exemplo.

Queimadas

Até que sejam adotadas outras alternativas para a limpeza de pastagens e o preparo da terra, além do uso do fogo, desde 1989 o Ibama vem conscientizando a todos, especialmente aos agricultores e aos pecuaristas, como fazer uma queimada controlada. Só esse ano foram distribuídas para as regiões norte, nordeste e centro-oeste, mais de duas mil cartilhas com esse objetivo. O requerimento de autorização para a queima controlada deverá ser enviado ao órgão competente 30 dias antes do início da queimada.

Em forma de quadrinhos e em linguagem popular, ensina a cartilha os seguintes cuidados antes de queimar:

- reunir e mobilizar os vizinhos para fazer queimadas controladas e em mutirão; 2 - pedir autorização ao Ibama; 3 - estudar as características do terreno; 4 - fazer aceiros; 5 - tomar cuidado com a vegetação; 6 - prestar atenção ao clima e ao horário; 7 -instruir e preparar o pessoal que vai fazer a queimada; 8 - a soma das áreas a serem queimadas não poderá exceder 500 hectares

Cuidados a serem tomados depois das queimadas

- vigiar até ter absoluta certeza de que todo o fogo foi apagado, de preferência com água ou terra, em todas as laterais do terreno; 2 - jogar para dentro da área queimada qualquer material em brasa.

Consta, ainda, da cartilha, os seguintes alertas do Ibama:

- a autorização do Ibama deverá estar no local em que for realizada a queimada. Um representante do órgão poderá estar presente

- os danos causados a terceiros correrão por conta do proprietário da área onde foi iniciado o fogo;

- o Ibama poderá suspender as queimadas controladas se as condições metereológicas ou ambientais forem desfavoráveis

- é expressamente proibido o uso de fogo em áreas de reservas ecológicas, preservação permanente, parques florestais e reservas equivalentes

- os infratores serão multados com base nos artigos 14 e 15 da lei 6.938 de 3l/08/1981.

- em 09/07/1998, pela portaria nº 94, o Ibama cria a queima solidária - em regime de agricultura familiar - forma de mutirão - em atividades agrícolas, pastoris ou florestais.

As queimadas são proibidas?

As queimadas são autorizadas pelo Ibama sob critérios técnicos, como os aceiros, por exemplo, que impedem a propagação do fogo além dos limites estabelecidos. Ao receber a autorização para a queimada, o proprietário da área é instruído sobre a melhor maneira de executar o trabalho. O Ibama também distribui material educativo sobre as queimadas em regiões onde essa prática é usual. Em situações especiais, o Ibama pode proibir as queimadas, o que não impede que elas ocorram de forma ilegal, provocando incêndios florestais.

Principal causa dos incêndios florestais.

A principal causa de incêndios na floresta tropical é a ação desordenada provocada pelo homem que, ao promover o desmatamento e utilizar o fogo de maneira desordenada, cria condições favoráveis para a ocorrência de grandes incêndios.

Como evitar os incêndios?

l - Fazer queimadas somente com autorização do Ibama e de forma controlada, com a construção de aceiros - barreiras que impedem a propagação das chamas. O aceiro pode ser feito em forma de vala ou limpeza do terreno de modo a obstruir a passagem do fogo; 2- apagar com água o resto do fogo em acampamentos para evitar que o vento leve as brasas para a mata, causando incêndios; 3 - não jogar pontas de cigarro acesas próxima a qualquer tipo de vegetação; 4 -.está proibido o uso de fogo em áreas de reservas ecológicas, preservação permanente e parques florestais

Penalidades:

Os infratores estarão sujeitos às penas previstas nos artigos 14 e 15 da Lei 9.605 (Lei de Crimes Ambientais). As penas podem chegar a prisão (de três a seis anos) e multas de até R$ 4.960,00. O valor será aumentado com a regulamentação da Lei, pelo Ministério do Meio Ambiente, podendo variar de R$ 50,00 a R$ 50 milhões.

fire04.jpeg (107482 bytes)Situação mundial - Os especialistas do IBAMA em gerenciamento de fogo consideram natural o número de focos de calor, queimadas e incêndios nesta época de seca prolongada em todo o hemisfério sul. Fazer queimadas para uso agropecuário, no entanto, é uma prática cultural não só do Brasil e de difícil substituição. A Presidente do Ibama, Marília Marreco Cerqueira, reconhece que se fossem observadas as normas para queimada controlada e se a população contribuísse deixando de jogar pontas de cigarro acesas nas margens das estradas, apagassem restos de fogo em acampamentos e tivessem maiores cuidados ao lidar com o fogo, essas estatísticas cairiam substancialmente.


 QUEIMADAS 1998 E 1999 (dados INPE)

Durante o período de junho a novembro, grande parte do país é acometido por queimadas, que se estendem praticamente por todas as regiões, com maior ou menor intensidade. O fogo é normalmente empregado para fins diversos na agropecuária, na renovação de áreas de pastagem, na remoção de material acumulado, no preparo do corte manual em plantações de cana-de-açúcar etc. Trata-se de uma alternativa geralmente eficiente, rápida e de custo relativamente baixo quando comparada a outras técnicas que podem ser utilizadas para o mesmo fim.

Desde 1988 o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE utiliza dados do sensor AVHRR do satélite meteorológico NOAA no projeto de detecção de queimadas, desenvolvido em conjunto com o IBAMA, do Ministério do Meio Ambiente. A utilização deste satélite se deve ao fato de estar nele inserido um sensor sensível à temperatura da superfície, registrando alvos que, no instante da passagem do satélite, apresentam temperaturas suficientemente elevadas. O sensor AVHRR, apesar de ser utilizado na detecção de queimadas, não foi desenvolvido para esse fim. Entretanto, ainda constitui a única ferramenta disponível no momento para monitoramento sistemático e regular de queimadas no país.

FOCOS DE CALOR:

Desta forma, o que o sensor AVHRR registra NÃO são focos de queimadas ou focos de incêndios. São apenas FOCOS DE CALOR. Um foco de calor não pode, necessariamente, ser identificado como um incêndio. O satélite identifica os focos de calor - uma superfície muito aquecida (solo exposto, por exemplo) pode sensibilizar o sensor e registrar como um foco de calor sem, no entanto, ser um foco de queimada,. Este problema de discriminação de focos de calor associados às queimadas ou não pode ser acentuado em alguns estados brasileiros em passagens diurnas adquiridas em determinadas épocas. O problema de reflexão solar não afeta dados adquiridos no final da tarde ou no início da noite, quando o sol está bem baixo e os solos já apresentam uma temperatura bem inferior à observada durante o dia.

Apesar do satélite NOAA ser utilizado no Brasil e em outras partes do mundo na detecção de queimadas, ele apresenta limitações para gerar estimativas confiáveis da área afetada pela queimada. Problemas relacionados à estimativas da extensão da área queimada ocorrem principalmente devido a confusão entre áreas queimadas, solo exposto, áreas cobertas por vegetação baixa, áreas urbanas e a grande área de cada pixel (1,1 Km x 1,1 Km) que integra áreas queimadas e não queimadas, dificultando a determinação do percentual da área de cada pixel correspondente somente à queimada. As imagens do AVHRR são úteis para identificar focos de calor numa base rotineira e apropriadas para uso operacional em tempo quase-real para identificar e localizar focos de calor e também queimadas. Entretanto, não estimam com exatidão a área queimada ou a temperatura do fogo.

Os dados de dois satélites NOAA são utilizado pelo INPE na detecção também de queimadas: NOAA-12 e NOAA-14. Os horários de passagem desses satélites são os seguintes:

NOAA-12 21.12 GMT 23:00 GMT 8:32 GMT 10:13 GMT

NOAA-14 18:00 GMT 19:42 GMT 6:57 GMT 09:17 GMT


FOCOS DE CALOR NOS MESES DE JUNHO/JULHO/ AGOSTO DE 1998 E 1999

A Tabela, abaixo, apresenta os totais de FOCOS DE CALOR detectados pelos satélites NOAA-12 (passagem noturna) nos meses de junho e julho de 1998 e 1999.

 

NOAA-12

 

98

99

JUNHO

3.575

3.188

JULHO

7.316

7.697

Devido ao fato de o problema de reflexão solar ser mais problemático a partir de agosto, somente os dados da passagem noturna do satélite são mais confiáveis, sendo, portanto, os únicos disponíveis para o público.

DISTRIBUIÇÃO DOS FOCOS DE CALOR NOS ESTADOS

Os Estados que, tradicionalmente, apresentam maior número de FOCOS DE CALOR são: Mato Grosso e Pará. O total observado em agosto deste ano foi de 34.511. Esses Estados foram responsáveis por 15.810 e 6.194 FOCOS DE CALOR, respectivamente, correspondendo a cerca de 63 por cento do total. Esse percentual também foi observado em 1998, quando 14.622 focos de calor foram registrados no Mato Grosso, e 6.747, no Pará.


 

 

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Última modificação: 29 Junho, 2000
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