O desfile de escolas de samba foi aberto com a entrega da chave de Vitória pelo prefeito da cidade, Luiz Paulo Vellozo Lucas, ao Rei Momo, Luiz Vieira, por volta das 20h de sábado. A rainha e as princesas do carnaval deram um show de samba no pé e simpatia. A festa só terminou às 11h30 de domingo, com o desfile da Tradição Serrana. Foram 16 horas e meia de animação (contando com as mudanças devido ao horário de verão).
PEGA NO SAMBA
Com 1h30 de atraso, a Pega no Samba abriu o desfile do Carnaval 2001. O público presente, cerca de cinco mil pessoas, segundo o Corpo de Bombeiros, já pedia impacientemente pelo início da festa. Com o enredo Bodas da Rainha, os dois mil componentes homenagearam os 25 anos da agremiação.
O desfile da Pega no Samba agradou ao público. Para o consultor imobiliário José Luiz Kfuri, foi um sinal de que o Carnaval está aceso e de que no próximo ano será ainda melhor. O funcionário público Ailton Tadeu também gostou do que viu, considerando o desfile da escola "simples e objetivo".
NOVO IMPÉRIO
Logo depois foi a vez da Novo Império, de Caratoíra, Vitória. A escola homenageou as mulheres, com o samba-enredo A Mulher Guerreira. Os 1,2 mil componentes da agremiação se enrolaram e tiveram que se apressar nos últimos metros da avenida. Mesmo assim, a Novo Império ultrapassou em cinco minutos o tempo máximo de desfile, estipulado em uma hora.
Durante as primeiras apresentações, a segurança teve dificuldades para conter o público. Muita gente atrapalhou os principais corredores de entrada e saída para as ruas laterais e camarotes. Houve, inclusive, um princípio de tumulto quando componentes da escola Pega no Samba tentaram entrar nos camarotes sem ingressos. O presidente da agremiação, Carlos Vaccari, entrou à força no local.
ANDARAÍ
Ibiraçu foi o tema da terceira escola a desfilar, a Andaraí. Os 150 componentes da bateria não foram suficientes para empolgar o público, que preferiu assistir ao desfile sentado.
UNIDOS DE JUCUTUQUARA
Mas com a Unidos de Jucutuquara foi diferente. A escola começou a desfilar pouco antes da 1h50 e mexeu com todos os foliões que estavam na avenida Jerônimo Monteiro na madrugada de domingo. O enredo "Brasil, se a cor não pega, o teu cabelo não nega. Tu és negro, sim!" fez uma homenagem à raça negra.
IMPERATRIZ
No desfile da Imperatriz do Forte, que começou às 2h40, os destaques foram a rainha da bateria, o travesti Guto, e uma ala formada apenas por cadeirantes. A escola foi a quinta a desfilar e trouxe o samba-enredo "Era de Aquarius, um grito de paz, solidariedade e justiça". Antes do desfile, Rogério Carlos Orsi anunciou que vai largar a presidência da Imperatriz do Forte e também deixará de ser o carnavalesco da escola.
ROSAS DE OURO
O dia amanheceu enquanto a Rosas de Ouro desfilava. A apresentação começou às 4h20 e terminou às 5h15. Apesar do horário, muitas pessoas continuaram assistindo à festa.
UNIDOS DE BARREIROS
A escola seguinte, Unidos de Barreiros, que desfilou com menos de 500 pessoas, se sentiu prejudicada pelo atraso no início do desfile. Segundo a organização da escola, além do terceiro carro ter quebrado, muitas pessoas desistiram de desfilar quando souberam que sairiam pela manhã.
Além disso, a escola havia anunciado que teria uma ala composta por integrantes do Movimento Sem-Terra (MST), mas apenas oito componentes desfilaram na ala da diretoria. A mãe de santo e irmã do ex-técnico da seleção brasileira, Wanderley Luxemburgo, Leocádia Luxemburgo desfilou no carro abre-alas.
CHEGOU O QUE FALTAVA
Assim como na Unidos de Barreiros, menos de 500 pessoas participaram do desfile da Chegou o que faltava. A escola levou 47 minutos para atravessar a Jerônimo Monteiro. Muitos desistiram de desfilar devido ao horário.
Com o samba-enredo "Ziriguidum, agora sim 2001" a escola mostrou a entrada no terceiro milênio através dos quatro elementos.
UNIDOS DA PIEDADE
A Unidos da Piedade, do Morro da Fonte Grande, em Vitória, encerrou seu desfile pouco depois das 9h, com o enredo "Apocalipse – O Despertar de uma Nova Era". Essa foi uma das escolas que mais agitaram o público e seus componentes, mesmo com o calor do sol.
Os integrantes da agremiação garantem que essa foi a primeira escola de samba fundada no Espírito Santo. Na década de 50, o bairro da Fonte Grande, em Vitória, já possuía várias manifestações populares e blocos carnavalescos, como o "Amarra o burro", "Batucada Mocidade", "Chapéu de lado" e "Deixa Cair". Depois que Rômulo do Nascimento, o Rominho, passou um carnaval no Rio de Janeiro e visitou várias escolas de samba, resolveu fundar uma em seu bairro. Ele se juntou a vários amigos e fundou a Unidos da Piedade no dia 15 de janeiro de 1955.
UNIDOS DE BOA VISTA
A penúltima escola a desfilar foi a Independentes Unidos de Boa Vista, que demorou cerca de 50 minutos para atravessar a avenida. A escola de Cariacica homenageou o município de Domingos Martins com o samba-enredo "As Montanhas, o Chope, o Vinho... As Belezas de Campinho".
Cerca de R$ 30 mil foram gastos na produção da escola. Os recursos são provenientes da iniciativa privada e, principalmente, da prefeitura de Domingos Martins.
TRADIÇÃO SERRANA
Às 10h40, com sol forte e parte da arquibancada cheia, a Tradição Serrana começou a se apresentar. A escola é formada pelos bairros Feu Rosa e Vila Nova de Colares, da Serra. O samba-enredo A lenda do Pássaro de Fogo, escrito por Mário do Pega e Ney Carvalho, é uma homenagem ao entrosamento das culturas dos municípios de Cariacica e Serra. O desfile terminou às 11h30.
A Tradição Serrana é a escola de samba caçula no desfile de Vitória. Nasceu no dia 31 de agosto do ano passado e este foi seu primeiro desfile.
Fonte: A Gazeta
Fotos: Rafaela Sibien
Texto: Ludmila Ferreira