Soneto de Luis de Camoes

Enquanto quis fortuna que tivesse
Espernça de algum contentamento,
O gosto de um suave pensamento
Me fez que seus efeitos escrevesse

Porem, temendo amor que aviso desse
Minha escritura a algum juizo isento,
Escureceu-me o engenho ao tormento
Para que seus enganos nao disses

O' vos amor obriga a ser  sujeitos
A diversas vontades!
Quando lerdes
Num breve livro caso tao diversos,

Verdades puras sao, e nao defeitos...
E sabei que, segundo o amor tiverdes,
Terei o entendimento de meus versos! 
Soneto 45(53-57) Luis de Camoes
Mudam- se os tempos, mudam-se as vontades,
Mudam-se o ser, muda-se a confiança;
Todo mundo e composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades
Diferentes em tudo de esperança;
Do mal ficam as magoas na lembrança
E do bem ( se algundia houver...) as saudades.

O tempo cobra o chao de verde manto,
Que ja coberto foi de neve fria,
E em mim coverte o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que nao se muda ja como soia.
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