A maior Tortura  

             A um grande poeta de Portugal 

     Na vida, para mim, não há deleite.
     Ando a chorar convulsa noite e dia ...
     E não tenho uma sombra fugidia
     Onde poise a cabeça, onde me deite !

     E nem flor de lilás tenho que enfeite
     A minha atroz, imensa nostalgia !  ...
     A minha pobre Mãe tão branca e fria
     Deu-me a beber a Mágoa no seu leite !

     Poeta, eu sou um cardo desprezado,
     A urze que se pisa sob os pés.
     Sou, como tu, um riso desgraçado !

     Mas a minha tortura inda é maior:
     Não ser poeta assim como tu és
     Para gritar num verso a minha Dor !  ...

   Florbela Espanca

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