BERÇO DE DEUS
Canção Rancheira (José Rico)

Amigo irmão, não zombe da natureza
Existem tantas belezas pra gente contemplar
Se me seguir passo lente por onde vou
Com carinho e muito amor posso lhe mostrar

Em cima da terra, no fundo do mar
Existe um tesouro pra gente desfrutar
Em cima da terra, no fundo do mar
Existe um tesouro pra gente desfrutar

"Amigo irmão, ame os campos, os rios, as matas, os pássaros
e tudo aquilo que se move sobra a terra.
Pois tudo isso é a natureza."

Amigo irmão, o verde nasce na terra
O azul do céu desce a serra num desenho magistral
Olhai os campos que cercam o horizonte
Eis o berço fulgurante do Pai celestial


LIVRO DA VIDA
José Rico - Sargento Juarez Miranda

Eu não quero que penses querida
Que eu sofro por te querer
A ilusão que foi meu castigo
É a razão do meu padecer
Eu sinto saudade de alguém
Que padece sem merecer
É o sangue do meu próprio sangue
E é a razão de todo o meu ser

Eu não peço que siga os meus passos
Pois o nosso amor terminou
Ficará gravado na mente
O erro que praticou
O mundo é um livro aberto
Pra ensinar quem não sabe viver
E as lições são bem declaradas
E tão fácil de compreender


ÁGUAS DA SAUDADE

"Vai pra bem distante de mim saudade"

Nestas águas paradas e calmas
Que demonstram poesia em tudo
Sinto um turbilhão em minha alma
Que às vezes quase fico mudo
Contemplando esta bela paisagem
Que conforta o meu coração
Sobre as águas eu vejo a imagem
De quem deu-me esta solidão
Nestas águas tranqüila e serena
É causa da minha paixão
Estas águas roubou me a morena
Que foi dona do meu coração

O barquinho que ela remava
Hoje dorme no fundo das águas
A mulher que eu mais adorava
Hoje é a razão desta mágoa
Toda noite em grande agonia
Adormeço chorando de dor
Recordando as juras que um dia
Ela fez ao me dar seu amor

Hoje ela está junto de Deus,
Me espera quando eu chegar
E os lábios que já foram meus
Novamente irei beijar


PRAIA DESERTA
Balanço (José Rico - Paulo Gaúcho)

Na praia deserta escrevo na areia o nome de alguém
O barco partindo ao longe sumindo levando o meu bem
Se existe motivo aqui eu não vivo também partirei
Minha dor é castigo quando estava comigo
Eu nunca chorei

Ouço a sereia cantar toda a tristeza do mar
Choro com as ondas a dor
Porque perdemos o amor

A mágoa infinita se espraia e grita
Doendo em mim
O meu desengano é igual o oceano
Também não tem fim

Se existe motivo aqui eu não vivo também partirei
Minha dor é castigo quando estava comigo
Eu nunca chorei

Ouço a sereia cantar toda a tristeza do mar
Choro com as ondas a dor
Porque perdemos o amor


VÁ PRO INFERNO COM SEU AMOR
Polca (Meirinho)

Não adianta mais
Chega de sofrer
Chega de chorar
Você abusou demais
Já não temos condições para continuar

Onde eu andei você andou
Onde eu jurei você jurou
Onde eu chorei você chorou
Minha proposta você aceitou
Além de mais você abusou
Meu coração você maltratou
Tudo que eu fiz você zombou
Do que eu era nem sei quem sou

Vá pro inferno com seu amor
Só eu amei
Você não me amou


TUDO BEM

"Amor eu devo admitir sua partida
Embora contra minha vontade
Mas o que devo fazer?"

Tudo bem, se quiser pode comprar sua passagem
Eu não vou impedir sua viagem
Não quero ser seu empecilho meu bem
Tudo bem, se for assim desta maneira, paciência
Eu sei que vou sofrer demais na sua ausência
Mas não importa, vá em frente tudo bem

Tudo bem, sei que não posso evitar que isso aconteça
Não vou dar conta de fazer sua cabeça
Se pra você eu sei não sou ninguém
Tudo bem, eu vou vivendo meio aos trancos e barrancos
Mas se um dia você regressar eu me levanto
E novamente voltarei a ser alguém

"Querida eu entendo muito bem
Infelizmente se não dá certo
Da minha parte podes crer..."


CANÇÃO DE UM AMOR DISTANTE

(Canto Al Paraguay)
Polca (Eulogio Cardoso - De Los Rios - Altinier)
Versão: Dino Franco

Eu fico recordando com saudade
Os beijos que te dei com emoção
Naquela noite cheia de ternura
Quando entregaste a mim teu coração
Em sonhos eu te vejo em meus braços
Pedindo para nunca te deixar
Dizendo estas palavras comovidas
Amor doce ilusão do meu sonhar

Eu deixei lá na fronteira a mulher dos meus amores
Mais formosa que as flores de sorriso sem igual
Eu sem ti não sei viver minha deusa prometida
Nada mais me serve a vida se um dia eu te perder

Não sei por que a gente se apaixona
E entrega o coração assim a alguém
Depois vem uma triste despedida
E rouba o melhor que a gente tem
Deixei muito distante a minha amada
Dizendo que voltava e não voltei
Oh, Deus se não levar me de regresso
Chorando de saudade morrerei

Eu deixei lá na fronteira a mulher dos meus amores
Mais formosa que as flores de sorriso sem igual
Eu sem ti não sei viver minha deusa prometida
Nada mais me serve a vida se um dia eu te perder
Eu sem ti não sei viver, viver, viver


JOGO DO AMOR

José Rico

"De que vale eu ter tanto dinheiro amigo
Se quem eu amo não me quer"

Com meu dinheiro eu comprei de tudo
No jogo da vida eu nunca perdi
Mas o coração da mulher querida
Parece mentira mas não consegui
Ela desprezou a minha riqueza
Com toda franqueza me disse também
Que gosta de outro com toda pobreza
E do meu dinheiro não quer um vintém

Nas demandas que tive na vida
O dinheiro me fez vencedor
Mas agora perdi a partida
O meu ouro não teve valor
Meu rival é um pobre coitado
Não devia ser ganhador
No entanto é o felizardo
E e eu fui derrotado no jogo do amor

Compreendi que nem tudo é dinheiro
E nem tudo se pode comprar
O amor quando é verdadeiro
É de graça para quem sabe amar


CINZEIRO CHEIO
Bolero (Nonô Basílio)

Foi muito bom você chegar agora
A tempo de notar meu desespero
É duo suportar a sua demora
Torcendo as bitucas no cinzeiro
Talvez você assim se compadeça
Olhando nos meus olhos logo vê
Sintomas de cruel dor de cabeça
Cabeça que só pensa em você

Cinzeiro cheio, cinzeiro mudo
Sem ter palavras dizendo tudo
Cinzeiro cheio provando assim
O quanto eu sofro com você longe de mim


HOMENS
José Rico

Homens!
Por favor, ouçam a minha canção
Que fiz com a alma e o coração
Para o exemplo de todos nós

Homens!
Não façam como eu fiz
Ouçam a minha canção
Não se entreguem de corpo e alma
A uma fêmea que não tem amor

Se tenho marcas no rosto
Em minha mente muito mais
Amar como eu amei nesse mundo nunca mais
Amar como eu amei nesse mundo nunca mais


VELHO CANDIEIRO

Vai, vai, vai boi!
Cabeça baixa passo lento no estradão
Vai, vai, vai boi!
Estrada afora vai puxando o carretão

Recordo e tenho saudade
Daquele tempo que foi
Recordo meu velho pai
Tocando o carro de boi

Vai, vai, vai boi!
Cabeça baixa passo lento no estradão
Vai, vai, vai boi!
Estrada afora vai puxando o carretão

"Só me resta uma saudade na minha imaginação
Um carro cantando longe na subida do grotão"

Só me resta uma saudade
Na minha imaginação
Um carro cantando longe
Na subida do grotão

Vai, vai, vai boi!
Cabeça baixa passo lento no estradão
Vai, vai, vai boi!
Estrada afora vai puxando o carretão

Meus cabelos já estão branquinhos
Já marcou muitos janeiros
São os restos de saudade
Dos tempos de candieiro

Vai, vai, vai boi!
Cabeça baixa passo lento no estradão
Vai, vai, vai boi!
Estrada afora vai puxando o carretão


CARRO VELHO
Toada (José Rico)

"Meu carro velho está abandonado
E os bois cansados de trabalhar
E eu também perdi a força pro trabalho
Meus cabelos branquearam
Eu fiquei e o tempo foi"

Meu carro velho está abandonado
E os bois cansados de trabalhar
E eu também perdi a força pro trabalho
Meus cabelos branquearam
Eu fiquei e o tempo foi

Quanta saudade daquele tempo que foi
Do velho carro de boi que eu vivia a carrear
Resta somente uma pequena lembrança
Se revivo a minha infância
Faço tudo pra não chorar

"Resta somente uma pequena lembrança
Se revivo a minha infância
Faço tudo pra não chorar"

Meu carro velho está abandonado
E os bois cansados de trabalhar
E eu também perdi a força pro trabalho
Meus cabelos branquearam
Eu fiquei e o tempo foi

Quanta saudade daquele tempo que foi
Do velho carro de boi que eu vivia a carrear
Resta somente uma pequena lembrança
Se revivo a minha infância
Faço tudo pra não chorar


O TROPEIRO(EL BANDOLERO)
(Jesus Ramos - Ariowaldo Pires)
1979 CORRIDO

Eu sou tropeiro e adoro essa vida
A gente vai para onde quiser
Não tenho amores querência nenhuma
E nunca me prendo por essa mulher
Ter liberdade um pingo de raça
Essa é a vida que sempre eu quis
Levando a tropa eu vou pelo mundo
Vagando e cantando pois sou tão feliz

Muitas mulheres bonitas me querem
Muitas promessas de amor recebi
Mas meu destino é vagar pelo mundo
Sempre cantando sou muito feliz

"É isso aí amigo. Não tenho culpa se
nasci com o destino de viver tropeando
por este mundo de Deus."

Quando sozinho eu cruzo as campinas
Ou quando estou nos confins do sertão
Tenho saudades de uma linda china
Que ficou pra sempre no meu coração

Muitas mulheres bonitas me querem
Muitas promessas de amor recebi
Mas meu destino é vagar pelo mundo
Sempre cantando sou muito feliz


ESQUINA DO ADEUS
Polca (Goiá)

Navegando vida afora pelo mar da esperança
Aprendi desde criança sobre as ondas me manter
Ao raiar da juventude vi passar depressa os anos
Na maré dos desenganos consegui sobreviver
E venci nesta jornada furacões e tempestades
E mentiras e verdades que na vida todos tem
Mas perdi a grande para uma dor constante
A saudade alucinante que eu sinto de alguém

Guardião dos navegantes este mar misterioso
Que destino caprichos lhe pergunto é o meu
Se o passado está morto nos confins da mocidade
Por que vivo de saudade de um amor que já morreu
Olhos tristes sonhadores que me olhavam com ternura
Quando eu era a criatura mais feliz que pôde haver
Qual será o felizardo que agora te fascina
O encanto de menina nunca pude te esquecer

Quantas vezes eu comparo o passado e o presente
Tu surgiste mansamente enfeitando os dias meus
Fui feliz mas veio o tédio como sempre dominando
E deixei te soluçando na esquina do adeus
Tu me amaste na idade da paixão mais comovida
Mas deixei sua vida sem notar o que deixei
Já cansado da procura ilusões e sonhos loucos
Hoje estou morrendo aos poucos pelo am


GENRO VALENTE

Por cima do morro
Por cima é que eu passo
Eu passo por cima não passo por baixo
Por cima do morro oi
Por cima é que eu passo
Dou a volta por cima
Não fico por baixo

Chinoca venha comigo
Não tenha medo do velho
Se ele ficar valente tocamos zum
Ele vai pro inferno

Eu amo essa linda prenda
Pra ninguém não peço segredo
Se o velho torcer o bigode
Pegar no 30, não tenho medo

Eu sou um índio largado
Eu não nasci pra semente
Se eu fosse um gaúcho frouxo
Não realizava meu casamento


MÃE DE LEITE
Chico Valente - Neil Bernardes

Quando eu vim ao mundo, pequenino e tão fraquinho
Ninguém esperava que eu fosse sobreviver
Minha mãezinha Deus a tenha junto dele
Deu a vida pela minha pra que eu pudesse nascer

Sem perdoar-me pelo golpe tão profundo
Meu pai saiu pelo mundo e sem amparo eu fiquei só
Mas Deus é justo e colocou no meu caminho
Uma santa criatura que deste pobre teve dó

Salvou-me a vida com seu leite precioso
Pois o seu recém-nascido nosso Deus também levou
Eu que era só então ganhei uma mãezinha
Ela então ganhou um filho e com carinho me criou

Minha mãe de leite, é o sol da minha vida
Minha mãe de leite, me deu o seu calor
Minha mãe de leite, peço a Deus que te proteja
E aonde quer que esteja estarei sempre ao teu lado
Te amparando com amor

Hoje sou um homem de respeito e muito honrado
De bebê abandonado tornei-me um vencedor
Quantas crianças que não tem a mesma sorte
Ou se encontram com a morte ou vivem no desamor

Vão pelo mundo maltratando os semelhantes
Se vingando a todo instante ou fazendo bem pior
Quando bastava uma mão segura e forte
E um pouco de carinho para tudo ser melhor

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