Narra uma antiga história popular que um modesto trabalhador braçal encontrava-se no seu trato de terra lavrando-o, em um amanhecer de beleza arrebatadora, quando se lhe
acercou um indivíduo citadino muito bem vestido, materialista
confesso, que, impossibilitado de conter a emoção e a arrogância
diante do festival de cor, som e magia que a natureza lhe apresentava, perguntou-lhe:
— Camponês, tu crês em Deus?
— Sim, senhor, eu creio em Deus! – respondeu-lhe o homem
simples.
— Então, nesta manhã maravilhosa, mostra-me um lugar onde
Deus se encontra – e sorriu, sarcástico.
O homem humilde olhou em volta, enquanto se apoiava ao
cabo da enxada, e depois, com naturalidade, respondeu:
— Senhor, eu não sou capaz de mostrar um lugar onde Deus
se encontra nesta paisagem iluminada. No entanto, eu peço ao
senhor para mostrar-me um lugar onde Deus não está.
Tomado de espanto, o soberbo afastou-se desconsertado.
* * *
Deus se encontra em toda parte, onde quer que se apresente a
Sua obra.
Desde a sinfonia galática, nos espaços ininitos, até o acelerado
ritmo das micropartículas em suas órbitas.
Quando os geneticistas conseguiram realizar o milagre da
decodiicação do genoma humano, surpreenderam-se com os bilhões de informações contidas em cada DNA, narrando toda a sua
história do passado e guardando as marcas dos acontecimentos
orgânicos para o futuro…
Até este momento, por mais aprofundem as relexões e pesquisas,
ainda não conseguiram detectar os fatores que levam alguns genes
a mutações que irão responder por diversos processos degenerativos no organismo, e por que numa sequência familiar mantendo
o padrão em determinado grupo, logo, subitamente, sem causa
lógica, rompe a cadeia e apresenta uma signiicativa alteração…
De igual maneira, é perturbadora a formação das novas galáxias assim como o desaparecimento de outras nos buracos negros…
Por mais penetre a investigação científíca e tecnológica nos
milagres da vida, mais lhes constata a anterioridade, a harmonia,
a grandiosidade.
Nas tentativas de interpretar o cosmo, têm sido elaboradas teses contínuas, algumas frutos dos resultados adquiridos com os
instrumentos de pesquisa, especialmente depois dos estudos geométricos de Kepler, no im do século xvi, a respeito da localização
dos planetas em volta do Sol, que abriram as perspectivas para
melhor entender-se a Criação.
Da mesma forma, desde o modesto telescópio construído por
Galileu até o avançado Hubble, novas informações são registradas
a cada momento, dando lugar às variadas teorias como as dos universos paralelos, das supercordas, da uniicação, da inal ou de tudo
e, mais recente, da desordem ou do caos…
… E enquanto as mentes mais audaciosas analisam a ocorrência
do big bang, especialmente nos seus três primeiros minutos, não
poucos tentam impor a ideia da autocriação dispensando a presença de Deus, conforme ocorreu com Laplace ao ser interrogado
pelo imperador Napoleão Bonaparte, quando, após ler o seu livro,
encontrando-o no palácio do Louvre, informou-o que não havia
encontrado nenhuma referência a Deus na sua obra:
— Não necessitei dessa hipótese, senhor! – respondendo com sarcasmo, como se
ele houvesse elaborado todas as respostas para explicar a Criação.
E, nada obstante, encontra-se hoje quase que totalmente superada,
apesar da presunção do seu autor.
Tudo são bênçãos em a natureza.
O Espírito imortal, na sua saga formosa de desenvolvimento
dos tesouros inabordáveis que lhe jazem em germe, etapa após
etapa acumula experiências e conhecimentos que o levam a louvar, a agradecer e a pedir a Deus ajuda para melhor integrar-se na
harmonia da Criação.
Penetrando, pouco a pouco, a sua sonda perquiridora do raciocínio no organismo da vida exuberante, vai encontrando as respostas que o engrandecem e lhe facilitam o entendimento em torno
dos objetivos essenciais da pequena existência terrena, ambicionando a grandeza estelar.
Observa a ordem em todas as coisas e o equilíbrio das leis universais e morais, sentindo-se compelido a contínuas alterações de
entendimento, conforme os resultados obtidos no seu empenho
de crescimento intelecto-moral.
* * *
É perfeitamente natural que, em cada época, conforme o desenvolvimento dos valores intelectivos, o ser humano, em sua ânsia de
decifrar as incógnitas que encontrava em toda a parte, procurasse
entender Deus e submetê-Lo ao crivo da sua dimensão ridícula.
O esforço redundou nas conceituações primárias em torno do
Criador, limitando-O à sua capacidade de compreensão, estabelecendo normas que O diminuíssem aos limites das condições pre
cárias da razão em desenvolvimento, facultando o surgimento dos
deuses, como verdadeiros inevitáveis arquétipos deluentes do seu
avanço pela escala evolutiva.
Do Deus bárbaro e vingativo, imprevidente e humanoide, lentamente passou com Jesus Cristo à condição de Sublime Pai, num
conceito afetuoso e ainda humano, porém compatível com a humana capacidade de vivenciá-Lo no seu dia a dia.
Com o advento da ciência, com o desdobramento da filosofia
rompendo as barreiras do passado e facultando a libertação de
conceitos que foram deixados porque portadores de rebeldia e de
pessimismo, nova compreensão da Sua magnitude tomou lugar na
esfera das relexões e o materialismo surgiu como sendo a fórmula mágica para tranquilizar as mentes incapazes de penetrar nas
abstratas concepções em torno Dele.
Na atualidade, ainda vestido de mitos e de absurdos, dominado
por paixões nacionais e políticas, crendices e ritualismos, permanece vitorioso em cultos externos que não resistem às profundas
análises da lógica nem da razão, servindo de ópio para as massas,
que o autoritarismo religioso de algumas doutrinas ortodoxas ou
ingênuas ainda submetem.
Essa Inteligência criadora que precede ao big bang permanecerá por tempo indeterminado não entendida em todos os seus
aspectos, pois que, se o fosse, já não seria a Causalidade, cedendo
seu lugar ao ainda mesquinho ser humano que ensaia os seus primeiros passos na compreensão da sua própria realidade.
Vivendo mais por automatismo e acreditando por condicionamentos como bem viver e melhor ser feliz, o ser humano em evolução não dispõe da capacidade de abarcar a Natureza da natureza,
somente para satisfazer a sua ambição intelectual.
Desse modo, mesmo quando não entende Deus, sente a Realidade em tudo e percebe-se mergulhado nesse Oceano de harmonia
que o comove e não lhe permite estabelecer se Deus está nele ou
se apenas é…
* * *
Quando alguém perguntou ao eminente cientista Jung se ele
acreditava em Deus, ele teria respondido com simplicidade:
— Eu não acredito. Eu sei…
Saber é para sempre enquanto crer é transitório.
As bênçãos de Deus inclusive se encontram na capacidade fantástica de o ser humano poder pensar, entender e aprofundar relexões, conseguindo conquistar a gloriosa oportunidade de saber e transformar em utilidade pelos instrumentos de que se utiliza
para penetrar no macro e no microcosmo, mas acima de tudo no
Psiquismo gerador do universo e da vida.
Vive de tal forma que te encontres perfeitamente em sintonia
com as bênçãos de Deus onde te encontres e diante do que faças,
até poderes afirmar um dia, conforme Jesus elucidou:
— Eu e o Pai somos um…
* * *
SABER É PARA SEMPRE
ENQUANTO CRER
É TRANSITÓRIO.
VIVE DE TAL FORMA QUE TE
ENCONTRES PERFEITAMENTE
EM SINTONIA COM AS
BÊNÇÃOS DE DEUS ONDE
TE ENCONTRES E DIANTE
DO QUE FAÇAS.
* * *