Mar e vida...
A vida é mar de cuja beira contemplamos
O horizonte, em ânsias de trazê-lo perto,
Se tudo temos para ao largo irmos certos
Partir queremos, mas estáticos quedamos
Oh, mar, rebenta com tuas vagas as amarras
Elas nos prendem ao deserto do marasmo
Das águas mansas destas falsas algazarras
Onde as doridas carnes jazem sem orgasmo
Todas manhãs o Sol aponta o caminho
Todas as noites a Lua lança nossos remos
Eternamente, o mesmo grito de ansiedade!
- Oh, mar! Revolta-me! Faz meu sangue marinho!
Começa a vida, quando? Quando partiremos?
No peito, mágoas rogam mar em tempestade!
Lizete Abrahão