Lendas são fatos, inventados ou não, que embelezam as histórias do nosso Carnaval. Abaixo alguns relatos
do Jornalista Marcelo Pereira, para o Jornal A Gazeta, de Vitória, referente ao Carnaval Capixaba. É a história viva do nosso Carnaval. Das nossas Tradições.
Marcelo Pereira
O guarda-roupa de Dona Elza foi para o desfile e não voltou. Mãe do sambista Costa Pereira, que é o presidente da escola de samba Chegou o que Faltava, de Goiabeiras, o móvel teve que ser desmontado na última hora para completar com madeira o material que faltava num carro alegórico. "Era uma representação dos Arcos da Lapa carioca e o guarda-roupa veio bem a calhar", brinca Pereira, que não colocou um sobressalente. Sorte dele que a mãe é apaixonada por samba, senão...
Essas e outras histórias recheiam as agremiações e escolas no carnaval capixaba, que, parco de recursos e de apoio tem que contar com a boa vontade e o sacrifício de inúmeros foliões. "O negócio é fazer por amor", diz o presidente da Unidos de Barreiros, Jadilson Damasceno. Ele conta que no Barreiros, a comunidade tem dois nomes como referência, quando o assunto é se sacrificar pela Unidos. "Toninho Lobão (já falecido) comprava briga com a família ao se envolver com a escola. Já o Dilson Loureiro chegou a perder a própria imobiliária: tudo para ver a escola sair de uma forma bonita na avenida", relembra Damasceno, enquanto conta as horas para o dia 17, o próximo sábado, quando as 11 escolas de samba desfilam pela Avenida Jerônimo Monteiro. Ainda dá tempo de acompanhar os ensaios (veja no quadro ao lado).
Buraco
Imprevisto é imprevisto. Não importa se acontece nos ensaios ou até minutos antes do desfile começar. O pessoal de Barreiros teve que arrumar um pneu sobressalente às pressas para um dos carros que teve o seu furado. Acharam uma Brasília, só que bem longe da avenida, estacionada no próprio Barreiros. Um pouco de conversa e o dono cedeu numa boa. "Era gente do bairro, então nossa situação naquela hora da noite", lembra o presidente.
A Unidos do Jucutuquara coleciona sucessos e alguns imprevistos nesses quase 25 anos como escola de samba. A atual presidente Bernadete Ladislau lembra que, num ano, quando desfilavam pela cidade, um dos batuqueiros sumiu, com bumbo e tudo. Rapto? Não, um bueiro aberto foi a causa de tudo.
Em outro carnaval, a imensa coruja do carro alegórico, ave-símbolo da escola, ficou "presa" entre fios elétricos quando se dirigia para o Sambão do Povo, em Santo Antônio, o antigo local dos desfiles. "Um dos nossos integrantes subiu no carro para retirá-la, caiu e quebrou os pés. Não desfilou mas fez questão de assistir a tudo, mesmo engessado", recorda Bernadete.
Por causa da Unidos do Boa Vista, de Itaquari, em Cariacica, uma imensa jangada perdeu o "freio" e quase "foi a pique" ao descer a curva do Saldanha da Gama, em direção à Avenida Princesa Isabel. "Se não fossem uns dez segurarem o carro, adeus", constata, entre risadas, o mestre-sala da escola Rogério Coutinho.
Fã da escola há 25 anos, esse ano o Carnaval terá um sabor especial: vai defender as cores da Boa Vista, com a filha, que será porta-bandeira. "Eu era baterista e virei mestre-sala por causa de uma discussão entre a outra porta-bandeira que se recusou a sair com o seu par. Aceitei numa boa e estou me dando bem", julga. Vale a pena o esforço? "Bem, depois do Vasco, o carnaval é minha paixão". Alguém duvida?