:: Cultura e Lazer :: Cinema ¸

 

Os dois filhos de Francisco
 

  

Breno Silveira fez “Os dois filhos de Francisco” para mostrar o caminho de Zezé Di Camargo e Luciano até o sucesso. A dupla sertaneja canta para as vítimas de uma desigualdade social que só aumentou nos últimos 40 anos. Um público cada vez mais distante da realidade daqueles que admiram a maravilhosa obra de um Chico Buarque, por exemplo - Sérgio Domingues.
Leia abaixo...

 

 

 

Os filhos de Francisco Camargo e os “filhos” de Chico Buarque

Breno Silveira fez “Os dois filhos de Francisco” para mostrar o caminho de Zezé Di Camargo e Luciano até o sucesso. A dupla sertaneja canta para as vítimas de uma desigualdade social que só aumentou nos últimos 40 anos. Um público cada vez mais distante da realidade daqueles que admiram a maravilhosa obra de um Chico Buarque, por exemplo.

 

Batizar um filme sobre Zezé Di Camargo e Luciano de “Os dois filhos de Francisco” parece uma forma de diminuir o choque de seu tema para um público que torce o nariz para a música sertaneja. Pode ser. Afinal, para encher as salas de cinema, é preciso pensar em tudo. Mas, a obra de Silveira faz a devida homenagem ao velho Francisco, cuja determinação parece ter sido fundamental para o sucesso de seus filhos. Ao mesmo tempo, colocar no centro da cena um trabalhador pobre, inteligente e determinado acaba servindo como um retrato de boa parte do povo brasileiro.

A primeira cena do filme mostra Francisco (Ângelo Antônio) ajustando uma antena no telhado de sua casa de barro, na zona rural de Goiás. Estamos em 1962, e a antena não é para uma TV. É para um rádio. Quando consegue ouvir música no aparelho, esta o hipnotiza. Quase não ouve quando sua mulher, Helena (Dira Paes), avisa da gravidez do primeiro filho. Nascido aquele que viria ser Zezé Di Camargo, Francisco diz que quer mais um filho para formar uma dupla. No entanto, virão outros seis.

Francisco trabalha duro arando a terra. Mas, não quer o mesmo para seus filhos. Quer que eles “subam na vida”. E qual seria o caminho para isso num país em que só resta aos camponeses “ficar arando a terra dos outros?” É Francisco quem pergunta e ele mesmo responde. É o sucesso nas rádios.

Depois de fazer um grande sacrifício para comprar uma sanfona e uma viola, Francisco começa a ensaiar os dois filhos mais velhos. Aos trancos e barrancos, sem professores fixos, os garotos se viram para aprender. Francisco consegue uma chance numa rádio local. Compôs até uma música para isso. Antes de se apresentarem, o diretor da rádio quer ouvir a música. Eram tempos da ditadura militar e a música encerra assim: “Viva as forças armadas e a sua tirania”. O diretor da rádio expulsa os três do estúdio, com medo de repressão. Francisco não fez de propósito. Só considerava bonita a palavra “tirania”.

As seguidas tentativas frustradas de Francisco complicam sua vida financeira. O sogro praticamente o expulsa das terras que arava. Numa atitude típica de milhões de trabalhadores rurais, Francisco e sua família vão para a cidade. No caso, para a capital, Goiânia.

 

Mirosmar e Welson tornam-se Zezé e Luciano

Francisco logo arranja trabalho, mas o salário de operário da construção civil não chega nem para comprar comida. É aí que a dupla de meninos resolve cantar na rodoviária para ganhar alguns trocados. Na rodoviária, Francisco conhece Miranda (José Dumont), que se diz empresário. Promete sair com os meninos pela região, levantar muito dinheiro e torná-los famosos. O pai concorda. A temporada que deveria ser de algumas semanas transforma-se em meses.

O nome verdadeiro de Zezé é Mirosmar (Dablio Moreira). Seu parceiro e irmão chama-se Emival (Marcos Henrique). Talvez, isso explique porque Miranda resolveu batizar a dupla de Camargo e Camarguinho. Eles passam a cantar em churrascarias, em comícios, fazem sucesso em cidades e vilas à beira da estrada. Tudo ia bem, até que veio a tragédia. O carro em que viajavam se envolve num acidente e Emival morre. Mirosmar entra em depressão. Larga a sanfona, que tocava, acompanhando a viola do irmão.

Algum tempo depois, o garoto supera a depressão e volta a tocar. O filme dá um salto no tempo e o ator Márcio Kieling passa a interpretar um Zezé já saindo da adolescência. Após vencer um concurso musical, ele resolve apostar alto. Parte para São Paulo. Chega a gravar discos, mas somente suas composições fazem sucesso, nas vozes de artistas como Leandro e Leonardo e Chitãozinho e Xororó.

A chance aparece com a chegada a São Paulo de Welson (Thiago Mendonça), o irmão caçula. Os dois formam nova dupla. Mirosmar continuou sendo Zezé Di Camargo, mas Welson virou Luciano. Gravam fitas e saem em busca de gravadoras. Finalmente, convencem uma delas. A música principal do disco chama-se “É o amor”.

No entanto, o sucesso não vem até que Francisco entra em cena novamente. Em Goiânia, leva uma fita de “É o amor” para uma rádio popular. Depois, distribui fichas telefônicas para seus colegas na obra. Pede que todos liguem para a rádio é peçam a música. Segundo a versão do filme, este recurso leva a nova dupla definitivamente para as paradas de sucesso. Francisco venceu. Seus filhos tornam-se estrelas da música brasileira.

 

Odair José e Waldick Soriano censurados

Como se vê, o filme conta a história de algumas pessoas, mas também é um retrato de uma parte muito importante da história popular do País nos últimos 40 anos.

No início do filme, a voz de Zezé diz que seu pai era considerado louco. Na verdade, Francisco enxergou o poder dos meios de comunicação para o grande público. Afinal vivemos num País sem reforma agrária, com crescimento econômico menor que o aumento da população e com escola, saúde, previdência cada vez mais raras e menos públicas. Desse jeito, os caminhos normais de ascensão social tornam-se verdadeiros becos sem saída. E Francisco acertou ao enxergar na mídia um atalho para “subir na vida”, mesmo que só para alguns.

Outro episódio interessante é o da recusa da música que elogiava a ditadura e “sua tirania”. Ele sugere um outro lado da história da censura no País. Trata-se da censura aos cantores populares. Recentemente, Paulo César de Araújo alertou para esse fenômeno em seu livro "Eu não sou cachorro, não" (Editora Record). Nele, o autor lembra que cantores como Odair José e Waldick Soriano tiveram algumas de suas músicas censuradas. Odair, por exemplo, teve o lançamento de sua conservadora música “Pare de tomar a pílula” dificultado pelas autoridades. A canção contrariava a política da ditadura de impor controle da natalidade entre os mais pobres. Medida típica de quem entende que a culpa da pobreza é dos próprios pobres, que não param de se multiplicar.

Ao mesmo tempo, um dos filhos de Francisco é atacado pela poliomielite (paralisia infantil). O fato é que, ao contrário do que previa a propaganda oficial da ditadura militar, a mortalidade infantil aumentou e diversas epidemias surgiram nas principais cidades. Um delas foi a epidemia de meningite, em 1974, que teve notícias sobre sua existência censuradas pela ditadura.

 

O canto do galo na canção sertaneja urbana

A morte de Emival no acidente de automóvel mostra como as estradas se multiplicaram sob a ditadura. No entanto, tornaram-se também a causa de muitos acidentes, mutilações e mortes. Resultado de uma opção pelo transporte através do asfalto e do abandono da rede de estradas de ferro. Opção do agrado das empreiteiras, dos fabricantes de automóveis e caminhões e da indústria do petróleo. Sem falar no prejuízo ecológico.

Por outro lado, o sucesso de Zezé Di Camargo e Luciano aconteceu num momento específico da história do País. Foi entre os anos 1980 e 1990, quando o acesso aparelhos eletrônicos ficou mais fácil para as camadas mais pobres da população. Com crédito facilitado por lojas como as Casas Bahia, os pequenos, baratos e barulhentos aparelhos de som chegaram às casas mais humildes. Os grandes discos pretos de vinil deram lugar aos CDs, que são pequenos, práticos e fáceis de copiar. E o mesmo vale para a TV. O filme de Breno mostra como Francisco parou de ouvir rádio no campo para assistir à TV na cidade. Os shows de artistas populares se multiplicaram para atrair a enorme audiência dos mais pobres. Pobres que se tornaram cada vez mais pobres desde o nascimento de Zezé, em 1962. E que se consolam vendo e ouvindo ídolos que são tão parecidos com eles mesmos.

É por isso que o mais importante no filme é a luz que joga sobre uma parte importante da cultura popular brasileira. Popular, mesmo. As letras de Zezé e as músicas que interpreta com seu irmão atingem um enorme público. São os “retirantes”, que vivem amontoados nas periferias, ou nos cortiços e pensões das grandes cidades. Há uma cena em que Francisco observa um galo cantando. Se convence de que para ter boa voz seria precisa engolir ovos crus. Submete os pobres meninos ao estranho tratamento, mas não deve ser por isso que vieram a ser o que são. Na verdade, a cena parece simbolizar o canto típico da música sertaneja urbana. Em geral, são canções com refrões em tom alto, agudo. A voz parece sair do fundo da alma. Como a lembrar os galos da roça e seu canto enérgico. Como se fossem a manifestação de uma saudade dolorida da vida no campo, do qual fugiram para não morrer de fome ou das balas de jagunços.

Ao mesmo tempo, as músicas sobre amor e desilusão se adequam à vida solitária de quem vive entre os luxos da grande cidade sem poder desfrutá-lo, a não ser pelo olhar. Na solidão da pensão ou nas distantes periferias, uma pessoa amada por perto serve como consolo sagrado e definitivo. O agudo refrão “É o Amoooor!” expressaria perfeitamente esse estado de alma.

Zezé Di Camargo e Luciano, e outros artistas como eles, parecem dar voz a esses sentimentos. Sua música diz mais da história popular dos últimos 40 anos dos Brasil do que as maravilhosas obras da “MPB” ouvida pela classe média. Num Brasil cada vez mais injusto, os filhos de Francisco Camargo são cada vez mais numerosos e estão mais distantes dos "filhos" de Chico Buarque.

Setembro de 2005 

FONTE:  MIDIA VIGIADA


 

 

Encouraçado Potemkin
Lançado em 1925, o “Encouraçado de Potemkin” conta um episódio acontecido durante a Revolução de 1905. O filme simboliza as lutas e conquistas desta revolução. E lembra que, para os trabalhadores, as guerras entre seus exploradores não interessa.
Leia abaixo...

 

Encouraçado Potemkin: a revolução é a única guerra justa

Em 2005, comemoram-se 80 anos do lançamento de “O encouraçado de Potemkin”. Na verdade, a obra também foi feita para comemorar uma data. Era 1925 e fazia 20 anos que acontecera a Revolução de 1905, na Rússia. O cineasta Sergei Eisenstein foi chamado a fazer um filme sobre o acontecimento.

A Revolução de 1905 começou após uma manifestação de trabalhadores em São Petersburgo, em janeiro. Eles pediam ao czar a adoção de medidas para diminuir a miséria e a injustiça. A polícia atirou contra a multidão, matando centenas e ferindo milhares. A partir daí, os trabalhadores iniciaram uma série de manifestações e greves. No final, o czar conseguiu derrotar a revolução, mas o movimento obteve uma grande vitória. Os trabalhadores criaram os conselhos populares. Chamados de sovietes, em russo. Eles funcionavam através da democracia direta. Os trabalhadores elegiam seus representantes, mas também participavam. Foi essa conquista que começou a abrir caminho para a revolução socialista, 12 anos depois, em 1917.

Durante essa Revolução, os marinheiros do navio de guerra chamado Potemkin se revoltaram contra as péssimas condições de vida. Ao tomar conhecimento desta história, Eisenstein achou que ela simbolizava tudo que esteve em jogo durante a Revolução de 1905. E foi isso que mostrou em sua obra.

No filme, a carne podre simboliza o antigo regime. O velho pastor representa a religião a serviço dos poderosos. Os marinheiros que ficam cercados são a vanguarda, aqueles que vão à frente na luta. A famosa escadaria de Odessa tenta mostrar a injusta e cruel diferença entre as classes. O final mostra que a luta não foi em vão. Os leões de pedra que se levantam é o povo despertando para a luta. O caminho da futura revolução vitoriosa começava a ser construído.

Além de ter um conteúdo revolucionário, o “Encouraçado” também era revolucionário na forma. Em primeiro lugar, não havia um herói. Herói era o povo. As situações vão sendo mostradas de forma clara. São feitas imagens que eram revolucionárias para a época. Diferentes posições de câmera, cortes rápidos, rostos focalizados de perto, utilização da iluminação.

Esses recursos podem parecer comuns nos dias de hoje. Afinal, foram todos aproveitados pelo cinema que veio depois. Mas, assistir à obra de Eisenstein e ver o nascimento de um cinema moderno e comprometido com a liberdade humana. E agora, assistir a obra vai ficar ainda melhor. Está para sair a versão original do filme, que havia sofrido mudanças por ordem de Stalin.

Portanto, são muitas as razões para assistir e discutir o "Encouraçado Potemkin". Especialmente hoje, em plena luta contra a guerra terrorista de Bush e de seus aliados imperialistas. A frase que abre o filme tem tudo a ver com isso: "A Revolução é guerra. É a única das guerras que consideramos legítima e justa. Realmente a maior dentre as guerras que a história conheceu... Na Rússia ela foi começada e declarada”. A frase é de Lênin e foi escrita em 1905. Cem anos depois continua atual.

 

Sérgio Domingues – fevereiro de 2005.


 


Matrix
Se Matrix serve para alguma coisa além de entretenimento, é como metáfora involuntária do mundo em que vivemos. Em que os seres humanos funcionam como “pilhas humanas”, cuja energia é a capacidade de inventar da qual o capital é incapaz de abrir mão.
Leia abaixo...

Matrix é aqui. Onde as coisas dominam as pessoas

Matrix chama a atenção por seus efeitos especiais revolucionários. Mas, isso não explica a atração que o filme tem exercido também em um público que se considera mais intelectualizado. Que não liga muito para pirotecnias cinematográficas. Acontece que os efeitos especiais são resultado de um roteiro interessante. Um trama que faz referência à religião e à filosofia. Mas, essas referências somente fazem efeito em um público mais amplo porque o filme diz respeito ao lugar cada vez maior que as coisas têm ocupado no mundo atual. Coisas na forma de mercadorias e máquinas, principalmente.

Ora, a história do filme fala sobre um mundo dominado por máquinas que escravizam seres humanos. As pessoas seriam “pilhas humanas”, nas palavras do personagem Morpheus. Ficam encerradas em cápsulas e sua energia vital é sugada pelas máquinas. Enquanto isso, as mentes dos humanos acreditam estar em um mundo virtual, vivendo vidas normais.

 

Uma visão marxista em Matrix? Muito improvável

Pode-se com muito esforço enxergar alguns traços da concepção marxista de mundo nessa imagem. Para Marx, desde que a sociedade se dividiu em classes, hás os que dominam e os que são dominados. Mas no capitalismo, a dominação é baseada na exploração econômica. O patrão compra o trabalho vivo do operário (sua força de trabalho) e o transforma em trabalho morto (mercadoria, máquinas etc). Ao imaginar um mundo em que os seres humanos são escravos de máquinas, os irmãos Wachowski poderiam estar invocando essa visão marxiana. É o caso da imagem das pessoas como pilhas humanas do primeiro filme. Mas, em Matrix Reloaded há um diálogo entre Neo e o conselheiro em que ambos lamentam a tirania das máquinas. O conselheiro, no entanto, lembra que em Sion também as máquinas estão presentes. Neo concorda, mas diz que a tecnologia de Sion é controlada pelos seres humanos e não o contrário. O conselheiro responde afirmando que mesmo em Sion não seria possível desligar os aparelhos sem colocar em risco o funcionamento da sociedade. Algo que lembra o fato de que a dependência que atualmente vivemos em relação ao trabalho automatizado não permite que simplesmente desliguemos botões e chaves. Matrix representaria, assim, a alienação capitalista, em que a desconexão faz as vezes da tomada de consciência. Mas, a libertação depende de ações concretas que coloquem as máquinas em seu devido lugar. A serviço dos seres humanos e não o contrário.

No entanto, os traços messiânicos e elitistas da trama tornam a interpretação acima improvável. A forma como acontecem os duelos entre Neo e a Matrix é uma evidência disso. Quase tudo se resolve na base de golpes de kung-fu. Uma opção mais interessante seria, por exemplo, a que considerasse a possibilidade de formar uma resistência por dentro da estrutura virtual com cada vez mais adeptos desconectados. Uma espécie de organização revolucionária que explorasse as brechas de um mundo que não pode ser perfeito, mesmo sendo virtual. Ou desafiar a inteligência artificial com a insuperável criatividade humana. Mas tais caminhos renderiam muito menos pancadarias e ação. Portanto, menos bilheteria.

A explicação da explicação segundo uma leitura marxista

Mas o fato de que o filme não adote uma visão marxista não impede que a utilizemos como aquela que melhor pode explicar o que Matrix tenta mostrar. Em minha opinião, o fenômeno a que o filme involuntariamente diz respeito é o que Marx chamou de reificação da vida social. Reificar quer dizer coisificar. No caso da formulação marxista, transformar a força viva que é o trabalho humano em coisa material. Por exemplo, um artesão do século 18 tinha 90% de sua capacidade de trabalho localizada em sua capacidade de criação. Os outros 10% correspondiam a seus poucos instrumentos de trabalho: martelo, tesoura, agulhas, uma bancada etc. Estas eram as ferramentas que transformavam a imaginação do artesão em sapatos, roupas, móveis. Hoje em dia, aqueles 90% de conhecimento humano foram transferidos para o maquinário automatizado. O operário ficou com os 10%, que correspondem a apertar botões e supervisionar o equipamento. As coisas passaram a usar a imaginação do operário para produzir mais coisas. Substituir um artesão não era fácil porque seria necessário encontrar alguém com o mesmo acúmulo de saber. Substituir um operário é relativamente simples porque aquele saber foi sendo incorporado às máquinas geração após geração de roubo da criatividade humana. O ser humano continua importante. Continua sendo trabalho vivo. O único capaz de criar. Mas seu conhecimento foi sendo apropriado pelo capital e congelado na forma de máquinas e computadores. Mais eficientes do ponto de vista quantitativo, só que incapazes de dar saltos de qualidade.

Por outro lado, essa coisificação esconde as relações sociais por trás da produção material. As pessoas passam a se relacionar através do que produzem e consomem. Através das mercadorias. A isso Marx chamou de fetichismo da mercadoria. A face mais visível desse fetichismo é a propaganda. O consumo desenfreado que torna a posse de cada vez mais bugigangas um objetivo que nunca é alcançado. Quando conseguimos comprar uma delas com sacrifício, outra se apresenta a desafiar nossa necessidade de possuir.

Assim, se o filme serve para alguma coisa além de entretenimento, é como metáfora involuntária desse mundo reificado em que vivemos. Estar conectado à Matrix é estar preso ao mundo ilusório do consumo infinito ao alcance de todos. Mas a realidade é aquela em que os seres humanos funcionam como “pilhas humanas”, cuja energia é a capacidade de criar e inventar que o capital absorve e da qual é incapaz de abrir mão. Por isso mesmo, o capital não pode viver sem as pessoas, mas as pessoas precisam se livrar do capital para realizarem todo seu potencial criativo.

 

Sérgio Domingues – junho de 2003.

 

 

Aguarde por...

 

Em “Sin City”, os anjos são sujos e justos
 

  
O filme de Robert Rodriguez e Frank Miller é a melhor adaptação do cinema de uma obra em quadrinhos. É um diálogo vitorioso das duas artes. Os anjos vingadores da Cidade dos Pecados estão destinados a cair. Mas não sem levar com eles alguns dos vermes humanos criados pela sociedade capitalista - Sérgio Domingues.
Em breve...

 

Na “Terra dos Mortos", junte-se ao time dos não vivos
 
  
George Romero explicou seu último filme com a seguinte frase: “Sempre achei que os zumbis são a classe operária na sociedade dos monstros”. Com essa dica, é possível ver no filme uma crítica ao capitalismo. A nós, cabe nos juntar aos zumbis contra os monstros - Sérgio Domingues.
Em breve...

 

“Guerra dos Mundos” critica Bush e poupa o imperialismo
 
  
O mais novo filme de Spielberg faz uma crítica sutil ao militarismo de Bush. Mas a divergência é apenas de método. Com Bush, a coisa é mais descarada. Clinton era mais discreto. Spielberg e Hollywood preferem mais discrição - Sérgio Domingues.
Em breve...

 

“Guerra nas Estrelas” despreza a política... e o povo
 
  
“A vingança dos Sith” é o último filme da fantasia espacial criada por George Lucas. Neste episódio fica mais claro o desprezo de Lucas pela política. Combinado com a ausência do povo, pode ser uma posição perigosa porque leva facilmente ao conservadorismo - Sérgio Domingues.
Em breve...
 

"Um filme falado" afirma a sabedoria das palavras
 
  
A mais recente obra de Manoel de Oliveira pode parecer uma defesa da civilização branca e ocidental. Mas é possível chegar à conclusão oposta. O filme alerta para a necessidade de que a ação seja orientada pela sabedoria da fala. Seja ela ocidental ou oriental - Sérgio Domingues
Em breve...

 

"Hitch" e o amor na corrida contra a morte
 
  
Hitch é o herói de "Conselheiro Amoroso", uma comédia romântica e despretensiosa. Mas pode servir de desculpa para discutir uma relação muito difícil. A do capitalismo com o amor. Ou melhor, da morte com a vida - Sérgio Domingues.
Em breve...

 

"Monster", a barbárie capitalista
 
  
Monster, ao contrário, do que afirma o título brasileiro do filme , é o sistema capitalista globalitário que esmaga e exclui seres humanos como baratas - Augusto Patrini.
Em breve...

 

"Blade Runner" e nossa Esquizofrenia
 
  
Os replicantes rebeldes somos nós, em luta contra o poder opressivo de nosso “Blade Runner” interno e contra o sistema de absolutismo, meios de destruição e do medo planejados, buscando um significado maior, nossa liberdade e, sobretudo mais Tempo e mais Vida - em um cotidiano fragmentado, tecnicamente opressivo e muito fugaz - Augusto Patrini.
Em breve...

 

O mundo-cão de "Dogville" não se limita aos Estados Unidos
 
  
Achar que o filme de Lars Von Trier fala apenas dos Estados Unidos seria diminuir sua grandeza. Ele fala da sociedade burguesa, das relações de dominação, do humano e do divino. É isso que o torna uma das maiores obras de cinema de todos os tempos - Sérgio Domingues.
Em breve...

 

"O homem que copiava"
 
  
Diferente de outros filmes, onde tudo que pode dar errado certamente dará, Jorge Furtado, diretor do filme, contraria a lei de Murphy, e faz com que tudo que possa dar certo, certamente dará. Os acontecimentos vão se encaixando de tal forma que tudo que os personagens fazem dá certo - Manuel Amaral.
Em breve...

 

A travessia de Che Guevara
 
  
Diários de Motocicleta, de Walter Salles Jr., encanta, diverte e emociona. Mostra o jovem Ernesto, que ainda não chegou a ser Che, grande líder revolucionário. É também uma história que pode ser comum. O despertar para a luta socialista - Sérgio Domingues.
Em breve...

 

:: Cine-Teatro Vila Rica

 

Programação do Cine-Teatro Vila Rica de 2/12/05 a  8/12/05

 

- Harry Potter e o Cálice de Fogo

Harry Potter é selecionado para participar do Torneio Tribruxo, uma competição que reúne alunos de várias escolas de magia, ao mesmo tempo em que Voldemort prepara sua volta. Dirigido por Mike Newell (O Sorriso de Mona Lisa) e com Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Alan Rickman, Gary Oldman, Ralph Fiennes, Michael Gambon, Jason Isaacs, Maggie Smith e Miranda Richardson no elenco. Censura: 12 anos - Legendado
Horários:

De 17 a 22/12 (sábado a quinta-feira) às 16h e 21h

- Jogos Mortais 2
Um grupo de pessoas é trancado por um assassino, de forma que para que elas sobrevivam é necessário matar uns dos outros. Censura: 16 anos - Legendado
Horários:
Dia 16/12 (sexta-feira) às 19h e 21h
De 17 a 22/12 (sábado a quinta-feira) às 19h

 

_________
O Cine-Teatro Vila Rica fica na Praça Reinaldo Alves de Brito, 47, centro, em Ouro Preto.

Valor dos ingressos:

R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada) nas sextas, sábados, domingos e feriados;

R$ 7 (inteira) e R$ 3,50 (meia-entrada) nas segundas, terças e quintas;

R$ 3 nas quartas-feiras;

R$ 4 nas matinês de domingo.

Informações pelo telefone 3551-5965 ou [email protected].

 


Hosted by www.Geocities.ws

1