O Suave Encantamento de Servir


Livro: Entrega-te a Deus - 25
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco

Quando se serve em qualquer forma de solidariedade há um suave e doce encantamento que enternece o indivíduo dando-lhe sentido existencial e dignidade humana.

O ser humano deve descobrir o objetivo essencial da sua existência, especialmente no que diz respeito ao seu comportamento durante o elevado período de discernimento e de consciência.

Todos os impulsos que nele ocorrem induzem-no ao crescimento, à conquista dos valores transcendentais, que aguardam o momento de desenvolver-se, rompendo a couraça que os envolve.

A sua é a fatalidade do bem, em cujo curso encontra a real alegria que o propele no rumo da felicidade.

Ninguém alcança os altiplanos da vida sem os esforços iniciais no sopé da montanha.

Por essa razão, o esforço em favor da conquista relevante do ser psicológico deve ter como fundamental significado a tarefa de servir.

Quando alguém não consegue descobrir a finalidade da jornada humana, continua com entorpecimento emocional e paralisia mental, porque tudo no universo é dinâmico e ativo.

O serviço em favor do próximo, por exemplo, enriquece aquele que coopera com os tesouros da sabedoria e da compreensão dos próprios limites, como também os dos demais, facultando a conquista da elevação moral, que se expressa como despertamento para a realidade profunda do ser espiritual que se é.

Avançando na direção das horas, compreende que é abençoado pelo ensejo de melhor aplicá-las, de forma que deixe rastro luminoso pelo caminho, dando significado interior ao ato de viver.

Entende que, além do fenômeno biológico do existir, a reencarnação confere-lhe a honra de produzir, de alterar o rumo das ações sempre para melhor, superando os impedimentos que o detêm na retaguarda do progresso.

Diz-se com certo pessimismo que aquele que não vive para servir não serve para viver, o que sem dúvida é pejorativo, e poderia ser proposto como aquele que não vive para servir ainda não aprendeu a viver.

A vida é uma nobre canção de serviço em todos os ângulos sob os quais seja observada.

Em consequência, o ato de servir é manifestação do amor que se alonga do emocional para a realidade prática da ação edificante.

Quando nasce a criancinha, ainda rica das vibrações do claustro materno, mantê-la em contato com a mãezinha é um ato de amor que proporciona vida e dela fará um ser amante e amado, porque nessa continuação de dependência as monoaminas da afetividade são captadas pelas terminações nervosas e transformadas em emoções de bem-estar, de segurança, de harmonia.

Não recebendo essa carícia, o nascituro sente a ruptura dos vínculos que o mantinham com o seio generoso em que se albergava, sentindo-se desamparado e podendo desenvolver os primeiros futuros conflitos de solidão e abandono.

O serviço, portanto, na sua expressão de vida afetiva, é bênção que enfloresce os sentimentos mais nobres.

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Mede-se a grandeza de um cidadão pelos esforços que empreende para melhorar-se, trabalhando em favor de uma futura sociedade mais justa e mais feliz.

As suas conquistas são distribuídas equanimemente, de maneira que todos se beneficiam.

Por mais singelo seja o serviço que tem como meta auxiliar o próximo, transforma-se em contribuição valiosa para o desenvolvimento moral da humanidade.

Avalia-se a estrutura moral de um povo pela maneira como os seus governantes se utilizam da oportunidade de tornar a vida dos seus governados menos penosa e mais rica de possibilidades de desenvolvimento.

Quando isso não ocorre, o abismo que separa as classes sob o ponto de vista econômico e social gera a miséria vergonhosa, na qual estorcegam aqueles que não tiveram oportunidade de pertencer aos grupos de privilegiados que os exploram.

A sociedade, portanto, é o resultado dos fatores que são proporcionados ao indivíduo como célula básica do grupo que a constitui.

Quanto mais amplas forem as possibilidades de trabalho e remuneração justa, melhores os efeitos no conjunto geral.

Dessa forma, ninguém se pode eximir de produzir no bem, na solidariedade, cada qual contribuindo com a quota que lhe esteja ao alcance.

Allan Kardec, o eminente codificador do espiritismo, compreendeu essa necessidade, dedicando-se a apresentar soluções fundamentais para o problema da miséria socioeconômica, conforme se pode ler em O Livro dos Espíritos, no capítulo referente à Lei do Trabalho, que é fomentador do progresso, com a consequente Lei do Repouso, que proporciona renovação de forças e alegria de viver.

O repouso, no entanto, não significa falta de ação, conforme pensam algumas pessoas imprevidentes, que optam pela ociosidade, especialmente quando concluem uma fase da vida laboral e ativa, aposentando-se e deixando de trabalhar...

Normalmente, nessa eleição mórbida, a pessoa candidata-se à depressão, à inutilidade.

Pode-se concluir uma tarefa e repousar enquanto se movimenta noutra.

A simples mudança de atividade constitui renovação de entusiasmo e de energia, porque o importante é encontrar-se estimulado para viver e para agir.

O serviço, portanto, de autoiluminação, na sua grandeza e significação, torna-se essencial, após o hábito saudável das outras expressões de trabalho.

A mente ativa e o corpo ágil pela movimentação contínua proporcionam os recursos interiores para o prolongamento da existência dentro do clima de bem-estar e de autorrealização, assim como de cooperação social.

De igual maneira, a mente necessita de contínuo exercício, a fim de mais facilmente ampliar a sua capacidade de raciocínio, estimulando o cérebro a proceder à tarefa dos registros que lhe dizem respeito.

Mente preguiçosa, candidatura à demência ...

O trabalho, portanto, de qualquer natureza é bênção de Deus que fomenta a vida e desenvolve o ser, auxiliando-o na ascensão aos rumos elevados da imortalidade.

No passado estabeleceu-se a necessidade de adorar a Deus, renunciando-se à convivência social, ao trabalho ativo, entregando-se à meditação.

Quase todos aqueles que se permitiram essa fuga da realidade terrestre perderam-se em penosos conflitos que os afligiam e que acreditavam ser interferência demoníaca. Sem nenhuma dúvida, nas mentes ociosas, os Espíritos frívolos e perversos encontram campo fácil para perturbações variadas.

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Jesus deu o mais grandioso exemplo de respeito pelo trabalho.

No período invernoso, em que as viagens e pregações tornavam-se mais difíceis, em razão da aspereza do clima, ele trabalhava regularmente na profissão que herdara de seu pai José, dignificando o labor que proporciona felicidade e progresso.

Trabalhar, portanto, é orar, especialmente quando esse serviço ajuda a humanidade no seu crescimento intelecto-moral.

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QUANDO SE SERVE, EM QUALQUER FORMA DE SOLIDARIEDADE, HÁ UM SUAVE E DOCE ENCANTAMENTO QUE ENTERNECE O INDIVÍDUO, DANDO-LHE SENTIDO EXISTENCIAL E DIGNIDADE HUMANA.
AQUELE QUE NÃO VIVE PARA SERVIR AINDA NÃO APRENDEU A VIVER.

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