Sob a Luz de seu Olhar
Soninha
2009
Capítulo 5:
Mei entrou em casa, foi até
à cozinha e serviu-se de um copo de água, numa suntuosa
provocação. Um curto espaço em silêncio,
até que a voz de Chris rompe o momento. - Até que horas pretende me
torturar, Mei? - Torturar? Eu? Nem pensei nessa possibilidade... - Ah, engraçadinha! Não
se faça de sonsa comigo que não cola. Vai. Desembucha
logo. - Não faço idéia
do que você está falando Chris. - Não conhecia esse seu lado
debochado Mei, é uma novidade para mim, sabia! Vamos, me
fale. O que ta rolando entre você e a Fernanda? Pensa que
não vi os olhares trocados entre vocês? - Não está acontecendo
nada Chris. - Eu não nasci ontem Mei, para
sanar sua dúvida, aquele beijo inflamado que deixou seus
lábios tão vermelhos, eu o presenciei, então,
sua farsa acaba aqui. Chris a fitou vitoriosa, e gostou
do brilho que irradiava dos olhos castanhos esverdeados. - Estou vendo que não tem como
esconder nada mesmo de você. - Você pra mim é como
água cristalina Mei. - Já que é assim, o
que está rolando é que estou perdidamente apaixonada
pela Fernanda, como nunca pensei ser possível, e hoje, descobri
que sou correspondida. É isso Chris. Chris sorriu à sua amiga. - Puxa Mei, fico feliz por você!
Quero sua felicidade, afinal você é uma pessoa maravilhosa,
e merece viver esse amor. - Obrigada Chris. Fiquei com receio
de partilhar minha alegria com você, afinal, o momento que
está vivendo... - Mei - não permitiu que a
amiga continuasse em sua linha de raciocínio. � Posso muito
bem conviver com sua felicidade. Saiba que ela não afronta
a minha dor e tristeza. Seria uma grande egoísta se não
me alegrasse por sua descoberta, afinal, seu apoio tem sido constante
e irrepreensível comigo. Você é minha melhor
amiga, e ficaria triste, se por causa do momento que estou passando,
você deixasse de viver sua felicidade. Aí sim, você
me feriria profundamente. E conheço Fernanda. Ela vai te
fazer muito feliz. Mei segurou a mão de Chris,
levou aos lábios e depositou um beijo. - Obrigada minha amiga! Você
é muito importante e especial pra mim. - E você pra mim, Mei. ***** Chris aproveitou o tempo e foi direto
para o banho. Gostava de sentir a água cair em seu corpo,
numa massagem suave. Decidiu deitar e descansar um pouco. O sono
veio fácil, entregou-se com prazer, sonhando com os amores
de sua vida. - Oi meu tesouro loiro! - foi a saudação,
logo ao ouvir leves batidas na porta de seu quarto. - Oi Papai. - Posso entrar? - Claro. Entre! Entrou e sentou-se na beirada da cama,
enquanto acariciava os cabelos de sua filha. Pouco tempo depois
sua mãe surgiu na porta. - Sabia que estaria aqui meu amor. - Sim minha Rainha, estou aqui contemplando
nosso tesouro. - E posso participar de sua contemplação,
meu querido? - Sempre, afinal, se a tenho eu devo
a você! Ela é o fruto mais precioso que seu amor poderia
me presentear! - E você meu Amor, é
o responsável por tão linda prova de amor. A loirinha que apenas olhava a interação
dos dois, resolveu provocar a ambos. - Ei, será que podem ir completar
isso lá no quarto de vocês? Não quero presenciar
nada erótico bem na minha frente. Dona Nelma ficou rubra de vergonha,
e Sr Jefferson apenas gargalhou. - Você não tem jeito,
não é minha criança! - Não mesmo Papai. Não
fica com vergonha mãezinha, estava só brincando com
vocês. Adoro ver esse amor que jorra de seus corações.
Quero um amor assim em minha vida, sabe. - Você terá meu tesouro,
você terá! Acredite. Meu amor por sua mãe é
tão grande, que sem ela não saberei viver. Se um dia
ela se for antes de mim, não posso enganar você meu
tesouro, por mais que te ame, sem minha Rainha, não sobrevivo.
Respiro por ela, vivo para ela, e só posso ser feliz com
a felicidade dela. Ela é minha vida, meu encanto, minha alegria. Os dois trocaram um olhar apaixonado,
e revelador. Chris entendeu nesse instante que, para existirem teriam
que sempre estar juntos. - Sempre pensei Papai, que um amor
assim fosse apenas utopia, mas olhando vocês, vejo que é
realidade e sou feliz por ser fruto dessa energia tão grandiosa
que o amor de vocês emana. - Que bom que nos entende filha. Mas
nunca se esqueça, amamos você, e não importa
onde estejamos, sempre velaremos por você. - Eu tenho certeza que sim, Mãezinha. Acordou chorando. Sentia a tristeza
pela perda de seus pais, mas também o consolo de ser parte
vital da expressão de um amor que ultrapassou os liames da
vida, que sobrevive numa realidade, quer seja paralela ou noutra
dimensão, mas na certeza que permaneciam unidos. Ao lembrar do jantar que propusera
a Fernanda, levantou-se rapidamente. Lavou o rosto para disfarçar
o choro, mas tinha certeza que seria inútil. Ao contrário do que pensara,
Mei nada comentou. Agradeceu por isso, pois sua fragilidade poderia
estragar a noite de suas amigas. Encontrou o jantar pronto, e sua ajuda
foi praticamente desnecessária, mas venceu pela insistência
em lavar as louças. Enquanto aguardavam a chegada de Fernanda,
ficaram conversando amenidades. - Não sei o que seria de mim
sem você Mei. Acho que em outra vida, com certeza, fomos irmãs
- sorriu carinhosa. - É tudo o que mais desejaria
nessa vida. Você é a família que me acolheu
e que reconheço como tal. A família que conheci não
merece ser chamada assim. - Estou feliz por você e Nanda.
Ela é uma ótima pessoa. Espero que ela não
demore pra oficializar esse namoro. - Ela me contou como se tornaram amigas
- recordou Mei. - É verdade. Aquela cabeça
dura. Indispunha-se comigo por tudo e eu nem mesmo sabia o por que.
Mas no fim, nos tornamos grandes amigas. - Fico mais tranqüila que seja
assim, pois não correrei o risco de ter uma mulher ciumenta,
pegando no meu pé por estar cuidando de você. - Não se preocupe minha amiga.
Sei que a dor, a tristeza é grande demais, mas vou sobreviver. - Tenho certeza disso. - E mais, não quero que deixe
de curtir sua felicidade, por minha causa. Ouviu, dona Mei! - Com todas as letras. Curtir minha
felicidade não me impede de cuidar de você. Disso não
abro mão, e Fernanda partilha da mesma opinião. - Vocês duas não existem
sabia! - Amamos você, e queremos apenas
cuidar de ti, nesse período tão conturbado de sua
vida. A conversa foi interrompida pelo som
da campainha. O sorriso nos lábios da ruiva, deixou Chris
sorridente. Adoraria ter qualquer uma das duas como irmã,
tal o amor e carinho que nutria por elas. - Oi linda - cumprimentou Fernanda,
depositando um selinho nos lábios de Mei. - Oi Nanda. Você está
linda! - Você também está
linda Mei - sussurrou ao seu ouvido, ao passar por ela. - Boa noite Chris - beijou-a no rosto. - Boa noite Nanda. - Como você está se sentindo,
minha amiga? - Me sinto melhor, ainda mais sendo
cuidada com tanto carinho por vocês duas. - Amamos você e temos certeza
que, se nós estivéssemos passando algo semelhante,
teríamos seu apoio total. - Tem razão. Obrigada por tudo! - Estaremos sempre do seu lado. - Meninas, fiquem conversando aí,
enquanto preparo a mesa para o nosso jantar. - Deixa que eu vou Mei - antecipou-se
Chris. � Afinal, também tenho minhas habilidades na cozinha
- sorriu. � Enquanto isso, você faz companhia pra Nanda. - Tudo bem então. Chris deixou-as a sós, e foi
organizar as coisas. Aproveitaram o momento para namorarem
um pouco. - Preciso de um beijo seu urgente,
senão, não sei o que poderá acontecer comigo...
� beijou o pescoço e o lóbulo da orelha de Mei. - Ai Nanda, assim eu não resisto. Olharam-se intensamente, o beijo veio
carinhoso, terno, cúmplice, sem pressa. Teriam todo tempo
para curtirem o amor que crescia entre elas. - Amor, te quero muito, tenho certeza
que sente o desejo do meu corpo, mas só peço um pouco
de paciência, até que Chris ultrapasse esses momentos.
Depois, prometo ser inteiramente sua! - sussurrou ao ouvido de sua
companheira. - Meu Amor, não se preocupe.
Também te quero muito, mas sei que nosso momento chegará.
Se te esperei por tanto tempo, agora que te encontrei não
me custa esperar um pouquinho mais. - Obrigada. Vou te recompensar, você
vai ver... - olhou sensualmente nos olhos de Fernanda. - Vou cobrar a recompensa, pode esperar. Chris demorou um pouco mais para chamá-las,
no intuito de deixá-las à vontade. Após o delicioso beijo, Mei
encostou a cabeça no ombro de Fernanda, enquanto essa lhe
acariciava os cabelos. Foi assim que Chris as encontrou. - Meninas, hora do jantar! - Isso soa muito bom. Sentaram-se à mesa, e com esforço
e boa vontade, Chris conseguiu ingerir um pouco da comida. Não
queria desapontar Mei. A conversa foi serena, com relatos
de como a amizade entre elas, foi encontrando raízes e se
fortificando. - Mei, o jantar estava delicioso.
Já pode casar. - Chris! - falou envergonhada. - Concordo com ela. - Até você, Fernanda? - Só estou dizendo que sua
comida é deliciosa. - Obrigada... às duas. - Sempre às ordens minha amiga! - Você não presta Chris
- acabou sorrindo. Chris se preparava para arrumar as
coisas, quando é interceptada por Fernanda. � Deixa que a
gente coloca ordem nas coisas aqui. Agora é minha vez de
mostrar habilidade com a louça. - Tudo bem Doutora. Te darei essa
chance! - Obrigada. Você é tão
gentil... - fez cara de sapeca, piscando os olhos varias vezes. Esperou que se sentassem, contou os
minutos para não parecer indelicada, e resolveu se pronunciar. - A conversa está boa, a companhia
mais que agradável, mas preciso descansar meus amores. - Tudo bem Chris. Nós entendemos. Beijou as duas e retirou-se. Estava
indo para o quarto, mas decidiu voltar à sala. Olhou as duas
amigas à sua frente e deu seu recado. - Mei não precisa deixar a
Fernanda na seca, só por causa do momento que estou vivendo.
Não perca tempo, pois o amor não espera, ele é
urgente e necessita ser saciado. Isso aprendi com meus pais e como
quero a felicidade de quem amo, então, te peço, não
se guarde por minha causa. Virou-se e foi para seu quarto. O
dia tinha sido intenso, e sentia-se cansada. O pouco que se alimentou
lhe fez bem. Cuidou de sua higiene, deitou e se perdeu em pensamentos.
Desistira de tentar controlar as lagrimas, que pelas lembranças
e a saudade, correram por seu rosto. Permaneceu assim até
que o sono a venceu.
Continua...
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