Quando o ser humano deixa de cumprir com os deveres que lhe dizem respeito e que são os instrumentos eficientes
para o seu crescimento espiritual, é sempre dominado pela tristeza
que deflui da culpa, do arrependimento, do tempo malbaratado na ilusão.
A insaciável busca do prazer termina por perturbar-lhe o discernimento, anestesiando-lhe a razão que se obnubila, levando-o
à solidão e à depressão.
De igual maneira, quando se comporta estribado no egoísmo,
sempre preocupado com os seus interesses, mantendo distância
emocional e física da solidariedade, a ingratidão é-lhe característica
definidora do caráter relapso, por ignorar todas as bênçãos de
que se faz devedor em relação à vida e a todos os valores que lhe assinalam a existência.
Pode-se compará-lo ao filho ingrato da parábola, que solicitou
ao pai generoso fosse-lhe concedida a parte a que tinha direito na
herança, porque queria ver-se livre da presença bondosa do idoso
genitor, que por ele velava.
Soberbo e inexperiente, recebeu os bens valiosos e partiu para o gozo exaustivo em um país distante, entregando-se à insensatez
e à devassidão.
Cercado de amigos do mesmo quilate, insensíveis e exploradores, gastou tudo quanto possuía com rapidez, porquanto, não
sabendo precatar-se contra a injunção do abuso, logo foi surpreendido pela escassez, exatamente num momento em que a região
passava por terrível conjuntura econômica defluente da seca em
predomínio ...
Abandonado, porque aqueles que o cercavam estavam interessados
nas suas posses e não nele como pessoa, não teve outra alternativa
exceto a de buscar um trabalho.
Desabituado com os labores que dignificam, vitimado pela
ociosidade a que se entregava no comportamento fútil, nada sabia
fazer, nem mesmo havia possibilidade de encontrar um serviço
digno, e buscando-o com um antigo comensal do seu lar, foi encaminhado a uma pocilga ...
Ali, na condição ínfima de um ser desprezível, por haver desonrado
o pai que o amava e desconsiderado a tradição religiosa
que abominava os suínos, por serem imundos, perdeu toda a falsa
alegria a que se entregava, mergulhando em abissal amargura.
Reflexionando, porém, que lhe faltava o alimento mais grosseiro
que os porcos disputavam, lembrou-se do lar generoso e do
genitor afável que cuidava dos servos com justiça e bondade, tomando
a resolução de retornar ...
Ante o pensamento nobre, a alegria assomou-lhe à mente e o coração disparou de emoções diferentes.
Caindo em si, nessa maravilhosa viagem de reflexão profunda
e de autodescoberta, não tergiversou, e empreendeu a marcha de
retorno ao lar.
Do anterior jovem risonho e bem vestido, estuante de saúde e
de presunção, restavam-lhe pouco, porém enriquecido de humildade
e de esperança renovou-se e viajou de retorno ao lar formoso.
Ao vê-lo à distância, o pai devotado, que sempre o esperara, pois
que sabia da sua volta inevitável, correu-lhe ao encontro ,abrac,ou-o
com alegria e tomou providências para que lhe fosse restituída a
dignidade que abandonara.
Sequer lhe permitiu nenhuma justificativa. Não o tendo impedido
de ir-se, sofrendo em silêncio a ingratidão do jovem, nada
lhe disse em reproche pelo seu retorno, porque a alegria do reencontro
estava acima de quaisquer outros sentimentos de censura
ou cobrança.
O amor nada exige e sempre se irradia em bênçãos de alegria.
* * *
A mensagem de Jesus é toda feita de alegria.
Ele pode ser chamado como o desbravador do país dos júbilos,
oferecendo largamente os tesouros do amor de Deus aos tristonhos
viandantes da Terra.
Francisco de Assis, ao segui-Lo, passou a ser cognominado como
Irmão Alegria, Cancioneiro de Deus.
Isto porque o evangelho, que é a Boa Nova de alegria do Reino,
é todo uma formulação poética de felicidade, ensinando a maneira
segura de vencer-se o abismo da ignorância, saindo-se da treva
para a luz, em contínua renovação interior sob as bênçãos da
alegria.
Podem defini-la aqueles que eram desdenhados, expulsos do
convívio social hipócrita e rigoroso do seu tempo, porque pobres,
homens da terra, equivocados de vários matizes pelos pecados cometidos
e pelas transgressões aos injustos estatutos legislativos
eram recebidos por ele, que compartilhava das suas aflições e falava-lhes de esperança e de igualdade, após o arrependimento dos
seus erros e a mudança de atitude em relação à vida.
Acolheu-os a todos que se lhe acercaram, ensejando-lhes a perfeita
compreensão da valorização das horas e do significado existencial,
da oportunidade que fruíam de poder ser felizes, embora
a situação humilhante que vivenciavam.
Nunca se envergonhou de conviver com eles, os infelizes, de
conceder-lhes a orientação renovadora, o acesso à verdade, de compartilhar
o pão e a amizade, produzindo uma incomum revolução
dos costumes vigentes, atitude essa que lhe exigiu a doação da
vida no madeiro infamante da cruz, que dignificou ...
Jesus é o exemplo mais elevado que se conhece do amor e da
alegria de viver, tendo conseguido desmistificar o Deus dos Exércitos,
apresentando-O como o Pai todo amor e misericórdia, que se rejubila quando um excluído se renova e reabilita-se, estando
perdido e sendo encontrado pela sua ternura ...
Esse Pai, a que ele se refere em toda a sua mensagem, é o mais
extraordinário exemplo de progenitura de que se tem notícia.
Jamais censura ou pune, nunca exige ou atormenta, concedendo
sempre oportunidades de refazimento àquele que se compromete
com as divinas leis, esperando compassivamente a sua identificação
com a verdade.
Seja qual for a situação em que se encontre a ovelha desgarrada
ou a dracma perdida, ao serem encontradas, proporcionam júbilo
incomum e abrem espaço para uma festa de largo porte, porque
estão novamente onde devem permanecer.
O Seu perdão é feito de reconciliação e de afetividade, ensejando
o crescimento moral do réprobo que O deixou de lado, quando
ainda iludido pelas paixões dissolventes optou pela ilusão em detrimento
da responsabilidade e do dever.
Jamais se enfastia e sempre espera com incomum generosidade
porque o Seu é o amor incondicional perfeito.
Quando se compreende o ensinamento do Mestre a respeito
desse sublime amor, a alegria toma conta do coração e o ser humano
todo exulta, modificando as estruturas do seu pensamento
e da sua conduta.
Retorno, pois, ao lar paterno é a proposta da bênção da alegria,
após a deserção e o abandono do compromisso de trabalho e edificação
espiritual que a todos compete.
Somente assim será possível a experiência libertadora da alegria
que proporciona saúde e paz.
* * *
Se a amargura ou o desânimo, ou ambos, tomam conta dos teus
sentimentos, se o desconforto moral assinala as tuas horas, se a
melancolia e o ressentimento assenhoreiam-se das tuas emoc,ões ,
se o pessimismo e a desconfiança estão na tua conduta, procura
Jesus quanto antes e reconcilia-te com a consciência.
Refaze o caminho percorrido e retorna ao seu aconchego, deixando
a pocilga em que te encontras, refazendo as experiências, a
fim de que ele te receba nos braços e afogue-te em ternura, libertando-
te das algemas perversas do engodo, facultando-te a bênção
da Alegria Plena.
Busca-o hoje ainda, sem postergações, porque talvez amanhã
seja tarde demais ...
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SE A AMARGURA OU O DESÂNIMO, OU AMBOS, TOMAM CONTA DOS
TEUS SENTIMENTOS, SE O DESCONFORTO MORAL ASSINALA AS TUAS HORAS, SE A MELANCOLIA E O RESSENTIMENTO ASSENHOREIAM-SE DAS TUAS EMOÇÕES, SE O PESSIMISMO E A DESCONFIANÇA ESTÃO NA TUA CONDUTA, PROCURA JESUS QUANTO ANTES E RECONCILIA-TE COM A CONSCIÊNCIA.
BUSCA-O HOJE AINDA, SEM POSTERGAÇÕES, PORQUE TALVEZ AMANHÃ SEJA TARDE DEMAIS ...
* * *