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TRIBUNAL DO AMOR
José Rico

Sei que sou um preso
Preso em liberdade
Confesso não sou covarde
Sempre fiz meu papel de homem

Não matei nem roubei
Só sei que estou condenado
Eu pretendo ser julgado
Pelo tribunal do amor

Sou eu que vivo sofrendo
De paixão quase morrendo
Quem viveu comigo não me deu valor
Sou eu que estou sofrendo
De despeito estou quase morrendo
Por eu ser um condenado do amor


TRISTE LIÇÃO
José Rico

Nem tudo está perdido entre nós dois
Procure se conter como quiser
Não faça do futuro uma incerteza
Cuidado com seu nome de mulher

Se julga certa por favor não volte atrás
Deixe correr o processo deste amor
Esta demanda eu mesmo vou defender
Sem assinatura do juiz sou vencedor

Sei que jamais vou conseguir viver contigo
Mas sou amigo e não a deixarei na rua
Sei que pretende dar uma volta ao mundo
Ao regressar pode entrar a casa é sua

Neste momento eu não sei como vou agir
Se vou ou fico a decisão será na hora
E se entender tudo isso como uma lição
Te estendo a mão digo adeus e vou me embora


MÃE DE LEITE
Chico Valente - Neil Bernardes

Quando eu vim ao mundo, pequenino e tão fraquinho
Ninguém esperava que eu fosse sobreviver
Minha mãezinha Deus a tenha junto dele
Deu a vida pela minha pra que eu pudesse nascer

Sem perdoar-me pelo golpe tão profundo
Meu pai saiu pelo mundo e sem amparo eu fiquei só
Mas Deus é justo e colocou no meu caminho
Uma santa criatura que deste pobre teve dó

Salvou-me a vida com seu leite precioso
Pois o seu recém-nascido nosso Deus também levou
Eu que era só então ganhei uma mãezinha
Ela então ganhou um filho e com carinho me criou

Minha mãe de leite, é o sol da minha vida
Minha mãe de leite, me deu o seu calor
Minha mãe de leite, peço a Deus que te proteja
E aonde quer que esteja estarei sempre ao teu lado
Te amparando com amor

Hoje sou um homem de respeito e muito honrado
De bebê abandonado tornei-me um vencedor
Quantas crianças que não tem a mesma sorte
Ou se encontram com a morte ou vivem no desamor

Vão pelo mundo maltratando os semelhantes
Se vingando a todo instante ou fazendo bem pior
Quando bastava uma mão segura e forte
E um pouco de carinho para tudo ser melhor


CANTO DE SAUDADE
José Rico

Mandei arrumar meu carro velho
Vai voltar rodar outra vez
Herança do meu velho pai
Que há muito tempo um presente me fez
Meu carro de boi meu velho se foi
Eu vou correr com você
Meu canto bonito vai soar no infinito
E este filho vai chorar de saudade outra vez
Me lembro quando em criança
Meu velho pai com seu caro de boi
E assim a minha infância se foi
Ficando somente a grande saudade
De tudo aquilo que não volta nunca mais


JORNADA DA VIDA
 José Rico

Amigos meus
Eu me encontro de volta na estrada
De retorno eu não trouxe nada
A não ser o cansaço do tempo

O passado me trás ao presente
No futuro pensei novamente
Mas confesso já não sei quem sou eu

Nos caminhos por onde eu andei
Boas sementes com carinho eu plantei
Pra que os outros possam colher

Com esta jornada da vida
Minha missão já está cumprida
Só espero um presente de Deus


CRUEL SAUDADE
 José Rico

Sei que meu ex-amor nem está sabendo
O quanto estou sofrendo pra me acostumar
A cruel saudade agarrou comigo
Parece castigo não quer me deixar

Quero lhe dizer com toda certeza
Só mesmo a natureza pode me mudar
Mesmo sendo fraco preciso resistir
Meu sublime amor não vou dividir
Nem que às vezes tenha que enfrentar a morte

Ah! Eu sei
O quanto é triste ser enganado
Meu coração hoje vive abandonado
Por eu ter feito tanto alguém sofrer

Só eu sei
Como é ruim viver como eu vivo
Este sofrimento pra mim é um castigo
Pois tenho muito mais é que sofrer


CORPO E ALMA
José Rico - Ponteiro

Quando precisaste de mim
Lhe dei apoio e guarida
Entreguei-me de corpo e alma
E juraste ser minha querida

Fumamos no mesmo cigarro
Bebemos no mesmo copo
Comemos no mesmo prato
Dormimos na mesma cama
Te fiz formosa e bonita
Ainda comenta que não me amas

Eu que fui teu amigo
Na alegria e nas horas de dor
No amor eu fui teu amante
Na doença fui teu doutor

No mar eu fui teu barco
Dos teus lábios eu fui o sorriso
Dos teus olhos eu fui a lágrima
Na esperança de poder encontrar
Ao menos um pouquinho do teu amor


MINHA SÚPLICA DE AMOR
 José Rico

Passe o tempo que passar
Sei que sempre irei lembrar
Bons momentos com a mulher querida

Quanto tempo se passou
Que não tenho seu calor
Pra dar força a minha vida

Cada dia parece um mês
Cadad mês representa um ano
Quando a gente tem que esperar

A minha esperança está quase morta
Se um dia arrependida bater em minha porta
Não tenho certeza se vou perdoar

Querida você me conhece
E acima de tudo sabe como eu sou
Os nossos costumes só nós entendemos
E porque vivemos um longe do outro

Meu bem eu não sou ruim
Faça de mim o que bem entender
Por favor eu peço entenda o que digo
Volte comigo e me ajude a viver


MUDANÇA
José Rico

Vou mudar de roupa andar de chinelo
Meu cabelo curto vou deixar crescer
Minha baba grande vai cobrir meu rosto
Se alguém me encontrar não vai me reconhecer

Vou sair sem rumo andar nos desertos
Sem ninguém por perto pra me ver sofrer
Vou sair sem rumo andar nos desertos
Sem ninguém por perto pra me ver morrer

Tudo acontece na vida de um homem
Quando perde a ilusão que é a razão de viver
Sentindo na mente a culpa de tudo
Às vezes fica mudo sem nada dizer

Sou um homem triste rolando na vida
Sou folha caída que o vento levou
Sou um homem triste vagando no mundo
Sou fruto do tempo que alguém plantou


RESTO DE GENTE
 José Rico – Sargento Castro

Não sou agressivo ao menos que o
Mundo me torne assim
Sou um homem perdido vagando na vida
De uma sombra sem fim
Sou resto de gente na frente dos olhos
De quem quiser ver
Mas tenho a esperança que um dia melhor
Amanhã vou viver

Recordo o passado e vejo uma vida de felicidade
Onde eu fui o mestre e o dono da casa
E o rei da bondade
Falsos elogios fingidos amores
A mim se entregaram
Acabou meu dinheiro e os meus companheiros
Me abandonaram

Senhor...!
Eu não reclamo nem lastimo minha sorte
Te rendo graças por tornar-me um homem forte
Pelo castigo que me impõe compreender

Senhor...!
Me mande alguém a quem matei a fome outrora
Para que me encontre e me estenda a mão agora
Para que eu possa minha vida refazer


SER HUMANO
José Rico

Sei que todos os homens
Tem o direito de viver a vida
Infelizmente este pobre homem
Não pode viver uma ilusão, um amor
É um dos motivos do meu padecer
E viver assim como eu vivo
A gente não vive

Já fui enganado por falsos amores
Que se aproximaram de mim só pra me destruir
Mas tenho a esperança que tudo que perdi
Com a ajuda do Mestre vou reconstruir

Já fui criticado e até humilhado
Por coisas que não deviam acontecer
Se até as plantas tem vida
Por que este ser humano
Não tem o direito de sobreviver


DECEPÇÃO
Sargento Castro - José Rico

Casei contigo na lei do homem e na lei de Deus
Você estava tão linda vestida de noiva
Aquele branco representava tanta pureza
Talvez de alegria eu vi seu rosto banhado em pranto

Na igreja enfeitada nós recebemos tantos parabéns
E uma chuva de arroz caiu sobre nós ao sair da igreja
Um brinde aos noivos durante a festa que estava animada
E depois partimos pra lua-de-mel por nós tão sonhada

Que decepção, hoje estou sentindo
Ontem eu estava sorrindo quando te dei meu nome
Agora estou chorando depois de casado
Desiludido e inconformado por não ser seu primeiro homem

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