Teoria e Prática


Livro: Entrega-te a Deus - 16
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco

As bibliotecas terrestres desde a famosa de Alexandria até as mais modernas da atualidade, sempre estiveram superlotadas de obras portadoras de excelentes teorias sobre os mais diferentes assuntos que dizem respeito à humanidade.

Pensadores inspirados, em todas as épocas, anotaram em pergaminhos, em pedras, em tijolos e peles de animais, em tecidos, em papéis e por meio dos extraordinários veículos virtuais, as ideias de que se fizeram portadores, oferecendo imensurávellegado de teorias nobres umas, ridículas outras, profundas algumas e diversas insensatas, proverbiais em grande número e levianas também incontáveis, tentando auxiliar o processo da conquista da felicidade.

Desde aquelas que se apresentam especialmente esdrúxulas até mesmo outras que expressam os transtornos psicopatológicos dos seus autores enxameiam nas prateleiras e nos objetos de gravação, dando-lhes caráter de quase perpetuidade, não fossem as terríveis catástrofes que periodicamente assolam o planeta, ou as lamentáveis guerras que a quase tudo destroem ...

Não têm faltado para os diversos tipos de comportamento contribuições valiosas ou perturbadoras a que muitos indivíduos se vinculam, procurando convencer os demais sobre as vantagens de que se fazem portadoras.

Sem dúvida, a sociedade tem avançado desde a caverna aos arranha-céus, da fase troglodita até a civilização tecnológica, quando postas em prática as teorias bem urdidas, que se transformam em utilidade e progresso.

Nada obstante, muitas dessas propostas de conduta, elaboradas por personalidades descompensadas, têm constituído diretrizes para outras que se encontram em desajuste e as assimilam com facilidade, dando lugar aos transtornos mais graves, tanto na área pessoal quanto na social.

Lamentavelmente, lideranças perversas, utilizando-se da computação e insinuando-se por esse poderoso veículo de comunicação, adentram-se na intimidade doméstica e conquistam jovens inexperientes e sonhadores, exercendo sobre eles uma influência maléfica, destrutiva. Pervertidos, induzem-nos a atitudes agressivas, contrárias à cultura e à ética, disseminando a pedofilia, a anorexia, a bulimia, a prostituição, a drogadição, o suicídio ...como espetáculos de exaltação da personalidade enferma.

Formam-se clãs e grupos odientos que se comprazem em gerar dificuldades para a comunidade, assumindo os instintos agressivos que deveriam ser educados, e disseminando o crime, a crueldade ...

As teorias nascem no imo do ser que aspira pelo novo, pelo diferente, pelo melhor, muitas delas inspiradas pelos desencarnados que convivem com as criaturas humanas, estimulando-as nas suas tendências felizes ou viciosas, que aumentam com carinho ou ferocidade, dominados pelos sentimentos ditosos ou infelizes que os caracterizam.

Vivendo-se num mundo de intercâmbio espiritual, muitas dessas teorias são insufladas por mentes que estagiam além da morte e comprazem-se em conduzir para o bem ou induzir à prática do mal as criaturas com as quais se encontram em sintonia.

Em razão da multiplicidade de teorias, dentre as sublimes como as mais grotescas, somente uma análise cuidadosa pode selecionar as que devem ser colocadas em prática, em detrimento daquelas que são frutos das aberrações morais e espirituais em que se demoram uns e outros comensais do intercâmbio ...

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Desde priscas eras, a partir do momento quando a razão começou a orientar o instinto humano a encontrar o caminho da harmonia entre o ser profundo que é e o ego pelo qual se expressa, pensamentos enobrecidos transformaram-se em teorias libertadoras, graças às quais a humanidade tem encontrado o melhor roteiro para a aquisição da sua plenitude.

Destaquem-se os pensamentos dos grandes místicos orientais e filósofos idealistas gregos e romanos, passando pelas páginas da história nos seus momentos grandiloquentes, e poderemos realçar dentre inúmeros: a inscrição no pórtico do Templo de Apolo, em Delfos, que Sócrates popularizou - Conhece-te a ti mesmo; e, mais tarde, os incomparáveis ensinamentos de Jesus - Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo e Não fazer a outrem o que não se deseja que outrem lhe faça.

Pode-se sintetizar todo o nobre esforço das modernas doutrinas psicológicas preocupadas com a saúde comportamental e mental das criaturas nessas três frases que, levadas a sério e transformadas em conduta prática, conseguem produzir o equilíbrio emocional e psíquico, por gerarem harmonia íntima e produzirem alegria de viver.

O autoconhecimento é uma necessidade urgente para todo aquele que descobre o valor da conscientização da sua existência.

Autopenetrando-se, descobre os valores positivos e os prejudiciais que se lhe encontram no imo, predispondo-se às transformações para melhor, alterando os hábitos viciosos em que se intoxicava e adquirindo a visão nova em torno da existência.

De imediato, compreendendo o significado libertador do sentimento de amor, aprende a viver com o necessário, sem o apego mórbido às pessoas e às coisas que entulham os espaços, dispondo- -se a cooperar, construindo a família fora da consanguinidade que se amplia na direção da universal.

Automaticamente, equipa-se de resistências para vencer o mal que nele mesmo existe, assim como o mal que outros lhe direcionam, permanecendo saudável e alegre, em razão do bem-estar proporcionado pelo nobre sentimento que o possui.

Como consequêncía, somente deseja ao seu próximo aquilo de melhor a que aspira, pelo que luta, em favor de cuja conquista se entrega.

Esses postulados, teorias inspiradas por Deus, para servirem de roteiro de equilíbrio ao ser humano, têm constituído pilotis para a edificação do bem em todos aqueles que se lhes aplicam no cotidiano.

Ao mesmo tempo, são teorias muito fáceis de ser praticadas, porque dispensam qualquer tipo de esforço, não impondo cansaço nem tédio, por mais que sejam vivenciadas.

Na terapêutica preventiva aos transtornos de conduta, o amor é de vital importância, da mesma forma que ocorre na de caráter curativo.

Obem é sempre melhor para quem o cultiva, porque é o filho predileto do amor, irmão gêmeo do autodescobrimento e companheiro da ação solidária.

Oser humano encontra-se saturado de teorias, necessitando da demonstração dos seus resultados, a fim de eleger com segurança e serenidade aquelas que melhor lhe atendam as necessidades do sentimento e as aspirações da mente.

Cansado de buscas inúteis, vê-se agora constrangido à viagem interior, na expectativa de encontrar respostas para as perguntas angustiantes que lhe causam tormentos, quais sejam: o que existe além da morte, como será a vida no além-túmulo, que fazer para encontrar a paz?

De alguma forma, o excesso de tecnologia defraudou-o, porque lhe ofereceu conforto externo, algumas excepcionais contribuições em diversas áreas, especialmente na da saúde, mas não resolveu todas as questões, especialmente aquelas que dizem respeito à sua realidade interna.

Não seja de estranhar-se, portanto, que a sociedade do terceiro milênio, cansada de prazer e de sofrimento, de poder e de frustração, de glórias transitórias e de lutas exaustivas de grandeza mentirosa, pare na desabalada corrida a que se entrega em aluo cinação, para voltar às suas origens espirituais, para encontrar o repouso na prece, a alegria na caridade, a saúde no estímulo de viver, a fraternidade e a esperança no amor ...

Estes são dias especiais e revolucionários, nos quais as multidões, cansadas de frivolidade e de gozos vãos, farão a sua viagem na experiência do autoencontro, da autoílumínação, do bem fazer, transformando essas veneráveis teorias em práticas existenciais ditosas.

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O BEM É SEMPRE MELHOR PARA QUEM O CULTIVA, PORQUE É O FILHO PREDILETO DO AMOR, IRMÃO GÊMEO DO AUTODESCOBRIMENTO E COMPANHEIRO DA AÇÃO SOLIDÁRIA.

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