n/a inicial: antes de tudo, quero só explicar algo: a história é pequena, e meio subjetiva, então preste atenção nas mudanças de tempo. Quando tiver [...] é porque houve um avanço no tempo, indeterminado. E os Flash Backs também não tem um tempo determinado.
So I'll wait 'til kingdom come
*Flash Back*
-oi Mãe! Chegou mais cedo hoje... ué, cortou o cabelo?
-olá minha filha, poisé, hoje tirei folga do trabalho, e bom, resolvi mudar um pouco. – ela disse isso, e deu um risinho forçado, ela estava diferente, com um semblante triste.
-Mãe, o que aconteceu? Por que essa cara?
-Nada minha querida! Nada, eu estou ótima, hehe. – não, ela não estava bem, estava disfarçando algo, e vi uma lágrima correr em seu rosto.
-MÃE! Por favor, o que foi? Por que você está chorando?
*Fim do Flash Back*
Simplesmente não sabia o que dizer, quais palavras usar, que tom de voz seria adequado. Afinal, em um momento desses, o que poderia consolá-la? Infelizmente a resposta era dura: nada. Absolutamente nada pode ser falado ou feito de tal forma que ela se acalme, ou se alegre. Mas algo precisava ser dito, nem que seja uma palavra, para que ao menos ela saiba que eu estou aqui.
-Eu, eu sinto muito, muito mesmo – foi o que consegui dizer, com voz embargada e olhos marejados. Ela apenas lançou um olhar triste, mas seu pranto desesperado não cessou, pelo contrário, aterrou sua cabeça entre os braços e sentando-se no chão, pôs-se a chorar cada vez mais, soluçando e exprimindo palavras e frases sem nexo. Todos no recinto tentavam se aproximar dela, provavelmente com o mesmo intuito que o meu: consolá-la. Mas todas as tentativas em vão foram feitas, e todos os presentes se entristeciam ao ver tamanha desolação. Nada podia ser mudado, o que acontecera já era fato consumado, e palavra alguma faria diferença.
*Flash Back*
-NÃO! não, não, não! Não pode ser.
-O que foi ?
-, eu, eu, eu não acredito. Não, não pode ser.
-O que não poder ser? O que aconteceu?
-Ah, não, não... – ela continuou lamentando, e começou a chorar.
-, pelo amor de Deus, o que foi? – perguntei, já aflito com a situação em que ela se econtrava.
-A minha mãe, ela, ela, ah, eu não acredito nisso, não posso acreditar, não posso. – sua voz tremia cada vez mais e sua respiração estava falha.
-O que foi? O que houve com a sua mãe?
-Ah , minha mãe tem câncer.
*Fim do Flash Back*
-, precisamos ir, sinto muito, mas já está na hora.
-não, não, eu, ah, eu não... – ela não conseguia falar nada. A levantei, segurei-a em meus braços e a conduzi para o local onde o enterro aconteceria. Infelizmente sua mãe não resistira a doença, e algumas semanas após a triste notícia ela falecera. Agora já não havia mais ninguém com ela. Seu pai há muito abandonara esposa e filha, ela não tinha irmãos nem avós. Os mais próximos delas éramos eu e minha família, e justamente por essa proximidade meus pais resolveram a acolher, e após o enterro foram conversar com ela. Meu pai começou:
-, minha linda, eu sei que você ainda está atordoada com tudo isso que está acontecendo, mas agora você precisa de alguém, não poderá viver sozinha.
-É, eu sei disso, só não sei o que fazer. – ela respondeu tristemente.
-Olha, queremos que você esteja conosco. A acolheremos com prazer, e vamos cuidar de tudo que é necessário nesse momento. Mas eu quero saber, primeiramente, se você quer isso.
-Claro tio, eu realmente não consigo pensar em muita coisa, não conseguiria resolver tudo isso. Se não for muito incômodo para vocês...
-Absolutamente. Não será incômodo algum.
-Obrigada. – ela agradeceu, esboçando um leve sorriso, o primeiro depois de dias.
[...]
Alguns meses se passaram após o enterro. já estava morando conosco desde aquele acontecimento. Nos primeiros dias tudo foi bem complicado. Ela não saía do quarto pra nada, e mal comia ou conversava. Mas o tempo foi passando e confortando-a. Muitas vezes eu ainda a encontrava chorando em seu quarto, com fotos antigas e lembranças de sua mãe e seu passado, não tão distante assim. E hoje foi um desses dias.
-, por favor, você sabe que ficar vendo essas coisas não te faz bem, não é o melhor.
-, eu, eu, eu não acredito. Não, não pode ser. – ela repetiu aquelas mesmas palavras que haviam sido ditas no dia em que descobrira a doença de sua mãe.
-O que está acontecendo ? – eu perguntei, estranhando aquilo, e me espantei mais ainda quando vi um papel diferente sobre a sua cama.
-Ah não, não, não, por que isso tem que acontecer? – ela desatou a chorar, debulhando em lágrimas. Peguei o papel e vi que se tratava de um resultado, de um exame. NÃO! Realmente, não pode ser. Comecei a chorar junta com ela, a abracei fortemente, como se não quisesse deixá-la ir, e esse era o meu objetivo. Preciso dela aqui comigo, ao meu lado. Preciso de cada palavra, cada toque, cada beijo.
[...]
Dei-lhe um longo beijo, a segurei contra meu peito, abraçando-a. Acariciava seu rosto, mas não conseguia dizer mais nada, só repetia as mesmas palavras, desesperadamente:
-eu te amo, eu te amo, eu te amo...
Ela nada dizia, já havia se conformado, não queria mais estar ali, e sua vida estava se esvaindo. Mas eu não parava de repetir freneticamente aquelas simples palavras:
-eu te amo, eu te amo, eu te amo...
-, por favor, você não precisava passar por isso – finalmente ela havia dito algo, mas não o que eu queria ouvir.
-escute , eu não vou sair de seu lado um só instante, você vai conseguir, e daqui a muitos anos, quando olharmos nossos filhos e netos, nos lembraremos disso como algo que vencemos, juntos.
-não , isso não vai acontecer. Eu sei, eu posso sentir, e eu não consigo mais suportar isso. Eu preciso ir, e você vai ficar bem, tem que ficar bem.
-NÃO! Você não pode ir, não pode e não vai me deixar, eu, eu... – fui incapaz de terminar a frase, pranteava copiosamente e buscava suas mãos, seus lábios. Mas ela estava gélida, não havia expressão alguma em seu rosto, e seus olhos estava distantes, vazios. Ela apenas conseguiu balbuciar algumas poucas palavras:
-prometa , prometa pra mim que você vai ficar bem.
-não, eu não prometo nada, porque você vai ficar aqui, comigo, e vai ficar bem.
-eu te amo muito, muito mesmo, não queria ir. Mas por favor, prometa.
-eu, eu prometo, mas... – não houve tempo de mais nada ser dito. Seus olhos se fecharam e sua mão se soltou da minha. Todas as forças que ainda lhe restavam se tornaram inexistentes.
*Flash Back*
Após aquele dia em que eu havia encontrado chorando em seu quarto tudo mudou. Aquele papel que estava sobre sua cama trazia a mesma notícia que sua mãe recebera há um tempo atrás, e a mesma doença que havia se acometido sobre ela agora voltara, mas sobre a minha pequena. Eu não conseguia entender como Deus podia fazer isso, levar mãe e filha, e com a mesma doença. Levar a minha pequena. Não, ele não podia levá-la, não podia. Mas todos os nossos esforços para encontrar uma cura ou um tratamento, de nada valeram. Um ano se passou, e o câncer tomou cada parte de seu frágil corpo. Ela agora estava hospitalizada, apenas esperando a hora de partir.
*Fim do Flash Back*
Voltei para casa arrasado, aos prantos. Não conseguia abrir a boca para nada, não emitia qualquer som, e minhas mãos estavam trêmulas. O grande amor da minha vida se foi, e não havia nada que eu pudesse fazer. Caminhei até meu quarto, mas tive um ímpeto de dar mais alguns passos, e adentrei ao cômodo que até algumas horas atrás pertencia à . Fui andando em direção a estante, e observei as fotos que lá havia. Uma em especial me fez transbordar em lágrimas. Nós dois, sentados, de mãos dadas na praia, no dia em que eu havia a pedido em namoro. Passei da estante para sua mesa, onde se encontravam seu computador e seus objetos de estudo. Abri um caderno que nunca tinha visto antes, e fui passando as páginas, até que encontrei algo que me chamou atenção, e comecei a ler. Quando terminei estava sentado no chão, com a cabeça reclinada sobre a cama e chorando cada vez mais, se é que isso era possível.
[...]
Havia chegado a hora, finalmente, depois de tanto tempo, estava pisando num palco novamente. E iria cantar aquela música, a música da minha pequena.
-E agora, para encerrar, quero cantar uma música que foi escrita por alguém que já se foi, mas ainda está comigo, incondicionalmente.
“Got the news today
But they said I had to stay
A little bit longer and I’ll be fine
When I thought it'd all be done
When I thought it'd all been said
A little bit longer and I'll be fine.
But you don't know what you got 'til it's gone
And you don't know what it's like to feel so low
And everytime you smile or laugh you glow
You don't even know, know, know.
You don't even know.
All this time goes by
Still no reason why
A little bit longer and I'll be fine.
Waitin' on a cure
But none of them are sure
A little bit longer and I'll be fine
But you dont know what you got 'til it's gone
And you dont know what its like to feel so low.
And everytime you smile or laugh you glow
You dont even know, know, know
You dont even know, know, know.
You dont even know, no.
So I'll wait 'til kingdom come.
All the highs and lows are gone
A little bit longer and I'll be fine.
I'll be... fine”
Era isso que eu havia encontrado escrito naquele caderno, há alguns meses atrás. Ela ainda teve esperanças antes de ir, ainda esperou ficar bem. Mas infelizmente não foi isso que aconteceu, ela não ficou bem aqui, não ao meu lado. Mas sei que está melhor em algum lugar. Ela esperou o reino vir, mas ao invés disso foi ao encontro do rei. Sim, ela se foi, porém deixou um pouco dela aqui, e levou um pouco de mim com ela.
Fim
n/a final: ai gente, não sou nenhuma psicopata que fica matando a mãe e depois morre também oks? o início foi inspirado em algo que realmente ocorreu comigo. Um dia minha mãe chegou em casa com o cabelo mais curto e me disse a mesma coisa. Não, não quero me fazer de coitadinha –q Só queria explicar. Bom, escrevi essa fic num momento emo, na verdade tentei. auhsuahsuahsua ;x espero que tenham gostado amores. Beijonas ;*