Quando se serve em qualquer forma de solidariedade há um suave e doce encantamento que enternece o indivíduo dando-lhe sentido existencial e dignidade humana.
O ser humano deve descobrir o objetivo essencial da sua existência,
especialmente no que diz respeito ao seu comportamento
durante o elevado período de discernimento e de consciência.
Todos os impulsos que nele ocorrem induzem-no ao crescimento,
à conquista dos valores transcendentais, que aguardam o
momento de desenvolver-se, rompendo a couraça que os envolve.
A sua é a fatalidade do bem, em cujo curso encontra a real alegria
que o propele no rumo da felicidade.
Ninguém alcança os altiplanos da vida sem os esforços iniciais
no sopé da montanha.
Por essa razão, o esforço em favor da conquista relevante do
ser psicológico deve ter como fundamental significado a tarefa
de servir.
Quando alguém não consegue descobrir a finalidade da jornada
humana, continua com entorpecimento emocional e paralisia
mental, porque tudo no universo é dinâmico e ativo.
O serviço em favor do próximo, por exemplo, enriquece aquele
que coopera com os tesouros da sabedoria e da compreensão dos
próprios limites, como também os dos demais, facultando a conquista
da elevação moral, que se expressa como despertamento
para a realidade profunda do ser espiritual que se é.
Avançando na direção das horas, compreende que é abençoado
pelo ensejo de melhor aplicá-las, de forma que deixe rastro luminoso
pelo caminho, dando significado interior ao ato de viver.
Entende que, além do fenômeno biológico do existir, a reencarnação
confere-lhe a honra de produzir, de alterar o rumo das ações
sempre para melhor, superando os impedimentos que o detêm na
retaguarda do progresso.
Diz-se com certo pessimismo que aquele que não vive para servir
não serve para viver, o que sem dúvida é pejorativo, e poderia
ser proposto como aquele que não vive para servir ainda não
aprendeu a viver.
A vida é uma nobre canção de serviço em todos os ângulos sob
os quais seja observada.
Em consequência, o ato de servir é manifestação do amor que
se alonga do emocional para a realidade prática da ação edificante.
Quando nasce a criancinha, ainda rica das vibrações do claustro
materno, mantê-la em contato com a mãezinha é um ato de
amor que proporciona vida e dela fará um ser amante e amado,
porque nessa continuação de dependência as monoaminas da afetividade
são captadas pelas terminações nervosas e transformadas
em emoções de bem-estar, de segurança, de harmonia.
Não recebendo essa carícia, o nascituro sente a ruptura dos vínculos
que o mantinham com o seio generoso em que se albergava,
sentindo-se desamparado e podendo desenvolver os primeiros futuros
conflitos de solidão e abandono.
O serviço, portanto, na sua expressão de vida afetiva, é bênção
que enfloresce os sentimentos mais nobres.
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Mede-se a grandeza de um cidadão pelos esforços que empreende
para melhorar-se, trabalhando em favor de uma futura
sociedade mais justa e mais feliz.
As suas conquistas são distribuídas equanimemente, de maneira
que todos se beneficiam.
Por mais singelo seja o serviço que tem como meta auxiliar o
próximo, transforma-se em contribuição valiosa para o desenvolvimento
moral da humanidade.
Avalia-se a estrutura moral de um povo pela maneira como os
seus governantes se utilizam da oportunidade de tornar a vida
dos seus governados menos penosa e mais rica de possibilidades
de desenvolvimento.
Quando isso não ocorre, o abismo que separa as classes sob o
ponto de vista econômico e social gera a miséria vergonhosa, na
qual estorcegam aqueles que não tiveram oportunidade de pertencer
aos grupos de privilegiados que os exploram.
A sociedade, portanto, é o resultado dos fatores que são proporcionados
ao indivíduo como célula básica do grupo que a constitui.
Quanto mais amplas forem as possibilidades de trabalho e remuneração
justa, melhores os efeitos no conjunto geral.
Dessa forma, ninguém se pode eximir de produzir no bem, na
solidariedade, cada qual contribuindo com a quota que lhe esteja
ao alcance.
Allan Kardec, o eminente codificador do espiritismo, compreendeu
essa necessidade, dedicando-se a apresentar soluções fundamentais
para o problema da miséria socioeconômica, conforme
se pode ler em O Livro dos Espíritos, no capítulo referente à Lei do Trabalho, que é fomentador do progresso, com a consequente Lei
do Repouso, que proporciona renovação de forças e alegria de viver.
O repouso, no entanto, não significa falta de ação, conforme
pensam algumas pessoas imprevidentes, que optam pela ociosidade,
especialmente quando concluem uma fase da vida laboral e ativa, aposentando-se e deixando de trabalhar...
Normalmente, nessa eleição mórbida, a pessoa candidata-se à
depressão, à inutilidade.
Pode-se concluir uma tarefa e repousar enquanto se movimenta
noutra.
A simples mudança de atividade constitui renovação de entusiasmo
e de energia, porque o importante é encontrar-se estimulado
para viver e para agir.
O serviço, portanto, de autoiluminação, na sua grandeza e
significação, torna-se essencial, após o hábito saudável das outras
expressões de trabalho.
A mente ativa e o corpo ágil pela movimentação contínua proporcionam
os recursos interiores para o prolongamento da existência
dentro do clima de bem-estar e de autorrealização, assim
como de cooperação social.
De igual maneira, a mente necessita de contínuo exercício, a
fim de mais facilmente ampliar a sua capacidade de raciocínio,
estimulando o cérebro a proceder à tarefa dos registros que lhe
dizem respeito.
Mente preguiçosa, candidatura à demência ...
O trabalho, portanto, de qualquer natureza é bênção de Deus
que fomenta a vida e desenvolve o ser, auxiliando-o na ascensão
aos rumos elevados da imortalidade.
No passado estabeleceu-se a necessidade de adorar a Deus, renunciando-se à convivência social, ao trabalho ativo, entregando-se à meditação.
Quase todos aqueles que se permitiram essa fuga da realidade
terrestre perderam-se em penosos conflitos que os afligiam e que
acreditavam ser interferência demoníaca. Sem nenhuma dúvida,
nas mentes ociosas, os Espíritos frívolos e perversos encontram
campo fácil para perturbações variadas.
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Jesus deu o mais grandioso exemplo de respeito pelo trabalho.
No período invernoso, em que as viagens e pregações tornavam-se mais difíceis, em razão da aspereza do clima, ele trabalhava
regularmente na profissão que herdara de seu pai José, dignificando o labor que proporciona felicidade e progresso.
Trabalhar, portanto, é orar, especialmente quando esse serviço
ajuda a humanidade no seu crescimento intelecto-moral.
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QUANDO SE SERVE, EM QUALQUER FORMA DE SOLIDARIEDADE, HÁ
UM SUAVE E DOCE ENCANTAMENTO QUE ENTERNECE O
INDIVÍDUO, DANDO-LHE SENTIDO EXISTENCIAL E DIGNIDADE HUMANA.
AQUELE QUE NÃO VIVE PARA SERVIR AINDA NÃO APRENDEU A VIVER.
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