MET
Titulo Original
Hasta que nos volvamos a encontrar
Traduzido por Fernanda
CAPÍTULO
11
Trabalhar juntas representou para as duas mulheres
um grande passo, o caráter dominante e intransigente de Val junto com
a pouca paciência e organização extrema de Chantal estava
a pô-las a prova à cada instante. Mas essa temporada lhes serviu
para se conhecerem realmente, e depois de longas e extenuantes horas de trabalho
as duas tinham combinado que em seu tempo livre iam deixar absolutamente de
lado tudo aquilo e se dedicar unicamente a dar aquela oportunidade tão
desejada.
A família de Val estava mais que fascinada com a jovem, não unicamente por sua relação sentimental com a morena, mas também por suas qualidades como advogada, até o momento já tinha resolvido mais de um problema e seguisse assim conseguiria o que toda a equipe de advogados não tinha conseguido até ela chegar. Os negócios voltavam a tomar o ar regular e organizado que todos estavam precisando.
Val por fim podia voltar a dedicar-se a seus vinhedos,
deixando o lado administrativo para o seu tio e a Chantal, que estava encantada
de poder ajudar.
Tinham passado um pouco mais de dois meses, desde que as jovens chegaram a este 'acordo' e ao que parece estava funcionando.
Chantal ainda não tinha tomado uma decisão definitiva a respeito de seu futuro profissional, seguia vinculada ainda em seu trabalho em Boston, tinha pedido apenas uma licença temporária. Mas isto não poderia durar pra sempre, seu chefe já estava querendo uma resposta e ela estava confusa.
A família Dei Stefano também lhe tinha feito uma proposta extremamente generosa, ficaria na Califórnia com a Val, mas a jovem não queria apressar as coisas, até agora tudo ia bem, claro, deixando de lado as brigas diárias com a morena por sua teimosia nos negócios, o resto teriam que decidir juntas.
As amigas de Chantal no verão iriam visitá-las,
Chantal sentia muito a falta delas já que era a primeira vez em muitos
anos que ficavam separadas, mesmo se falando sempre por telefone, não
era o mesmo que vê-las todos os dias.
A noite enquanto jantavam, a jovem pensou que era
um bom momento para tratar de certo assunto que lhe clarearia um pouco o caminho.
-Sabe, amor? estive pensando onde levarei as meninas
quando vierem e também pensei que talvez pudéssemos ir a Malibú
este fim de semana para visitar meus pais, inclusive meu velho me propôs
que eu tomasse conta da companhia � vamos?, assim os conheceria� -disse a jovem
tratando de que sua voz soasse o mais casual possível.
-Ah!� minha querida, acho que não é
uma boa ideia� tenho milhares de coisas o que fazer! -respondeu em tom um tanto
assustado a morena.
-Hei�fique traquila não vou te forçar
a conhecer os seus sogros'! podíamos ir apenas até lá para
passear� mas não tem problema, vou com Karen e Joan. Chantal quis ocultar
a decepção em sua voz, esta era uma pequena prova de que ela ainda
não estava pronta para nada mais sério.
-Meu� amor, perdão� não estou com medo! mas a verdade é que me preocupa� um pouco essa visita - disse Val ao se dar conta de que Chantal tinha ficado triste.
-Eu já disse que não tem problema� -mas
mesmo assim ela não podia evitar de se preocupar com reação
da morena, talvez fosse só ela que queria ter uma relação
séria e duradoura�
Não falaram mais sobre isto que obviamente
as incomodavam, e ao chegar ao apartamento de Chantal, esta preferiu se despedir
no carro, não a convidou para entrar.
Oh� oh! acho que toquei em um ponto sensível
de Chantal� não quer nem me deixar entrar para despedirmos direito, merda!,
disse Val, também decepcionada pela reação da jovem.
-Bom céu� vemos-nos amanhã no Rancho?
-perguntou Val.
-Não sei se poderei ir para lá, vou
me encontrar com Roger amanhã cedo, para a assinatura de uns documentos
e� depois irei ao aeroporto pegar minhas amigas� eu te ligo quando voltar para
São Francisco, ok? -Abriu a porta do carro e começou a sair,
quando uma mão em seu braço a deteve.
-Hei� isto não pode ser tão mau, o que
disse antes sobre visitar seus pais que não mereço ganhar nenhum
beijo de despedida? -pediu Val com um sorriso.
E Chantal apesar de estar ressentida com a atitude
da morena, não pôde evitar de lhe sorrir e lhe dar um terno beijo
em seus lábios. - não foi tão mau� te quero� a jovem foi
embora sem olhar para trás.
No dia seguinte, como era de esperar, Chantal se concentrou
em seu trabalho e em ir buscar suas amigas.
Após tanto tempo sem ver nenhuma delas queriam
ficar a par de todas suas aventuras e desventuras vividas nesses meses.
- Chantal� por que a Val não veio com você?� está tão ocupada assim? -perguntou Karen à sua amiga.
-Sim� mas mandou lembranças pra vocês�
ela vai nos encontrar mais tarde respondeu esquivando o olhar, sabia que a morena
a conhecia e ia se dar conta do que ela queria-. Vamos ficar um pouco apertadas
em meu apartamento, mas já passamos por coisas piores disse tratando
de mudar de assunto, sem desviar o seu olhar da estrada.
As duas amigas voltaram a se olhar e fizeram um gesto
que claramente demonstrava sua preocupação� definitivamente, algo
andava mau, pensou Joan.
Ao chegar a Sonoma já estava anoitecendo e
as garotas queriam comer e descansar um pouco, antes de começar com suas
explorações pelo local.
-Vamos garotas, vou lhes mostrar o apartamento e depois
sairemos para jantar� esta é a sala� -Ao passar pela mesinha do telefone
Chantal viu que tinha mensagem, sabia de quem eram os recados, mas não
quis escutar em frente de suas amigas-. Aqui é onde eu como� e aqui é
cozinha que ainda não estreei, e do outro lado� fica o meu quarto e o
banheiro!
-Hei, adorei!� mas é um pouco pequeno� esse lugar é a sua cara ! -disse Karen.
-Por aqui� meu quarto� e o banheiro é naquela
porta� gostaram?, claro que terão que se acomodar nesse sofá cama
porque não cabe mais que isso, como estão vendo e apartamento
não foi planejado para ter quarto de hóspedes - disse Chantal.
-Bom, eu não me queixo porque é verdade
já vivemos como 'sardinhas' lembram, isto aqui é um luxo� claro
que podíamos ter optado por passar esses dias no Rancho. Não pode
compartilhar com nós a 'boa vida' -disse a morena, e Chantal preferiu
ficar calada, coisa que provocou novamente olhares entre Karen e Joan.
- Que acham de sairmos um pouco?
-Ok�vamos jantar com Val ou só seremos nós?
-perguntou Karen com segunda inten&ccediil;ão.
- acho que só nós� precisamos falar
de nossas coisas e é melhor assim, não é? -disse a loira
uma vez desviando o olhar de suas amigas.
-Cansei! vai nos dizer o que esta acontecendo ou não sairemos daqui, não é Joanni? -falou Karen já cansada de tanta enrolação.
-Pode começar a falar , somos todo ouvidos -disse a ruiva enquanto se sentava na saala.
-Hei� não esta acontecendo nada, não sei do que estão falando.
- Acha que não te conhecemos? está quase
chorando!, vêem aqui. -A morena tomou-lhe a mão e a levou até
onde estava sentada, a colocou sobre uma de suas pernas.
- não é nada, só� um pequeno
mau entendido�disse suavemente Chantal.
-Minha querida� não me diga que é a
mesma merda de sempre� perdão� Val e suas famosas insegurança
outra vez.
-Não!� é que� sou eu o problema, acho que estou sempre a pressionando e ela não esta ainda preparada para nenhum compromisso� isso é a verdade -disse a loira.
-Claro� ou seja é o mesmo rolo de sempre, mas
que aconteceu?, até o dia que conversamos parecia bem� e mais, estava
emocionada com a 'bendita', e agora? -comentou Karen.
-É que�ontem lhe disse que este fim de semana iríamos visitar os meus velhos em Malibú e se queria vir conosco, ela não quis e definitivamente isso me fez voltar a pôr os pés no chão.
-Hei, espera um minuto!, passaram mais de dois meses,
praticamente vivendo juntas e me diz que ela ainda não esta segura de
seus sentimentos, você o que para ela? seu passatempo?� não entendo!�
você veio para o outro lado do mundo para estar com ela -disse a morena
furiosa.
-Não!� eu não sou seu passatempo� ela
me ama� tenho certeza, mas é que� não está pronta para
compromissos a longo prazo. Eu sempre soube, mas mesmo assim� quis tentar e
agora não sei se fiz a coisa certa� -Baixou seu olhar para ocultar as
lágrimas que começavam a se formar em seus olhos.
Joan abraçou-a ternamente e fez um gesto a
Karen para que ficasse calada, não era boa idéia seguir 'pondo
mais lenha na fogueira'.
À noite saíram para jantar e não falaram em Val. Depois decidiram ir tomar umas cervejas e comemorar por estarem juntas novamente.
Ao voltar para o apartamento, Chantal viu que tinha
recados na secretária e preferiu ignorá-los, mas não Karen.
-Chantal� não acha que está na hora
de falar com ela, sabe que se esconder não soluciona nenhum problema.
-Do que está falando?� eu não estou me escondendo de ninguém, só quero pensar um pouco�que droga!� bom já basta, vamos dormir� amanhã temos que levantar cedo.
-Amor� acho que isto não é boa ideia. Val sabe que você foi para São Francisco ? -perguntou a ruiva.
- Sabe
-E não acha que já é um pouco
tarde ela deve estar preocupada sem saber se está bem? Sabia que
você ia pegar estrada e ao ver as horas passando� e nada de você
ligar e este não é o melhor momento para castigá-la� ou
pelo menos não é a melhor forma, sei que eu estaria à beira
de um ataque!
-Não sei�
-Se soubesse que Val tem que fazer uma viagem e vão
passando as horas sem que ela te ligue para te avisar que já havia chegado,
como sentiria� mesmo estando brava com ela? -disse Joan.
-Esta bem� já entendi!� vou ligar� contente?
disse a loira, com ar cansado.
-Sim
-Vou ligar do meu quarto.
Apesar de ter entendido perfeitamente suas amigas, ela mesma não estava muito convencida da necessidade de fazer aquele telefonema e enquanto tinha o telefone em sua mão, este tocou lhe assustando
Caramba!
-Oi?
-minha querida� como está?� aconteceu alguma
coisa?� por que demorou tanto?� está bem? -perguntou assustada Val do
outro lado da linha-. Teu celular está desligado� liguei várias
vezes� -continuou ao não escutar nenhuma resposta.
-Tranquila� não aconteceu nada, estamos bem�
é só que� -Chantal se manteve em silêncio uns segundos,
sem saber o que dizer.
-Ah!� entendi� não queria falar comigo� perdão não queria atrapalhar sua reunião com suas amigas� queria saber se estava bem, nada mais agora que sei que é assim� não vou te encher mais, adeus! -e sem dar tempo para nada desligou.
Val não podia conter mais a raiva, e também
as lágrimas.
-Merda!� voltamos ao mesmo, Chantal, eu não
merecia esta angústia� não fiz nada! -dizia enquanto guardava
seu celular enquanto caminhava, aproveitando a quase escuridão deixou
que suas lágrimas caíssem.
Por seu lado Chantal manteve o telefone na mão,
sem saber o que fazer, este assunto lhe estava escapando das mãos e não
sabia que fazer para evitar, sobretudo para entender e aceitar a atitude da
morena sem se sentir decepcionada. Entendeu é que ela não
tinha necessidade de ter se preocupado por sua demora, era lógico que
agora a morena estava brava� pensou com tristeza.
Saiu do quarto e viu suas amigas na cozinha, e se uniu a elas.
Pela manhã e sendo sexta-feira, ela ainda tinha
que ir ao escritório resolver alguns assuntos e não pensava em
passar pelo Rancho mas teria que falar com Val, primeiro falou com sua mãe
para lhe informar de seus planos, depois acordou a Joan e lhe disse que voltaria
em algumas horas.
As coisas em seu trabalho desenvolveram-se com normalidade,
tinha tudo para não ter nenhum problema e teria a tarde livre e
ligou para Sam para lhe informar que sairia da cidade no fim de semana.
-Hei, Chantal como está minha advogada preferida?
-saudou Sam do outro lado da linha.
-Tudo bem� como você está? e a Fisioterapia?
-Muito bem linda, obrigado por perguntar� o que devo
o gosto de teu telefonema?
-Vou para a casa de meus pais esta tarde e queria
te avisar que não estarei por aqui até segunda-feira ou terça-feira�
tudo bem?
-Tudo bem , não tem problema, que estranho,
esta manhã Val não nos falou nada� ela vai contigo? -disse num
tom preocupado
-Não, desta vez não viajaremos juntas�
é por isso que não disse nada. Sam tenho que ir� mande beijos
para todos e nos vemos na próxima semana, ok?
-claro, mande lembranças para seus pais e que
espero ter a oportunidade de recebê-los qualquer dia. Adeus linda� -Sam
desligou ainda mais preocupado que antes.
Bom� agora o inevitável, pensou a jovem.
-Bom dia� ViDissa a suas ordens� disse a secretária.
-Oi Patty� Val está por aí, por favor
pode dizer que sou?
- Chantal� Val não está neste momento�
saiu quer deixar algum recado? disse muito animada a secretária da morena.
-Só diga que liguei� ou melhor lhe avise que
estou indo para a casa de meus pais e que falaremos quando eu voltar, ok?
-Mas�tá eu lhe aviso. Adeus e boa viagem! Que
estranho! Deus queira que não estejam brigadas� porque não posso
suportar mais os ataques de raiva de minha chefa!
A loira desligou o telefone e com os olhos nublados
pelas lágrimas, pôs seus óculos de sol, pegou a carteira,
seu celular e saiu do escritório e foi pegar o seu carro.
Isto me dói tanto amor, mas é o melhor para ti! Chantal -disse para si mesma.
***
-Hei� Val! Chantal ligou duas horas atrás�
e� disse que� a secretária de Val já imaginava como a morena reagiria
a esta notícia e sinceramente não queria ter que enfrentá-la
nesse momento, mas�
-Disse o que?! -gritou a morena, que estava já
entrando no seu escritório após uma extenuante manhã com
os trabalhadores dos vinhedos, não tinha mais paciência com ninguém
ou pelo menos neste momento.
-Que estava indo para a casa dos pais disse
tudo de uma vez e fechou os olhos para esperar a reação de sua
chefa.
- Foi mesmo? disse suavemente a mulher, deixando com
a boca aberta a sua assistente.
Val fechou a porta de seu escritório e com um suspiro deixou-se cair na cadeira.
-É o que você quer Chantal�então
será ! disse pára si mesma e em seguida voltou a levantar pegando
as chaves de seu jeep.
-Não me chame para nada nem para ninguém.
-Saiu do escritório sem dizer nadda mais.
Pensei que seria pior!� que aconteceu entre elas?,
parecia que tudo estava bem� disse Jane admirada com sua boa sorte.
Fazia apenas alguns minutos que Chantal e suas amigas
tinham embarcado em um vôo privado para Malibú, pousaria
em um aeroporto pequeno e lá esperariam pelo motorista da família.
Durante o trajeto, Chantal foi a maior parte calada
só de vez em quando fazia um comentário ou respondia alguma pergunta
das garotas, que estavam cada vez mais nervosas com a atitude da jovem.
Por seu lado a morena tinha ido para seu lugar preferido
na colina, de lá apreciava toda a paisagem do vale, se sentia mais perto
da natureza e agora ela precisava pensar e se tranquilizar. Estava furiosa com
a viagem da jovem, achou que iria amanhã, no entanto tinha decidido ir
antes do planejado e nem sequer se despediu pessoalmente. Que está acontecendo
Chantal? age como uma menina caprichosa e tudo por causa de uma simples
visita aos meus famosos 'sogros'� eu não quero os conhecer� ainda não�
não quero que me pressionem.
Deixando que o vento desarrumasse o seu cabelo, começou
a lembrar dos momentos vividos com a advogada, na primeira vez que a tinha trazido
neste lugar para lhe mostrar o Rancho por cima e lhe contar sobre seu esconderijo
de menina, tinha a conhecido a poucos dias, mas se sentia segura nos braços
da jovem. Graças a suas inseguranças tinha-a perdido e com isso
passou por maus momentos e sofrimentos, até que por um jogo do destino
voltou à tê-la e agora pensava que estavam tratando de construir
um futuro juntas� mas, em que momento as coisas voltaram a mudar?, agora novamente
se sentia confusa e triste� nestes últimos meses tinham sido magníficos,
nem sequer sabia como os descrever� ela tinha se sentido completa.
Sem temor algum sabia que amava Chantal, então
por que queria se arriscar à perder definitivamente?� sua tão
preciosa independência, sua autonomia, valiam a pena? � podia correr com
este risco e por seu próprio egoísmo afastar a felicidade de seu
lado e pior ainda fazer sofrer a quem era sua vida?
A noite foi caindo e Val pôde apreciar uma vez
mais aquele lindo pôr-do-sol estava sentada junto de sua árvore
favorita e deixou que a noite caísse antes de pensar em voltar para o
seu carro. Ao se levantar sentiu frio, mas não era um frio físico
o que a fazia tremer, era o de se sentir sozinha� desta vez estava realmente
sozinha.
Chantal, meu amor� talvez não queira me pressionar,
só queria viajar comigo e aproveitar e me apresentar aos seus pais� talvez
eu a interpretei mal eu quis que conhecesse a minha família imediatamente?�foi
a primeira vez que eu trazia alguém para a casa de meus tios� e no entanto
você não saiu correndo, podia também ter se negado a fazer,
e com a maior razão já que mal nos conhecíamos, mas não
o fez porque era só isso, uma visita, mas� de alguém importante
para mim� ela sim entendeu!� eu ao contrário� sou uma besta!� quando
aprenderei?
E lentamente foi desenhando-se um sorriso em seu rosto,
finalmente entendeu, o que no início foi temor, agora era aceitação
e necessidade de depender dessa outra parte de seu ser, já não
tinha por que fugir à realidade, ela precisava de Chantal, tanto como
o ar que respirava e era maravilhoso, saber que a jovem estava com ela
e que as duas se complementavam de tal maneira, era definitivamente maravilhoso.
-Deus, faça que não seja tarde demais,
que Chantal possa me perdoar� uma vez mais. Que esta seja a última vez
que me comporto como uma imbecil� não quero fazê-la sofrer disse
em voz alta, enquanto secava seus olhos que não lhe deixavam ver claramente
o caminho.
A kilometros de distância, Chantal estava
encostada na janela da limusine de seu pai, pensando em certa alta e linda morena
que preenchia seus dias e noites a mais de um ano.
Val, meu amor� talvez sem dar-me conta estava te pressionando?�
não quero que isto nos traga problemas, não posso te perder outra
vez� desta vez não. Eu tenho culpa que tenha agido assim� qualquer um
fica com medo de conhecer os sogros e eu devia entender isso� poderá
me perdoar?� vai me querer ainda, após ter me comportado como uma menina
caprichosa?� espero com todo meu coração que sim, quando chegar
na casa de meus pais tenho que te ligar para me desculpar� por favor Deus
faça que não seja tarde�
Depois dos abraços de sua mãe, Chantal
se pediu licença e subiu para seu quarto pra ligar para Val.
As amigas ficaram com à senhora De Lancel, à qual conheciam a muito tempo e sabiam que era uma pessoa muito amigável e que gostava delas. Conversaram sobre muitas coisas e a senhora comentou-lhes que seu esposo chegaria na hora do jantar, e as levou para o quarto de hospedes, para descansarem um pouco.
Enquanto subiam as escadas, a mãe de Chantal
estava preocupada tocou suavemente o braço de Karen e perguntou-lhe:
-Sabe por que Chantal está tão calada?,
é estranho� mal falou comigo e em seguida desapareceu.
-Não sei, mas acho que é algo entre
ela e Val, isso a deixa bem sensível� mas logo elas nos conta o
que está acontecendo ou tiramos dela� não Joanni? -disse Anne
sorrindo, ela já estava preocupada com sua amiga.
- claro� não deve ser nada respondeu Joan com
uma sensação estranha.
Em seu quarto Chantal andava nervosamente enquanto
seu celular discava o número da casa de Val.
-Nada� onde foi! -disse lançando seu pequeno
aparelho sobre a cama. -Voltou a pegar seu telefone e desta vez ligou para o
celular da morena, o qual anunciou que estava fora de serviço e que podia
deixar sua mensagem.
-Merda� não quero deixar mensagens� quero falar contigo, preciso falar contigo Val, minha querida onde se meteu? -disse, limpando com raiva as lágrimas que começavam a cair por suas bochechas, se aproximou da janela tratando de se tranquilizar. Levantou o seu olhar e contemplou o sol que estava se escondendo, era linda a vista mas ela não estava curtindo, sabia que estando ela ali sozinha tudo parecia apenas uma paisagem de cartão postal.
Um calafrio percorreu suas costas e entendeu tudo�
estava sozinha, sem Val estava incompleta, era uma realidade aterrorizante�
depender tanto de outra pessoa devia dar medo, no entanto ela sentia que Val
não era outra pessoa, era singelamente parte de seu próprio ser.
A noite, na casa dos pais da jovem advogada, tudo
foi alegria já que fazia algum tempo em que os pais de Chantal não
via a sua filha. Sempre conversavam pelo telefone mas nenhuma das partes podiam
viajar para se reunir.
George Hughes III, após tanto tempo, seguia
mantendo as esperanças de que sua filha voltasse a ter uma vida 'normal'
e que em qualquer dia lhes comunicasse que ia casar e lhes daria muitos netos.
Mas apesar de seus sonhos frustrados, com todas suas forças se resignou
a apoiar da melhor maneira sua filha. Para Anne De Lancel as coisas eram mais
fáceis, sempre teve uma vida cheia de aventuras e coisas mudam à
cada instante, sua mãe não era nada convencional e menos ainda
sua avó, ela entendia de diversidades e tudo isto não representava
nenhum esforço, inclusive quando a jovenzinha que mal completava 17 anos
e que já ia começar a universidade, lhes comunicou sobre
sua orientação sexual, ela só se moveu para lhe dar um
beijo na testa e lhe dizer que tivesse cuidado porque as meninas às vezes
eram mais travessas que os rapazes� e lhe dizia por experiência!, comentário
que produziu alguns olhares entre pai e filha, se perguntando mutuamente de
que tipo de travessuras a senhora De Lancel estava falando.
Depois do jantar foram para o terraço, todos estavam animados conversando e Karen dava algumas cotoveladinhas em Chantal para que participasse da conversa. Anne queria saber mais sobre Val, todas as ocasiões em que elas conversavam por telefone, sua filha parecia fascinada com a mulher e várias vezes ela mesma tinha trocado algumas palavras com Val. Agora de repente algo andava mau e ela não queria que sua filha sofresse outra vez. Conhecia ela muito bem e sabia de seu jeito extremamente sensível. Mas Chantal fugia do assunto a todo custo e a cada vez que sua mãe tentava falar do assunto, ela procurava um pretexto para não falar dele.
Aquela noite nenhuma das duas conseguiram dormir direito,
Val no Rancho e Chantal na praia.
***
Para Val, a rotina da manhãs tinha mudando
desde que Chantal veio para a Califórnia, havia noites que ela ficava
em Somona com a jovem e outras em que Chantal vinha para o Rancho. A verdade
é que as corridas ao amanhecer tinham ficado praticamente reduzidas a
nada, Val não estava se importando em manter a forma fazendo exercício
na academia do complexo e as tardes antes de se encontrar com a jovem advogada
e nos fins de semana nadava com suas primos, sendo este o exercício mais
completo que estava fazendo, já que os meninos não a deixavam
descansar nem um instante.
Amanheceu e Val decidiu ir a casa de seus tios como era de costume, entrou pela parte de atrás que dava à cozinha e sem mais preâmbulo se sentou numa das cadeiras da mesa do café.
-Oi gente� -foi a única coisa que disse e começou
a pegar o café.
-Bambina mia� come stai?� vieni, vieni com a nonna! -dizia-lhe sua avó abraçanndo-a fortemente, ao que Val respondeu com um grande sorriso e um beijo na cabeça da idosa.
-Hei� o que foi isso de "oi, gente'? Vêem
me dar um beijo mocinha� faz tempo que não vinha tomar café conosco�
cadê a Chantal?� ficou em Sonoma? -perguntou sua tia.
-Olá preciosa - saudou seu tio alçando
o olhar do jornal e sorrindo-lhe carinhosamente.
-Dov'é il mio angelo? -perguntou pela loira
em seguida a avó.
-Que foi dessa vez?� por que essa carinha� onde esta
Chantal? -disse Vivi.
-Hei deixa-a em paz� não a aborreça!
- disse defensivamente seu tio.
- aconteceu algo� e acho que foi culpa minha. -Baixou
seu olhar e começou a brincar com seu café da manhã, que
sua avó lhe tinha servido, enquanto sentia a mão de seu tio tocar
suavemente sobre seu braço.
-Está muito tranquilo, hei Samuel, talvez já
sabia disto ou que? -disse irritada Vivi.
-Não, eu só sei que Chantal foi visitar
os seus pais por uns dias� deve ser isso, não é? -disse Sam.
-Claro e por que não me avisou?� eu sou a última
a saber do que se passa nesta casa�
-Só me ligou pra se despedir, pensei que não
fosse importante e esqueci de te contar -olhou Sam pra sua sobrinha pedindo
ajuda.
- tia eu também não sabia que Chantal ia viajar ontem, suas amigas iriam chegar de Boston para passar uns dias aqui?, bom� decidiram ir pra Malibú e passar o fim de semana por lá�
-Sem ti!� essa reação parece estranha
em Chantal� o que você fez a ela?
-Ela queria que eu fosse� fui eu �que não quis ir� -disse a morena quase num murmúrio.
- O Que?!� como não quis ir� por que � não
entendo, que acontece contigo? -disse sua tia.
-calma Vivi, deixa ela respirar � dirigindo-se a sua
sobrinha, tome seu café eu contenho a esta furacão!
-Não� tudo bem� eu mereço, mas tia,
não se preocupe� daqui algumas horas vou para Malibú, só
me deseje sorte e que não volte a brigar comigo sorriu a jovem para sua
família.
Após a conversa com seus tios, a morena foi
até sua casa e preparou uma pequena mala. Pegou seu jipe e saiu para
o heliporto de Sonoma, ali pegaria um helicóptero que a levaria
para o sul da Califórnia.
***
Logo ao amanhecer já se escutava movimento
na mansão dos Hughes De Lancel. Depois do café as jovens despediram-se
de George e as quatro mulheres saíram para passear e fazer compras, seu
passatempo preferido.
Anne segurava o braço de sua filha, sentindo que a jovem precisava de seu apoio. Voltaram antes do meio dia para irem a praia. A cozinheira preparou deliciosos sanduíches para elas comerem quando tivessem fome.
A mãe de Chantal se despediu e disse que ia
fazer companhia a seu esposo também estava esperando a chegada de seu
filho mais novo, que ao saber que sua irmã estava em casa decidiu vir
vê-la. Seria um lindo fim de semana com seus dois filhos, se Chantal não
estivesse tão triste!, repetia a mulher.
Chantal estava curtindo o passeio junto de suas queridas
amigas, mas não podia deixar de se preocupar com Val. Várias vezes
tinha tentado falar com ela. Mal acordou e já ligou pra ela, obtendo
o mesmo resultado� só ouvia a ligação caindo na caixa postal.
Quando George e Anne se sentaram à mesa, o
mordomo lhes informou que tinham visita, a senhorita Valentina Dei Stefano
estava no portão principal e o guarda solicitava a autorização
para deixá-la entrar.
A visita sem dúvida era inesperada e mais ainda
após a conversa que tiveram na noite passada com sua filha, que lhes
disse que estava meio confusa sobre seu futuro com a morena, ninguém
imaginou que a bendita mulher podia estar em sua porta.
O pai de Chantal disse que a deixasse entrar e que a trouxesse até eles.
Ao entrar Val, os pais de Chantal ficaram surpreendidos,
a mulher era espetacular e seu sorriso demonstrava certa timidez que a fazia
ser ainda mais encantadora.
-Entra Val� espero que nos acompanhe no almoço� acabamos de nos sentar à mesa -disse cortesmente Anne, dando um beijo na bochecha de Val para cumprimentá-la como era de seu costume.
-Não quero atrapalhar, perdão por ter chegado em um momento inoportuno� -se desculpou Val respondendo ao beijo da senhora e imediatamente se dirigiu ao pai de Chantal, estendendo sua mão para cumprimentá-lo.
-Olá� muito prazer Sr. Hughes -disse timidamente
a morena.
-O prazer é nosso� e pode me chamar de George, por favor, e não vai nos atrapalhar em nada, vêem� passemos para a sala de jantar.
-Obrigada. -Val caminhou com seus anfitriões
até a sala de jantar que já estava pronta para recebê-los
A morena estava muito nervosa, mas não queria que eles notassem e tentava
não olhar ao redor procurando por Chantal-. Poderia ir ao banheiro?
- Mas é claro, desculpa nossa falta de educação�acabou
de chegar de viagem� Rosário acompanhe a jovem -disse Anne.
Ao voltar, os dois já tinham se sentado e com
sua mão Anne lhe assinalou o lugar que ela devia ocupar. Sem poder conter
seus nervos Val disse: -Onde está a Chantal?� poderia falar com ela,
por favor?
-Está na praia e depois poderás falar
com ela, mas que tal conversarmos primeiro� -disse o pai em tom amistoso, mas
sério.
Ante o qual a morena só pôde engolir
secamente. Oh, oh. chegou a hora do interrogatório!, pensou a mulher.
A conversa a partir daquele momento foi muito informativa, para a morena as coisas podiam ficar pior e depois do nervoso inicial deu-se conta de que seus sogros não eram tão mal. Também para os pais da jovem, suas inquietudes seriam resolvidas da melhor maneira, ficaram mais tranquilos ao comprovar que a mulher que sua filha tinha se envolvido era uma pessoa de princípios, séria e que estava disposta a receber um bom puxão de orelhas por parte de Chantal, com tanto que fosse desculpada.
Só neste momento souberam o porque da atitude
reservada de sua pequena desde que chegou e entenderam os temores de Val, e
o que isto representava para ela. Estavam satisfeitos em ver que a mulher tinha
reconsiderado sua posição e que de fato estava aceitando dar um
passo a mais na relação e da forma mais natural possível.
Ao terminar foram para a piscina, e podiam ver a praia.
Ao longe escutava-se os risos das garotas e inclusive podia-se distinguir com
facilidade as silhuetas de cada uma delas. Estavam brincando no mar.
Val colocou seus óculos de sol para poder observar Chantal. Que estava tão linda� mais que isso� estava gostosa, definitivamente é uma mulher maravilhosa, pensava com o olhar perdido na jovem loira.
O casal tinha-se sentado nas cadeiras cobertas, e observavam Val que estava apoiada sobre seus cotovelos na beirada do murinho.
Quase num murmúrio, George comentou com sua
esposa: -Uau!� que bom gosto de nossa filha, não é?
-Engraçadinho� e pode ser� o bom gosto é
de ambas as partes respondeu Anne.
-Óbvio� mas eu só posso ver quem está
em minha frente! -disse alçando suas sobrancelhas .
E recebeu um tapa no braço, por parte de sua
esposa. Os dois riram animadamente.
-Sabe ao que me refiro seu tonto!� nossa menina é
muito linda.
-Claro que é , puxou a mim!� perdão�
saiu totalmente à mãe! -corrigiu-se imediatamente ao ver o olhar
de Anne, se aproximou -se deu-lhe um suave beijo na bochecha.
A conversa dos pais de Chantal tinha passado
desapercebido para a morena que estava concentrada no biquíni de Chantal
e nas partes que não cobria. Ao longe escutou alguém lhe perguntando
algo, ela se virou e viu o empregado com algumas bebidas. Agradeceu e pegou
uma porque estava precisando se refrescar.
Ao que parecia as garotas já estavam voltando, Karen estava se secando e as demais recolhiam suas coisas. Chantal olhou e quase sentiu que suas pernas bambearam. Junto a ela estava Joan que lhe perguntou o que ela tinha.
-Olha quem esta lá em cima� disse Chantal, colocando seus óculos escuros.
-Ah�seu doce tormento!� Karen olha quem chegou e lhe
fez um gesto com a cabeça para que ela também olhasse.
é claro que Karen não era a imagem da descrição, e começou a gritar.
-Hei� Val� já era hora de você aparecer!
-gritou, enquanto subia rapidamente os ppoucos degraus que separavam a praia
da piscina. As outras duas seguiam lentamente.
Mal chegou junto a Val se aproximou e lhe deu um pequeno
beijo na bochecha, e depois lhe deu um soquinho no braço da maneira�
as duas sabiam que a morena merecia isso e muito mais.
Em seu ouvido murmurou-lhe: -Espero que você
conserte esse mau entendido� senão já sabe o que te espera! -E
afastou-se e foi em direção a mesa das bebidas, para pegar
uma delas.
-Hei George, conta-me como vão os negócios�
e como vai as minhas ações� estão subindo? se sentou
e puxou conversa para desviar a atenção das garotas.
Em seguida subiram Chantal e Joan, a qual saudou à
morena também com um beijo na bochecha, mas sem dizer nenhuma palavra
se retirou para onde estavam os demais, deixando Val e Chantal sozinhas.
Sem poder evitar Chantal sentia que seus olhos estavam
ficando marejados e a qualquer momento começaria a chorar, ela não
queria que Val notasse.
-Olá amor� como está? -disse-lhe suavemente Val , não sabia o que fazer se lhe daria um beijo ou não.
- olá� não imaginei te ver aqui -lhe respondeu Chantal.
As mulheres estavam bem consciente de que tinham quatro pares de olhos fincados nelas, e isso as deixava incomodadas.
-Podemos conversar� em outro lugar, por favor? -disse
Val.
- vêem. - Se virou e secou seus olhos.
Chantal começou a descer novamente as escada, a morena agachou-se para tirar suas sandálias e as deixou no último degrau da escada.
A jovem estava esperando pela morena, e não
pôde evitar e voltou para perto de Val� estava tão indefesa e tudo
por sua culpa. Começou a estender sua mão para pegar a da jovem,
mas Chantal não deixou e voltou a caminhar afastando-se. Val baixou a
cabeça e a seguiu.
-É lindo este lugar, não acha? -disse
a jovem surpreendendo à morena.
-Sim� é muito bonito� minha querida , eu queria� me desculpar.
-Eu te liguei ontem e esta manhã� eu também precisava� falar com você� queria me desculpar. Chantal parou de andar tirou seus óculos.
-Você se desculpar?� por que? Se fui eu que
estive fora de lugar� eu com meus medos� -ficou em silêncio, tratando
de fazer sumir o nó que se formou em sua garganta-. Espero que s me perdoe
de novo, farei de tudo para que esta seja a última vez, amor� só
quero que saiba que não quero te perder por nada� não posso permitir
que isto se acabe� por um mau entendido. -Val não pôde conter mais
sua emoção e abaixou a cabeça deixando que suas lágrimas
caíssem livremente.
Chantal se manteve em silêncio estendeu sua mão e a levou até o rosto de Val, acariciou suas úmidas bochechas.
-Sabia que somos duas bobas que não sabemos
aproveitar o que temos, devemos parar com essas besteiras que só serve
para nos machucar� e nos amar se aproximou um pouco mais até sentir
que seu corpo molhado tocava o da morena.
Era tudo o que Val precisava e sem duvidar mais, a
pegou com todas suas forças cobrindo-a de beijos no rosto, que ria feliz.
Do terraço da mansão quatro pessoas
muito felizes viam a reconciliação do casal, lá embaixo
na praia, por fim elas puderam respirar com tranquilidade e decidiram que era
o momento de brindar com uma deliciosa taça de seu champanhe preferido�
'Chateau De Lancel'.
FIM
Fevereiro de 2004
Qualquer
comentário ou sugestão: [email protected]