Abraçando os ideais de enobrecimento, pensas que todas as criaturas estão vibrando no mesmo diapasão do progresso
e que, em consequência, haverá uma natural adesão em
torno dos objetivos relevantes que devem conduzir as vidas para os altiplanos da felicidade.
O ser humano é um conquistador insuperável, fadado às estrelas
que lhe estão ao alcance, na medida em que se empenha por alcançá-las.
Desde a descoberta do fogo e do invento da roda, o seu mundo
jamais foi o mesmo, alterando os seus padrões de comportamento
e de convivência no rumo de melhores resultados.
Mediante o esforço e o raciocinio que se lhe foi desdobrando
- a Divina Presença no cerne do ser! -, levantou-se e começou
a avançar na direção do infinito, ora sob dores acerbas, noutros
momentos em júbilos inexcedíveis, conquistando espaços e adquirindo
conhecimentos.
Renascendo em contínuo processo de crescimento intelecto-
-moral, vem acumulando as experiências que se transformam em
bênçãos que deve esparzir pelos caminhos percorridos, deixando
pegadas apontando o porto de segurança que se encontra sempre
à frente.
Quando atraído pela mensagem libertadora de Jesus, porém se
lhe modificam as paisagens interiores e alteram-se-lhe os interesses,
ampliando-lhe as possibilidades de ser útil, conseguindo um
significado especial para a existência.
Nada obstante, por que se movimenta num planeta igualmente
de provas e de expiações, não se pode furtar à psicosfera que lhe
é peculiar nem às injunções que o caracterizam.
Compreensível, portanto, que nem todos aqueles que navegam
na mesma barca da evolução estejam firmados em propósitos de
edificação nobilitante, alguns ainda detendo-se em estágio inferior,
assinalados pelo primarismo de que se fazem portadores.
Indiscutivelmente, o processo de transformação interior, no
qual os instintos cedem lugar aos valores da razão e da consciência,
é lento, ainda mais tendo-se em vista que nem todos os viandantes
da indumentária material iniciaram-se no empreendimento
espiritual no mesmo instante.
Procedentes de especiais momentos da evolução, incontáveis,
inevitavelmente se encontram em patamares diferentes, que explicam
as diversas aspirações que os tipificam.
Felizes aqueles que já compreendem os impositivos da existência
terrena, após vencerem os impulsos agressivos que lhes
conferiam a sensação de dominadores do mundo e que o sentido
exclusivo da vilegiatura carnal seria a conquista dos prazeres e das
sensações que mais os agradam.
Aqueles que são mais fisiológicos do que psicológicos detêm-se
nas faixas das paixões primevas e, mesmo quando a consciência
se lhes desperta, prosseguem vivenciando um período de transição
que ainda lhes não permite uma perfeita visão da realidade.
Embora ansiando por algo melhor, competem, quando deveriam
cooperar, malsinam os companheiros, quando lhes cabia o dever
de os auxiliar, porque a predominância do ego torna-os ambiciosos
e prepotentes.
Não sabem servir com abnegação, sem servir-se, retirando os
lucros do orgulho e da presunção, que lhes constituem a moeda
retributiva. Podem mesmo desejar ser melhores, no entanto os
impulsos aflígentes que resultam dos conflitos e dos complexos
de inferioridade que os acompanham de existências pretéritas
transformam-nos em inimigos de todos aqueles que supõem lhes
farão sombra ...
São infelizes, disfarçados de joviais, humanitários e bondosos,
na hipocrisia em que vivem, ocultando os sentimentos inferiores.
Desse modo, transformam-se em adversários perversos dos demais
que não lhes compartem as ideias e que pensam pretender excluir.
* * *
Adversidade é lição para a vida e adversários são mestres que
proporcionam o treinamento no bem, sem o concurso do aplauso
ou da bajulação habituais, dificultando o trabalho honorável do
servidor fiel.
Esses irmãos infelizes que se propõem envenenar-te os sentimentos
com a sua pertinaz perseguição merecem compaixão em
vez de reproche ou de animosidade.
Se é verdade que não lhes deve facultar um relacionamento pusilânime,
não é justo devolveres os seus pensamentos enfermiços
com outros do mesmo gênero.
Sofres, porque gostarias de servir sem a presença desse tipo de
tribulação.
Choras, porque os teus são anseios de construção do amor em
toda a parte, e no entanto sentes o amargor da calúnia que te antecede
os passos, da maledicência que te aturde quando lhe tomas
conhecimento, ou da zombaria depois que vais adiante ...
O melhor comportamento em tais circunstâncias é não valorizar
o mal nem aquele que se te fez mau.
Concede-lhe o privilégio de ser como se encontra, mas te impõe
o dever de ser fiel ao compromisso com Jesus, que também experimentou
iguais ofensas sem dar-lhes a menor importância.
Gastas tempo e preocupação mental com esses companheiros
que te vigiam e acusam, que te acompanham com insistência e
infernizam os momentos em que trabalhas e quando repousas.
Ficas indagando como conduzir-te, desde que, se silencias ao
mal e ao descalabro que reinam, acusam-te de omisso, mas se levantas a voz e proclamas a verdade, taxam-te
de intolerante e mendaz (mentiroso)...
Desse modo, faze o que deves e comporta-te conforme estabelece
o teu programa ante a consciência do dever.
Esses adversários dos teus objetivos não são apenas opositores
teus, mas, sem dar-se conta, daquele a quem procuras servir, que
os entende e concede-lhes tempo para a reabilitação.
Aprende, portanto, com os inimigos, fraternidade legítima, compreensão
gentil, exercitando sempre a compaixão.
Na aduana da caridade, a misericórdia e o amor dão-se as mãos,
a fim de ensejarem à virtude máxima a ocasião de expressar-se.
Constituam-te estímulo o serviço desses mestres desconhecidos,
apurando-te mais, qualificando-te melhor, a fim de produzires
com segurança na seara da elevação espiritual da humanidade.
Ninguém atravessa o rio carnal sem experimentar a correnteza
violenta sobre a qual navega o Espírito.
Todos os homens e mulheres afeiçoados ao bem pagaram o pesado
tributo da diferença entre eles e os que os cercavam, à época
em que viveram e àquela pela qual anelavam, e é graças a eles que
percorres os atuais caminhos por onde segues em júbilo e dores,
porém fixado na meta que te fascina.
* * *
O mundo ainda não tem condições de compreender e aceitar o
compromisso da iluminação íntima como primeiro passo para a
marcha ascensional.
Por enquanto, somente aqueles que se fizeram fortes e decididos
conseguem ultrapassar as barreiras das dificuldades, colocando
marcos na senda escura, de maneira que facilite a jornada
espiritual dos que virão depois.
Todo desbravador carrega as marcas da sua audácia de aventureiro
do progresso. Abre picadas na densa mata, traça roteiros
nos mares bravios, alça-se aos céus ampliando os espaços e caminha sobre acúleos, quebrando-os, assim preparando a senda para
o porvir ...
Exulta, portanto, por teres adversários, mestres desconhecidos,
a seres adversário de quem quer que seja.
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ADVERSIDADE É LIÇÃO PARA A VIDA E ADVERSÁRIOS SÃO MESTRES QUE PROPORCIONAM O
TREINAMENTO NO BEM, SEM O CONCURSO DO APLAUSO OU DA BAJULAÇÃO HABITUAIS.
EXULTA, PORTANTO, POR TERES ADVERSÁRIOS, MESTRES DESCONHECIDOS, A SERES ADVERSÁRIO DE QUEM QUER QUE SEJA.
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