D. Alberto Bramão
- Um homem de ideais
Biografia:

Sobre
Alberto Allen Pereira de Sequeira Bramão (1865-1944) poucas ou nenhumas referências podem encontrar-se em obras actuais.

Esta nótula deve portanto muito ao 2º volume do
DICIONÁRIO CRONOLÓGICO DE AUTORES PORTUGUESES, mas também aos prefácios e notas da viúva do autor incluídas nos volumes póstumos do autor.

Colega de infância de Raúl brandão ligou-se como este, na sua juventude, ao grupo dos nefelibatas portuenses. As actividades a que se dedica são, sobre tudo, o jornalismo - desde bem jovem - e a criação poética.

Se bem que tenha feito algumas aproximações à estética decandentista que à época era o "último grito" a sua poesia acaba por revelar quase sempre um romântico tardio.

A sua poesia, publicada em pequenos folhetos (a maior parte dos quais não contantes da Porbase) revela um léxico decadentista próximo de um certo simbolismo e é um excelente indicador das múltiplas correntes que se cruzavam em modas rápidas e sucessivas que brotavam no fin-de-sècle português (e em especial no portuense, no que se aproxima das primeiras produções poéticas de Júlio Brandão).

Recomendo vivamente a análise´da poesia de D. Alberto Bramão patente no referido
Dicionário Cronológico de Autores Portugueses se bem que alerte já para algumas estranhas faltas como a referência ao simbolismo (com efeito muitos dos poemas de Bramão estão muito próximos de algumas produções de Eugênio de Castro e as suas prosas das de Alberto de Oliveira).

Como republicano convicto D. Alberto Bramão foi preso nos últimos anos da Monarquia e depois de liberto enveredou por uma activa carreira política bem como por um jornalismo muito mais crítico e mordaz em que a crítica a uma sociedade desfazada com os mais modernos tempos e o novo regime político o levava por vezes a alguns extremismos.

Esta fase final da sua carreira deverá ser a que maior interesse desperte no leitor casual. Com efeito enquanto desempenhava importante papel como Deputado Regenerador ou secretário de Hintze Ribeiro na presidência de ministérios (foi o primeiro a sugerir e levar perante a Assembleia uma proposta de Lei defendendo a possibilidade do divórcio), D. Alberto Bramão escreveu várias e muito interessantes obras memorialistas, livros de impressões e recolhas de crónicas onde revela um espírito notável e uma presença crítica surpreendente para um poeta algo idealista.

De extrema importância para a biografia de algumas das maiores figuras da nossa literatura, jornalismo e política são as crónicas e escritos memorialistas do autor que traçam um quadro notável de uma das épocas mais conturbadas da nossa história no que a essas três vertentes concerne e que demonstram a própria importância do autor na sua época e a relevância do seu papel.

igualmente revelador será a imensidade de artigos e referências críticas, artigos maldicentes e mesmo caluniosos que ao autor foram dirigidos a partir do final do século XIX. Menciono por curiosa a crítica que fazia o directo da revista
Epocha aquando  da apresentação da proposta de Lei pedindo a legalização do aborto. Dizia o director da Epocha: "[...] o sr. D. Alberto bramão que se esqueceu do seu passado de crente para se fazer há anos campeão do divórcio" (convirá informar o leitor de que, de acordo com as informações de que disponho, D. Alberto Bramão teve um único e feliz casamento).

Não me foi possível obter quaisquer pormenores sobre a morte do autor ou mesmo sobre a sua infância e juventude, formação ou trajacto de vida para além dos acima descritos. Por esse motivo esta entrada ficará algo em aberto e quaisquer contributos adicionais serão benvindos. 


Bibliografia

1886

Um beijo: Poemeto - Porto: Casa Editora - A. Reis, 1886


1896

A rir e a sério: o cantagallo (historia veridica de seus feitos): theatros e touros: verdades e paradoxos - Lisboa: Liv. António Maria Pereira, 1896


1898

Illusöes perdidas
- Lisboa: Livraria de António Maria Pereira, 1898
Nota: segundo a lista de obras do autor patente no volume Faúlhas dum Lume Vivo, esta livro térá sido traduzido em francês e italiano.


1899

O jornalismo - Lisboa: [s.n.], 1899


1901

A Nossa Alliança: conferencia realisada na sede da Associação dos Jornalistas de Lisboa - Lisboa: [s.n.], 1901


1908

Casamento e divórcio
- Lisboa: Liv. Central de Gomes de Carvalho, 1908


191? [nota - esta data, para este livro é um dado da BN, dos dados que possuo a primeira edição desta obra é, de facto a de 1924]

Sentenças máximas e reflexões / D. Alberto Bramão .- [S.l.]: [191-] (Lisboa : : A Americana)


1922

O meu breviario - [S.l.: s.n.], 1922


1924

Sentenças, maximas e reflexöes - Lisboa: A Americana, 1924


1928

Crepusculos.- Lisboa: [s.n.], 1928 (Lisboa : O Sport )

1935

O julgamento do amor: auto em verso - Lisboa: Liv. Central, 1935


1936

Recordaçöes do jornalismo, da política, da literatura e do mundanismo - [S.l.: s.n.], 1936 (Porto : : Imprensa Portuguesa)


1936

Hotéis e água: I congressso nacional de turismo: IV secção - [S.l.: s.n.], 1936 (Lisboa : : Soc. Nac. de Tipografia)


1945

Últimas recordações, Livro póstumo
- [S.l.: s.n.], 1945 (Lisboa : : Emp. Nac. de Publicidade)
Nota este livro terá sido organizado pela viúva do autor D. Adelaide Bramão)


1945

Faulhas dum lume vivo: livro póstumo - Lisboa: [s.n.], 1945
(volume organizado pela viúva do autor, D. Adelaide Bramão)



Nota Bene:

O autor prefaciou ainda obras de Abel Ferreira Alves, Luís Barradas, Almeida Campos e

Boa parte da obra deste autor encontra-se dispersa por quase todas as publicações periódicas da sua época. Artigos de opinião, crónicas, manifestos e muitos poemas, perfazendo largas dezenas são-nos impossíveis de aqui indicar.

Convirá ainda indicar que muitos dos livros de poemas do autor eram pequenos folhetins, algo muito em voga na época mas que a Biblioteca Nacional não apresenta no seu catálogo on-line. Junto com este últimos podem ainda considerar-se uma série de opúsculos sobre questões "quentes", nomeadamente a questão do divórcio.

Assim e do que nos foi possível apurar através da lista de obras do autor apresentada nas obras
O Meu Breviário e Faúlhas de Um Lume Vivo, acrescentamos ainda as seguintes obras:

Phantasias, livro de poemas, segundo livro do autor

A Velhice e a Mocidade, livro de poemas aparentemente de colaboração com outro autor (?).
This page
© 2003 Hugo Xavier
Agradece-se a quem possa fornecer uma fotografia ou retrato do autor
Home Page de Hugo Freitas Xavier
Google
Dicionário de escritores Portugueses esquecidos
Hosted by www.Geocities.ws

1