Estrada da vida
(José Rico)

Nessa longa estrada da vida
Vou correndo e não posso parar
Na esperança de ser campeão
Alcançando o primeiro lugar

Mas o tempo cercou minha estrada
E o cansaço me dominou
Minhas vistas se escureceram
E o final da corrida chegou

Este é o exemplo da vida
Para quem não quer compreender
Nós devemos ser o que somos
Ter aquilo que bem merecer

Mas o tempo cercou minha estrada
E o cansaço me dominou
Minhas vistas se escureceram
E o final desta vida chegou


Saudade de minha terra
(Belmonte - Goiá)

De que me adianta viver na cidade
Se a felicidade não me acompanhar
Adeus paulistinha do meu coração
Lá pro meu sertão eu quero voltar
Ver a madrugada quando a passarada
Fazendo alvorada começa a cantar
Com satisfação arreio o burrão
Cortando o estradão saio a galopar
E vou escutando o gato berrando
Sabiá cantando no jequitibá

Por Nossa Senhora, meu sertão querido
Fico arrependido por ter te deixado
Esta nova vida aqui na cidade
De tanta saudade saudade eu tenho chorado
Aqui tem alguém, diz que me quer bem
Mas não me convém eu tenho pensado
Eu digo com pena mas esta morena
Não sabe o sistema que eu fui criado
Tô aqui cantando de longe escutando
Alguém está chorando com o rádio ligado

Que saudade imensa do campo e do mato
Do manso regato que corta as campinas
Aos domingos eu ia passear de canoa
Nas lindas lagoas de águas cristalinas
Que doce lembrança daquelas festanças
Onde tinha danças e lindas meninas
Eu vivo hoje em dia sem ter alegria
O mundo judia mas também ensina
Estou contrariado mas não derrotado
Eu sou bem guiado pelas mãos divinas

Pra minha mãezinha já telegrafei
E já me cansei de tanto sofrer
Nesta madrugada estarei de partida
Pra terra querida que me viu nascer
Já ouço sonhando o galo cantando
O nhambu piando no escurecer
A lua prateada clareando as estradas
A relva molhada desde o anoitecer
Eu preciso ir pra ver tudo ali
Foi lá que nasci lá quero morrer


Do mundo nada se leva
(Jorge Paulo - Belmonte)

Quando estou viajando cruzando campos e serras
Meu coração se alegra se passo por minha terra
O rincão é mais florido
A natureza é mais bela
Gosto de minha querência por ser risonha e florida
Onde vivi em criança a minha infância querida
Não sai de minha lembrança aquela gente amiga

Vamos sorrir e cantar
Que está triste se alegra
A nossa vida é curta
Do mundo nada se leva

Vida triste ou vida alegre
A vida do cancioneiro
Sorrindo às vezes com mágoa
Cantando com desespero
Bebendo de todas águas de nosso chão brasileiro
Sendo triste ou sendo alegre eu adoro minha linda
Cantando que conheci a minha prenda querida
Viverás sempre comigo o resto de minha vida


Inversão de valores
(João A. Perropato - Prado Júnior)

Queria que num gesto que eu fizesse
Tudo no mundo se modificasse
E o pranto da tristeza que existisse
Em cânticos de maor se transformasse
Queria que a criança que hoje sofre
De fome e frio nunca mais chorasse
No mundo de alegria e de esperança
Sorridente e bem contente então brincasse

Queria que essa gente ambiciosa
A sua ambição então freasse
Num gesto de ternura e amor
Dos que nada possuem se lembrasse

Mas eu queria transformar esse mundo de dores
Entre amores eu faria uma inversão de valores

"ponha riso numa dor e na lágrima um sorriso
onde há ódio eu punha amor, do inferno ao paraíso,
eu faria prosperar só o mundo dos amores
a morte seria vida e os espinhos como flores"

Mas eu queria transformar esse mundo de dores
Entre amores eu faria uma inversão de valores


Filho de ninguém
(Dino Franco - José Rico)

Eu sou aquele menino que sozinho segui meu destino
Me formei na escola da ilusão
O meu mundo não foi colorido
Ninguém sabe o quanto tenho sofrido
Pra esconder a minha solidão

Tenho comigo um desgosto profundo
Por não saber quem me fez vir ao mundo
Mesmo assim eu me sinto feliz

"Meu canto é triste porque eu sou um filho de ninguém"

Meus pais negaram o meu nome
Sozinho cresci fiz me homem
Diminuído pelas dores do além
Mas se eles me ouvirem cantando
Vão saber que o mundo está proclamando
Que sou um filho de ninguém

Tenho comigo um desgosto profundo
Por não saber quem me fez vir ao mundo
Mesmo assim eu me sinto feliz


Dê amor para quem te ama
(José Rico - Peão Carreiro)

"Dê amor para quem te ama"

Meu bem acredite em mim
Não deixe esse amor morrer
A nossa felicidade só depende de querer
As intrigas que entre nós
É o delírio de um amor inocente
Que faz nascer o ciúme,
Ciúme faz mal pra gente

A falta dos seus carinhos
O meu coração reclama
Quero te ver sorrindo
Dê amor para quem te ama

"Dê amor para quem te ama"


Coração de pedra
(Josefina de Paiva Silva - Belmiro)

Sou um homem diferente que não penso em nada
Jamais amei na vida jamais tive morada
Reconheço o grande erro sou errado até o fim
Não penso em comentários do que falam sobre mim

Tenho um coração de pedra não me cosidero vencido
Nuca soube o que é amar para não ser destruído
O dinheiro vale mais porque amigo não tem
Meu amor é só de mãe que do filho só quer bem

Coração de pedra em meu peito levarei
Levarei também orgulho desta terra que passei
Não quero deixar notícias dos lugares que passei
Não escrevo em minha campa
Lembranças não deixarei


De longe também se ama
(Jair Silva Cabral - José Rico)

Quem tem seu amor distante
Que gosto que pode ter
Quanto mais o tempo passa

Mais tem vontade de ver

Eu moro aqui tão longe
Longe do meu bem querer
A saudade me maltrata
A distância me faz sofrer

Se eu pudesse voar
Onde eu ia pousar?
Nos braços do meu amor
Com quem eu vou me casar

Depois de nós dois casados
Niguém vai nos separar
Nós vamos viver felizes
Até a morte nos levar

E quando chegar a tardinha que vejo anoitecer
Às vezes choro sozinho recordando de você
À noite vou na capela fazer a minha oração
Pedir a Deus que me ouça e faça a nossa união


Rastro de saudade
(José Rico)

Um carro de boi rodando
Rodando dentro de mim
Deixando rastros de saudade
Saudade que não tem fim

Ah, se eu pudesse voltar meu tempo que foi
Papai sempre contente tocando o carro de boi
Ah, se eu pudesse voltar meu tempo que foi
Papai sempre contente tocando o carro de boi

Assim o tempo vai passando
Do meu sertão eu não esqueci
Se eu pudesse voltava a infância
Regressava ao berço em que nasci


Jogo do amor
(Waldemar de Freitas Assunção - José Rico)

"De que vale eu ter tanto dinheiro amigo
Se quem eu amo não me quer"

Com meu dinheiro eu comprei de tudo
No jogo da vida eu nunca perdi
Mas o coração da mulher querida
Parece mentira mas não consegui
Ela desprezou a minha riqueza
Com toda franqueza me disse também
Que gosta de outro com toda pobreza
E do meu dinheiro não quer um vintém

Nas demandas que tive na vida
O dinheiro me fez vencedor
Mas agora perdi a partida
O meu ouro não teve valor
Meu rival é um pobre coitado
Não devia ser ganhador
No entanto é o felizardo
E e eu fui derrotado no jogo do amor

Compreendi que nem tudo é dinheiro
E nem tudo se pode comprar
O amor quando é verdadeiro
É de graça para quem sabe amar


Recordando a infância
(Duduca - José Rico)

Eu comparo a vida com águas que correm
Do rio para o mar
Assim é também nossa mocidade
Que passa depressa e não volta mais
O nosso destino é um barco triste a navegar
Que talvez se perde na imensidão
E vai para onde o vento levar

Adeus mocidade que tive outrora
Onde estás agora?
Não te esquecerei
Meus cabelos brancos são restos da infância
Do tempo em criança que jamais serei


Berço de Deus
(Dino Franco - José Rico)

Amigo irmão, não zombe da natureza
Existem tantas belezas pra gente contemplar
Se me seguir passo lente por onde vou
Com carinho e muito amor posso lhe mostrar

Em cima da terra, no fundo do mar
Existe um tesouro pra gente desfrutar
Em cima da terra, no fundo do mar
Existe um tesouro pra gente desfrutar

"Amigo irmão, ame os campos, os rios, as matas, os pássaros
e tudo aquilo que se move sobra a terra.
Pois tudo isso é a natureza."

Amigo irmão, o verde nasce na terra
O azul do céu desce a serra num desenho magistral
Olhai os campos que cercam o horizonte
Eis o berço fulgurante do Pai celestial


Pot-pourri:
• Ilusão perdida (Milionário-José Rico)
• Esquecido (Praense-José Rico)
• Vá pro inferno com seu amor (Meirinho)
• Coração de pedra (Belmiro-Josefina de Paiva Silva)

Eu te peço por Deus oh, menina
Por favor não se iluda comigo
Sou casado e não posso te amar
Falo assim porque sou teu amigo
O que queres saber de mim
Num instante eu lhe digo a verdade
Esquecendo de mim para sempre
Tu terás muitas felicidades

Rudemente me pediu que esquecesse de você
Mas eu sou tão esquecido que esqueci de lhe esquecer
Essas frases não são minhas
O autor eu não conheço
Copiei para dizer que esqueci de lhe esquecer
Mas de lhe amar eu não me esqueço

Não adianta mais
Chega de sofrer
Chega de chorar
Você abusou demais
Já não temos condições para continuar
Onde eu andei você andou
Onde eu jurei você jurou
Onde eu chorei você chorou
Minha proposta você aceitou
Além de mais você abusou
Meu coração você maltratou
Tudo que eu fiz você zombou
Do que eu era nem sei quem sou

Coração de pedra em meu peito levarei
Levarei também orgulho desta terra que passei
Não quero deixar notícias dos lugares que passei
Não escrevo em minha campa
Lembranças não deixarei



Estrada da vida (Replay)
(José Rico)

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